Inna ajeitou o vestido simples, comprado em uma liquidação de brechó, e respirou fundo.
O terno de seda da Versace, que ela normalmente usava em negociações, ficara no closet.
Assim como o relógio Cartier, a clutch da Chanel e os sapatos que custavam o equivalente ao salário mensal de um gerente comum.
Hoje ela não era a dona de uma rede de floriculturas, mas a modesta Inna, uma garota que trabalhava como florista em um pequeno ateliê e mal conseguia fechar as contas no fim do mês.
— Tem certeza?
— perguntou Roman, ajeitando a gravata diante do espelho.
Ele estava tão nervoso quanto ela.
— Minha mãe é… como posso dizer… rigorosa.
— Ela vai ficar feliz por eu estar em um relacionamento sério.
— Tenho certeza, — sorriu Inna, escondendo as verdadeiras emoções atrás de uma máscara de calma.
— Que eles conheçam a verdadeira eu.
“A verdadeira”, pensou ela com ironia.
Qual das duas?
Roman trabalhava como arquiteto em um escritório prestigiado, mas ainda assim ganhava muitas vezes menos do que ela.
Quando se conheceram, seis meses antes, Inna entendeu imediatamente: se ele descobrisse quem ela realmente era, tudo se estragaria.
Os homens ou começavam a caçar o dinheiro dela, ou ficavam cheios de complexos, sentindo-se inferiores.
Roman era diferente: honesto, aberto, com os olhos brilhando quando falava de seus projetos.
Ela não queria assustá-lo.
E agora havia aquele jantar.
O restaurante “As Estações” era um dos lugares mais caros da cidade.
Inna estivera ali dezenas de vezes, mas sempre como cliente habitual, em uma sala reservada.
Hoje, pela primeira vez, estava sentada no salão comum, apertando nas mãos uma bolsinha barata e tentando não olhar para o maître conhecido, que claramente a havia reconhecido.
— Mãe, pai, conheçam a Inna, — disse Roman, ajudando-a a se sentar e puxando a cadeira.
— Inna, estes são meus pais: Lyudmila Vasilievna e Sergei Viktorovich.
Lyudmila Vasilievna, uma mulher de cerca de cinquenta e cinco anos, com penteado impecável e olhar afiado de avaliadora profissional, examinou Inna dos pés à cabeça.
Seu olhar se demorou no vestido, na bolsinha gasta, nos modestos brincos pequenos sem pedras.
— Muito prazer, — disse ela em tom gelado.
— Roman falou muito sobre você.
— Diz que você trabalha com flores?
— Sim, sou florista, — assentiu Inna, baixando os olhos.
— Temos um pequeno ateliê, quatro pessoas.
— Não temos muitos clientes, mas é suficiente para nós.
— Ateliê?
— repetiu Lyudmila Vasilievna, e em sua voz surgiu algo parecido com desprezo.
— Deve ser difícil.
— Aluguel, impostos…
— Imagino que não sobre quase nada para você.
— Mãe, — interveio Roman, — Inna é muito talentosa.
— Ela faz buquês tão bonitos que as pessoas encomendam com um mês de antecedência.
— Ah, buquês, — disse a futura sogra, como Inna já a chamava mentalmente.
— Que gracioso.
— Mas pouco confiável.
— A filha de uma conhecida minha se casou com um dentista: eles têm casa própria, dois carros.
— E aqui, florzinhas…
Inna apertou os dedos sob a mesa.
Lembrou-se de seu relatório recente: o lucro líquido do trimestre havia passado de dez milhões.
Lembrou-se de sua casa nos arredores de Moscou, dos dois SUVs na garagem, das contas bancárias onde havia mais dinheiro do que Lyudmila Vasilievna talvez tivesse visto em toda a vida.
Mas ficou calada.
— Acho que o mais importante é que as pessoas se amem, — disse ela suavemente.
— O resto vem com o tempo.
— O resto vem com o tempo, — bufou Lyudmila Vasilievna.
— Isso só acontece nos contos de fadas, querida.
— Na vida, é preciso ter alguma coisa por trás.
— Nosso Roman é um rapaz bem encaminhado, mas precisa de uma esposa que seja apoio, não peso.
Roman ficou vermelho.
— Mãe, chega.
— Viemos para vocês se conhecerem, não para fazer um interrogatório.
— Eu só quero que você seja feliz, — cortou ela.
— E que ninguém se aproveite de você.
