Sergei havia crescido entre canteiros e macieiras e, mesmo depois de anos vivendo na cidade, ainda se sentia atraído pela terra como por um ímã.
Quando ele e Marina compraram uma casa de campo com uma pequena construção, finalmente sentiu que tinha seu próprio canto ao ar livre.

Mas a alegria durou pouco: Tamara Ivanovna apareceu na propriedade e começou imediatamente a falar como se fosse ela a dona do lugar.
Naquela manhã, Sergei chegou e a viu no meio do quintal com um regador nas mãos.
— Bom dia, Tamara Ivanovna.
Vejo que a senhora já está tomando conta de tudo por aqui — disse ele calmamente, colocando a bolsa na varanda.
— E quem mais faria isso, Seryozha? — respondeu ela, regando o canteiro que ele havia nivelado no dia anterior para fazer um gramado.
— Você não conseguiria cuidar disso sozinho.
Aqui é preciso ter experiência.
— Na verdade, eu queria fazer um gramado aqui.
Plano e bem cuidado.
Por que a senhora plantou flores?
— Gramado! — ela bufou.
— Grama é coisa de preguiçoso.
Na terra deve crescer aquilo que se pode levar à boca.
Sergei suspirou e se sentou em um degrau.
Não queria discutir logo no primeiro dia de tempo bom.
— Vamos fazer assim — sugeriu gentilmente.
— Aquele lado, perto da cerca, fica para a senhora.
Plante o que quiser.
Mas esta parte, perto da casa, quero arrumar do meu jeito.
Concorda?
— Combinado — assentiu ela depressa demais.
— Perto da cerca, você diz.
Está bem.
— Ótimo — disse Sergei, contente.
— Eu só quero que todos fiquem bem.
— Você deveria querer que eu ficasse bem — retrucou a sogra de repente.
— Em vez disso, chega aqui dando ordens.
Ele ficou calado e foi descarregar as mudas que havia trazido desde cedo.
Parecia-lhe que uma palavra gentil resolveria tudo.
Ele acreditava sinceramente que adultos eram capazes de dividir o mesmo quintal sem começar uma guerra.
— Seryozha! — chamou ela uma hora depois.
— O que é toda essa coisa que você enfiou aqui?
— São tomates.
Eu os cultivo desde o inverno, no parapeito da janela.
— Arranque-os.
Aqui vão ficar as cenouras.
— Tamara Ivanovna, acabamos de chegar a um acordo.
Este é o meu lado.
— Mudei de ideia — cortou ela.
— Perto da cerca há sombra.
Cenouras gostam de sol.
Um verão sucedia ao outro, mas a tranquilidade nunca chegava.
Sergei trazia mudas de árvores, e a sogra as arrancava.
Ele construía um gazebo, e ela arrastava as tábuas para os próprios canteiros.
Certo dia, ele chegou e descobriu que o caminho bem-feito, no qual havia trabalhado durante duas semanas, tinha sido desmontado até a última pedra.
— Onde estão as pedras do caminho? — perguntou, sentindo a suavidade desaparecer de sua voz.
— Debaixo do barril.
Estavam atrapalhando.
Eu passo por ali.
— Aquilo era um caminho feito para se andar.
— E eu ando.
Pela terra.
Andar pela terra é mais saudável — disse ela, apertando os lábios.
— Você, Seryozha, é um homem da cidade.
Não entende nada disso.
Naquela mesma noite, ele telefonou para Marina, esperando apoio.
Ela ficou em silêncio por muito tempo do outro lado da linha e depois falou, cansada.
— Seryozh, o que foi agora?
Ela é minha mãe.
Se quer mexer na terra, deixe.
— Marina, ela não está apenas mexendo na terra.
Ela destrói tudo.
Passei semanas fazendo aquele caminho.
— E daí?
É só um caminho.
Você compra pedras novas.
— A questão não são as pedras.
A questão é que ali eu me sinto um estranho.
— Não invente coisas — descartou ela.
— Encontre um meio-termo.
— Eu tentei.
Dez vezes.
Ela concorda e depois faz exatamente o contrário.
— Então você não tentou direito — cortou Marina e desligou.
Sergei ficou muito tempo sentado na cozinha escura, repassando a conversa.
Ele percebeu que a decepção não era uma explosão, mas um esfriamento lento.
Aquilo em que acreditava se desfazia aos poucos, como terra seca escorrendo entre os dedos.
— Seryozha, estive pensando — anunciou Tamara Ivanovna na visita seguinte.
— Por que você não passa a casa para o meu nome?
De qualquer forma, você quase nunca vem aqui.
— Como é? — ele até parou.
— A casa.
Passe para o meu nome.
Praticamente moro aqui.
Você só aparece de vez em quando.
— A casa de campo está registrada no meu nome.
