A minha sogra dizia a meu respeito: “Esse pessoal das províncias vem todo para cá”, até descobrir quem era a chefe do filho dela…

Fez-se um silêncio tão profundo à mesa que Valia conseguia ouvir o leve tilintar do buquê de peônias brancas dentro do vaso de cristal — talvez por causa da corrente de ar, ou porque o próprio vaso se movera um pouco quando Valia pousou a taça sobre a toalha.

Devagar.

Muito devagar.

Liudmila Borissovna olhava para a nora como se ela tivesse acabado de virar toda a mesa da festa, embora nada parecido tivesse acontecido.

Valia apenas dissera em voz alta aquilo sobre o que permanecera calada durante vários anos.

Agora, as palavras pairavam no ar da sala de estar — elegante, com molduras de estuque no teto e um retrato do avô de Liudmila Borissovna de uniforme — e ninguém à mesa se atrevia a ser o primeiro a quebrar aquele silêncio vibrante.

Serguei estava sentado diante da esposa.

Ele olhava para o prato.

Valia olhava para a sogra.

E esperava.

Tudo começara havia tanto tempo que, às vezes, a própria Valia se perguntava como conseguira suportar aquilo por tanto tempo.

Ela chegara a Moscou, vinda de Voronej, aos vinte e três anos, com uma única mala, um diploma com distinção da faculdade de economia e uma reserva de energia que, ao que parecia, teria sido suficiente para três pessoas.

Alugava um quarto em Biriuliovo, levava uma hora e meia para chegar ao trabalho e comia no escritório o que trazia de casa, porque os cafés perto do trabalho eram mais caros do que ela podia pagar naquela época.

Ela não se entristecia com isso.

Ela trabalhava.

Ela e Serguei conheceram-se numa festa da empresa.

Ele trabalhava na mesma empresa, no departamento ao lado, e aparecera na festa usando um paletó que, pelo visto, só vestia em ocasiões especiais.

Era charmoso, um pouco desajeitado e muito urbano.

Sabia onde tudo ficava, falava dos bairros com a entonação de um morador local e conseguia orientar-se no metrô de olhos fechados.

Naquela época, Valia ainda confundia a estação Arbatskaia com a rua Arbat e, às vezes, descia na estação errada.

Isso a divertia um pouco.

Eles namoraram durante quase dois anos antes de Serguei levá-la para casa a fim de apresentá-la à mãe.

Valia percebeu ainda no corredor de entrada que aquilo não seria fácil.

Liudmila Borissovna abriu a porta, examinou Valia da cabeça aos pés — não de maneira grosseira, mas com muita atenção, como se avaliasse um objeto levado para ser periciado — e disse:

— Bem, entre.

Sem dizer o nome dela.

Apenas: “Entre.”

Durante o chá, perguntou a Valia sobre os pais, sobre o lugar onde crescera e onde estudara.

Quando Valia disse “Voronej”, Liudmila Borissovna assentiu com uma expressão como se aquilo explicasse tudo.

— O nosso Seriojenka é moscovita de nascimento — declarou ela, sem olhar para Valia.

— A nossa família vive aqui desde o século XVIII.

— Aliás, até tivemos nobres na família.

Naquele momento, Serguei passava geleia no pão e fingia estar completamente concentrado naquela tarefa.

Valia sorriu e bebeu o chá.

Naquela época, ainda pensava:

E daí?

Ele é moscovita, e pronto.

Isso não é motivo para…

Mas, como se descobriu, era motivo.

Ou melhor, Liudmila Borissovna encontrou um.

Mais precisamente, inventou um.

E usava-o em todas as ocasiões possíveis.

“Esse pessoal vem todo para cá” era a frase preferida dela.

Ela dizia isso de maneiras diferentes.

Às vezes, soltava a frase de passagem, como se não estivesse se dirigindo a ninguém em particular, apenas lançando as palavras ao ar quando a conversa era sobre engarrafamentos ou o metrô lotado.

