— Quinze minutos — disse Viktor, sem tirar os olhos do celular. — Pegue suas tralhas e vá embora. Daqui a quinze minutos vou trancar a porta, e nem precisa procurar a chave.
Katya estava parada no hall de entrada, apertando uma toalha molhada contra o peito.

Ela tinha acabado de sair do banheiro — os cabelos estavam molhados, nos pés tinha chinelos gastos e, sobre os ombros, um velho roupão felpudo.
Apenas um minuto antes, ela era uma mulher que tinha uma casa, um marido e água quente.
Agora, tinha quinze minutos.
— Vitya — começou ela, e sua voz tremeu traiçoeiramente. — Vamos conversar…
— As conversas acabaram — cortou ele. — Quatorze minutos.
Ele nem gritava.
Era justamente isso que mais assustava — ele não gritava, não fazia escândalo, não jogava as coisas para todos os lados.
Falava calmamente, de maneira uniforme, como um operador anuncia o horário de partida de um trem.
O trem parte em quatorze minutos.
Favor ocupar seus lugares.
Aos acompanhantes, favor deixar o vagão.
Katya se virou e foi para o quarto.
Suas mãos tremiam, e sua cabeça zumbia como dentro de uma cabine de transformadores.
Ela abriu a gaveta da cômoda e começou a pegar as coisas — roupas íntimas, um suéter, jeans, alguma camiseta.
Tudo amontoado, tudo caindo fora da bolsa.
Seus dedos não obedeciam.
Oito anos.
Durante oito anos eles viveram naquele apartamento.
Um apartamento de dois quartos, no quarto andar, com janelas voltadas para o pátio, onde crescia um velho álamo — todo mês de junho, suas sementes voavam como neve, e Katya espirrava, enquanto Viktor reclamava: “Podiam cortar essa porcaria”.
Durante oito anos, ela dormiu do lado esquerdo da cama, enquanto Viktor dormia do lado direito, e, com o tempo, entre eles se formou uma faixa de terra de ninguém com a largura de uma vida inteira.
O motivo?
O motivo era simples, velho como o mundo.
Viktor encontrou outra mulher.
Ela se chamava Alina, tinha vinte e seis anos e trabalhava como recepcionista na academia dele.
Pernas longas, dentes brancos e cílios que pareciam leques.
Katya descobrira um mês antes — viu as mensagens quando Viktor deixou o celular na cozinha.
O clássico do gênero: coraçõezinhos, “sinto sua falta”, “você é meu gatinho”, fotos que fizeram Katya sentir tanta náusea que mal conseguiu chegar ao banheiro.
Durante um mês, ela ficou em silêncio.
Esperava que ele mesmo contasse.
Que ele mesmo explicasse, pedisse desculpas — ou pelo menos mentisse de maneira convincente, para que ela pudesse acreditar e continuar vivendo.
Mas Viktor não disse nada.
Viktor continuou chegando em casa, comendo os jantares preparados por ela, dormindo na cama dela e enviando coraçõezinhos para Alina.
E naquela manhã ele chegou do trabalho mais cedo que de costume, sentou-se na cozinha, tamborilou os dedos sobre a mesa e declarou:
— Kat, eu tenho outra mulher.
— Quero que ela venha morar aqui.
— Arrume suas coisas.
Foi assim.
Sem preliminares, sem “precisamos conversar”, sem a mentira habitual.
Como um golpe de machado — uma vez, e tudo se partiu ao meio.
Katya começou a se vestir.
Vestiu jeans, suéter e jaqueta.
Seus dedos ainda não obedeciam — fechou o zíper na terceira tentativa.
Colocou na bolsa os documentos, a carteira e o carregador do celular.
O que mais alguém leva quando é expulso da própria vida em quinze minutos?
Uma escova de dentes?
Fotografias?
Lembranças?
Ela passou por Viktor no hall.
Ele estava parado junto à porta, com os braços cruzados sobre o peito, e tinha uma expressão tão… profissional.
Como se estivesse fazendo uma inventariação de rotina: objeto desnecessário — dar baixa, retirar do estoque, liberar espaço.
— A chave — disse ele, estendendo a mão.
Katya olhou para o seu chaveiro.
A chave do apartamento, a chave da entrada do prédio, uma pequena chave da caixa de correio.
Oito anos no mesmo chaveiro.
Ela as retirou — devagar, cuidadosamente, como quem tira um anel do dedo — e colocou as chaves na palma da mão dele.
— Você ao menos entende o que está fazendo? — perguntou baixinho.
