😢💔 Cinco anos depois, ela voltou com quatro filhos, e a pergunta de um dos meninos fez Lukas começar a desconfiar da própria mãe. 👦👦👦👦😨

Lukas preparava-se para sair de casa quando ouviu uma voz infantil vinda da sala.

— Tu és mesmo o nosso pai?

Parou no último degrau da escada.

Junto à porta estavam quatro meninos praticamente iguais, de camisas brancas, laços azuis e rostos demasiado sérios.

Um apertava um carrinho vermelho na mão, outro abraçava um ursinho gasto.

Atrás deles estava uma mulher pálida, com a mão na alça da mala.

Clara.

Cinco anos antes, aquela mulher desaparecera da sua vida, deixando apenas uma carta.

«Não me procures.

Escolhi outra vida.»

Lukas aproximou-se lentamente.

— Clara?…

— Eu não teria vindo — interrompeu-o ela.

— Mas eles já não acreditavam que o pai trabalhava muito longe.

O menino com o ursinho deu um passo em frente.

— A mãe dizia que tu não sabias de nós.

É verdade?

Lukas ajoelhou-se.

Quatro pares de olhos olhavam para ele.

Os seus olhos.

A mesma cor escura, a mesma pequena covinha no queixo que, nas fotografias da sua infância, sempre fazia a mãe rir.

— Podem dizer-me os vossos nomes? — conseguiu perguntar a custo.

— Eu sou o Leonardo.

— Eu sou o Noé.

— Eu sou o Elias.

O menino que parecia mais pequeno levantou o ursinho.

— Eu sou o Óscar.

E este é o Ben.

Ele também queria vir.

Lukas tentou sorrir, mas o rosto não lhe obedeceu.

— Que idade têm?

— Quatro anos.

Fazem cinco no próximo mês.

Ele levantou os olhos.

— Porque não me disseste?

Clara apertou os lábios.

— Disse.

Fez-se silêncio na sala.

Ouviu-se o som de saltos no andar de cima.

A mãe de Lukas, Helena, descia a escada com o telemóvel na mão.

Ao ver os visitantes, parou.

Pela primeira vez, Clara desviou os olhos de Lukas.

— Bom dia.

Desta vez vim pessoalmente.

A expressão de Helena mudou apenas por um instante.

Depois sorriu.

— Não faças cenas à frente das crianças.

— Mãe — disse Lukas.

— Conheces estas crianças?

— Claro que não.

Mas percebe-se bem ao que vieram.

Óscar agarrou com força a mão do irmão.

Lukas reparou.

Chamou Marta, que trabalhava naquela casa havia muitos anos, e pediu-lhe que levasse os meninos para a cozinha e lhes desse o pequeno-almoço.

— A mãe também vem? — perguntou Leonardo, preocupado.

— Vou ficar aqui — respondeu Clara.

— Deixamos a porta aberta.

Quando as crianças se afastaram, ela tirou da mala um telemóvel antigo e algumas folhas dobradas.

— Descobri que estava grávida duas semanas depois de partires.

Telefonei-te.

Quase todos os dias.

Lukas abanou a cabeça.

— Não recebi nenhuma chamada.

— Depois a tua mãe atendeu.

Disse que já sabias de tudo e que não querias ouvir-me.

— Isso é mentira — afirmou Helena, friamente.

Clara desdobrou uma das folhas.

— Este é o comprovativo do pagamento da clínica onde me levou.

Lembra-se do que me disse no corredor?

«Não vais prender o meu filho a ti com quatro crianças.»

Lukas voltou-se para a mãe.

Helena já não sorria.

— Tentei proteger-te.

Ias casar com a Sofia.

A empresa estava a atravessar uma fase difícil.

Imaginas o que teria acontecido…

— Eu não estava noivo — disse Lukas.

— E, depois da Clara, não tinha intenção de casar com ninguém.

Clara fechou os olhos.

Durante cinco anos, imaginara aquela revelação.

Pensara que sentiria alívio quando finalmente ouvisse a verdade.

Em vez disso, as pernas fraquejaram-lhe.

Helena mostrara-lhe uma fotografia de um suposto noivado.

