— Desculpe, mas por que razão eu deveria me mudar? O apartamento pertence a mim! — enquanto isso, a sogra já estava trazendo as malas da filha…

— Por que eu tenho que me mudar?

Este apartamento é meu!

Vera estava parada no meio da própria sala, olhando para as malas que já estavam sendo levadas para dentro de casa.

A irmã grávida do marido se remexia sem jeito perto da porta, acariciando a barriga arredondada.

Já a sogra dava ordens aos carregadores com confiança, indicando onde colocar as coisas.

— Não faça cena — cortou Galina Petrovna.

— Lena está passando por um momento difícil, ela precisa de paz.

Você entende que uma mulher grávida não pode se aborrecer, não entende?

Vera voltou o olhar para o marido.

Serguei estava junto à janela, olhando obstinadamente para algo na rua.

Ele permanecia calado, evitando o olhar dela.

E foi exatamente naquele momento que ela entendeu que a decisão havia sido tomada sem ela.

No próprio apartamento dela, comprado com o dinheiro dela, a opinião dela não tinha importância alguma.

Vera conheceu Serguei em uma festa corporativa de conhecidos em comum.

Naquela época, ela já trabalhava havia vários anos como analista financeira em uma grande empresa e tinha conseguido comprar um apartamento de dois cômodos financiado.

— Você é tão independente — admirava-se Serguei nos primeiros encontros.

— Nem toda mulher consegue arcar sozinha com um financiamento imobiliário.

— Estou acostumada a contar apenas comigo mesma — sorria Vera, lembrando-se das noites sem dormir sobre relatórios e das férias das quais havia aberto mão por causa dos bônus.

Depois do casamento, Serguei se mudou para a casa dela.

Oficialmente, o apartamento continuava sendo propriedade apenas dela, mas Vera nunca fazia questão de destacar esse fato.

— Agora somos uma família — dizia ela.

— Que diferença faz em nome de quem o imóvel está registrado?

A relação com a sogra foi tensa desde o início.

Galina Petrovna morava em uma pequena vila a duas horas de viagem da cidade, em uma casa antiga sem comodidades.

Ela frequentemente reclamava da ausência de um hospital decente por perto e das estradas ruins, mas se recusava categoricamente a se mudar para a cidade, pois não queria abandonar a casa, o quintal e a horta.

Logo no primeiro encontro, Galina Petrovna declarou:

— Serguei, espero que você não se esqueça da sua irmã.

Lena se perderia sem você, ela é tão sensível.

A irmã mais nova do marido era realmente o completo oposto de Vera.

Aos vinte e oito anos, ela já havia trocado de emprego uma dúzia de vezes, vivia do dinheiro dos pais e se metia constantemente em problemas.

Quando Lena anunciou que estava grávida e o pai da criança desapareceu, Galina Petrovna fez uma verdadeira crise de histeria:

— Precisamos ajudá-la!

Ela vai ficar sozinha com o bebê!

No início, Vera sentiu sincera pena da parente e até transferiu dinheiro para comprar coisas para o bebê.

Mas logo percebeu que a ajuda começava a se transformar em obrigação, e que não havia gratidão a esperar.

Certa noite, Serguei se sentou ao lado de Vera no sofá.

Ela sentiu imediatamente que viria uma conversa desagradável.

O marido hesitou por muito tempo, depois soltou:

— Está difícil para Lena morar sozinha em um apartamento alugado.

A proprietária vive implicando, os vizinhos fazem barulho…

— E o que você propõe?

Vera ficou em alerta.

— Ela não pode ficar nervosa agora.

Talvez possamos ajudá-la?

Vera deixou o livro de lado e olhou atentamente para o marido.

— Ajudá-la, como exatamente?

— Bem… ela pode morar um tempo conosco.

Só temporariamente.

— Nós só temos dois cômodos, Serioja.

Onde ela vai dormir?

Na cozinha?

O marido fez um gesto irritado com a mão e se levantou do sofá.

— Pensei que você entenderia.

Ela está grávida!

Durante vários dias, o assunto não voltou a ser mencionado.

