— E você me humilhou!
— Como foi que eu te humilhei?

Kátia olhou para ele, depois para o dedo inchado e, por fim, disse tudo o que estava pensando.
Eles se conheceram por acaso.
Kolia entrou no mesmo vagão do metrô e sentou-se ao lado dela.
Por alguns minutos, pareceu observar as pessoas ao redor, depois virou-se para Kátia e, sem muita cerimônia, disse:
— Na verdade, eu não costumo conhecer garotas assim, mas você é muito bonita.
— Me dá seu número de telefone, vai?
Kátia riu — havia algo de irresistível naquela ousadia.
Descobriram que precisavam descer na mesma estação.
Alguns dias depois, encontraram-se novamente.
Depois, mais uma vez.
Era fácil e divertido estar com Kolia, como se ele simplesmente não soubesse ser entediante.
Kátia não tinha pressa para fazer planos, mas algumas vezes ele insinuou que gostaria que eles morassem juntos e, em determinado momento, simplesmente levou sua escova de dentes para a casa dela.
O convite para o casamento dos amigos de Kolia deixou Kátia um pouco surpresa.
— Tem certeza de que eu também fui convidada? — perguntou ela.
— Sim! E daí?
— Bom, nós nos conhecemos há apenas dois meses.
— Normalmente, casais casados são convidados juntos.
— Você é minha namorada.
— Minha futura esposa.
— Então vamos.
Kátia deu uma risadinha.
Como qualquer garota, ela gostava de saber que Kolia levava o relacionamento deles tão a sério.
Cerca de uma semana antes do casamento, Kolia colocou uma caixa na frente dela.
— Escuta, sobre o presente…
— O que você vai dar?
— Eu estava justamente pensando em sugerir que a gente dividisse o custo.
— Enfim, aqui está.
Kátia abriu a tampa e ficou alguns segundos olhando em silêncio para dentro.
— O que é isso?
— Um gnomo de jardim.
— Kolia…
— O quê?
— Nós vamos a um casamento.
Kátia pegou o gnomo nas mãos.
Ele tinha um gorro vermelho, uma barriga redonda e uma expressão ridiculamente séria.
— Que brincadeira é essa?
— Bom, eu tenho uma espécie de tradição…
— Eu já dei um desses para um amigo, sabe, para o futuro, quando ele finalmente construísse uma casa.
— Por isso comprei um segundo.
— Eles formarão um par.
Kátia colocou o gnomo de volta.
— Kolia, eles estão juntando dinheiro para comprar uma casa.
— E daí?
— Eles precisam de dinheiro, não de gnomos!
— Então que os outros deem dinheiro.
— As pessoas não me valorizam pelos presentes, mas pela amizade — disse Kolia, ofendido.
— Você não acha normal dar um envelope no casamento dos seus amigos?
— Quem foi que disse que é obrigatório dar dinheiro em um casamento?
— Foram as redes sociais que colocaram isso na sua cabeça?
— O que as redes sociais têm a ver com isso?
— O problema é que hoje todo mundo fica dizendo uns aos outros o que devem dar de presente, para onde devem viajar, como devem se casar e quantos guardanapos precisam estar sobre a mesa.
— Se eu quero dar alguma coisa para uma pessoa, por que sou obrigado a enfiar um envelope na mão dela em vez disso?
— E o que eles vão fazer com dois gnomos no apartamento?
— Vão colocá-los na varanda.
— E quando realizarem o sonho e comprarem uma casa, eles ficarão no jardim, lembrando-os do presente de casamento.
— Eu continuo achando que devemos dar dinheiro.
— Tudo bem.
— Dê.
E foi assim que terminaram a discussão.
Antes da festa, Kátia passou em uma loja, comprou um envelope bonito e colocou dinheiro dentro.
Kolia nem sequer perguntou quanto ela havia colocado.
A noite do casamento foi mais divertida do que Kátia esperava.
Ela conheceu os amigos de Kolia, conversou com a noiva, dançou várias vezes e, por um tempo, esqueceu a discussão daquela manhã sobre gnomos e envelopes.
Kolia também estava muito animado.
Ele bebeu bastante e dançou ao som dos grandes sucessos dos anos 90.
Quando o apresentador anunciou que os recém-casados receberiam os presentes, Kátia tirou o envelope.
Kolia olhou para ele e estendeu a mão decididamente.
— Me dá aqui.
— Vamos cumprimentá-los.
— Você segura as flores, como namorada, e eu fico com os presentes.
Kátia entregou o envelope.
Kolia aproximou-se dos recém-casados, parabenizou-os e entregou o presente.
