No dia seguinte, deixei para ele um apartamento absolutamente vazio.
Sobre a mesa da cozinha havia uma trena de construção que não era nossa.

Ao lado, estava uma caneca suja com restos de café.
E no caro papel de parede vinílico cor de marfim, alguém havia desenhado três cruzes grossas a lápis.
Elena colocou em silêncio a sacola de compras no chão.
Do quarto vinham sons de passos arrastados e resmungos.
Ela atravessou o corredor.
Na porta do quarto estava Lyudmila Petrovna.
A sogra encostava pensativa uma régua de madeira de um metro na parede.
— O que a senhora está fazendo? — perguntou Lena.
A voz soou seca.
Sem cumprimento.
A sogra se assustou e deixou a régua cair.
Ela bateu com um estalo no laminado alemão.
Lena fez uma careta mentalmente.
— Ai, Lenochka, você me assustou.
Já chegou?
Eu e o Antosha resolvemos calcular aqui.
Tem um nicho bom.
Se tirarem o armário de vocês, meu divã cabe perfeitamente.
E vocês empurram o armário para a sala.
Lá tem bastante espaço.
Lena apertou a alça da bolsa com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
— Seu divã? — repetiu ela.
— Que divã é esse no meu quarto?
Lyudmila Petrovna apertou os lábios finos.
Seu olhar perdeu imediatamente a falsa doçura.
— No seu quarto, Elena Sergeevna, vai ser o quarto das crianças.
Depois.
Por enquanto, eu vou morar aqui.
Decidimos alugar meu apartamento.
Você sabe como estão os preços em dois mil e vinte e seis?
Cinquenta mil rublos por mês não vão ser demais.
Já está na hora de Antosha trocar de carro.
A porta de entrada bateu.
Anton apareceu no corredor.
Ele tirava a jaqueta, cantarolando algo baixinho.
Viu a esposa e a mãe uma diante da outra.
Ficou imóvel.
— Ah, Lenka, você chegou cedo hoje.
Deram folga na clínica? — ele tentou sorrir.
O sorriso saiu forçado.
— Ninguém me deu folga — cortou Elena.
— O que está acontecendo no meu apartamento?
Por que sua mãe está desenhando a lápis no meu papel de parede?
Anton suspirou pesadamente.
Revirou os olhos.
Ele odiava escândalos.
Sempre se escondia atrás da frase “você complica tudo”.
— Len, vamos sem histeria logo na entrada.
Mamãe vai morar conosco.
É temporário.
Uns dois anos, talvez três.
Vamos alugar o apartamento dela, e o dinheiro vai para o orçamento da família.
Foi você mesma que reclamou que demorava muito para juntar dinheiro para as férias.
— Você trouxe sua mãe para morar conosco sem nem me perguntar?
— E por que eu deveria pedir permissão na minha própria casa? — Anton de repente levantou a voz.
Ele deu um passo à frente, colocando-se na frente da mãe.
Lyudmila Petrovna soltou um risinho satisfeito.
Lena desviou o olhar do marido para a sogra.
Algo dentro dela estalou.
Como um interruptor duro.
— Na sua casa? — perguntou Lena baixinho.
— Anton, nós compramos esta caixa há cinco anos.
Concreto puro.
Aqui nem paredes internas havia.
— Minha mãe deu dois milhões de rublos para a entrada! — declarou Toha, marcando cada palavra.
— Sem esse dinheiro, não teríamos conseguido bancar o financiamento.
Este apartamento é dela exatamente tanto quanto é nosso.
— Dois milhões? — Lena riu.
Curta e bruscamente.
— E os três milhões quatrocentos e cinquenta mil rublos da minha herança, que foram para a reforma e os móveis, você esqueceu?
Meu pai me deixou uma dacha.
Eu a vendi até o último copeque para que vivêssemos como gente.
— Ah, não me faça rir! — disse Lyuda, aparecendo por trás do ombro do filho.
— Colou uns papéis nas paredes e já se imaginou dona.
Grande coisa saber quem comprou o vaso sanitário.
O apartamento está no nome do Antosha!
É ele quem paga a hipoteca.
Era verdade.
Nos documentos, o principal devedor era Anton Viktorovich.