Vera decidiu que a conversa estava encerrada e que Serguei havia entendido sua posição.

Como ela estava enganada.

Na sexta-feira à noite, ela voltou para casa mais cedo do que de costume.

No hall de entrada havia malas e caixas.

A porta se abriu, e a sogra entrou com Lena.

— Ah, Vera, você já está em casa — constatou Galina Petrovna.

— Ajude Lena a desfazer as malas.

— O que está acontecendo?

Vera sentiu como se o chão desaparecesse sob seus pés.

— Como assim, o que está acontecendo?

Lena está se mudando.

Serguei disse que vocês tinham discutido tudo.

Pela primeira vez, Vera se sentiu uma estranha no próprio apartamento.

Nem sequer haviam perguntado sua opinião.

Galina Petrovna rapidamente começou a se comportar como dona da casa.

Já na manhã seguinte, ela mudou os móveis da sala de lugar e pendurou nas paredes alguns ícones e amuletos para grávidas.

Vera a encontrou dando ordens no meio do apartamento, usando um roupão, como se morasse ali havia anos.

— Vamos liberar o segundo cômodo para Lena.

Ela precisa de tranquilidade e de um espaço separado.

Você e Serguei ficarão por enquanto no quarto.

Vera parou na porta, olhando para sua mesa de trabalho, coberta de revistas infantis.

— Este é o meu escritório.

Eu preciso de um lugar para trabalhar em casa.

A sogra nem sequer se virou para ela, continuando a arrumar fraldas nas prateleiras.

— Não tem problema, você aguenta.

A grávida é mais importante.

Pode sentar-se à mesa da cozinha com o notebook.

Alguns dias depois, Vera voltou mais cedo do trabalho.

No prédio, sentia-se o cheiro de seu perfume favorito, aquele que ela guardava em casa.

Ao subir as escadas, ouviu risadas de crianças vindas do apartamento vizinho e pensou que em breve o mesmo som ecoaria em sua casa.

Só que, por algum motivo, ela não sentia alegria.

O apartamento estava silencioso, mas vozes vinham da cozinha.

O cheiro de borsch, que ela detestava, enchia o hall de entrada.

Vera tirou os sapatos sem fazer barulho e parou no corredor ao ouvir seu nome.

— Depois do nascimento da criança, é melhor Vera morar por um tempo com a mãe dela — dizia a sogra, fazendo barulho com a louça.

— Não se pode mostrar o bebê a estranhos durante quarenta dias.

É uma tradição.

— Mãe, mas Vera não é uma estranha… — protestou Serguei, inseguro.

Vera reconhecia aquela entonação.

Era assim que ele falava quando já estava pronto para ceder.

— Ela não é parente de sangue da criança.

E tradições precisam ser respeitadas.

Pense bem: um recém-nascido precisa de tranquilidade.

E Lena vai precisar de ajuda vinte e quatro horas por dia.

Uma colher tilintou contra um copo.

Serguei mexia o açúcar no chá.

— Não acho que ela vá concordar em se mudar, mesmo que seja por um tempo.

— E para onde ela vai?

Galina Petrovna bufou.

— Ela é mulher.

Deve entender que a criança é mais importante do que o conforto dela.

Se ela te ama, vai entender e aceitar.

Vera sentiu literalmente a vista escurecer.

Um suor frio surgiu em suas costas, e suas mãos começaram a tremer.

Ela se apoiou na parede, tentando compreender o que havia acabado de ouvir.

Os parentes discutiam, tomando chá, como expulsá-la do próprio apartamento, como se falassem de mudar móveis de lugar.

E Serguei não a defendia; apenas duvidava que ela aceitasse sair voluntariamente.

No fim de semana, Galina Petrovna organizou um conselho de família.

Todos se reuniram à mesa de jantar.

A sogra se sentou majestosamente na cabeceira, Lena se acomodou à direita dela, e Serguei sentou-se diante de Vera, evitando o olhar dela.

A sogra pigarreou solenemente e anunciou:

— Pensamos como família e decidimos que seria mais conveniente para Vera morar por algum tempo com os pais.