— Muito obrigado!
— Sejam felizes — disse Kolia.
Kátia não acrescentou nada, apenas entregou o buquê.
Ela não gostou nem um pouco da atitude de Kolia, mas não quis transformar aquilo em um escândalo.
Algum tempo depois, ela já estava conversando com uma garota à sua mesa quando, de repente, ouviu risadas vindas da mesa dos recém-casados.
— Ah, olhem, mais um!
A noiva segurava uma caixa com um gnomo.
— Kolia realmente comprou o segundo — riu o noivo.
— Eu disse que ele não desistiria.
— Agora temos o par completo.
Kátia sorriu, mas seu sorriso saiu forçado.
Então a noiva abriu o envelope.
— Ainda bem que Kolia resolveu dar dinheiro além do gnomo.
— Pois é — respondeu o noivo.
— O dinheiro vai ser muito útil para nós agora.
— E o gnomo deve ser da Kátia.
Kátia ficou vermelha, enquanto a noiva já abria o presente seguinte.
Kátia olhou para Kolia.
Ele estava ali perto, conversando com os amigos, como se nada de especial tivesse acontecido.
Ele percebeu o olhar dela.
— O que foi?
— Nada.
— Tem certeza?
— Sim.
— Vamos dançar?
Kátia assentiu.
Ela decidiu não estragar a festa dos outros.
Mas seu humor estava arruinado.
Felizmente, um bom apresentador conseguiu envolver todos em brincadeiras e danças, e logo Kátia já não pensava mais no que havia acontecido.
Ela assistiu às apresentações dos artistas, elogiou os petiscos e os pratos quentes, emocionou-se durante a primeira dança dos noivos e nem percebeu quando voltou a sorrir.
Então chegou a hora de pegar o buquê.
Kátia nem sequer pretendia entrar no círculo.
— Kátia, venha aqui! — chamou a noiva.
— Ah, não — respondeu ela, corando.
— Vamos!
Quase a arrastaram para o centro.
De tão constrangida, Kátia nem percebeu de imediato que as outras garotas haviam dado um passo para trás e que Kolia havia se colocado ao lado da noiva.
Ele pegou o microfone e virou-se para os convidados.
— Enfim, enquanto todos aqui ficam pegando buquês e se casando, decidi não ficar para trás.
O sorriso de Kátia foi desaparecendo lentamente de seu rosto.
— Kolia… — sussurrou ela quando ele tirou uma pequena caixa do bolso.
Alguém à mesa imediatamente começou a aplaudir.
— Quero que o próximo casamento seja o nosso — disse ele, olhando para Kátia, que estava completamente surpresa.
— Abra! — gritou a noiva.
— Você está falando sério? — Kátia olhou para Kolia.
Suas bochechas ardiam e ela queria desaparecer de tanta vergonha.
— Claro.
— Vamos, coloque o anel e me abrace!
— Todo mundo está olhando para nós!
— sibilou ele, praticamente enfiando a caixinha com o anel nas mãos dela.
Ela teve que abri-la.
— Você aceita? — perguntou Kolia, ajudando a garota a se decidir enquanto tirava o anel.
Kátia sentiu a cabeça girar, mas não era de felicidade.
O anel que Kolia tentou colocar em seu dedo sem sequer esperar pela resposta era pequeno demais.
— Ah, tudo bem.
— Você emagrece e ele vai servir.
— Vamos, diga logo “sim”!
Ele passou o braço ao redor dela e a virou na direção do fotógrafo.
— Eu preciso pensar — declarou Kátia de repente.
Kolia soltou a mão dela.
Ele claramente não esperava por aquilo.
— O quê?!
— Vamos sair do salão e conversar — disse Kátia com um sorriso forçado, escapando literalmente dos olhares atentos dos convidados e apressando-se em direção à saída.
— Você me humilhou na frente de todo mundo! — rosnou Kolia ao alcançá-la no saguão.
— E você me humilhou?
— Como foi que eu te humilhei?
Kátia conseguiu tirar o anel com dificuldade e estendeu-o para ele.
— O que você está fazendo? — Kolia franziu a testa.
— Estou devolvendo.
— Ele não serve para mim.
— Kátia, fala sério.
— Podemos aumentá-lo.
— Você vai usá-lo.
— Eu pedi você em casamento.
— Você é obrigada a aceitar.
— Não!
— Eu não gosto dele.
— O que exatamente você não gosta?
— Parece que alguém já usou esse anel!
— Olhe você mesmo.
— A caixa está toda desgastada e falta uma pedra no anel!
— Onde você conseguiu isso?
— Só não me diga que é uma joia de família!