Lena aparecia como codevedora.
Na época, decidiram que assim seria mais simples por causa da dedução fiscal.
— Então a minha opinião não significa nada? — Lena olhou diretamente nos olhos do marido.
— Lenka, acalme-se.
Somos uma família — o marido mudou de tática.
Tentou abraçá-la, mas ela deu um passo para trás.
— Mamãe vai ficar com o quarto.
Nós, por enquanto, nos ajeitamos na sala, no sofá.
O que custa para você?
É uma pessoa idosa.
— Minhas coisas estão no quarto.
— Você muda.
Amanhã é domingo.
Aproveita e libera umas prateleiras no armário.
Mamãe tem muitas caixas.
Lena olhou para as cruzes grossas na parede.
Para as tomadas caras feitas sob encomenda.
Para os rodapés de carvalho.
— Não, Anton.
Sua mãe não vai morar aqui.
O marido ficou vermelho.
Seu rosto bonachão foi distorcido pela raiva.
— Sabe de uma coisa, Elena?
Aqui não há nada que seja seu!
Na-da!
Os metros foram comprados com o dinheiro da minha mãe e com o meu crédito.
E seus papeizinhos, seus recibos de vasos sanitários e sofás, são poeira.
Se eu quiser, minha mãe se muda para cá.
Se eu quiser, trago minha irmã.
E se não gostar, a porta é ali!
O silêncio pairou no corredor.
Só se ouvia o zumbido da geladeira.
Aquela mesma geladeira de duas portas de duzentos mil rublos que Lena havia esperado durante dois meses do exterior.
— A porta é ali, então? — repetiu ela.
— Exatamente.
E vamos sem teatrinho.
Amanhã de manhã vou para Tver em viagem de trabalho por dois dias.
Volto na terça-feira à noite.
Mamãe vem comigo.
Com as coisas dela.
Até lá, o quarto deve estar vazio.
Entendeu?
Ele se virou e foi para a cozinha.
A sogra sorriu vitoriosamente e foi atrás do filho, dando passinhos rápidos.
Lena ficou parada no corredor.
Dentro dela não havia lágrimas.
Não havia pânico.
Havia apenas um vazio gelado e absoluto.
E uma clareza cruel.
A manhã de domingo começou com o barulho da água.
Anton tomava banho.
Lena estava sentada na cozinha.
Ela não havia dormido a noite inteira.
Diante dela estavam um tablet, uma calculadora e uma pasta azul grossa com documentos.
Cinco anos antes, quando receberam as chaves daquela caixa de concreto, Lena assumiu o processo.
Anton rodava pela região visitando obras, e ela, depois do trabalho, ia a lojas de materiais de construção.
Ela guardava meticulosamente todos os recibos.
Cada contrato de empreitada.
Cada nota de entrega dos azulejos, das tomadas, das portas internas, dos equipamentos sanitários.
O número na calculadora piscava: 3.454.200 rublos.
Exatamente isso ela havia investido naquele “concreto da mamãe”.
Anton entrou na cozinha.
Ele cheirava a um perfume caro.
O mesmo que Lena lhe dera no aniversário de casamento.
Vestia uma camisa passada pelas mãos dela.
— Fez café? — soltou ele, abotoando as abotoaduras.
— Não fiz — respondeu Lena de modo uniforme.
Anton bufou.
Aproximou-se da máquina de café.
Apertou o botão.
A máquina zumbiu.
— Ainda está de bico?
Jardim de infância, Lenka.
Vai fazer birra e depois passa.
Mamãe chega na terça às seis da tarde.
Libere o quarto.
Encomendei uma caminhonete para as coisas dela.
— Boa viagem — disse ela, sem tirar os olhos da calculadora.
Anton bebeu o café de uma vez e jogou a caneca na pia.
A porta de entrada bateu com força.
A fechadura estalou duas vezes.
Lena esperou exatamente dez minutos.
Depois pegou o telefone e discou um número.
Os toques duraram bastante.
Por fim, atenderam.
— Sim, Elena Sergeevna?
É domingo — ouviu-se uma voz masculina grave e rouca.
— Maksim.
Oi.
Você e sua equipe estão em alguma obra agora ou estão livres?