Às vezes, dizia um pouco mais alto para que Valia ouvisse com certeza.

E, às vezes, dizia aquilo diante de convidados, na frente de outras pessoas, sem qualquer constrangimento.

— Uma provinciana que veio por cota — dizia ela ao telefone para uma amiga, enquanto Valia lavava a louça na cozinha e fingia não ouvir.

— Mas o que você esperava?

— Gente da aldeia continua sendo gente da aldeia.

— O Seriojenka, claro, apaixonou-se, juventude…

— Mas eu dizia a ele: encontre uma moça de Moscou, com a nossa cultura e as nossas raízes.

Naquele dia, Valia terminou de lavar os pratos, colocou-os cuidadosamente no escorredor, enxugou as mãos e saiu para o corredor.

Vestiu-se.

Despediu-se.

No metrô, olhava para o vidro escuro e pensava:

O que significava exatamente “a nossa cultura”?

E a cultura de quem?

Ela crescera numa família em que se lia em voz alta à noite.

Em que o pai, engenheiro projetista, lhe explicava trigonometria usando guindastes de torre como exemplo.

Em que a mãe costurara pessoalmente o vestido da formatura porque os das lojas eram piores.

Aquilo não era cultura?

Aquilo era aldeia?

Mas ela se calava.

Calou-se durante muito tempo.

Porque Serguei era uma boa pessoa.

Porque a sogra era mãe dele.

Porque Valia entendia que escândalos não levariam a nada de bom.

Ela se calava e trabalhava.

Era o que sabia fazer melhor.

Três anos depois do casamento, ela e Serguei compraram um apartamento.

Valia insistiu em fazer uma hipoteca, escolheu sozinha o bairro, conduziu pessoalmente as negociações com o banco e calculou as prestações.

Serguei assinava os documentos e dizia que Valia entendia de tudo aquilo.

Depois, ela deixou o emprego assalariado.

Foi assustador — verdadeiramente assustador.

Durante várias noites, quase não dormiu e ficou deitada no escuro, ouvindo a própria respiração.

Mas saiu do emprego.

Registrou uma pequena empresa de consultoria, recebeu os primeiros trabalhos de conhecidos, executou-os bem e depois recebeu outros.

Trabalhava doze horas por dia.

Contratava pessoas com cuidado, apenas aquelas em quem confiava.

O negócio crescia.

Enquanto isso, Serguei mudou de emprego várias vezes.

Não permanecia muito tempo em lugar nenhum.

Não porque fosse um mau profissional, mas simplesmente porque, como ele próprio dizia, “não era aquilo”, “não eram as pessoas certas”, “não era o ambiente certo”.

Valia compreendia-o.

Sabia que ele procurava algo que fosse realmente dele.

Quando ele ficou novamente sem emprego, ela ofereceu-lhe uma posição na própria empresa.

— Temos uma boa equipe — disse ela.

— E você conhece esta área.

— Experimente.

Ele experimentou.

E ficou.

Trabalhava bem, com honestidade, e estava no lugar certo.

Valia valorizava-o como funcionário, e não havia qualquer falsidade nisso.

Simplesmente acontecera de o marido dela trabalhar na empresa dela.

No cargo de gerente de projetos.

Sob a direção dela, Valia.

Serguei quase nunca falava sobre isso em casa.

Não porque tivesse vergonha da esposa, mas porque parecia ter vergonha de outra coisa.

Valia sentia isso, mas não o pressionava.

Cada pessoa tem direito à sua própria versão de si mesma.

Liudmila Borissovna, naturalmente, sabia que a nora “mexia com algum tipo de negócio”.

Ela pronunciava a palavra “negócio” com um leve sarcasmo, como se se tratasse de algo sem seriedade, como vender sementes de girassol, por exemplo.

Quanto ao seu querido Seriojenka, a mãe estava convencida de que ele era “um grande chefe” numa “empresa séria”.

Serguei não fazia nada para desfazer essa impressão.