Inna sentiu a raiva começar a ferver por dentro.
Respirou fundo e se obrigou a sorrir.
— Entendo sua preocupação, Lyudmila Vasilievna.
— A senhora quer o melhor para seu filho.
— Eu também quero.
— Muito bem, — concluiu Sergei Viktorovich, que até então permanecera calado, estudando o cardápio.
— Vamos pedir alguma coisa.
— Inna, o que você vai querer?
— O mais simples, — respondeu ela, tentando não pensar que conhecia aquele cardápio de cor.
— Uma salada e uma massa.
— Ah, a massa aqui é cara, — observou Lyudmila Vasilievna.
— Talvez você peça algo mais simples?
Inna quase riu em voz alta.
Ela poderia comprar aquele restaurante inteiro sem nem sentir a perda.
Em vez disso, assentiu.
— Sim, a senhora tem razão.
— Então apenas a salada.
Roman apertou a mão dela sob a mesa.
Ela sorriu para ele, sentindo tudo dentro de si se virar por causa da injustiça.
Mas não havia escolha.
Ela mesma escolhera aquele papel.
—
O jantar se arrastou infinitamente.
Lyudmila Vasilievna perguntava sobre os pais de Inna, que haviam morrido em um acidente de carro cinco anos antes.
Perguntava sobre sua moradia, e Inna dizia que alugava um quarto em um apartamento comunitário.
Perguntava sobre os planos para o futuro, e Inna dizia que sonhava em abrir seu próprio estúdio.
Cada resposta provocava na futura sogra uma nova enxurrada de “bons” conselhos.
— Você deveria estudar, — dizia ela.
— Floricultura é bom, claro, mas não é seguro.
— Roman, por exemplo, é arquiteto, sempre terá trabalho.
— Vou pensar nisso, — respondia Inna educadamente.
— E é preciso ter seu próprio apartamento.
— Apartamento comunitário é horrível.
— Como vocês pretendem formar uma família nessas condições?
— Ainda não estamos planejando, — disse Roman.
— Temos tempo.
— Não estão planejando?
— Lyudmila Vasilievna abriu os braços.
— E vão esperar o quê?
— Você já tem trinta e dois anos, Roma.
— Está na hora de ter filhos.
Inna sentiu a cabeça começar a doer.
Imaginou como seria se tivesse aparecido ali do jeito habitual.
Como mudaria o tom de Lyudmila Vasilievna.
Será que ela também aconselharia Inna a “estudar”?
— Com licença, vou sair por um minuto, — disse Inna, levantando-se.
— Vou retocar a maquiagem.
Ela seguiu para o banheiro, e no caminho uma voz familiar a chamou.
— Inna Sergeevna?
— É a senhora mesmo?
Ela se virou.
O maître Mikhail, um homem alto em um terno impecável, olhava para ela com surpresa.
— Boa noite, Mikhail, — respondeu ela em voz baixa, tentando garantir que ninguém ouvisse.
— Sim, sou eu.
— Mas, por favor, não diga nada a ninguém.
— Estou aqui… incógnita.
— Entendo, — assentiu ele, embora em seus olhos houvesse perplexidade.
— Sua mesa de costume está livre, se desejar…
— Não, não, está tudo bem.
— Obrigada.
Ela entrou rapidamente no banheiro e se encostou à parede, sentindo o coração bater forte.
Aquela encenação começava a cansá-la.
Mas já era tarde para recuar.
—
Quando voltou, algo havia mudado à mesa.
Lyudmila Vasilievna segurava o telefone e falava com alguém por chamada de vídeo.
— Sim, sim, ela está aqui, — tagarelava.
— A mesma de quem eu falei.
— Tão modesta, com um vestido barato.
— Eu disse ao Roma que ele poderia encontrar alguém melhor.
— Mas ele é teimoso.
Inna se sentou, tentando manter a calma.
— Quem é?
— perguntou.
— Minha irmã, — respondeu Lyudmila Vasilievna, sem desgrudar os olhos da tela.
— Quer ver você.
— Não fique tímida, acene.
Inna sentiu o rosto corar.
Acenou educadamente, mas por dentro tudo fervia.
Estavam exibindo-a diante dos parentes como um animal exótico para rirem dela.
— E onde ela trabalha?
— perguntou uma voz pelo telefone.
— Como florista, — respondeu Lyudmila Vasilievna com um leve sorriso de deboche.
— Vende florzinhas.