Maksim era o mesmo mestre de obras que havia feito aquela reforma.
Um homem carrancudo de cinquenta anos, que sabia o valor de boas ferramentas e de trabalho honesto.
Na época, eles haviam se aproximado.
Lena sempre pagava em dia e levava almoços quentes para os homens.
— Estamos livres até quarta.
Estamos esperando a contrapiso secar na avenida.
O que houve?
Alguma coisa está vazando?
— Não, Max.
Nada está vazando.
Preciso de desmontagem.
Completa.
— Desmontar o quê? — o mestre de obras não entendeu.
— O apartamento inteiro, Maksim.
Foram vocês que montaram tudo isso, não foram?
Agora é preciso desmontar.
Tirar a cozinha, o laminado, os tetos tensionados, as portas, as tomadas, os sanitários.
Deixar no estado daquele mesmo concreto que vocês receberam da construtora.
Do outro lado da linha houve um longo silêncio.
Max pigarreou.
— Len… você está em seu juízo perfeito?
Isso é barbárie.
Você tem portas de carvalho maciço aí.
Os tetos nós aquecemos e esticamos.
O laminado é colado.
Você brigou com seu marido, por acaso?
— Estou me divorciando.
O apartamento acabou sendo da mãe dele.
Foi-me dito que aqui não há nada que seja meu.
Quero pegar minhas coisas.
Pagamento em dobro.
Pela urgência.
Vocês têm quarenta e oito horas.
Na terça-feira, às quatro da tarde, aqui deve estar vazio.
Você aceita?
Outra pausa.
— Max, duzentos mil em dinheiro.
Na hora.
E os carregadores ficam por minha conta.
— Em uma hora estaremos aí — resmungou Maksim.
Ao meio-dia, havia um barulho ensurdecedor no apartamento.
Chegaram seis homens de macacão de trabalho.
Lena encomendou três enormes furgões com carregadores e pagou adiantado o aluguel de um depósito nos arredores da cidade por dois meses.
O processo começou.
Aquilo se revelou muito mais rápido do que construir.
Destruir não é construir.
— Lenochka, a cozinha é embutida! — gritava Max por cima do guincho da parafusadeira.
— Se arrancarmos as portas junto com a bancada de pedra, vamos estragar os azulejos do backsplash!
— Derrubem os azulejos! — gritou Lena em resposta.
— Todos os azulejos até o tijolo!
Os azulejos também são meus!
Espanhóis!
Três mil por metro quadrado!
Os homens se entreolharam, deram de ombros e pegaram os marteletes.
O apartamento morria diante dos olhos dela.
Do quarto, levaram a cama italiana.
Desmontaram o guarda-roupa embutido.
O lugar favorito de Lyudmila Petrovna, aquele mesmo “bom nicho”, agora abria-se em blocos de concreto celular nus.
Os operários arrancavam as portas internas junto com os batentes.
A espuma de montagem ficou exposta.
Lena estava no corredor com um bloco de notas e riscava os itens.
Luminárias?
Retiradas.
Papel de parede?
Lena pessoalmente pegou uma espátula, molhou uma esponja e começou a arrancar o vinil grosso do reboco.
As tiras com as grossas cruzes a lápis voavam para sacos pretos de lixo de cento e vinte litros.
— Elena Sergeevna, tiramos também o vaso sanitário? — gritou um dos encanadores.
Lena olhou para o banheiro.
Um vaso sanitário suspenso japonês de oitenta mil rublos.
A instalação estava fechada numa estrutura.
— Quebrem a estrutura.
Desparafusem o vaso.
Desconectem também a banheira de hidromassagem.
Retirem os misturadores.
— A senhora vai deixá-lo sem água.
É preciso tampar os canos — disse o encanador, coçando a nuca.
— Tampem com os tampões plásticos mais baratos, de quarenta rublos.
Está tudo anotado: fui eu que paguei por todas as instalações.
No domingo à noite, o apartamento parecia uma zona de combate.
No ar pairava uma espessa poeira de cimento.
A vizinha de baixo veio reclamar por causa do barulho do martelete.
Ameaçou chamar o policial do bairro.
Lena abriu a porta, mostrou o passaporte com o registro de residência, a certidão de casamento e o recibo dos trabalhos.