Ela é minha.
— Sua, sua — assentiu ela com ironia.
— Mas quem cuida dela?
Eu.
Portanto, por justiça, é minha.
— Segundo que justiça?
Fui eu que a comprei.
Com o meu dinheiro.
— Ele comprou — disse ela, apertando os lábios.
— E daí?
Seus canteiros eram todos tortos antes de eu aparecer.
*
A paciência de Sergei acabou, e ele fez o que vinha adiando havia muito tempo: trocou as fechaduras da porta e do portão.
Colocou um cadeado novo e pesado e foi embora quase tranquilo.
Uma semana depois, quando voltou, encontrou o trinco quebrado e uma barraca no meio do quintal, brilhante e laranja, como a bandeira de um invasor.
— Tamara Ivanovna, o que é isso? — perguntou, parado diante da barraca e mal contendo a raiva.
— Uma casa — respondeu ela com orgulho, colocando a cabeça para fora.
— Já que você não me deixa entrar na sua, vou morar aqui.
O verão inteiro.
— A senhora quebrou a fechadura.
Era nova.
— Então não tranque a porta para os parentes! — ela elevou a voz.
— Você não tem consciência?
Deixar uma pessoa idosa na rua!
— Eu não expulsei a senhora.
Apenas tranquei minha casa.
— Minha, minha — imitou ela.
— Só sabe repetir isso.
Vou reclamar para minha filha que você está me deixando passar frio.
Ele telefonou para Marina bem diante dela, sem sair do lugar.
— A sua pessoa — disse ele, distorcendo de propósito as palavras — montou uma barraca no meu quintal.
E quebrou a fechadura de novo.
— Seryozh, deixe a barraca ficar aí — veio a voz pelo telefone.
— O que isso custa a você?
— Não é a barraca que me incomoda.
O que me incomoda é que ninguém nesta família me escuta.
— Não comece — suspirou Marina.
— Você só quer criar escândalo.
— Sou eu que estou criando escândalo? — ele sorriu friamente.
— Eu coloco uma fechadura, alguém a quebra, e a culpa acaba sendo minha outra vez.
— Apenas ceda.
É tão difícil?
— Sabe, Marina — disse ele lentamente — acho que finalmente entendi.
Nenhuma de vocês quer paz.
Vocês querem a minha terra.
— Não diga bobagens.
— Não são bobagens.
É a conclusão.
Naquele verão, ele abandonou a jardinagem.
Passou a ir à propriedade cada vez menos e começou a aceitar longas viagens de trabalho para cidades distantes, consertando fontes em parques alheios — um ofício raro e minucioso que exigia meses longe de casa.
E quando voltou, descobriu que o casamento havia se desfeito tão silenciosamente quanto aquele caminho desmontado.
— Então vamos nos divorciar — disse Marina quase com indiferença, assinando os papéis.
— Foi você quem destruiu tudo.
— Eu? — ele ergueu uma sobrancelha.
— Está bem, que seja assim.
Não vou discutir.
— E não tente dividir a casa de campo.
Minha mãe investiu trabalho ali.
— A casa de campo continuará sendo minha — disse ele calmamente.
— E veremos o que acontecerá depois.
*
Alguns anos se passaram, e Sergei decidiu voltar à terra.
Sentiu novamente aquele chamado, como na juventude.
Ele chegou à antiga propriedade e viu junto ao portão a mesma Tamara Ivanovna com um regador, como se o tempo tivesse parado.
A fechadura estava quebrada outra vez, e os canteiros estavam exuberantes, bem cuidados e já floridos.
— Olha só quem apareceu — recebeu-o ela sem o menor constrangimento.
— Por que veio?
Eu sou a dona daqui há muito tempo.
— Tamara Ivanovna, eu e Marina nos divorciamos.
A senhora sabe disso.
— E daí? — ela deu de ombros.
— Vocês se divorciaram.
O que a terra tem a ver com isso?
Fui eu que coloquei tudo em ordem aqui.
Consertei a casa e instalei as janelas.
Gastei uma fortuna.
— Quem pediu que a senhora fizesse isso?
Esta é minha propriedade.
— Era sua, agora é nossa — cortou ela.
— É o justo.
Vou reclamar para sua ex-mulher, e ela vai dar um jeito em você.
E, de qualquer forma, passe a casa para o meu nome.
— Reclame à vontade — sorriu ele.
— Acho que também vou ligar para Marina.
Ele telefonou para ela diante da sogra, como nos velhos tempos.
— A sua pessoa está de novo na minha casa de campo.
Quebrou a fechadura e fez uma horta.
Diz que tudo pertence a ela.
— Seryozh, o que você quer de mim? — respondeu Marina, irritada.
— O problema é seu.
A casa é sua, então resolva.
— Um minuto atrás, era a terra dela.
