🔺— Você perdeu a cabeça?! — gritava a sogra com a nora. — Nem dinheiro, nem trabalho. Nada de filhos!

Tamara Ivanovna entrou pela primeira vez no pequeno apartamento de um quarto que eles alugavam como se tivesse vindo inspecionar o trabalho de subordinados negligentes.

Passou o dedo pela borda da prateleira, olhou para o dedo e depois para Vera.

O sorriso saiu azedo como uma ameixa verde.

— Então, vocês estão vivendo assim, disse ela. — O papel de parede é dos outros, o sofá é dos outros, a louça é dos outros. Vocês se instalaram muito bem.

— Mas a consciência é nossa, respondeu Vera. — Veio no pacote, sem custo adicional.

Artiom riu do corredor, e a mãe virou-se bruscamente para o filho.

Seu olhar era curto e maldoso, como uma ratoeira que acabara de disparar.

Artiom engoliu o riso, mas seus olhos continuaram divertidos.

— Eu avisei vocês desde o começo, disse Tamara Ivanovna, sentando-se na ponta do sofá sem tirar o casaco. — Casaram-se depois da faculdade sem ter nada. Nem casa, nem dinheiro, nem juízo. Romantismo em um colchão alugado.

— O colchão é ortopédico, diga-se de passagem, observou Vera. — É a única coisa nesta casa que mantém as costas retas.

Naquela época, Artiom havia lhe proposto outra coisa.

Nos primeiros meses, eles poderiam morar com a mãe dele, naquele mesmo apartamento de dois quartos, sob cujas janelas um carro velho agonizava desde os tempos em que seu pai abandonara a família.

Vera recusou imediatamente, com firmeza, sem se ofender nem bater portas.

— Artiom, se formos morar no apartamento dela, vamos ficar lá até a aposentadoria, disse ela. — As dificuldades não são uma maldição. São um treino. Os músculos só crescem onde é difícil.

— Você entende quanto o aluguel vai consumir?

— Entendo. E é justamente por isso que nós dois vamos crescer mais rápido do que o preço desse aluguel.

Ele concordou a contragosto, como se estivesse assinando um contrato desvantajoso.

Já a mãe dele ficou satisfeita até demais: a nora não pisaria no seu parquet nem abriria sua geladeira.

Ela até ligou para parabenizá-los pela independência, e era possível ouvir o alívio em sua voz.

E agora ela estava sentada em um sofá que não era seu, explicando a eles como deveriam viver.

— Não tenham filhos, disse ela. — Está me ouvindo, Vera? Não é hora. Nem pense nisso.

Vera colocou sobre a mesa o vaso que segurava nas mãos e olhou calmamente para a sogra.

— Vamos por partes. Vai haver argumentos ou é como a previsão do tempo — sem explicações?

— Argumentos? Tamara Ivanovna se exaltou. — E quem vai ajudar? Quem? Eu? No pescoço de quem vocês vão se pendurar? Fraldas, carrinhos, médicos! Vocês mal conseguem sustentar a si mesmos!

— A senhora vai se surpreender, mas uma criança normalmente tem pai e mãe. A avó é um complemento agradável, não uma parede estrutural.

— Olha só como ficou inteligente!

— Estou tentando. Não é hereditário, é adquirido.

Artiom entrou no quarto.

— Mãe, chega. Nós mesmos vamos decidir quando e o que fazer.

— E você, pense com a própria cabeça! — interrompeu-o ela de tal maneira que ele ficou em silêncio no meio da frase. — Você já pensou uma vez — casou-se. Chega de atos heroicos.

Vera só soube da irmã dele mais tarde.

Yúlia era casada havia dez anos, pagava um financiamento imobiliário e não tinha filhos.

Certa vez, Artiom mencionara que a mãe pressionava a irmã, exigindo que primeiro se estabelecesse na vida e só depois pensasse em ter filhos.

— Espere, não estou entendendo, disse Vera naquela época. — Yúlia tem marido e apartamento próprio. O que sua mãe tem a ver com isso?

— Vera, não se meta na vida dos outros. Deixe que eles resolvam sozinhos.

— Eu não estou me metendo. Só estou observando que um nariz alheio já mora lá há muito tempo e até tem endereço registrado.

