Mas eu simplesmente fui para um hotel com spa.
— Lesha, eu ouvi direito?
Que sobrinhos?
Daqui a dois dias temos férias, e eu paguei a estadia no hotel com spa ainda em fevereiro.
Alexey nem tirou os olhos do notebook.
Ele ajeitou os óculos como de costume e suspirou irritado, como se eu estivesse pedindo algo absurdamente complicado.
— Masha, não começa.
A reforma na casa da Vera está a todo vapor, tem poeira por todos os lados, não dá para respirar.
Para onde ela vai com os meninos?
Eles vêm só por uma semana.
São tranquilos, vão jogar videogame, você nem vai perceber que eles estão aqui.
Abaixei lentamente a caneca de chá sobre a mesa.
O som saiu abafado, quase estranho no silêncio da cozinha.
— Tranquilos?
Você está falando daqueles gêmeos que, na última visita, quase incendiaram o micro-ondas tentando derreter um brinquedo de plástico lá dentro?
Alexey, eu estou de férias.
Eu queria dormir, fazer uma massagem e simplesmente ficar em silêncio.
Eu não me inscrevi para ser animadora dos filhos da sua irmã.
— Você sempre complica tudo, — cortou ele, finalmente fechando o notebook.
— É a minha família.
Nos momentos difíceis, devemos ajudar uns aos outros.
É tão difícil assim para você demonstrar um pouco de hospitalidade?
Olhei para ele.
Para seus lábios apertados, para aquela postura habitual de “eu tomo a decisão, e você obedece”.
Ele nem perguntou.
Simplesmente me colocou diante do fato consumado, como se o meu consentimento fosse algo óbvio.
— Tudo bem, — eu disse, tentando não deixar a voz tremer.
— Se é a sua família e a sua ajuda, então são os seus problemas.
Faça com eles o que quiser: alimente, entretenha, limpe a bagunça deles.
Eu não vou estar nesta casa por uma semana.
Levantei-me, fui para o quarto e comecei a tirar roupas dos cabides.
Alexey ficou parado na porta, de braços cruzados, observando com incredulidade enquanto eu colocava jeans e camisetas na mala.
— Você está falando sério?
Você realmente vai viajar sozinha?
Masha, isso é infantilidade.
— Não, Lesha.
Isso se chama limites.
Sua irmã está acostumada com o fato de você ser o “irmãozinho” conveniente, que aguenta tudo.
Eu não.
Fechei o zíper da mala.
Da sala já se ouviam vozes — Vera havia chegado antes do que eu esperava.
A porta se fechou com força, e o barulho invadiu o apartamento.
Gritos de crianças, passos pesados, a voz de Vera exigindo ajuda com as bolsas.
Peguei a mala, passei pelo meu marido atônito e saí para o corredor, sem nem olhar para minha cunhada.
—
O táxi esperava na entrada do prédio.
Três horas depois, eu já fazia o check-in no hotel com spa fora da cidade.
No quarto, havia silêncio.
Cheirava a lavanda e roupa de cama limpa.
Tirei a roupa, deitei na cama e, pela primeira vez em muito tempo, senti a tensão nos ombros se dissolver.
A primeira mensagem de Alexey chegou por volta das dez da noite.
“Onde você está?
Vera está perguntando onde ficam as toalhas.
O pequeno derramou suco no tapete, você sabe como tirar a mancha?”
Li e bloqueei o telefone.
Só tive vontade de fechar os olhos e dormir.
Na manhã seguinte, acordei com o silêncio.
Ninguém batia panelas, ninguém exigia omelete no café da manhã.
Fui tomar café, depois fiz um tratamento corporal, depois caminhei por muito tempo pela floresta.
Na hora do almoço, o telefone começou a vibrar sem parar.
Alexey já estava ligando pela décima vez.
Atendi.
— Masha!
Onde você está?
Isso já não tem graça!
Vera está furiosa, ela diz que você foi embora de propósito para prejudicá-la.
Aqui está uma catástrofe!
— O que aconteceu?
— perguntei, tomando chá de ervas na varanda.
— O que aconteceu?!
Eles desenharam no papel de parede da sala.
Com marcador.
Permanente!
Vera diz que eles estão “se expressando”.
O gato foi encurralado em cima do armário, está bufando e não desce há um dia inteiro, eu nem consigo alimentá-lo.
E os vizinhos de baixo tocaram a campainha três vezes: meus sobrinhos fizeram um “mar” no banheiro, a água transbordou, e agora está vazando no teto de baixo!