Agora é problema meu.
Conveniente.
— Não vou comprar outra casa de campo para ela — acrescentou Marina.
— E não me ligue por causa dessas bobagens.
— Está bem — respondeu ele com uma leveza incomum.
— Não vou incomodá-la de novo.
Ele desligou e olhou para os canteiros floridos e para a borda laranja da velha barraca saindo do galpão.
E então um plano surgiu em sua mente — silencioso, claro e quase divertido.
— Sabe, Tamara Ivanovna — disse ele.
— A senhora tem razão.
Eu quase nunca venho aqui.
Deixe tudo continuar crescendo.
— Isso! — ela ergueu triunfalmente o regador.
— Finalmente criou juízo.
Antes vinha aqui querendo mandar em tudo.
— Deixe crescer — assentiu ele e foi embora sem olhar para trás.
Ela interpretou aquilo como uma rendição.
Naquela mesma noite, telefonou para conhecidos e se gabou de que o genro finalmente havia se conformado e de que a casa logo seria completamente dela.
Planejava convencê-lo no outono a assinar uma escritura de doação e já calculava onde gastaria o restante do dinheiro que pretendia investir.
Parecia-lhe que a batalha estava definitivamente vencida.
📖 Recomendo a leitura: — A herança será dividida do meu jeito — disse o irmão.
A irmã assentiu em silêncio — esse foi o maior erro dele.
Enquanto isso, Sergei encontrou aquilo com que sempre sonhara.
Um terreno espaçoso em uma floresta de pinheiros, tranquilo e afastado da estrada movimentada que havia muito tempo envenenava o ar perto da antiga casa.
Uma pequena construção, ar perfumado de resina e agulhas macias de pinheiro sob os pés — ele se apaixonou imediatamente.
Depois de regularizar tudo conforme a lei, deu o último passo: vendeu a antiga propriedade para outra família.
— A casa é de vocês — disse aos novos moradores, entregando as chaves.
— Só há uma visitante indesejada entrincheirada no quintal.
Minha ex-sogra.
Canteiros, barraca.
Resolva do seu jeito, mas com delicadeza.
— Resolveremos — sorriu o chefe da família.
— Temos dois cachorros que adoram espaço.
Ninguém vai ficar por muito tempo.
Alguns dias depois, o telefone tocou.
Marina gritava tão alto que ele precisou afastar o aparelho do ouvido.
— Seryozha!
Há estranhos na casa de campo!
Com cachorros!
Eles expulsaram minha mãe!
O que está acontecendo?!
— Nada de especial — respondeu ele, sem conseguir conter uma risada.
— Vendi a propriedade.
Tudo dentro da lei.
Agora há novos donos.
— Vendeu?! — a voz dela subiu.
— E para onde minha mãe vai agora?!
— Não para a minha casa — respondeu ele calmamente.
— A terra já não é minha.
E não é nossa.
A questão está encerrada.
Você mesma disse que a casa era minha e que os problemas eram meus.
Eu os resolvi.
— Você percebe o que fez?! — ela ofegava.
— Ela investiu dinheiro na casa!
As janelas, os reparos!
— E quem pediu que ela fizesse isso? — repetiu ele com a mesma entonação dela.
— Eu não pedi.
Durante vários anos, pedi exatamente o contrário.
— Agora ela está exigindo dinheiro de mim!
Diz que sou culpada por não ter defendido a casa!
Seryozh, ela está acabando comigo!
— Interessante — disse ele lentamente.
— Quando eu pedia que ela não se intrometesse na minha propriedade, isso era justiça.
Agora que alguém precisa pagar, virou problema meu?
— Sergei!
— Adeus, Marina.
Uma semana depois, ela lhe escreveu de um número desconhecido, fingindo ser uma velha conhecida, e perguntou casualmente onde ele estava morando agora.
Sergei reconheceu imediatamente o truque simples: aquele estilo insistente lhe era familiar demais.
Ele não respondeu com raiva nem deu explicações.
Simplesmente bloqueou também aquele número, assim como havia feito com o anterior.
No fim de semana, ele estava em sua nova propriedade, cercado por pinheiros altos, respirando profundamente o ar perfumado de resina.
A terra era macia, solta e cheirava a liberdade.
Ele se ajoelhou e plantou uma muda sem precisar olhar para a sombra de ninguém atrás de si.
— Aqui haverá macieiras — disse para si mesmo.
— E ali não haverá cerca alguma.
Simplesmente porque eu quero assim.
Ninguém quebrava suas fechaduras.
Ninguém arrancava suas mudas.
Ninguém montava uma barraca laranja no meio de sua vida.
Finalmente ele estava sozinho com sua própria terra — e aquilo era a melhor coisa que lhe acontecia havia muito tempo.
FIM