— Eu não vou acreditar!
— Ou você comprou isso em uma passagem subterrânea, ou alguém já o usou!
Kolia desviou o olhar.
— Kolia?
— Eu estou certa?
Kátia ficou olhando para ele por alguns segundos.
— Ela quase não o usou.
— Quem?!
— Minha ex.
— Você comprou esse anel para ela?!
Kátia ergueu as sobrancelhas.
— Sim.
— Para o noivado?
— Sim.
— E depois, quando vocês terminaram, você ficou com ele?
— Claro!
— Eu gastei dinheiro nele!
— E decidiu dá-lo para a sua próxima noiva?
— Kátia, ele está em bom estado.
— É de ouro, com zircônias.
— E daí se uma pedra caiu?
— Podemos levá-lo ao joalheiro…
— Ou…
— Vamos, compraremos outro para você, já que é assim.
— Eu não preciso de outro.
— Eu não preciso de anel nenhum!
— Eu não vou me casar com você, Kolia!
— Meu Deus, por que você está fazendo um escândalo por causa de uma coisa tão pequena?
— Eu realmente me esforcei!
— Eu preparei uma surpresa para você!
Kátia olhou para ele.
— Por hoje, já chega de surpresas.
Kolia bufou irritado.
— Você é simplesmente mimada demais!
— Qualquer outra garota no seu lugar estaria radiante de felicidade!
— Então procure outra!
— Eu estou indo embora!
— Kátia…
— Espera!
— Não estrague o casamento!
— Vamos voltar.
— Afinal, o bolo ainda nem foi servido!
— Nós gastamos dinheiro com o casamento, então o quê, vamos embora antes da hora?
Kátia lembrou-se do envelope e explodiu.
— Nós gastamos?!
— Hoje você deu o meu dinheiro para aquelas pessoas e nem sequer disse que era da minha parte!
— Nós viemos juntos.
— Mas o dinheiro era meu.
— E da sua parte eles receberam aquele gnomo ridículo e horrível!
— Depois do casamento, de qualquer maneira, tudo seria nosso.
— Eu não sei que tipo de fantasias você tem na cabeça.
— Mas uma coisa eu sei com certeza: não vou me casar com você.
— Pode comer o bolo inteiro.
— Acho que ele custou exatamente a mesma quantia de dinheiro que eu dei aos noivos.
Depois de dizer isso, Kátia virou-se para voltar ao salão, pegar sua bolsa e se despedir dos recém-casados.
Mas, como se descobriu, a noiva havia saído atrás deles e ouvira tudo o que tinham dito.
— Obrigada pelo presente, Kátia…
A noiva estava chateada com o que havia acontecido.
— Se quiser, pode pegar seu envelope de volta.
— Não precisa.
— Espero que vocês realizem seu sonho e comprem uma casa — sorriu Kátia, despediu-se e foi embora.
O casamento continuou.
Alguns voltaram a dançar, outros tiravam fotos, o apresentador anunciou uma brincadeira e, depois de algum tempo, Kolia também voltou para junto dos convidados.
Ele não contou a ninguém o que havia acontecido no saguão.
Somente quando alguém perguntou para onde Kátia tinha ido, respondeu:
— Ela foi para casa.
— Estava com dor de cabeça.
Kátia nunca mais se encontrou com Kolia.
Ele ainda tentou escrever para ela várias vezes.
Primeiro, ficou bravo.
Depois, explicou que tudo tinha saído de uma maneira idiota.
Mais tarde, propôs que se encontrassem e conversassem com calma.
Kátia não respondeu.
Alguns meses depois, os amigos de Kolia estavam discutindo um presente de aniversário para um amigo em comum.
À mesa, estavam juntando dinheiro para comprar o presente.
— Eu posso comprar — propôs Kolia.
— Depois vocês me passam a parte de vocês.
— Não precisa — respondeu alguém.
— Nós já decidimos.
— Eu só queria ajudar — murmurou Kolia.
— Sim, eu sei.
— Não vamos dar um gnomo.
— Vamos dar um envelope.
— Você entra com dois mil.
— Ainda não tenho certeza se vou poder ir… — murmurou Kolia.
A conversa imediatamente mudou para outro assunto.
E, naquela noite, Kátia estava passeando com uma amiga.
Ela já quase não se lembrava mais do anel.
Às vezes, o mesmo pensamento lhe vinha à cabeça:
Ainda bem que Kolia decidiu pedi-la em casamento exatamente daquela maneira.
E, embora eles se conhecessem havia apenas dois meses, durante esse tempo ela conseguiu entender o suficiente sobre ele.







