Dmitri fechou a porta de entrada depois que os últimos convidados foram embora e se virou para a esposa.
Ele sorria com aquele sorriso especial que sempre aparecia depois de noites bem-sucedidas.

— Escute, tem uma coisa.
Quando eles estavam indo embora, eu disse que tudo o que estava na mesa era mérito da minha mãe.
Então, se alguém ligar, não deixem escapar a verdade.
Galina estava junto à pia, enxugando as mãos com uma toalha.
Seus dedos pararam sobre o tecido.
— Não deixar escapar? — ela se virou para ele.
— Espere, eu não entendi.
Vera, irmã de Dmitri, que estava tirando as taças da mesa, levantou a cabeça.
Suas sobrancelhas se franziram.
— Dima, o que quer dizer com “não deixem escapar”?
— O que há de tão difícil nisso?
Os convidados elogiaram a mesa.
Eu respondi que quem tinha cozinhado era a aniversariante.
Ela ficou feliz.
Fim da história.
Galina colocou lentamente a toalha sobre a bancada.
Seis horas diante do fogão.
Três idas ao mercado para comprar alimentos.
Um dedo cortado com a faca nova.
Óleo quente que espirrou em seu pulso.
— Dmitri, mas isso não é verdade.
Anna Sergeyevna só cortou algumas coisas e arrumou a mesa.
Todo o resto fomos Vera e eu que preparamos.
— E daí?
— Como assim “e daí”?
Você mentiu para seus amigos.
E para seus parentes.
E nos pediu para sustentar essa mentira.
— Eu queria agradar minha mãe no aniversário dela.
Não entendo qual é o problema.
Vera colocou as taças de volta na mesa.
O vidro tilintou suavemente.
— Dima, ela passou oito horas aqui.
É um pouco estranho dizer uma coisa dessas.
— Vera, não comece.
Vocês duas fizeram tudo muito bem, eu sei.
Mas os convidados não precisam saber dos detalhes.
Galina deu um passo à frente.
Ainda havia suavidade em sua voz — os últimos vestígios dela.
— Certo.
Não estou pedindo que você corra atrás deles para corrigir o que disse.
Só me explique por que precisava mentir.
Dmitri deu de ombros com aquela indiferença que sempre a irritava mais do que qualquer coisa.
— Porque isso não importa.
Você não precisa de elogios.
As palavras caíram entre eles como uma pedra na água.
Só que as ondas que se espalharam não eram de água — eram de gelo.
— Eu não preciso de elogios, — repetiu Galina, como se estivesse conferindo se tinha ouvido corretamente.
— E quem precisa, então?
— Minha mãe.
É o aniversário dela.
Sessenta e cinco anos.
Que ela se sinta a dona da casa.
— Ela já é a dona da casa.
É a casa dela.
A festa dela.
Os convidados dela.
O que cozinhar tem a ver com isso?
— Tem a ver com o fato de que uma mulher deve ser modesta.
Você ajudou — muito bem.
Mas para que ficar se exibindo?
— Me exibindo?
Dmitri, eu não disse uma única palavra durante toda a noite sobre quem tinha cozinhado.
Nem uma palavra.
Vera mexeu nervosamente no saleiro de um lado para o outro.
Ela conhecia aquele tom do irmão.
Sabia onde aquilo ia dar.
— Dima, talvez já chegue?
Galia está cansada.
Todos nós estamos cansados.
— Espere, Vera.
Eu quero entender.
O que você quer dizer com “se exibir”?
Dmitri se apoiou na mesa da cozinha.
Seu olhar ficou condescendente, quase entediado.
— Esse seu jeito.
“Eu cozinhei.”
“Eu me esforcei.”
“Me valorizem.”
— Eu não disse nada disso.
— Mas pensou.
Galina sentiu algo mudar dentro dela.
A esperança de ser compreendida se desfazia lentamente, dando lugar a algo duro.
— Agora você está me acusando pelo que eu penso?
— Estou apenas constatando.
Você sempre quer ser o centro das atenções.
Isso é cansativo.
— O centro das atenções?
Eu fiquei seis horas na cozinha enquanto você estava sentado com os convidados.
Fui ao mercado três vezes.
Queimei a mão.
E eu queria ser o centro das atenções?
— Está vendo?
Você já começou a enumerar seus méritos.
É exatamente disso que estou falando.
Vera soltou o ar bruscamente.
— Dima, pare.
Isso já passou dos limites.
— Vera, por que você está se metendo?
Isso é assunto entre mim e minha esposa.