— Entendo — respondeu ele, colocando as chaves no bolso. — Já deveria ter feito isso há muito tempo.
Katya saiu para o patamar da escada.
Atrás dela, a fechadura estalou.
Uma volta, depois outra.
Pronto.
Fim.
Cortina.
Ela ficou parada no quarto andar, com a bolsa na mão, usando a jaqueta sobre os cabelos molhados, olhando para a porta fechada.
Katya pegou o celular.
Três da tarde.
Quarta-feira.
Para onde ir?
Sua mãe estava em outra cidade, a seiscentos quilômetros de distância.
Ir para a casa da amiga Natasha — Natasha estava trabalhando, tinha um apartamento de um quarto, marido e dois filhos; ali já não havia espaço nem para Katya respirar.
Um hotel — com que dinheiro?
Na carteira havia três mil rublos e algumas moedas.
No cartão… provavelmente Viktor já havia bloqueado seu acesso.
Ele sempre controlara o dinheiro.
“Para que você precisa de um cartão separado?
Somos uma família, temos um orçamento comum.”
Um orçamento comum do qual Katya recebia apenas migalhas para comprar xampu e meias-calças.
Ela começou a descer as escadas.
Degrau após degrau, andar após andar — como em uma filmagem em câmera lenta.
No segundo andar, parou, encostou-se à parede e fechou os olhos.
Por dentro, estava vazia.
Saiu para a rua.
Outubro.
Vento.
Folhas amarelas eram varridas pelo asfalto.
O pátio estava vazio — havia um parquinho infantil, os balanços rangiam ao vento, e um gato de rua se encolhia junto à parede do prédio.
Katya estava parada diante da entrada como alguém deixado em uma estação desconhecida no meio da estepe: os trilhos seguiam para os dois lados, mas não havia horário, nem estação, nem bilheteria.
E então ela viu o carro.
Um velho Toyota prateado estava estacionado bem em frente à entrada, e havia alguém sentado ao volante.
No início, Katya não o reconheceu — o sol ofuscava seus olhos, e o para-brisa refletia a luz.
Mas então a porta do carro se abriu, e de dentro saiu…
Nikolai Petrovich.
Seu sogro.
O pai de Viktor.
Ele tinha sessenta e oito anos.
Era baixo, magro, tinha cabelos grisalhos cortados curtos e um rosto que o vento e o trabalho haviam marcado de rugas como se fossem cortes de faca.
As mãos eram fortes, escuras, calejadas.
Ex-marceneiro, um verdadeiro mestre em seu ofício.
Estava aposentado havia cinco anos e morava sozinho em uma pequena cidade a quarenta quilômetros dali — sua esposa, a mãe de Viktor, havia morrido três anos antes.
— Nikolai Petrovich? — Katya ficou tão confusa que até se esqueceu das lágrimas. — O senhor… o que está fazendo aqui?
Ele se aproximou.
Olhou para ela — para os cabelos molhados, a bolsa e os olhos vermelhos.
Depois ergueu a cabeça, olhou para as janelas do quarto andar e disse:
— Entre no carro, filha.
— O quê?
— Entre, estou dizendo.
— Depois eu explico.
Katya entrou.
Simplesmente porque suas pernas não a sustentavam, e o interior quente do carro pareceu naquele momento o único lugar seguro em toda a cidade.
O carro cheirava a aromatizador de pinho e tabaco.
Seu sogro sentou-se ao volante, ligou o motor, mas não saiu do lugar.
Virou-se para Katya.
— Eu sei — disse brevemente. — Sei de tudo.
— Vitya me ligou ontem.
— Ficou se gabando.
A última palavra ele pronunciou com tanto desprezo que parecia tê-la cuspido como algo amargo.
— Disse que “finalmente resolveu o problema”.
— Encontrou uma garota para ele, segundo ele, jovem e bonita.
— E a Katka… bem, a Katka vai se virar de algum jeito.
Katya permaneceu em silêncio.
As mãos estavam sobre os joelhos, o olhar fixo no chão.
— Eu disse a ele: “O que você está fazendo, moleque?” — continuou Nikolai Petrovich. — “Você está expulsando sua esposa de casa?”
— Não, ele disse que não tinham filhos e que não havia motivo para continuar juntos.
— Eu disse a ele: “O que os filhos têm a ver com isso?”
— “Você viveu com essa mulher durante oito anos, ela foi leal a você…”
— E sabe o que ele me respondeu?
— Ele disse: “Pai, não se meta.
