Meu nome é Clara, e durante cinco meses vivi com um único objetivo.
Permanecer invisível.

Não chamar atenção.
Não deixar que o homem de quem eu mais tinha medo descobrisse a verdade.
A verdade sobre o bebê que crescia dentro de mim.
A verdade sobre aquela noite que mudou toda a minha vida.
Foi exatamente por isso que escolhi um trabalho em que quase ninguém me notava.
Limpar escritórios depois das nove da noite.
Corredores vazios.
Andares silenciosos.
Pessoas que raramente olhavam na direção de alguém com um carrinho e um balde.
Para a maioria dos funcionários, eu era apenas parte da equipe noturna.
Um rosto que ninguém lembrava.
E isso me servia.
Porque, às vezes, tornar-se invisível é a única maneira de sobreviver.
Durante seis semanas, eu ia à Torre Meridian todas as quartas-feiras à noite.
Eu conhecia a escala dos seguranças.
Sabia quando o expediente terminava.
Sabia quais andares ficavam vazios depois das dez horas.
Especialmente o andar da diretoria.
Ali quase sempre era silencioso.
Foi justamente por isso que o escolhi.
Porque, entre aqueles escritórios caros, paredes de vidro e pessoas de terno, havia um homem que eu tentava evitar.
Cassian Rowe.
Muitas pessoas conheciam seu nome.
Revistas de negócios escreviam sobre ele.
Ele era chamado de um dos homens mais influentes da cidade.
Era dono de várias empresas.
Fechava negócios dos quais as pessoas falavam durante semanas.
Mas, junto com o sucesso, sempre circulavam rumores ao seu redor.
Histórias sobre negociações implacáveis.
Sobre pessoas que desapareciam de seu círculo.
Sobre investigações que nunca recebiam uma resposta completa.
Quando vi seu nome na internet pela primeira vez, minhas mãos ficaram geladas.
Porque aquele homem era o pai do meu filho.
Tudo começou alguns meses antes.
Eu nunca imaginei que conheceria um homem como Cassian.
Naquela noite, eu trabalhava como garçonete em um evento particular.
Eu tinha dívidas com meus estudos.
Roupas velhas.
Um cansaço que escondia de todos.
Eu só queria ganhar dinheiro suficiente para continuar vivendo.
Eu não esperava que uma conversa no terraço de um hotel mudasse tudo.
Cassian era completamente diferente do homem que eu havia imaginado.
Ele não falava sobre dinheiro.
Não tentava me impressionar.
Apenas sentou-se ao meu lado.
Ouviu.
Fez perguntas.
Conversamos por quase duas horas.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti uma pessoa, e não um problema que precisava ser resolvido.
Mas, pela manhã, tudo mudou.
Procurei o nome dele.
E, junto com ele, descobri outro lado de sua vida.
Artigos.
Notícias.
Investigações.
Fotografias.
Pessoas que o relacionavam a situações perigosas.
Fiquei assustada.
Não porque ele tivesse feito algo de ruim comigo.
Mas porque percebi:
eu não sabia absolutamente nada sobre ele.
E agora eu carregava seu filho.
Eu poderia ligar para ele.
Poderia contar a verdade.
Mas, todas as vezes, imaginava o pior cenário.
Que ele levaria meu filho.
Que o mundo dele se tornaria parte da minha vida.
Que eu perderia o último controle sobre o meu próprio destino.
Por isso, desapareci.
Troquei de número.
Mudei de casa.
Encontrei um trabalho noturno.
E convenci a mim mesma de que estava fazendo a coisa certa.
Mas o destino decidiu o contrário.
Tudo começou com uma única ligação.
O proprietário do apartamento me informou que o prédio havia sido vendido.
Uma reforma iria começar.
Deram-me trinta dias para encontrar uma nova moradia.
Eu segurava o telefone na mão e tentava não chorar.
Porque eu não sabia para onde ir.
Eu estava grávida.
Quase não tinha economias.
E já havia me acostumado a viver de uma maneira que fazia com que ninguém fizesse perguntas.
Entrei no banheiro do andar da diretoria.
Fechei a porta.
E simplesmente me sentei no chão frio.
Minhas pernas já não conseguiam me sustentar.
A velha lâmpada acima da minha cabeça piscava.
Do lado de fora, a chuva escorria pelas enormes janelas de vidro da torre.
