— Pelmeni outra vez? A sério, Marin? Eu trabalho como um condenado doze horas por dia para chegar a casa e comer massa comprada com soja? — Serguei largou o garfo sobre a mesa com estrondo, demonstrando, com toda a sua postura, um grau extremo de frustração.
Marina, que tinha atravessado a soleira do apartamento apenas cinco minutos antes e nem sequer tivera tempo de tirar a maquilhagem, encostou-se, exausta, ao batente da porta.

Numa mão tinha a mala com o portátil; na outra, um saco com kefir e pão.
As pernas latejavam depois de um dia inteiro a correr entre a repartição de finanças e os bancos, e a cabeça doía-lhe com números e relatórios intermináveis.
— Serguei, eu cheguei depois de ti.
Estamos a fechar o trimestre, eu disse-te de manhã.
Eu, fisicamente, não teria tido tempo de fazer almôndegas ou cozinhar borsch, — respondeu ela em voz baixa, tentando não provocar um conflito.
— Os pelmeni são bons, categoria “A”, caros.
— Não é a categoria! — o marido levantou-se de repente e começou a andar, nervoso, pela cozinha apertada.
— É a atitude!
Eu quero chegar a uma casa que cheire a aconchego, a comida, onde me estejam à espera.
E nós o que temos?
Pó nos cantos, no frigorífico não há nada, a mulher está sempre ao telefone ou no portátil.
Vivemos como vizinhos num dormitório!
Eu já não aguento mais assim.
Marina foi para o quarto, pousou a mala com cuidado e começou a mudar de roupa.
Essa conversa vinha a amadurecer há muito tempo.
Serguei, ultimamente, tinha sido promovido: tornou-se chefe do departamento de vendas, o salário aumentou e, com o rendimento, aumentaram também as exigências quanto à qualidade de vida.
Só que, por alguma razão, essas exigências diziam respeito exclusivamente a ela, Marina.
Ele entrou atrás dela no quarto, continuando o monólogo:
— Eu pensei nisso, Marin.
Chega.
Despede-te.
Marina ficou imóvel com o botão da blusa desapertado.
Virou-se lentamente para o marido, tentando perceber se ele estava a brincar.
— Como assim “despede-te”?
E vamos viver de quê?
Ainda temos a hipoteca por mais sete anos, o crédito do carro, e, no geral…
Eu amo o meu trabalho, Serguei.
Eu sou contabilista-chefe, eu demorei dez anos a chegar a este lugar.
— Vamos dar conta! — disse Serguei, confiante, acenando com a mão.
— Eu agora ganho cento e vinte mil.
Mais os prémios.
Chega-nos.
E tu ficas em casa.
Tratas da casa, de ti.
Recebes-me do trabalho bonita, descansada, com um jantar de três pratos.
Como as pessoas normais.
Como era com a minha mãe.
O meu pai trabalhava e ela guardava o lar.
E todos eram felizes.
— A tua mãe vivia no campo, tinha horta e não pagava hipoteca de um apartamento no centro da cidade, — observou Marina, com razão.
— E depois, cento e vinte mil é, claro, bom.
Mas o meu salário é oitenta.
No total, temos duzentos.
Se eu sair, o nosso orçamento cai quase pela metade.
— Não cai nada se gastarmos com cabeça! — Serguei começava a irritar-se.
— Tu é que não sabes economizar.
Sempre entregas, café para levar, táxi.
Se ficares em casa, cozinhas tu, vais ao mercado, procuras promoções.
A poupança vai ser enorme.
Enfim, eu já decidi tudo.
Eu quero uma família normal.
Dou-te um mês para encerrares as coisas no trabalho.
Escreve a carta.
Virou-se e foi para a sala, ligando a televisão no volume máximo, deixando claro que a audiência tinha terminado.
Marina ficou parada no meio do quarto.
Por dentro, tudo fervia.
“Eu já decidi tudo.”
Que conveniente.
Ele decide, e quem tem de mudar a vida é ela.
Virar dona de casa, depender de cada moeda do marido, pedir dinheiro para meias-calças e justificar cada tomate?
Não, essa perspetiva não a agradava nada.