— Essa é a minha vida”.
Nikolai Petrovich ficou em silêncio.
Apertou o volante.
— Minha vida — repetiu baixinho.
— A vida dele.
— Nós não o criamos para que ele colocasse a própria esposa na rua como um cachorro…
Sua voz falhou, e ele virou-se para a janela.
Durante um minuto, ficaram em silêncio.
— Nikolai Petrovich — disse Katya cautelosamente — o senhor não deveria ter feito isso…
— Afinal, é verdade: é a vida dele.
— A escolha dele.
— Escolha! — O velho virou-se para ela, e seus olhos estavam úmidos, embora seu rosto permanecesse imóvel. — Escolha é quando um homem pensa com a cabeça, e não com o que fica abaixo da cintura.
— Escolha é quando você assume a responsabilidade pelas próprias palavras.
— Ele jurou diante de Deus que estaria com você na alegria e na tristeza.
— Esqueceu?
— Eu não esqueci.
Ele ficou em silêncio por um momento e depois disse, já mais calmo e firme:
— Então é o seguinte, Katyusha.
— Dois dias atrás, vim para cá e aluguei um apartamento.
— Aqui na cidade, na rua Lênina.
— Dois quartos, limpo, e a proprietária é uma mulher decente.
— Paguei três meses adiantados.
— Vamos, eu vou mostrar.
Katya ficou olhando para ele.
— O senhor… alugou um apartamento?
— Para mim?
— E para quem mais?
— Para o Vitya?
— O Vitya já se arranjou sozinho, como você pode ver — ele deu um sorriso sem alegria. — Vamos.
Eles seguiram em silêncio.
Katya olhava pela janela e não conseguia entender — não conseguia, não sabia como compreender aquilo que estava acontecendo.
Seu sogro.
O pai do marido que a expulsara.
Ele tinha vindo de quarenta quilômetros de distância, alugado um apartamento e ficado esperando na entrada do prédio.
Como se soubesse — minuto a minuto, segundo a segundo — quando ela sairia.
— Como o senhor sabia que seria hoje? — perguntou ela.
— Vitya ligou ontem, já falei.
— Disse: “Amanhã vou conversar com ela”.
— Eu conheço meu filho.
— Para ele, “conversar” significa dar um ultimato.
— É igual ao avô — aquele também tomava decisões precipitadas e depois passava a vida inteira se arrependendo.
— Saí de manhã.
— Cheguei ao meio-dia e fiquei esperando.
— Desde o meio-dia?
Katya olhou para o relógio.
Três da tarde.
Ele havia esperado três horas.
— Nikolai Petrovich…
— Escute uma coisa — interrompeu ele. — Não me chame pelo patronímico.
— Você me chama assim há oito anos — já chega.
— Me chame de pai.
— Ou tio Kolya, se não gostar de me chamar de pai.
— Você, Katyusha, ficou mais próxima de mim nesses anos do que… — Ele se interrompeu. — Bem.
— Chegamos.
O apartamento na rua Lênina revelou-se claro e espaçoso — não era luxuoso, mas dava para viver ali.
Os móveis eram simples: sofá, mesa e armário.
Na cozinha havia fogão e geladeira.
No parapeito da janela havia um gerânio em um vaso, deixado pela proprietária.
Mas Katya percebeu outra coisa.
Sobre a mesa havia sacolas de compras.
Pão, manteiga, chá, açúcar, cereais, ovos e leite.
Tudo o que era necessário, tudo pensado com cuidado — não de qualquer jeito, como um homem costuma fazer, mas de maneira meticulosa, como se alguém tivesse ido ao supermercado com uma lista e riscado item por item.
— Foi o senhor? — perguntou ela, apontando para as sacolas.
— Quem mais seria?
— Não foi o fantasma da casa.
— Nikolai Petrovich…
— Tio Kolya — corrigiu ele.
— Tio Kolya.
— Por quê?
Ele se sentou em uma cadeira junto à janela.
Juntou as mãos sobre os joelhos — grandes, escuras, cobertas de pequenas cicatrizes de formões e serras.
Mãos de um mestre que passou a vida fazendo coisas — resistentes, bem-feitas, com consciência.
Banquinhos, armários, molduras, caixilhos de janelas.
Uma vez, fez até o caixão da própria esposa.
Ele mesmo o construiu, lixou e envernizou.
Porque não conseguia confiar aquela última tarefa a mãos estranhas.
— Você pergunta por quê — repetiu ele. — Então eu vou lhe dizer.