— Ai, pobrezinha, — lamentou a irmã.
— Roman, pelo menos alimente-a direito.
— Olhe só como ela é magrinha.
Roman apertou o garfo com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
— Mãe, desliga, por favor.
— Estamos jantando.
— Está bem, está bem, — disse Lyudmila Vasilievna, desligando a contragosto.
— Eu só queria que a tia Lena também a conhecesse.
— Ela se preocupa com você.
Inna ficou calada, olhando para o prato.
O apetite havia desaparecido de vez.
—
A conta chegou uma hora depois.
O garçom colocou-a no meio da mesa, e Roman estendeu a mão, mas Lyudmila Vasilievna se adiantou.
— Deixa comigo, filho.
— Hoje você é o convidado.
Ela pegou a conta, olhou o valor e seus olhos se arregalaram.
— Nossa!
— escapou dela.
— Cinco mil por um jantar!
— Isso é um roubo!
Ela se virou para Inna.
— E você, Inna, poderia pagar também.
— Afinal, ele é seu noivo, você poderia mostrar iniciativa.
Roman ficou vermelho.
— Mãe, eu sou adulto.
— Eu mesmo pago meu jantar.
— Mas ela é sua namorada, — insistiu Lyudmila Vasilievna.
— Que também contribua.
— Ou ela não tem dinheiro?
— Ela olhou para Inna com falsa compaixão.
— Pobrezinha, nem consegue pagar por si mesma.
Inna se levantou lentamente.
Algo estalou em sua cabeça.
A paciência se rompeu.
— Lyudmila Vasilievna, — disse ela com calma, mas com firmeza.
— A senhora tem razão.
— Não tenho dinheiro em espécie comigo.
— Mas vou pagar o jantar com cartão.
Ela tirou da bolsinha um cartão preto, de platina, com limite de crédito ilimitado.
Estendeu-o ao garçom.
— Pegue, por favor.
Lyudmila Vasilievna ficou olhando para o cartão.
Seu rosto se alongou.
— O que é isso?
— perguntou.
— Um cartão platinum premium, — respondeu Inna.
— Ele é emitido apenas para clientes com patrimônio a partir de cinquenta milhões de rublos.
Fez-se uma pausa.
— Inna, — perguntou Roman baixinho, — o que está acontecendo?
Ela se virou para ele.
Seus olhos estavam cheios de lágrimas: pela ofensa, pelo cansaço e porque aquela encenação finalmente estava terminando.
— Desculpe, Roma.
— Preciso te contar uma coisa.
—
Ela se sentou e soltou o ar.
Diante dela estavam três pessoas: Roman atordoado, Lyudmila Vasilievna pálida e Sergei Viktorovich calado, que de repente deixou de ser invisível.
— Eu não sou apenas florista, — começou Inna.
— Sou dona da rede de floriculturas “Amaranto”.
— Vinte e três lojas em Moscou e na região.
— Tenho minha própria casa, dois carros, contas que vocês nem imaginam.
— Fingi ser pobre porque…
— ela hesitou.
— Porque tinha medo de que não me aceitassem como eu sou.
— Mas por quê?
— suspirou Lyudmila Vasilievna.
— Por que você mentiu?
— Para que Roman não pensasse que eu estava atrás do dinheiro dele.
— Para que vocês não olhassem para mim como uma…
— ela sorriu amargamente.
— Como uma caçadora de herança.
— Eu queria que me amassem simplesmente por mim.
Roman ficou calado, olhando para a mesa.
Seus dedos tamborilavam nervosamente na toalha.
— E você achou que eu deixaria de te amar se soubesse?
— perguntou ele, sem levantar os olhos.
— Eu não sabia.
— Eu tinha medo.
— E agora?
— Ele levantou a cabeça, e havia dor em seu olhar.
— Agora eu devo fingir que nada aconteceu?
— Que você não mentiu para mim por seis meses?
— Eu não menti para você, — respondeu Inna em voz baixa.
— Apenas não contei toda a verdade.
— Meus sentimentos por você são verdadeiros.
— Mas você não confiava em mim, — cortou ele.
— Você decidiu que eu me comportaria como…
— como quem?
— Como aqueles que vieram antes de mim?
— Desculpe, — sussurrou ela.
Lyudmila Vasilievna estava sentada com a boca entreaberta.
Ela olhava de Inna para o cartão e depois de volta para Inna.