Mas também discutir, partir loiça e gritar “não” era inútil: Serguei teimaria até ao fim.
Era preciso outro tipo de abordagem.
Profissional.
De contabilista.
No dia seguinte, Marina passou o trabalho inteiro fora de si.
Os colegas olhavam de lado, perguntavam se ela estava doente, mas ela só acenava, a afastar o assunto.
Na cabeça, rodavam números.
Abriu uma folha de Excel e começou a montar um orçamento.
O orçamento da sua nova “função”, que o marido lhe oferecia com tanta insistência.
Ela abordou o tema com a mesma minúcia com que tratava o balanço anual de uma empresa.
À noite, quando Serguei, satisfeito consigo e com a sua “decisão brilhante” do dia anterior, jantava (Marina conseguira assar frango, sacrificando a pausa do almoço para correr ao supermercado), ela pousou à frente dele uma pasta com folhas impressas.
— O que é isto? — Serguei, de boca cheia, olhou para os papéis, surpreendido.
— Já escreveste a carta? Boa, rápida.
— Não, Serguei.
Isto é um plano de negócios.
Uma proposta comercial, — respondeu Marina com calma, servindo-se de chá.
— Tu propuseste-me mudar de área.
Passar de trabalhadora assalariada a dona de casa.
Eu, como profissional, analisei a proposta e estou pronta a aceitá-la.
Mas sob um conjunto de condições financeiras.
Serguei engasgou-se com o chá.
— Que condições?
Tu és minha mulher, não uma funcionária!
— Precisamente.
Agora eu sou uma esposa que trabalha e contribui com quarenta por cento do orçamento.
Tu queres que eu assuma cem por cento da casa, te dê conforto nível “luxo” (três refeições por dia, limpeza perfeita, camisas passadas, aconchego), mas ao mesmo tempo que eu perca o meu rendimento e a minha carreira.
Qualquer trabalho tem de ser pago ou compensado.
Vamos por pontos.
Marina abriu a pasta e apontou a caneta para a primeira linha.
— Ponto um.
Fundo de segurança.
Eu despeço-me, perco tempo de serviço, perco qualificação.
Se daqui a cinco anos, Deus nos livre, nos divorciarmos, ou se te acontecer alguma coisa, quem me vai contratar depois de uma pausa assim?
Ninguém.
Ou por trocos.
Por isso, para eu me sentir protegida, tu tens de abrir uma conta de depósito em meu nome e, todos os meses, transferir para lá um valor equivalente à minha pensão futura e à perda de tempo de serviço.
Vamos ao mínimo: vinte mil rublos por mês.
Isto é o meu seguro contra o teu “deixei de te amar” ou “fui para outra”.
Serguei arregalou os olhos, mas ficou calado.
O argumento era irrefutável.
— Ponto dois, — continuou Marina.
— Despesas pessoais.
Hoje eu pago a minha roupa, cosméticos, cabeleireiro, ginásio, telemóvel.
Queres que eu te receba bonita e cuidada?
A beleza custa dinheiro.
Manicure, pedicure, coloração, cremes, mensalidade do ginásio: eu calculei que, em média, gasto quinze mil por mês.
Mais roupa: cerca de mais dez, se eu distribuir as compras sazonais ao longo do ano.
Total: vinte e cinco mil rublos que tens de me dar em mãos no primeiro dia de cada mês.
Para “saltos”, como se diz.
E eu não tenho de te prestar contas desse dinheiro.
— Marin, estás a exagerar… — começou Serguei.
— Para que precisas de tanta roupa se vais ficar em casa?
— Eu não vou andar à tua frente com um robe engordurado, Serguei.
Tu pediste “como as pessoas normais”.
A dona de casa é o rosto do marido.
Ou queres que eu me transforme numa desleixada?
Serguei fez uma careta, lembrando-se das esposas de alguns amigos, que realmente não pareciam bem depois de anos em casa.
— Está bem, vá. E depois?
— Ponto três.
O mais interessante.
Despesas domésticas e alimentação.
Tu disseste que queres jantar de três pratos, produtos frescos, carne, fruta.
Eu fiz um menu semanal com base nos teus desejos.