Naqueles dias, Artiom estava aprendendo a trabalhar com uma máquina nova — uma máquina cujo painel de controle era mais complicado que o de um avião.

Ele escrevia mais programas do que ficava junto ao equipamento, e recebia bem por isso.

Vera trabalhava com textos técnicos: ali não dava para mentir de maneira bonita, porque uma única formulação imprecisa poderia fazer alguém montar uma peça de forma errada.

Seu salário era modesto, mas estável como um metrônomo.

E eles realmente começaram a ficar no positivo.

Devagar, aos poucos, diminuindo o peso do aluguel pelas bordas.

Então Vera voltou para casa e parou no corredor com uma expressão confusa.

— O quê, outro texto difícil? perguntou Artiom.

— Não. Estou grávida.

Ele ficou imóvel.

Um segundo, dois, três.

Depois a abraçou, beijou sua têmpora, disse alguma coisa entusiasmada e confusa e, quando Vera foi lavar o rosto, sentou-se e baixou a cabeça.

Adeus, Paris.

Adeus, Egito, sobre o qual eles falavam havia seis meses.

Havia um saldo positivo, mas fino como uma lâmina.

O aluguel consumia dinheiro, a criança consumiria ainda mais, e a juventude havia acabado hoje, por volta das sete da noite.

Vera o viu pela fresta da porta e entendeu tudo sem palavras.

No dia seguinte, ligou para os pais e, uma hora depois, eles já estavam sentados na sala.

Larissa Petrovna suspirava emocionada e tocava as mãos da filha, enquanto Oleg Sergeevich ouviu a palavra “grávida” e abriu um sorriso tão grande que ficou claro: ele esperava por aquilo havia uns cinco anos.

— Netos, disse ele, esfregando as mãos. — Para falar a verdade, eu já começava a suspeitar que vocês tinham decidido viver para vocês mesmos até ficarem de cabelos brancos.

— Pai.

— Estou calado. Estou comemorando em silêncio.

— Mas como vocês vão viver? perguntou Larissa Petrovna baixinho. — Vera, vocês estão de aluguel. Tudo vai cair sobre Artiom. Você é jovem, vai ser difícil para você.

— Mãe, já é difícil para mim. Só que agora a dificuldade tem um propósito.

Artiom só tomou coragem para contar à mãe duas semanas depois.

Ligou, contou a novidade com voz tranquila, ouviu silêncio do outro lado da linha e depois um curto: Eu te ligo de volta.

Ela não ligou.

À noite, ela estava parada na porta do apartamento deles.

Artiom não estava em casa.

— Você perdeu a cabeça?! a sogra gritou com a nora já da porta, sem tirar os sapatos e sem sequer cumprimentá-la. — Nem dinheiro, nem trabalho. Nada de filhos!

— Eu tenho trabalho, disse Vera. — Só que ele não faz barulho, por isso a senhora não consegue ouvi-lo.

— Suas merrecas! Com isso você compra fraldas para uma semana, no máximo! Tamara Ivanovna entrou na sala, com as mãos tremendo. — Você não tem um centavo guardado, mal começou e já está com barriga! O que vai fazer com essa criança? Com o que vai alimentá-la? Com sonhos?

— Sabe, as pessoas conseguem fazer isso há milhares de anos. Mesmo sem a sua aprovação.

— Não seja insolente comigo! A voz dela virou um grito estridente. — Vá resolver esse problema! Está ouvindo? Enquanto a gravidez ainda está no começo, vá fazer um aborto! Depois vai me agradecer!

Vera deu um passo para trás.

Não por medo, mas de espanto por alguém ser capaz de pronunciar tais palavras em voz alta.

— Repita. Quero memorizar exatamente a formulação, para que depois não diga que eu inventei.

— Vou repetir! Aborto! Uma criança agora é uma pedra no pescoço de vocês. E no meu também! Eu não vou ser babá de vocês, não criei meu filho para isso!

— Ninguém pediu isso à senhora. A senhora veio sozinha, sem convite e sem um pingo de educação. Nem tirou os sapatos.

— Insolente!

— Econômica. Estou economizando tempo com reverências.

A sogra puxou o próprio cachecol, como se ele estivesse dificultando sua respiração, e saiu, batendo a porta de entrada com tanta força que o vidro da porta da varanda tremeu.