O aniversário de Liudmila Borissovna era comemorado na casa dela — um apartamento grande em Frunzenskaia, com móveis antigos e uma toalha de mesa que só era retirada do armário em ocasiões festivas.

Reuniram-se cerca de doze pessoas.

Estavam lá as velhas amigas da sogra, a irmã dela com o marido, a vizinha Zinaida Pavlovna, que em todas as ocasiões possíveis falava dos netos, e o primo de Serguei, Kostia, com a esposa Irina.

Eram o casal preferido de Valia naquela mesa, pessoas vivas, simples e sem pretensões.

Valia preparara o bolo pessoalmente.

Era de vários andares, com creme de mascarpone e creme de limão.

Ao ver o bolo, Liudmila Borissovna disse:

— Ora, vejam só.

Valia nunca entendeu se aquilo era admiração ou não.

A festa seguia o seu curso habitual.

Brindes, lembranças e conversas sobre como antigamente tudo era melhor e mais correto.

Valia estava sentada, comia, respondia às vezes quando alguém se dirigia a ela e pensava num relatório de trabalho que precisava terminar de ler na manhã seguinte.

Então Liudmila Borissovna, com as faces coradas pelo vinho e pelo clima de aniversário, começou a falar sobre Moscou.

Isso acontecia sempre.

Mais cedo ou mais tarde, a conversa chegava a esse assunto.

A Moscou, à sua singularidade, aos que haviam nascido ali e aos que tinham chegado de fora.

— Antigamente, Moscou era realmente Moscou — disse a sogra, percorrendo os convidados com o olhar.

— A nossa própria gente, a nossa própria atmosfera.

— E agora?

— Para onde quer que se olhe, só há gente de fora.

— Vieram de todos os cantos e começaram a…

Ela fez um gesto vago com a mão.

— Não me entendam mal — acrescentou com o sorriso de uma pessoa que sabia perfeitamente que seria entendida exatamente daquela maneira.

— Também há pessoas boas entre os que vêm de fora.

— Só são… diferentes.

— Não é verdade, Valiochka?

Aquele “Valiochka” soou como uma bofetada embrulhada em papel de presente.

Várias cabeças viraram-se na direção de Valia.

Zinaida Pavlovna ficou discretamente tensa.

Kostia e Irina trocaram olhares.

Valia sentiu algo dentro de si — algo que mantivera no lugar com tanta paciência durante tanto tempo — mover-se ligeiramente.

Pegou na taça.

Pousou-a devagar.

E disse:

— Liudmila Borissovna, posso contar-lhe uma coisa?

Fez-se silêncio à mesa.

— Cheguei a Moscou com uma única mala — começou Valia, com a voz firme e sem qualquer tremor.

— E isso é verdade.

— Alugava um quarto em Biriuliovo, passava uma hora e meia no caminho até ao trabalho e não reclamava, porque estava feliz por ter aquela oportunidade.

— A senhora pode chamar isso de “vir para Moscou como tantos outros”.

— Eu chamo de “vir para trabalhar”.

Liudmila Borissovna abriu a boca.

— Espere — disse Valia, com suavidade, mas com firmeza.

— Eu já a ouvi até ao fim muitas vezes.

— Agora, por favor, ouça-me até ao fim.

O silêncio ficou ainda mais pesado.

Até as peônias no vaso pareceram parar de balançar.

— Há oito anos ouço a palavra “provinciana” ser usada a meu respeito.

— Às vezes diretamente, às vezes através da parede, para que eu ouça, mas para que formalmente a senhora possa fingir que não tem nada a ver com isso.

— Permaneci calada porque a respeitava como mãe de Serguei e não queria criar tensão na família.

— Mas hoje a senhora fez isso novamente diante de outras pessoas, e penso que tem o direito de saber uma coisa.

Serguei ergueu os olhos do prato.

— Serioja é uma pessoa maravilhosa — disse Valia.