Borsch com carne de vaca, peixe assado (não escamudo, mas truta ou salmão, como tu gostas), saladas com legumes frescos, pastelaria caseira.
Para cozinhar com essa qualidade e variedade, é preciso um orçamento à altura.
Hoje gastamos em comida cerca de trinta mil, porque comemos semipreparados e massa.
Para um menu caseiro “de restaurante” serão, no mínimo, cinquenta.
E isso é só em produtos.
Mais produtos de limpeza, contas, internet.
No total, para a casa, eu preciso de sessenta mil rublos por mês.
Marina virou a página.
— E, por último.
A hipoteca e o crédito do carro.
São quarenta e cinco mil por mês.
Agora pagas tu sozinho.
Serguei ficou sentado, a olhar para o papel, mexendo os lábios em silêncio, tentando somar as cifras.
— Espera… — conseguiu dizer, por fim.
— Vinte para a conta, vinte e cinco para ti, sessenta para a casa… isso dá cento e cinco!
Mais quarenta e cinco da hipoteca… dá cento e cinquenta mil!
— Exatamente, — assentiu Marina.
— Cento e cinquenta mil rublos por mês.
Este é o custo mínimo de manter uma esposa sem trabalho e uma casa no nível que tu pediste.
E o teu salário, lembro, é cento e vinte.
Na cozinha instalou-se um silêncio metálico.
Só se ouvia o frigorífico a zumbir.
— Mas… — Serguei olhou para a mulher, perdido.
— Onde é que eu vou buscar mais trinta mil?
E ainda nem deixei dinheiro para gasolina, almoços, cigarros…
— Bem, tu és o homem, o provedor, — Marina encolheu os ombros, devolvendo-lhe o próprio argumento.
— Tu disseste “vamos conseguir”, “eu já decidi”.
E eu estou a mostrar-te a realidade.
Se queres que eu largue o trabalho, tens de ganhar, no mínimo, duzentos mil.
Aí dá.
Mas, por enquanto… por enquanto os teus cento e vinte só dão para manter as calças no lugar, se eu trabalhar.
— Tu calculaste a mais de propósito! — explodiu Serguei.
— Sessenta para comida?
A minha mãe vivia com dez mil por mês!
— A tua mãe vivia nos anos noventa no campo, Serguei! — a voz de Marina ficou dura.
— Queres comer batatas da horta e pepinos em conserva todos os dias?
Ou bifes e truta?
Decide-te.
Qualidade de vida custa dinheiro.
O meu trabalho em casa custa dinheiro.
O meu tempo custa dinheiro.
Eu não me candidatei a ser tua criada gratuita em troca de comida e um teto.
— Está bem! — Serguei bateu com o punho na mesa.
— Eu vou provar-te!
Tu és uma gastadora.
Tenho a certeza de que dá para caber no meu salário e viver muito bem.
— Ótimo, — sorriu Marina.
— Vamos fazer uma experiência.
Eu não me despeço.
Tiro duas semanas de férias.
Tenho muitos dias acumulados.
E nessas duas semanas eu vivo como “dona de casa perfeita”.
Mas!
O orçamento é só o teu.
O meu salário não se toca; vai para a conta, como poupança.
E tu dás-me dinheiro quando eu te pedir para as necessidades da casa.
Vamos ver até onde aguentas.
Serguei esfregou as mãos, entusiasmado.
— Combinado!
Vais ver: daqui a duas semanas és tu que escreves a carta, quando perceberes como é bom estar em casa e não te matares no escritório.
A experiência começou na segunda-feira.
Marina levantou-se, honestamente, às sete, preparou o pequeno-almoço para o marido: omelete com bacon, sumo natural, torradas.
Acompanhou-o até ao trabalho, deu-lhe um beijo.
Depois, dedicou-se à limpeza.
Lavou o chão, as janelas, lavou as cortinas.
Foi ao mercado, escolhendo cuidadosamente carne e legumes.
À noite, Serguei foi recebido com um jantar digno de rei: assado em panelinhas, salada “César” com molho caseiro e charlotte.
A casa brilhava.
O próprio Serguei, saciado e contente, estava deitado no sofá.
— Vês! — dizia ele, a mexer nos dentes com um palito.