A vizinha girou o dedo junto à têmpora e foi embora.
No dia seguinte, o processo continuou.
Arrancavam os rodapés de carvalho.
O laminado saía com dificuldade, deixando no contrapiso de concreto pedaços de cola e manta.
As coisas de Anton, Lena recolheu sozinha.
Colocou tudo em sacos pretos de lixo.
Os ternos caros dele, as gravatas, camisas, cuecas e meias.
Ela simplesmente jogava tudo dentro do saco plástico e apertava o nó.
Três sacos ficaram tristemente no canto do hall de entrada.
Às duas da tarde de terça-feira, tudo estava terminado.
O último furgão partiu para o depósito.
A equipe de Maksim estava no prédio.
Eles fumavam em silêncio, olhando para o que restava daquele ninho acolhedor.
Ou melhor, para o que não restava.
No apartamento não havia nada.
Absolutamente nada.
Concreto cinza nu no chão, com manchas de cola de construção.
Paredes descascadas com pedaços de reboco cinza.
Das paredes saíam tristemente rolos de fios: Lena ordenara que retirassem todas as tomadas e interruptores da marca Legrand.
Não havia uma única porta interna.
Não havia armário de cozinha.
Do banheiro desaparecera tudo.
Restaram apenas pontas plásticas de canos e um nicho de concreto nu.
Até o espelho foi descolado da parede.
Estava frio.
Em novembro, os radiadores aqueciam com força.
Mas Lena lembrou que os radiadores italianos de ferro fundido, de doze mil rublos por seção, haviam sido comprados por ela.
Eles também foram retirados, colocando-se torneiras-tampão baratas nas colunas.
Pelo apartamento circulava uma corrente gelada de novembro.
— Tiramos a porta de entrada? — perguntou Max sombriamente, apagando o cigarro.
Lena olhou para a porta maciça de aço com painel espelhado.
Ela pagara cento e vinte mil por ela.
— Tiramos, Max.
Cortem as dobradiças.
— Lenka, você é uma mulher cruel.
Vai deixá-lo numa caixa aberta no inverno?
— Não sou cruel.
Sou justa.
Que Antosha e Lyudochka vigiem sozinhos o concreto da mamãe.
A porta foi retirada.
No lugar dela, Max, por bondade, pregou no vão da porta um pedaço de compensado barato encontrado no lixo do prédio.
Escorou-o por dentro com um pedaço de tijolo.
Lena pagou os homens.
Apertou a mão de cada um.
Ficou sozinha.
Estava sentada numa cadeira dobrável barata de pesca da Decathlon.
No concreto cinza, cada movimento dela ecoava.
O relógio em seu pulso marcava 17h45.
Ela esperava.
Os passos na escadaria soaram cinco minutos antes das seis.
As vozes eram altas.
— Cuidado, carregadores!
Levem com cuidado, ali tem cristal! — comandava Lyudmila Petrovna.
— Está tudo bem, mãe.
Coloquem as caixas aqui, no vestíbulo — ressoava a voz de Anton.
Ouviu-se o tilintar das chaves.
A haste metálica tilintou, mas bateu no vazio.
Anton xingou.
Lena se levantou.
Foi até o vão, empurrou o tijolo com o pé e afastou o compensado para o lado.
Anton estava no patamar com as chaves na mão estendida.
Atrás dele, Lyudmila Petrovna respirava com dificuldade, segurando um ficus em um enorme vaso.
Ao lado, dois carregadores carrancudos seguravam um sofá-cama e três bolsas xadrez.
Todos olharam para Lena.
Depois, seus olhares se deslocaram para trás dela.
O ficus caiu das mãos de Lyudmila Petrovna.
O vaso se quebrou com um estalo seco.
A terra se espalhou pelos azulejos do patamar.
Anton ficou em silêncio.
Sua boca se abriu lentamente.
Ele piscou.
Depois piscou de novo.
Tentou olhar mais fundo para dentro do apartamento, mas não havia nada para ver.
Vazio.
Manchas cinzentas.
Fios saíam das paredes como vermes mortos.
Estilhaços de tijolo.
Pedaços de espuma endurecida.