*
Galina olhava para o marido.
Oito anos de casamento.
Oito anos de vida em comum.
E só agora ela via o rosto dele com verdadeira clareza.
— Dmitri, vou fazer uma pergunta.
Só uma.
E quero que responda com sinceridade.
— Pode falar.
— Se no meu lugar estivesse outra pessoa — uma colega sua ou uma amiga da sua mãe — e ela tivesse ajudado a cozinhar, você também teria dito aos convidados que Anna Sergeyevna tinha feito tudo?
Ele bufou.
— Claro que não.
Isso seria falta de educação.
— Falta de educação.
Mas comigo é educado?
— Você é minha esposa.
Você tem obrigação de ajudar.
Isso não é nenhum feito heroico, é o normal.
— Tenho obrigação.
Entendi.
Vera foi até a janela e se virou de costas.
Seus ombros se tensionaram.
— Galia, deixe que eu te leve para casa.
Já está tarde.
— Espere, Vera.
Quero terminar esta conversa.
Dmitri cruzou os braços.
— O que mais?
— Você disse que eu não preciso de elogios.
Explique melhor.
Por que exatamente eu não preciso deles?
— Porque você é minha esposa.
Eu já te valorizo.
O que mais você quer — uma medalha?
— Você me valoriza.
Por isso me humilhou diante da sua família.
Tomou para si o crédito pelo meu trabalho.
E agora exige que eu minta para seus amigos.
— Que palavra forte — “humilhou”.
Você é mesmo uma estrela do teatro dramático.
Galina assentiu.
Não para ele — para si mesma.
Ela havia tomado uma decisão.
— Sabe de uma coisa?
Você tem razão.
Eu não preciso de elogios.
E também não preciso provar nada para você.
— Ah, começou.
Agora vêm as lágrimas e as portas batendo.
— Não, Dmitri.
Não haverá lágrimas.
Nem portas batendo.
Ela tirou o avental, dobrou-o cuidadosamente e o colocou sobre o encosto da cadeira.
— Vera, obrigada.
Diga a Anna Sergeyevna que foi um prazer ajudar.
Sinceramente.
— Galia, espere…
— Preciso ir.
Dmitri soltou um riso de desprezo.
— Vá em frente, finja que está ofendida.
De manhã você vai ligar pedindo desculpas.
Galina pegou a bolsa na prateleira.
Olhou para ele com calma, sem calor, sem raiva.
Apenas olhou.
— Não, Dmitri.
Não vou ligar.
*
A porta se fechou silenciosamente atrás dela.
Sem cena.
Sem efeito dramático.
Vera se virou para o irmão.
Em seu rosto havia uma mistura de espanto e medo crescente.
— Dima, o que você fez?
— Ah, deixe disso.
Ela vai ficar irritada por um tempo e depois passa.
Para onde ela vai?
— Você ouviu como ela falou?
Viu os olhos dela?
— Vera, não dramatize.
É só uma típica mágoa feminina.
Amanhã ela liga querendo fazer as pazes.
Passos foram ouvidos no corredor.
Anna Sergeyevna apareceu na porta da cozinha, apertando o roupão ao redor do corpo.
— Que barulho é esse?
Galina já foi embora?
Vera ficou em silêncio.
Olhou para o irmão.
— Vera?
O que aconteceu?
— Mãe, pergunte ao seu filho.
Dmitri revirou os olhos.
— Não aconteceu nada de grave.
Galka ficou ofendida porque eu elogiei você diante dos convidados pela comida.
— Como assim você me elogiou?
— Eu disse que foi você quem cozinhou.
Para te deixar feliz.
Anna Sergeyevna franziu a testa.
— Mas eu não cozinhei.
Eu cortei o pão e arrumei os pratos.
Todo o resto foram Galia e Vera que fizeram.
— Que diferença faz?
— Muita, Dmitri.
Você mentiu para os meus convidados.
— Fiz isso por você!
— Eu não pedi.
E não teria ficado feliz se soubesse.
O telefone de Dmitri apitou.
Ele o tirou do bolso e olhou para a tela.
Seu rosto mudou.
— O que foi? — Vera se aproximou.
Ele mostrou a tela sem dizer uma palavra.
Era uma mensagem de Galina.
Curta, clara, sem uma única palavra desnecessária.
“Divórcio.
Não venha para casa hoje.
Amanhã você pega suas coisas.
E não se esqueça de elogiar a si mesmo — você merece.”
Vera leu a mensagem em voz alta.
Anna Sergeyevna estremeceu.