— Tu consegues!
E quanto gastaste hoje?
— Três mil rublos, — respondeu Marina.
— A carne está cara, os legumes também.
E comprei um bom limpa-vidros; o antigo acabou.
— Três mil num dia? — Serguei franziu o sobrolho.
— É muito.
Temos de ser mais económicos.
— Queres amanhã massa com salsicha?
Fica por trezentos rublos.
— Não, não, está tudo ótimo, continua.
Na quarta-feira, Serguei começou a ficar nervoso.
O dinheiro do cartão voava a uma velocidade assustadora.
Marina, todos os dias, pedia-lhe para transferir ora dois, ora três, ora cinco mil.
Ora era preciso pagar a internet, ora comprar detergente (o pacote grande, compensa!), ora acabava o óleo.
E, além disso, chegou o prazo do pagamento da hipoteca.
Na quinta-feira à noite, quando Marina serviu uma anatra assada com maçãs (Serguei até tinha comentado que há muito não comia anatra), ele estava à mesa mais sombrio do que uma nuvem.
— Marin, no meu cartão restam vinte mil.
E o salário só vem daqui a duas semanas.
Pagámos a hipoteca, as contas… para onde foi o dinheiro?
— Serguei, eu estou a registar as despesas, — Marina tirou um caderno bem organizado.
— Olha.
Produtos: aqui estão os recibos.
Mercado, “Perekrestok”, talho.
Tu pediste variedade.
Produtos de limpeza.
Gasolina para ti (tu pediste para eu abastecer enquanto eu andava em recados).
Lavandaria do teu fato.
Tudo estritamente necessário.
Eu nem comprei um batom novo.
Serguei folheou o caderno.
Não havia como discutir.
Os preços subiram, e as suas exigências pediam ingredientes de qualidade.
— Ouve, talvez não fosse preciso a anatra?
O frango é mais barato…
— Tu pediste anatra.
Eu sou uma boa esposa: cumpro os desejos do meu marido.
Mas a anatra custa setecentos rublos o quilo.
Na segunda semana da experiência, a “vida boa” começou a rachar.
Serguei teve de pedir emprestados dez mil a um colega até ao salário, porque o depósito estava vazio e em casa acabou o café (o bom, em grão, de que ele gostava).
Marina continuou impecável no papel: a casa brilhava, a comida era deliciosa, ela própria estava ótima (dormia bem).
Mas todas as noites aproximava-se do marido com a mão estendida: “Querido, preciso de dinheiro para amanhã”.
E esse gesto do “dá-me dinheiro” começou a irritar Serguei mais do que os pelmeni ao jantar.
Ele sentia que perdia o controlo da situação.
Estava habituado a que o dinheiro simplesmente existisse.
Que Marina comprasse os produtos, pagasse metade das contas, e ele nem pensasse em quanto custa um pacote de detergente.
Agora, cada rublo passava pelo seu sistema nervoso.
O clímax aconteceu no sábado.
Serguei ficou com dor de dente.
Forte, de repente, como costuma ser.
Passou a noite a sofrer e, de manhã, com a bochecha inchada, declarou:
— Temos de ir à clínica.
A consulta é uns três mil, mais o tratamento…
Deve dar uns dez mil.
Marina olhou para ele com pena.
— Coitadinho.
Claro que temos de ir.
Tens dinheiro?
Serguei abriu o banco no telemóvel.
Na conta havia mil e quinhentos rublos.
— Marin… eu estou a zero.
Dá-me dos teus, sim?
Dos que pusemos de parte.
— Desculpa, Serguei, — disse Marina com suavidade, mas firme.
— Pelas regras da experiência, vivemos só do teu salário.
O meu dinheiro é “reserva intocável”, está no depósito; não dá para levantar sem perder juros.
Estamos a simular que eu não trabalho.
De onde é que uma esposa sem trabalho tira dinheiro para o teu dentista?
— Estás a gozar comigo?! — gritou Serguei, agarrado à bochecha.
— Dói-me!
Isto é força maior!
— Na vida de uma dona de casa também há imprevistos.
A máquina de lavar avaria, a criança adoece, o marido adoece.