— Quando Vitya nasceu, jurei que faria dele um homem de verdade.
— Um ser humano, Katyusha — não um macho, não um provedor, não o dono da vida alheia, mas um ser humano.
— Para que cumprisse sua palavra.
— Para que não maltratasse os mais fracos.
— Para que tivesse vergonha na cara.
Ele ficou em silêncio e passou a mão pelo rosto.
— Não consegui criá-lo assim.
— Não percebi o que estava acontecendo.
— A culpa também é minha — trabalhei demais e ficava pouco em casa.
— Masha, a mãe dele, o mimava.
— Toda mãe mima seu filho único — isso não é pecado.
— Mas eu deveria ter…
— Bem, deixa para lá.
— O que está feito, está feito.
— Agora vou tentar consertar.
— Não ele — ele é um homem adulto, não há mais como mudá-lo.
— Vou consertar a mim mesmo.
— A si mesmo? — Katya não entendeu.
— A mim mesmo.
— Ele é meu filho.
— Portanto, os pecados dele também são meus.
— Ele expulsou você de casa — então sou eu quem responde por isso.
— Diante de você, diante da falecida Masha e diante de Deus.
Katya sentou-se no sofá.
Ao seu redor havia um apartamento desconhecido, um gerânio desconhecido, paredes desconhecidas — mas, pela primeira vez naquele dia, ela sentiu algo parecido com paz.
Como se o chão sob seus pés tivesse parado de desaparecer.
— Sabe — disse ela — durante todos esses oito anos eu tive a impressão de que era invisível.
— Como se eu não existisse.
— Viktor olhava através de mim.
— Como se eu fosse vidro.
— Eu falava — ele não ouvia.
— Eu chorava — ele não via.
— Uma vez fiquei doente, com trinta e nove graus de febre, estava completamente prostrada, e ele chegou do trabalho e perguntou: “E o jantar?”
— Eu estava realmente morrendo — e ele queria saber onde estava o jantar.
— Eu sei — disse Nikolai Petrovich.
— Masha me contou.
— Ela via tudo.
— E se preocupava muito com você.
— Ela me dizia: “Kolya, converse com seu filho, ele vai levar a Katka ao limite”.
— Eu conversei.
— Não adiantou.
Katya sentiu algo quente, salgado e irresistível subir à garganta.
Ela cobriu a boca com a mão, mas as lágrimas começaram a cair sozinhas — silenciosas, sem soluços, simplesmente escorrendo pelas bochechas.
Nikolai Petrovich não tentou consolá-la.
Não disse “não chore”, “tudo vai ficar bem”, “o tempo cura” — todas aquelas frases vazias com que as pessoas tentam tapar a dor alheia.
Ele simplesmente ficou sentado ao lado dela e esperou.
Como uma margem espera — até que o rio se acalme, pare de rugir e volte ao seu leito.
Quando Katya se acalmou, ele se levantou, foi até a cozinha e colocou a chaleira no fogo.
— Quer chá? — perguntou por cima do ombro.
— Também comprei biscoitos.
— Só não sabia de quais você gostava, então peguei os de aveia.
— Os de aveia são meus favoritos — disse Katya, sorrindo fracamente.
— Então acertei.
Ele ficou em silêncio enquanto tirava as xícaras da sacola — também novas, aparentemente compradas naquele mesmo dia.
— Katyusha, escute.
— Você chorou agora — e chega.
— Chorar é necessário, mas não por muito tempo.
— Agora vamos pensar.
— Em quê?
— Na vida.
— Na sua vida.
— Paguei o apartamento por três meses — é tempo suficiente para respirar.
— Você tem trabalho?
— Tenho.
— Em uma escola, sou professora dos primeiros anos.
— Então pronto.
— Você tem trabalho.
— Tem cabeça sobre os ombros.
— Tem braços e pernas funcionando.
— Então vai sobreviver.
— E quanto ao coração doer — isso vai passar.
— Não imediatamente, mas vai passar.
— Eu sei.
— Quando Masha morreu, achei que não sobreviveria.
— E aqui estou eu — vivo.
— Vivo mal, vazio, mas vivo.
Ele colocou uma xícara diante dela.
O chá estava forte, quente e com açúcar.
— Coloquei duas colheres — disse ele.
— Masha sempre dizia: quando estiver sofrendo, tome chá doce.
— Existe até uma explicação científica, alguma coisa sobre glicose.
— Mas Masha dizia de um jeito mais simples: “Doce contra o amargo”.