— Ela está falando sério?
— Claro que não!
Isso é histeria!
— Dima, — disse Vera lentamente, — eu vi o rosto dela.
Aquilo não foi histeria.
Foi uma decisão.
— Bobagem!
Vou ligar para ela agora e explicar tudo…
Ele discou o número.
Um toque.
Dois.
Três.
Caixa postal.
— O número está temporariamente indisponível.
Ele ligou de novo.
O mesmo resultado.
— Ela me bloqueou.
Ela me bloqueou!
— E por que você está surpreso?
— Mas por quê?!
Por causa de comida?!
Vera balançou a cabeça.
— Não foi por causa da comida, Dima.
Foi por causa da maneira como você falou com ela.
Eu estava ali.
Ouvi tudo.
Foi simplesmente horrível.
*
Anna Sergeyevna se deixou cair pesadamente em uma cadeira.
— Conte tudo para mim.
Desde o começo.
Vera contou.
Palavra por palavra, frase por frase.
Dmitri ouvia, e a cada frase seu rosto mudava.
Primeiro, irritação.
Depois, preocupação.
Depois, algo parecido com medo.
— Mas eu não quis dizer isso…
Eu só queria dizer que…
— O quê exatamente, filho?
Que sua esposa deve trabalhar para a sua família e ficar calada?
— Não!
Que não é preciso ficar se exibindo…
— Ela não estava se exibindo.
Ela nem sequer disse nada.
Foi você quem começou essa conversa.
— Eu só queria avisá-la…
— Avisar do quê?
Que ela não ousasse dizer que tinha cozinhado?
Na própria família?
Dmitri segurou a cabeça com as duas mãos.
— Vocês não entendem.
Eu não queria machucá-la.
Eu só…
— Queria controlá-la, — completou Vera por ele.
— Queria que ela soubesse o lugar dela.
Como um cachorro.
Queria que ela fosse grata pelo simples fato de você ter se casado com ela.
— Não!
— Então por que disse que ela não precisava de elogios?
Por que chamou o desejo dela de ser reconhecida de exibicionismo?
Ele ficou em silêncio.
— Por que disse que ela tinha obrigação de ajudar?
Silêncio.
— Dmitri, — Anna Sergeyevna falou baixinho, — eu criei você sozinha.
Perdoei muita coisa.
Mas isso…
Galina é uma boa mulher.
Ela nunca exigiu nada.
Ela simplesmente esteve ao seu lado.
E você…
— Vou ligar para ela amanhã.
Vou explicar.
Ela vai entender.
— Não vai, — Vera sentou-se diante dele.
— Você ultrapassou o limite.
E ela percebeu isso.
Ela não ficou apenas ofendida ou chateada — ela viu.
Viu quem você realmente é.
O que pensa dela.
Como está disposto a tratá-la.
— Mas eu a amo!
— Ama?
Então por que você gostava de humilhá-la?
Eu vi seu rosto, Dima.
Você estava gostando.
Ele levantou a cabeça.
Em seus olhos havia a confusão de uma pessoa que, pela primeira vez, olhou para o espelho e não reconheceu quem estava refletido ali.
— Eu… eu não…
— Foi exatamente assim.
E ela também viu.
Foi por isso que ela foi embora.
Sem escândalo.
Sem gritos.
Simplesmente foi embora.
Porque entendeu que, se hoje era assim, amanhã seria pior.
Anna Sergeyevna se levantou.
— Tenho sessenta e cinco anos.
Achei que este dia seria uma festa.
Mas acabou sendo o dia em que percebi que não conheço meu próprio filho.
Ela foi para o quarto.
Vera pegou a bolsa.
— Vera, espere.
O que eu faço?
— Não sei, Dima.
Realmente não sei.
Galia não é do tipo que muda de ideia.
Ela não vai voltar rastejando e pedindo desculpas.
Não vai ficar esperando você mudar.
Ela tomou uma decisão — e tomou rápido.
Porque decisões assim não exigem muito tempo para pensar.
Quando uma pessoa mostra quem ela é — acredite nela na primeira vez.
A porta se fechou.
Dmitri ficou sozinho.
Com o telefone na mão.
Com a mensagem na tela.
Com uma compreensão que chegou tarde demais.
“Não se esqueça de elogiar a si mesmo — você merece.”
Ele merecia.
Exatamente aquilo.
Uma cozinha vazia depois da festa.
Um número bloqueado.
Os papéis do divórcio.
Ele recebeu exatamente o que merecia.