Artiom voltou para casa e viu a esposa no sofá, com os olhos vermelhos.

Ouviu tudo em silêncio, apenas os músculos da mandíbula se moviam.

Depois pegou o telefone e discou um número.

— Mãe. Eu sei de tudo. Hoje você disse à minha esposa para se livrar do meu filho.

— Eu disse a verdade! ouviu-se do outro lado da linha, tão alto que Vera conseguia ouvir cada palavra. — Alguém precisava dizer!

— A verdade sobre como decidir sobre a vida dos outros? A voz de Artiom era calma e assustadora justamente por causa daquela calma. — Então escute a minha verdade. A criança vai nascer. Eu tenho uma única esposa, e ela é Vera. Não preciso do seu dinheiro — nem de um rublo, nem para fraldas, nem para um monumento aos meus nervos. E você não vem mais à nossa casa. Nem com permissão, nem sem ela.

— Como você ousa falar assim comigo?!

— Com respeito. Observe que nem sequer levantei a voz. Apenas estabeleci limites onde você passou com um trator.

Ela ficou sem ar e desligou o telefone.

Vinte minutos depois, Yúlia ligou.

— Artiom, você enlouqueceu? Que criança vocês vão ter? começou a irmã rapidamente, como se estivesse recitando algo decorado. — Isso vai cair nas costas da mãe! Ela está sozinha, tem um apartamento de dois quartos e um monte de sucata sob as janelas!

— Yúlia, pare, disse ele. — Agora você não está falando com a sua própria voz. É a voz dela, só que com um tom mais agudo.

— Estou dizendo coisas sensatas!

— Você diz coisas sensatas há dez anos. Você a ouviu — e agora tem um financiamento imobiliário, um apartamento impecável e um marido que há dois anos olha através de você. Mais um ano dessa sensatez e ele vai embora. Simplesmente de acordo com o calendário.

— Não se atreva!

— Atrevo-me. Porque você ligou para se intrometer na minha vida, enquanto tem medo de cuidar da sua, Artiom suspirou. — E lembre-se: você não liga para minha esposa sobre esse assunto. Nunca. Nem uma indireta, nem um suspiro.

Ele desligou.

Vera olhou para ele de tal maneira que ele ficou constrangido.

— O quê?

— Nada. É só que é a primeira vez que vejo alguém segurando o telefone com uma mão e defendendo suas fronteiras com a outra.

Na noite seguinte, os pais dela vieram.

Oleg Sergeevich sentou-se e colocou uma pasta sobre a mesa.

Vera chegou a pensar que eram os documentos do carro.

— Nós vendemos a casa, disse ele simplesmente. — A casa da sua avó, no interior. Além disso, juntamos tudo o que conseguimos de todos os cantos. Três milhões.

— Pai…

— Fique quieta. O dinheiro é de vocês. Vamos fazer a doação em seu nome no cartório, para que depois ninguém possa reclamar de nada. Comprem uma casa.

Vera cobriu o rosto com as mãos e riu, mas naquele riso havia mais lágrimas do que alegria.

Artiom levantou-se, apertou a mão de Oleg Sergeevich e conseguiu dizer, com a voz rouca:

— Eu nunca vou esquecer isso. Nunca.

— É melhor não esquecer dela, disse ele, apontando com a cabeça para a filha. — Nós vamos nos virar.

— Dá para uma quitinete, calculou Larissa Petrovna em voz alta. — Modesta, mas será de vocês.

— Um apartamento de dois quartos, disse Artiom. — Vamos comprar um de dois quartos e cobrir a diferença com um financiamento. A criança precisa de seu próprio quarto, não de um canto atrás do armário. Eu vou conseguir. Meu salário está aumentando, e uma máquina como a minha não existe em todo quintal.

— Um financiamento é para muito tempo, disse Larissa Petrovna cautelosamente.

— Um quarto para a criança também é para muito tempo.

Ele não disse uma palavra à mãe.

Nem sobre o dinheiro, nem sobre o financiamento, nem sobre o endereço.

Mas o mundo é pequeno: Tamara Ivanovna encontrou Larissa Petrovna por acaso, começou com uma compaixão venenosa e, um minuto depois, descobriu tudo.