Em sua cabeça, evidentemente, acontecia uma reavaliação de valores.
— Quer dizer…
— começou ela.
— Você é… rica?
— Sim, Lyudmila Vasilievna.
— Muito.
— E você trabalha?
— Eu administro uma empresa.
— Mas sim, eu trabalho.
— Todos os dias.
A futura sogra se calou.
Seu rosto mudava: do choque à confusão, e depois a… respeito?
Ou era medo?
— Roma, — disse ela finalmente, — talvez devêssemos… bem, reconsiderar nossa atitude?
Roman se levantou bruscamente.
— Não, mãe.
— Não vamos reconsiderar atitude nenhuma.
— Inna mentiu.
— E essa foi uma escolha dela.
— Mas eu não posso fingir que nada aconteceu.
— Roma, — Inna também se levantou, — me dê uma chance de explicar.
— Explicar o quê?
— Que você tinha medo?
— Eu entendo.
— Mas mentira é mentira.
Ele se virou e caminhou para a saída.
Inna ficou parada, olhando-o ir embora.
Dentro dela, tudo desabou.
Ela queria correr atrás dele, mas algo a segurava.
Talvez o orgulho.
Ou talvez a compreensão de que ele estava certo.
— Inna, — disse Sergei Viktorovich baixinho, pela primeira vez em toda a noite.
— Ele vai esfriar a cabeça.
— É um bom rapaz.
— Só precisa de tempo.
Ela olhou para ele, aquele homem silencioso que passara a noite inteira observando e talvez entendendo mais do que todos os outros.
— Obrigada, — suspirou ela.
— Espero que sim.
Lyudmila Vasilievna se mexeu sem jeito.
— Inna, eu…
— eu não sabia.
— Me perdoe.
— Eu me comportei horrivelmente.
— A senhora estava protegendo seu filho, — respondeu Inna.
— Eu entendo.
— Mas da próxima vez, antes de julgar, lembre-se de que as aparências enganam.
Ela pegou a bolsinha e saiu do restaurante sem olhar para trás.
—
— Desculpe, — disse ela, quando três dias depois Roman finalmente ligou.
— Fui uma idiota.
— Eu deveria ter contado a você logo.
— Sim, deveria, — respondeu ele cansado.
— Mas eu também fui bom demais.
— Nem percebi que você usava um relógio de meio milhão.
— Eu simplesmente não olhava.
— Você olhava para mim, — disse ela baixinho.
— Não para o relógio.
— Foi por isso que me apaixonei por você.
Houve uma pausa do outro lado da linha.
— Não posso fingir que nada aconteceu, — disse Roman finalmente.
— Mas quero tentar de novo.
— Do zero.
— Sem máscaras.
— Você aceita?
Inna sorriu, sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto.
— Sim.
— Do zero.
Eles se encontraram no dia seguinte.
Inna apareceu como normalmente era: terno caro, sapatos de salto, clutch.
Roman olhava para ela e sorria.
— Você está linda, — disse ele.
— Sou a mesma de antes, — respondeu ela.
— Só que agora você sabe tudo.
— E isso não muda nada.
— Nada, — concordou ela.
— Exceto uma coisa: não haverá mais segredos.
Eles se abraçaram, e Inna sentiu a tensão dos últimos dias deixá-la.
Ela era ela mesma.
Verdadeira.
E essa era a melhor sensação do mundo.
Quando Lyudmila Vasilievna soube que eles haviam feito as pazes, foi a primeira a ligar.
Seu tom mudou radicalmente.
— Inninha, estamos tão felizes!
— tagarelou ela.
— Roma nos contou tudo.
— Você é mesmo tão bem-sucedida!
— Precisamos nos encontrar.
— Eu pago!
Inna sorriu ao telefone.
— Com prazer, Lyudmila Vasilievna.
— Só que desta vez sem máscaras.
— Claro, claro, — garantiu a futura sogra.
— Serei eu mesma.
Inna desligou e olhou para Roman, que estava sentado ao lado dela e sorria.
— Bem, — disse ela, — parece que acabei de ganhar uma sogra que tem medo de mim.
— E que gosta de você, — acrescentou ele.
— Embora talvez também tenha medo.
— Mas isso é até melhor.
Eles riram, e Inna entendeu: aquilo era apenas o começo.
O começo de um novo capítulo, no qual ela seria ela mesma.
E no qual a amariam não pelo dinheiro, mas por quem ela era.