Katya segurou a xícara com as duas mãos, envolvendo-a para aquecer os dedos.
Lá fora, estava escurecendo.
O dia de outubro era curto e apressado, como um convidado culpado: chegou e já estava indo embora.
— Tio Kolya — disse ela. — Viktor sabe que o senhor… que o senhor fez isso?
— Não.
— E ele não precisa saber.
— Ele vai ficar magoado com o senhor.
Nikolai Petrovich soltou um resmungo curto e duro.
— Que fique.
— Tenho sessenta e oito anos de vida e há muito tempo parei de ter medo de que alguém ficasse magoado comigo.
— As pessoas que ficam ofendidas são aquelas às quais a consciência não consegue responder.
— Vitya vai ficar magoado — e depois talvez pense um pouco.
— Embora eu duvide.
— Agora ele está feliz, acha que encontrou uma vida nova.
— Alinochka, academia, músculos na barriga.
— E nem passa pela cabeça dele que daqui a um ano Alinochka vai encontrar alguém mais jovem.
— Mas vai passar.
— A vida, Katyusha, tem uma memória longa.
Ele terminou o chá e se levantou.
— Bem.
— Preciso ir — está escurecendo, e meus olhos já não são os mesmos.
— Aqui estão as chaves.
— Aqui está o número da proprietária — Valentina Ivanovna, uma mulher decente.
— E aqui — colocou um envelope sobre a mesa — é para o começo.
— Não discuta.
— Não é esmola — é uma dívida.
— Que dívida?
— Com Masha.
— Ela gostaria muito disso.
Katya o acompanhou até a porta.
Na soleira, ele parou e se virou.
— Katyusha.
— Sim?
— Você é uma boa pessoa.
— Apenas se lembre disso.
— Vitya não entendeu isso.
— Idiota.
— Meu filho — mas um idiota.
— Você merece outra coisa.
— E ela virá — será diferente.
— Com certeza.
Ele colocou o boné, assentiu com a cabeça e começou a descer as escadas.
Os passos eram pesados, irregulares, de um homem idoso.
Katya ficou parada à porta, ouvindo os passos se afastarem.
Depois voltou para o apartamento.
Sentou-se à mesa.
Abriu o envelope — havia dinheiro dentro.
Muito dinheiro.
Provavelmente o equivalente à aposentadoria de três meses, no mínimo.
Katya apertou o envelope contra o peito e chorou — não mais de dor, mas por causa de algo diferente, enorme e quente, para o qual não tinha palavras.
Naquela mesma noite, Viktor ligou para o pai.
— Pai, por que você foi até a casa da Katka?
— Minha vizinha de baixo me contou.
— Por isso — respondeu Nikolai Petrovich.
— Eu pedi para você não se meter!
— Esta é a minha vida!
— Sua vida é quando você mesmo assume a responsabilidade por si.
— Quando um velho aposentado precisa limpar a bagunça por você, isso não é a sua vida.
— É a minha vergonha.
— O que você entende disso! — Viktor explodiu em um grito. — Entre mim e Katya, tudo está morto há muito tempo!
— Eu estou vivo, entende?
— Vivo — repetiu o pai.
— Então viva.
— Eu também vou viver.
— Do meu jeito.
— Sua mãe, já falecida, me pediu uma coisa: “Não abandone Katka”.
— E eu não a abandonei.
— Boa noite.
E desligou o telefone.
Naquela noite, Katya ficou sentada por muito tempo junto à janela do apartamento desconhecido na rua Lênina.
Olhou para os postes de luz, para o asfalto molhado e para os pedestres que corriam para casa — para seus jantares, seus sofás, suas brigas e reconciliações.
E pensou que, em um único dia, perdera o marido e encontrara um pai.
Um pai de verdade.
Não pelo sangue — mas pelo coração.
Uma semana depois, Nikolai Petrovich voltou.
Trouxe um pequeno ícone de São Nicolau.
Katya pendurou o ícone no canto do quarto.
Enquanto isso, Viktor começou a viver com Alina.
O primeiro mês foi uma euforia açucarada de romance: restaurantes, cinema, café na cama pela manhã.
No segundo, começaram a se adaptar um ao outro: descobriu-se que Alina não cozinhava absolutamente nada, não gostava de limpar e, pela manhã, ocupava o banheiro por uma hora e meia.
No terceiro, aconteceu a primeira briga: Alina queria viajar para a Turquia, enquanto Viktor contava o dinheiro.