Ela foi até a casa deles naquela noite, quando Vera estava colocando as coisas em sacolas e identificando-as com um marcador.

Artiom abriu a porta e permaneceu no vão, bloqueando o corredor com o ombro.

— Deixe-me passar, disse a mãe. — Quero olhar nos olhos daquela… daquela.

— Você não vai passar do corredor.

— Você se meteu numa escravidão! ela começou a gritar imediatamente, já no primeiro degrau. — Financiamento! Por vinte anos! Com uma esposa grávida! Você entende o que fez?!

— Entendo. Comprei um quarto para a criança. É caro, mas tem uma janela.

— Idiota! Essas pessoas enganaram você! Sua sogra e o marido dela deram três milhões — foi para colocar vocês na coleira!

— Três milhões não são uma coleira, mãe. Coleira é quando oferecem para você morar na casa deles e depois passam vinte anos lembrando quem manda ali.

Vera não interferia do quarto.

Ela dobrava suéteres, fechava as caixas com fita adesiva e escrevia “roupa de cama” em uma sacola.

Ouvia cada palavra e permanecia em silêncio — não por medo, mas porque o marido estava lidando com tudo sozinho.

— E ela?! a sogra apontou para o quarto. — Está calada! Esperta! Subiu nas suas costas e fica calada!

— Ela está arrumando as coisas. Para o nosso apartamento. Sabe, é uma maneira estranha de subir nas costas de alguém — com sacolas nas mãos.

— Eu sou sua mãe!

— Você é minha mãe. E justamente por isso vou dizer uma vez: você exigiu que meu filho morresse. Isso não é conselho, nem preocupação, nem “eu quis o bem de vocês”. É uma sentença que você mesma assinou. Você não terá neto. Não terá neta. Você escolheu isso.

Ela abriu a boca, mas Artiom levantou a mão.

— E mais uma coisa. Você chama isso de preocupação com dinheiro. Mas isso é ganância, mãe. Ganância comum. Você tem medo de ter que dar — tempo, forças, dinheiro. Por isso é mais barato que ninguém nasça.

Tamara Ivanovna recuou, como se alguém a tivesse empurrado.

— Mas você… vocês! ela procurava palavras e não encontrava. — Yúlia é inteligente! Ela recusou! Quando terminarem de pagar o financiamento, então pensarão nisso!

— Ah, sim. Aos sessenta anos. Que ideia nova.

Ela se virou e desceu as escadas, indignada e falando alto, enumerando os culpados: os sogros que haviam se metido com o dinheiro deles, o filho que havia enlouquecido e a nora que agora se sentaria e nunca mais se levantaria.

Sua voz ainda podia ser ouvida do terceiro andar.

E, ao mesmo tempo, na vida de sua filha querida, correta e sensata, tudo estava desmoronando.

Denis colocou a bolsa junto à porta e disse brevemente:

— Yúlia, vou me divorciar. Não faz mais sentido. Esperamos dez anos por uma autorização. Eu não quero mais esperar.

Artiom fechou a porta e girou a chave na fechadura.

Encostou as costas na porta e soltou o ar.

Vera aproximou-se e o abraçou com tanta força que ele soltou um gemido.

— Você é um cavaleiro, disse ela. — Só que sem cavalo e de camiseta de ficar em casa.

— Um cavaleiro com financiamento. Um novo gênero.

— Você será o melhor pai do mundo. Eu sei disso. Eu reviso textos, tenho olho para a precisão.

Ele sorriu, colocou a palma da mão sobre a barriga quase plana dela e ficou assim — com a mão grande, quente e ligeiramente trêmula.

— Escuta aqui, pequenino, disse ele para a barriga. — Você terá um quarto com uma janela voltada para o sul. E terá uma família — aquela que ama, não aquela que fica contando.

— E se não for um pequenino, mas uma pequenina?

— Melhor ainda. Então não vou permitir que absolutamente ninguém diga a ela quando deve viver a própria vida.

Vera encostou o rosto no peito dele e finalmente chorou — suavemente, sem desespero, como se chora quando o pior já passou.

— Nós vamos conseguir?

— Nós já estamos conseguindo, disse Artiom. — Só falta etiquetar algumas sacolas.

Compartilhe com os amigos