Lukas e Sofia, de mãos dadas, num salão decorado com flores.

— Aquilo foi um evento de beneficência — disse Lukas, olhando para o ecrã do telemóvel.

— Na outra metade da fotografia está o marido dela.

Aproximou-se da janela e depois voltou.

— E a carta?

Escreveste que tinhas escolhido outra vida.

— Eu não escrevi essa carta.

Helena sentou-se no cadeirão.

Aquele movimento disse mais do que qualquer confissão.

Lukas ficou a olhar para ela durante muito tempo.

— Deixaste-me acreditar durante cinco anos que ela me tinha abandonado.

— Salvei-te de um erro.

Da cozinha chegou o riso das crianças.

Lukas apontou para a porta aberta.

— Deles?

Helena não respondeu.

Clara juntou as folhas.

As mãos tremiam-lhe tanto que o telemóvel quase lhe caiu.

— Não vim por dinheiro.

Os meninos fizeram desenhos no infantário para o Dia do Pai.

Os quatro desenharam-te.

Já não consegui dizer-lhes que estavas longe.

Lukas olhou para a mala simples e para os sapatos gastos dela.

— Como conseguiste sozinha?

— No início, a minha irmã ajudava-me.

Depois comecei a fazer trabalhos de costura à noite.

Quando um adoecia, a minha vizinha tomava conta dos outros três.

Calou-se por um momento.

— O Óscar nasceu prematuro.

Nos primeiros meses, dormia com ele ao colo porque tinha medo de que deixasse de respirar.

Foi nessa altura que mais te odiei.

Lukas sentou-se à frente dela.

— Quem me dera que tivesses ligado de outro número.

— Liguei.

Também fui ao teu escritório.

Disseram-me que, se voltasse a aparecer, os seguranças me punham na rua.

Ele já não perguntou quem dera aquela ordem.

Nesse momento, Noé apareceu à porta com duas bolachas na mão.

— Mãe, também trouxe para ti.

O menino aproximou-se, colocou uma na palma da mão da mãe e estendeu a outra a Lukas.

— Também trouxe para ti.

Mas temos de dividir tudo por igual, porque o Elias contou.

Lukas aceitou a bolacha.

Pela primeira vez na vida, não sabia como fazer uma promessa que fosse suficientemente grande.

— Posso tomar o pequeno-almoço convosco?

Noé olhou para a mãe.

Só respondeu depois de ela acenar com a cabeça.

— Podes.

Mas a cadeira ao lado do Óscar é o lugar do Ben.

Helena levantou-se.

— Lukas, ainda não acabámos.

— Por hoje, acabámos.

Ele não levantou a voz.

Pediu à mãe que saísse e que deixasse os documentos em cima da mesa.

Naquele dia, Clara não ficou na mansão.

À oferta de quartos e de um carro, respondeu da mesma forma.

— Eles ainda não te conhecem.

Não vou mudar a vida inteira deles numa manhã.

Lukas concordou.

Durante a semana seguinte, foi todas as noites ao pequeno apartamento deles.

Aprendeu qual dos meninos não gostava de leite, qual tinha medo do escuro e qual insistia que todas as meias tinham obrigatoriamente de fazer par.

No início, Clara raramente sorria.

Ele não a apressava.

Uma noite, Óscar adormeceu ao seu colo, com o ursinho apertado contra o peito.

Lukas tinha medo de se mexer.

Clara aproximou-se para levar o menino para a cama.

— Deixa-o ficar mais um bocadinho — sussurrou ele.

Ela sentou-se ao seu lado.

— Ainda não sei se consigo voltar a confiar em ti.

— Eu sei.

— Não devemos fingir pelas crianças que está tudo bem.

— Não vamos fingir.

Na cozinha, ouvia-se o tiquetaque do relógio.

Do outro quarto chegou a voz sonolenta de um dos irmãos.

— Mãããe, o pai já foi embora?

Lukas olhou para Clara.

Desta vez, ela não desviou o olhar.

— Não — respondeu.

— Está aqui.

E Lukas ficou, sentado sem se mexer, até que a mãozinha do menino largou, por si só, a sua camisa.

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