Se há um buraco no orçamento, não há dinheiro para dentes.
Vais ter de ir ao serviço público com o seguro.
Lá é grátis.
Só que, provavelmente, só te dão senha para segunda-feira…
E a obturação é de cimento.
Serguei olhou para a mulher, horrorizado.
Imaginou a fila no dentista público, o barulho da broca de outros tempos…
— Marin, acaba com este circo!
Transfere-me o dinheiro!
Eu devolvo com o prémio!
— Com que prémio? — perguntou Marina, surpreendida.
— O prémio só vem no mês que vem.
E nós vivemos de quê estas duas semanas?
Se eu te der agora dez mil, não teremos nada para comer.
Tu comeste tudo em anatra e salmão.
Serguei sentou-se, abatido, segurando a cabeça com as mãos.
A dor do dente pulsava, mas ainda pior era a consciência da própria incapacidade.
Percebeu que se tinha encurralado.
Queria ser “patriarca”, o chefe de família que controla tudo sozinho, mas não estava preparado para carregar esse peso financeiramente.
— Eu entendi, — disse ele, em voz baixa.
— Eu entendi tudo, Marin.
Tu ganhaste.
Transfere, por favor.
Eu não vou mais… não vou mais exigir que te despeças.
Marina pegou no telemóvel, em silêncio, e fez a transferência.
Quinze minutos depois, Serguei já ia de táxi para uma boa clínica privada.
À noite, quando a anestesia passou e Serguei conseguiu falar normalmente, sentaram-se na cozinha.
Na mesa havia chá e as bolachas simples “Yubileynoye” — a anatra e os delicados acabaram junto com as ambições de Serguei.
— Desculpa, — disse ele, olhando para a chávena.
— Eu achava mesmo que o meu salário chegava para tudo.
Eu não sabia que os preços tinham subido tanto.
E eu não pensava no quanto tu compras, “pelo meio”, sem dar por isso.
— Fico contente que tenhas entendido, Serguei, — Marina cobriu-lhe a mão com a dela.
— Ser dona de casa é um risco enorme e um trabalho enorme.
E é um luxo muito caro para uma família.
Nós, por enquanto, não podemos permitir-nos isso.
Nós somos parceiros.
Puxamos esta carga juntos, e só os dois conseguimos garantir uma vida digna, viagens ao mar, um bom carro.
— Pois, — sorriu ele de lado.
— Parceiros.
Ouve, e se… e se contratássemos uma ajudante?
Nem que seja uma vez por semana.
Para lavar o chão, esfregar a casa de banho.
Tu realmente ficas exausta.
E para cozinhar… vamos cozinhar juntos ao fim de semana para vários dias.
Ou pedir entrega às vezes.
Eu não sou contra pelmeni, a verdade é essa.
Só que naquele dia eu estava cheio.
— Uma ajudante é uma ótima ideia, — Marina iluminou-se.
— Custa cerca de três mil por visita.
Por mês, doze mil.
Isso dá para nós, se tu desistires de duas idas ao bar com os amigos ou levares almoço de casa duas vezes por semana.
— Concordo, — assentiu Serguei.
— Melhor levar marmitas do que voltar a sentir-me um pobre com dor de dente.
Marina voltou ao trabalho na segunda-feira.
Caminhava para o escritório, bebia café no caminho e sentia-se absolutamente feliz.
Ela amava a sua casa, mas ainda mais amava a sua independência e a confiança no dia de amanhã.
E Serguei… Serguei recebeu uma boa lição de literacia financeira.
E, aliás, passou a respeitar muito mais o cansaço dela à noite.
Agora, se no lava-loiça havia uma pilha de pratos, ele não gritava; levantava-se em silêncio e lavava-os.
Porque entendia: criadagem grátis só existe em contos de fadas, e na vida real tudo se paga — com dinheiro, ou com o próprio trabalho.
O casamento deles ficou mais forte.
Não porque Marina se tenha tornado uma esposa submissa, mas porque Serguei deixou de viver de ilusões e viu na mulher uma pessoa igual, cujo contributo para a família é inestimável, mesmo quando não se expressa apenas em borsch, mas também em dinheiro.
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