Lena vai dar à luz em breve, e a criança precisa de um quarto separado.

Além disso, durante os primeiros quarenta dias, não se pode mostrar um recém-nascido a estranhos, apenas a parentes próximos.

Um silêncio pairou no cômodo.

Lena olhava para Vera de forma desafiadora, e Serguei fitava o prato.

Vera levantou-se lentamente, foi até a cômoda e pegou uma pasta com documentos que havia preparado com antecedência.

Depois voltou calmamente à mesa e colocou diante de todos o certificado de propriedade e o contrato de compra e venda.

— Agora escutem com atenção — sua voz era firme e fria.

— Este apartamento pertence a mim.

Completamente.

Foi comprado com o meu dinheiro antes do casamento.

E ninguém vai decidir por mim.

A sogra ficou vermelha de indignação.

— Você não tem vergonha?

Ela está grávida!

Você não tem consciência?

— E por que Lena não mora com a senhora, Galina Petrovna?

— Você sabe muito bem como é na minha vila!

Lá nem existe uma maternidade decente, só um posto de atendimento!

— indignou-se a sogra.

— Mas existe uma casa.

A sua própria casa.

Só que, por algum motivo, a senhora quer resolver os problemas da sua filha às custas do meu apartamento.

Então Vera se virou para o marido e olhou diretamente nos olhos dele.

— Serguei, agora você escolhe.

Ou você acaba com esse circo e sua família deixa o meu apartamento, ou arruma suas coisas junto com eles.

Serguei abriu a boca, fechou, abriu novamente.

E permaneceu em silêncio.

Aquela resposta foi suficiente para ela.

No dia seguinte, Vera entrou com o pedido de divórcio.

Ela agiu com determinação, sem hesitar.

Marcou uma consulta com um advogado e reuniu todos os documentos necessários.

Uma semana depois, Serguei juntou suas coisas em silêncio.

Os carregadores levavam as caixas, e ele não tentou uma única vez conversar, pedir desculpas ou ao menos se explicar.

Junto com ele foi embora Lena, que durante todo o tempo em que morou ali não disse a Vera uma única palavra de agradecimento.

A sogra ainda tentou por vários meses apelar para a pena.

Ligava e escrevia mensagens longas:

— Você destruiu a família!

Jogou uma mulher grávida na rua!

Como consegue dormir à noite?

— Se eu pudesse levar Lena para minha casa, eu faria isso!

Mas você sabe que na vila não há condições para um bebê!

Mas Vera não reagia mais.

Ela bloqueou o número de Galina Petrovna e pediu aos conhecidos em comum que não transmitissem nenhuma mensagem.

Aos poucos, uma amarga compreensão chegou até ela.

Durante todo aquele tempo, os parentes do marido enxergavam o apartamento dela como um recurso conveniente para resolver seus problemas.

E viam a própria Vera como um obstáculo a esse recurso.

Quando o acesso ao apartamento acabou, acabou também o fingido “cuidado” deles com os valores familiares.

— Sabe, mãe — disse ela à mãe pelo telefone.

— Eu pensei que estava perdendo uma família.

Mas descobri que nunca tive uma.

Seis meses depois, Vera encontrou por acaso uma conhecida em comum em um café.

— Ouviu falar do Serguei?

— perguntou ela.

— Ele aluga um apartamento de um cômodo na periferia e trabalha em dois empregos.

Lena e o bebê também moram lá.

Dizem que mal conseguem fechar as contas.

Vera apenas assentiu.

Não sentia nem satisfação maldosa, nem pena.

Às vezes, à noite, ela se sentava em sua cozinha com uma xícara de chá aromático, olhava para as luzes da cidade pela janela e pensava que havia perdido o marido, mas preservado algo muito mais importante: o respeito por si mesma.

No apartamento havia ordem novamente, suas coisas estavam em seus lugares, e ninguém dava ordens em sua casa.

E toda vez que olhava para os documentos do apartamento no cofre, ela entendia que naquela ocasião havia tomado a única decisão correta.

Melhor estar sozinha em sua própria casa do que ser uma estranha na própria vida.

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