Na voz dela não havia raiva nem triunfo, apenas cansaço e outra coisa que era difícil definir com uma única palavra.

— Ele é um bom marido e trabalha bem.

— Mas a senhora parece estar convencida de que ele é um grande chefe numa empresa séria.

— Isso é verdade.

— Só que essa empresa é minha.

— É a mesma empresa que eu, a “provinciana” vinda de Voronej, construí do zero em cinco anos.

— Serguei trabalha nela como gerente de projetos.

— E trabalha bem.

— Mas eu sou a chefe dele.

Zinaida Pavlovna baixou lentamente o garfo.

Kostia olhava para a mesa com a expressão de quem tentava não sorrir, mas não conseguia totalmente.

Liudmila Borissovna permanecia calada.

No rosto dela havia uma mistura de sentimentos tão complexa que a própria Valia ficou ligeiramente surpresa com a sua capacidade de observá-la com tanta calma.

— Não a estou acusando — disse Valia.

— Estou apenas pedindo uma coisa.

— Controle um pouco a língua.

— É tudo de que preciso.

Pegou na taça, bebeu um gole e pousou-a com o mesmo cuidado.

Todos à mesa permaneceram em silêncio.

Então Tamara, irmã de Liudmila Borissovna, que sempre se mantivera afastada das discussões familiares, pigarreou e disse:

— A propósito, o bolo está realmente delicioso.

— Valia, foi você quem fez?

Eles voltaram para casa em silêncio.

Serguei conduzia o carro.

Valia olhava pela janela para Moscou à noite.

Moscou sempre era bonita, especialmente à noite, quando as luzes dos postes se refletiam no asfalto molhado e a cidade parecia mais suave do que realmente era.

— Eu deveria ter contado a ela pessoalmente — disse Serguei por fim.

Valia não respondeu imediatamente.

Esperou até que atravessassem o cruzamento.

— Sim — concordou ela.

— Deveria.

— Eu sentia…

Ele ficou em silêncio por um instante.

— Talvez vergonha.

— Nem sei.

— Eu sei — disse Valia.

— Foi por isso que fiquei calada durante tanto tempo.

— Estava esperando que você mesmo contasse.

Ele não encontrou o que responder.

Ela também não exigiu resposta.

Pela janela passavam casas, pontes e o rio com as luzes refletidas na água.

Moscou era a mesma de sempre — enorme, indiferente e bonita.

Não fazia distinção entre os nascidos ali e os que tinham vindo de fora.

Não se importava de onde você vinha.

Aceitava todos os que estavam dispostos a trabalhar com ela.

Valia aprendera isso ainda no primeiro ano.

A cidade não recebe você de braços abertos.

Mas, se você não parar, ela acaba tornando-se sua.

Liudmila Borissovna telefonou três dias depois.

Valia atendeu ao segundo toque.

— Estive pensando — começou a sogra, sem qualquer introdução.

— Talvez eu tenha dito coisas demais.

Aquele “talvez” era muito.

Para Liudmila Borissovna, era realmente muito.

— Eu entendo o que está dizendo — respondeu Valia.

— Você cozinha bem.

— O bolo estava realmente delicioso — acrescentou a sogra depois de uma pausa.

Valia quase sorriu.

— Posso dar-lhe a receita.

Seguiu-se um longo silêncio.

— Bem…

— Dê-me — disse finalmente Liudmila Borissovna.

Aquilo não era uma rendição.

Era o primeiro pequeno passo sobre uma ponte estreita e desconfortável que talvez algum dia se tornasse mais larga.

Ou talvez não.

A vida não é um bolo, e nem sempre tudo sai exatamente como planejamos.

Mas, naquele momento, era outono, as folhas caíam do lado de fora da janela e Valia estava junto ao parapeito com uma xícara de café.

Era a jovem de Voronej que se tornara empresária em Moscou e pensava que aqueles que supostamente “vinham em massa” às vezes ficavam por muito tempo.

Às vezes, para sempre.

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