Sem luz, sem calor, sem aconchego.
Um zero absoluto e estéril.
— O que… o que é isso? — Anton Igorevich conseguiu dizer roucamente.
A voz tremeu e se quebrou num guincho.
— O apartamento de vocês — respondeu Elena calmamente.
— Como você disse.
Aqui não há mais nada que seja meu.
Apenas os dois milhões de vocês da entrada, em forma de monólito.
Eu peguei as minhas coisas.
— Coisas?! — guinchou a sogra.
Ela levou a mão ao coração e se encostou na parede.
— Você destruiu o apartamento, criminosa!
Gente selvagem!
Polícia!
Vou chamar a polícia!
Roubo!
Lyudmila Petrovna começou a revirar a bolsa convulsivamente, derrubando batom e comprimidos no chão.
Lena cruzou os braços sobre o peito.
— Chame, Lyudochka.
Chame.
Só que eu já mostrei tudo ontem ao policial do bairro.
Tenho uma pasta de recibos da grossura de um dedo.
Para cada prego, para cada tábua de laminado e para cada misturador.
O tribunal ficará do meu lado.
Todos os bens foram comprados com o dinheiro da venda da minha dacha herdada.
Tenho os recibos.
Tenho os extratos bancários.
Eu retirei os meus bens.
Anton finalmente se mexeu.
Ele deu um passo à frente, diretamente sobre a terra do ficus.
— Lenka… você ficou louca?
Você tirou a porta de entrada!
Como vamos dormir aqui?!
Vai fazer menos cinco esta noite!
— Não é problema meu.
Você tem o financiamento, você dorme.
Apertem-se com sua mãe no divã dela e se aqueçam.
As janelas de plástico foram colocadas pela construtora, então eu as deixei.
Não venta tanto assim.
— Onde estão as minhas coisas?! — gritou Anton.
Seu rosto ficou coberto de manchas vermelhas.
— Meus ternos!
Meus documentos!
Lena apontou com a cabeça para o canto do hall.
Ali, sobre uma camada de poeira de concreto, estavam tristemente apertados três sacos pretos de lixo de cento e vinte litros.
— Ali.
Tudo que é seu está ali.
Também levei a máquina de lavar, então você vai ter que lavar as cuecas na pia.
Ah, espere.
Também levei a pia.
A água está fechada.
O banheiro fica lá fora, na esquina, no McDonald’s.
Ou melhor, no antigo “Vkusno i tochka”.
Ela pegou a bolsa.
Jogou-a no ombro.
— Você… você é doente, Lenka — sussurrou o marido.
Ele olhava ao redor, e aos poucos começava a compreender a dimensão da catástrofe.
Na cabeça dele, os números se somavam.
Ele ainda devia quatro milhões ao banco.
E uma reforma daquele nível, agora, em vinte e seis, custaria uns cinco milhões.
No cartão dele havia, no máximo, cem mil rublos.
Lyudmila Petrovna gemeu e escorregou pela parede.
— Antosha… estou passando mal.
Me dê água.
— Não tem água, mãe! — ele rosnou para ela com tanta força que ela se assustou.
— Não tem canos!
Ela cortou tudo, aquela desgraçada!
Vou processar você por danificar a moradia!
Lena riu.
De forma sincera e leve.
— Processe.
Mas primeiro compre uma porta.
Porque aqui agora virou passagem livre.
E, sim, não vou devolver as chaves, não faz sentido.
Nem fechaduras existem mais.
Ela foi em direção à escada.
Os dois carregadores com o sofá se afastaram respeitosamente, abrindo caminho para ela.
Um deles a acompanhou com o olhar, no qual se lia uma mistura de horror e admiração.
Lena desceu até o térreo, saiu para a rua e inspirou o ar gelado de novembro.
Em algum lugar atrás dela, no quarto andar, ouvia-se o grito histérico da sogra.
Lena tirou o telefone do bolso, bloqueou os números do marido e da mãe dele, e pediu um táxi.
Pela primeira vez em longos meses, ela conseguiu respirar de peito cheio.
E você, o que teria feito: deixaria ao traidor pelo menos a porta de entrada e o vaso sanitário, ou também levaria tudo até o último prego?