Naquele momento, parecia que o mundo inteiro havia ficado tão frio quanto aquele lugar.
Coloquei a mão sobre a barriga.
O bebê se mexeu levemente.
Sorri por entre as lágrimas.
— Tudo vai ficar bem.
Eu disse aquilo mais para mim mesma do que para ele.
Mas então ouvi passos.
A princípio, pensei que fosse a segurança.
Depois ouvi uma voz.
— Clara.
Meu coração parou.
Eu conhecia aquela voz.
Profunda.
Calma.
Confiante.
Cassian Rowe.
Fiquei imóvel.
Talvez, se eu não respondesse, ele fosse embora.
Talvez tivesse simplesmente entrado na porta errada.
Mas então ouvi o som da fechadura.
A porta se abriu.
E ele estava diante de mim.
Seis meses não haviam mudado nada.
Alto.
Terno escuro.
Olhar frio.
A mesma confiança que fazia outras pessoas ficarem nervosas quando estavam perto dele.
Atrás dele estavam dois seguranças.
Seus rostos eram indiferentes.
Como se uma situação daquelas fosse uma parte comum de sua vida.
Cassian olhou para mim.
Primeiro para o meu rosto.
Depois para a mão sobre a minha barriga.
Em seguida, para os tênis baratos.
Para o uniforme de faxineira.
Para o carrinho ao meu lado.
E ele ficou imóvel.
Durante alguns segundos, ninguém disse nada.
Então ele perguntou baixinho:
— Quanto tempo?
Eu não entendi.
— O quê?
Seu olhar voltou a se abaixar.
— Há quanto tempo?
Senti meus dedos se fecharem.
— Cassian…
Ele deu um passo à frente.
Mas parou.
Não se aproximou mais.
Era como se tivesse medo de me assustar.
— Há quanto tempo você está grávida?
Não consegui responder imediatamente.
Porque dizer aquilo em voz alta significava destruir os últimos cinco meses.
Mantive a mão sobre a barriga.
E finalmente disse:
— Cinco meses.
Algo mudou em seu rosto.
Não era raiva.
Não era irritação.
Era outra coisa.
Choque.
— Cinco meses?
Assenti.
— Quem é o pai?
Essa pergunta me assustou mais do que qualquer outra.
Porque ele já sabia.
Só precisava ouvir de mim.
Olhei em seus olhos.
— Você.
O ambiente ficou em silêncio.
Tão silencioso que eu conseguia ouvir a chuva do lado de fora.
Cassian ficou imóvel.
Sua mandíbula se contraiu.
Ele soltou o ar lentamente.
— Você está carregando meu filho há cinco meses.
— Sim.
— E não me contou.
Não havia grito em sua voz.
Não havia acusação.
E, por algum motivo, isso era ainda mais difícil.
— Eu estava com medo.
Ele olhou diretamente para mim.
— De mim?
Fiquei em silêncio.
Porque a resposta era óbvia.
Cassian virou-se.
Passou a mão pelos cabelos.
Por alguns segundos, desapareceu o homem que os jornais conheciam.
Diante de mim estava apenas um homem.
Confuso.
Magoado.
— O que você achou que eu faria?
Forcei-me a falar.
— Encontrei seu nome na manhã seguinte ao nosso encontro.
Ele olhou para mim.
— Vi os artigos.
— As investigações.
— As histórias sobre as pessoas ligadas aos seus negócios.
Seu rosto permaneceu imóvel.
— Eu era garçonete.
— Eu tinha dívidas.
— Estava usando um vestido que não era meu.
— Não tinha nenhum motivo para pensar que eu significava alguma coisa para você.
Uma expressão de dor apareceu em seu rosto.
Por um instante.
Mas eu percebi.
— Por isso fiz a única escolha que ainda pertencia a mim.
A chuva continuava batendo nas janelas.
O bebê se mexeu novamente.
E então Cassian disse as palavras que mudaram tudo.
— Eu procurei você.
Levantei os olhos.
— O quê?
Ele olhou diretamente para mim.
— Durante cinco meses, Clara.
— Durante cinco meses, tentei encontrar você.
E, pela primeira vez em muito tempo, senti um medo verdadeiro.
Porque, se ele realmente havia me procurado durante todo aquele tempo…
Isso significava que eu não tinha apenas desaparecido.
Eu poderia ter escondido dele algo que ele jamais me perdoaria.