— E o que você está fazendo?
— Estou tentando trabalhar!
Mas preciso entretê-los, eles exigem o tempo todo que eu coloque desenhos animados ou traga comida.
E a Vera… A Vera está sentada no sofá dizendo que ficou com dor de cabeça por causa dos nervos, e pede que eu prepare para ela um smoothie dietético de aipo.
Masha, volte, por favor!
Eu não estou dando conta!
— Alexey, foi você mesmo que disse que era preciso demonstrar hospitalidade, — respondi calmamente.
— Então entretenha.
Você é ótimo em ser o “bom irmão”.
Desliguei.
Uma hora depois, chegou uma mensagem: “Vera está exigindo jantar.
Eu pedi pizza, ela fez um escândalo dizendo que isso não é saudável.
Me manda dinheiro para pedir comida decente, meu cartão está bloqueado”.
Transferi para ele exatamente a quantia que ele costumava gastar com suas “necessidades familiares” e acrescentei: “Esta é a última transferência.
A partir de agora, se vire sozinho”.
—
Os três dias seguintes se transformaram em um inferno para ele.
Eu sabia disso pelos fragmentos das mensagens: “Os vizinhos estão exigindo dinheiro para consertar o teto”, “Vera ficou ofendida porque eu não quero falar com ela”, “As crianças quebraram o vaso do corredor”.
Ele escrevia longas justificativas, depois passava às súplicas, depois às ameaças.
Eu respondia com monossílabos, sem dar motivo para discussão.
No quarto dia, as ligações pararam.
Eu estava sentada no saguão do hotel, folheando uma revista, quando ouvi passos ao meu lado.
Alexey estava com uma aparência horrível.
Camisa amassada, olheiras escuras, barba por fazer de três dias.
Parecia um homem que não dormia havia uma semana.
Ele me viu, parou a alguns metros de distância, segurando nas mãos um enorme buquê de lírios — meus favoritos.
— Eu os expulsei, — disse ele em vez de cumprimentar.
— Ontem à noite.
Vera começou a gritar que eu era um irmão ruim, que eu era obrigado a sustentá-los enquanto ela fazia a reforma.
Eu disse que a reforma era problema dela, e que a minha casa não era abrigo para gente mal-educada.
Levantei-me lentamente da poltrona.
Dentro de mim não havia triunfo.
Havia apenas um cansaço pesado.
— O papel de parede da sala vai ter que ser trocado, — eu disse, olhando para as flores.
— E o gato vai precisar de tratamento por causa do estresse.
— Eu sei, — ele baixou a cabeça, culpado.
— Eu vou fazer tudo.
Já chamei os profissionais e paguei os vizinhos pelos danos com minhas economias.
Masha, eu fui um idiota.
Achei que dava para ficar sentado em duas cadeiras ao mesmo tempo: ser bom para minha irmã e não estragar a sua vida.
Mas isso não existe.
— Não existe, — concordei.
— Você entende que eu não vou voltar para casa hoje?
Ainda tenho dois dias de férias, e quero passar esses dias em silêncio.
Ele ficou calado, apertando o buquê.
Pelo rosto dele, dava para ver: ele queria insistir, queria que eu o perdoasse imediatamente e aliviasse sua culpa.
Mas ficou em silêncio.
Pelo visto, uma semana com os sobrinhos “tranquilos” lhe deu mais conhecimento sobre limites pessoais do que todas as minhas conversas dos últimos anos.
— Tudo bem, — disse ele baixinho.
— Eu vou esperar.
Quando você quiser, me ligue.
Eu entendi tudo.
Ele se virou e foi embora, deixando o buquê sobre a mesinha.
Aproximei-me, peguei as flores e inspirei seu aroma forte e doce.
No hotel, ainda havia silêncio.
Lá fora, chovia, mas eu não me importava.
Pela primeira vez em muitos anos, entendi que tinha pleno direito àquela paz.
E se alguém quisesse quebrá-la, não conseguiria.
Voltei para o quarto, coloquei os lírios em um vaso e me deitei na cama.
Amanhã eu iria ao spa, depois ao jantar e, talvez, ligaria para Alexey.
Ou talvez não.
O tempo diria.
Finalmente, a vida passou a pertencer a mim, e não às expectativas das outras pessoas.
E essa foi a sensação mais agradável dos últimos anos.