No quarto, Alina encontrou o celular dele e descobriu que ele trocava mensagens com uma colega de trabalho.
Ironia do destino — sorria e chore.
Na virada do ano, Alina fez as malas.
Viktor chegou em casa — o apartamento estava vazio, e sobre a mesa havia um bilhete: “Você é entediante. Boa sorte”.
Ele ficou parado na cozinha, olhando para o bilhete e pensando — mas onde estava o jantar?
Viktor sentou-se em uma cadeira.
Ligou para Katya.
Chamou.
Chamou por muito tempo.
— Alô? — a voz era calma, uniforme, desconhecida.
— Kat… sou eu.
Silêncio.
Longo como uma noite de inverno.
— O que você quer, Vitya?
— Eu… eu queria conversar.
— Talvez possamos nos encontrar?
— Não.
— Kat, espere…
— Não, Vitya.
— Tenho borscht no fogão.
— Papai chega em breve.
— Que papai? — ele não entendeu. — Seu pai está em Saratov…
— Seu pai, Vitya.
— Nikolai Petrovich.
— Ele vem todos os sábados.
— Para comer borscht.
Viktor ficou em silêncio.
Do outro lado da linha havia silêncio, e naquele silêncio algo estava mudando, como o céu muda antes do amanhecer: ainda está escuro, mas já não é noite.
— Ele nunca veio me visitar — disse Viktor.
— Porque você nunca o chamou.
— Nem uma vez em quatro meses.
— Eu o chamo.
— Todos os sábados.
— E ele vem.
— Porque ele precisa de uma família, Vitya.
— Assim como eu.
— Assim como você.
— Só que você ainda não entendeu isso.
Ela ficou em silêncio por um momento.
— Venha no sábado.
— Vai ter borscht para todos.
E desligou o telefone.
Viktor ficou sentado no apartamento vazio, olhando para o bilhete de Alina — “Você é entediante. Boa sorte” — e, pela primeira vez na vida, pensou: Katya nunca escreveria algo assim.
Não porque fosse entediante.
Mas porque ela era uma pessoa.
No sábado, ele não foi.
Não teve coragem.
Nem no sábado seguinte.
Nem no outro.
E depois — já depois do Ano-Novo, em janeiro, quando fazia tanto frio que as árvores estalavam — Viktor entrou no carro e foi até a rua Lênina.
Ficou muito tempo parado diante da porta.
Ouviu risadas lá dentro — de seu pai e de Katya.
Eles estavam rindo!
Seu pai, que durante os últimos três anos, desde a morte da esposa, não havia sorrido uma única vez — estava rindo.
Com aquela mulher que ele havia colocado na rua em quinze minutos, como se fosse um objeto inútil.
Viktor levantou a mão para tocar a campainha — e parou.
Ficou ali, ouvindo aquela risada atrás da porta, e entendeu: lá dentro havia uma família.
A mesma família que ele havia destruído.
Ela não desaparecera.
Apenas se reconstruíra — sem ele.
Dos pedaços que ele espalhara, alguém, pacientemente, peça por peça, havia montado um novo todo.
E esse “alguém” era seu próprio pai.
Ele tocou a campainha.
Katya abriu a porta.
Olhou para ele — sem raiva, sem alegria, sem triunfo.
Apenas olhou, como se olha para uma paisagem conhecida: familiar, compreensível, mas já distante.
— Vai jantar? — perguntou ela.
Seu pai apareceu na cozinha.
Viu o filho.
Seu rosto não mudou — nem surpresa, nem reprovação.
Apenas assentiu:
— Entre.
Viktor atravessou a soleira.
Tirou os sapatos.
Foi até a cozinha.
Katya colocou um prato diante dele.
Borscht quente, espesso, bem apurado, com alho.
O mesmo borscht que ele comera durante oito anos e nunca havia valorizado.
Viktor pegou a colher.
Experimentou.
Levantou os olhos.
— Está gostoso — disse ele.
E acrescentou uma palavra que não dizia nem para Katya, nem para o pai, nem para a mãe, nem para nenhuma pessoa na Terra havia muito, muito tempo:
— Obrigado.
Katya assentiu.
Serviu-se de chá.
Nikolai Petrovich olhava pela janela — lá fora, atrás do vidro, caía neve.
Silenciosa, branca, de janeiro.
Cobria o asfalto, os telhados, os carros e o velho Toyota no pátio.
Cobrindo o mundo como um cobertor — e, sob esse cobertor, talvez alguma coisa começasse a descongelar.
Talvez.







