Sveta estava na varanda da casa de campo, observando uma figura conhecida se aproximar pelo caminho sinuoso desde o portão, acompanhada de duas crianças.
Como sempre, Inga carregava uma bolsa enorme, da qual saíam brinquedos infantis e uma boia inflável.

Atrás dela vinham correndo Aliona, de oito anos, e Maksim, de cinco, que já desde a entrada discutiam em voz alta os planos para o dia.
— De novo, — suspirou Sveta, afastando-se da janela.
— Misha, a sua irmã chegou.
Mikhail levantou a cabeça do laptop, diante do qual já estava havia três horas, analisando documentos de trabalho.
Para ele, a casa de campo não era tanto um lugar de descanso, mas uma oportunidade de trabalhar tranquilamente, longe da agitação da cidade.
Mas a paz era interrompida regularmente pelas visitas de Inga.
— Outra vez?
Ela esteve aqui ainda no fim de semana passado, — resmungou ele, salvando o arquivo e fechando o laptop.
Um segundo depois, ouviu-se a batida familiar na porta: duas curtas, uma longa e novamente duas curtas.
O estilo característico de Inga.
— Olá, queridos! — Inga entrou na casa como uma rajada de verão, enchendo imediatamente o espaço com a sua voz alta e a sua energia.
— Crianças, cumprimentem o tio e a tia!
Aliona e Maksim beijaram obedientemente os parentes nas bochechas e correram imediatamente para explorar a casa, como se a vissem pela primeira vez, embora tivessem estado ali apenas uma semana antes.
— Como estão?
E o trabalho? — Inga olhava ao redor, já calculando onde seria melhor se instalar.
— Na cidade está um calor tão insuportável!
Aqui na casa de vocês é como estar no paraíso, com este ar e este silêncio.
Não vamos ficar muito tempo, só vamos nadar e almoçar.
As crianças pediram tanto para vir à casa de campo!
Sveta observava em silêncio aquele espetáculo já habitual.
Inga sempre vinha “por pouco tempo”, mas inevitavelmente ficava até a noite e, às vezes, até dormia ali.
Sempre aparecia algum pretexto: ou as crianças estavam cansadas, ou simplesmente “já era tarde demais para voltar”.
— Inga, talvez da próxima vez possamos combinar por telefone com antecedência? — sugeriu Sveta com cuidado.
— Podemos estar ocupados ou ter planejado sair para algum lugar.
— Ora, que compromissos vocês poderiam ter! — disse Inga, fazendo um gesto com a mão.
— Somos uma família!
Aliona, Maksim, não mexam nos papéis do tio!
Mas as crianças já tinham se instalado na sala, espalhando brinquedos por todo o chão.
Maksim ligou a televisão no volume máximo, enquanto Aliona começou a mexer nas gavetas da cômoda.
— Tia Sveta, vocês têm alguma coisa gostosa? — perguntou Aliona, já se dirigindo ao frigorífico.
— Claro, querida, — respondeu Sveta, abrindo o frigorífico e tirando iogurtes, frutas e sumo.
No fundo, ela entendia que as crianças não tinham culpa pelo comportamento da mãe, mas a irritação aumentava a cada visita.
Enquanto isso, Inga já tinha trocado de roupa, vestido o fato de banho e se instalado numa espreguiçadeira junto à piscina, gritando de vez em quando com as crianças que brincavam na água.
Mikhail tentou voltar ao trabalho, mas era impossível se concentrar.
As crianças gritavam, e Inga falava alto ao telefone, contando às amigas sobre as suas “férias luxuosas na casa de campo”.
Para o almoço, Sveta preparou uma salada simples e aqueceu a sopa do dia anterior.
Como sempre, Inga elogiava a comida, mas ao mesmo tempo começava imediatamente a contar como ela própria preparava aquele prato “de uma maneira completamente diferente, com um ingrediente secreto”.
As crianças comeram com apetite, sujaram tudo ao redor e não arrumaram nada depois.
— Mishenka, você tem algumas ferramentas? — perguntou Inga, já planejando a próxima atividade.
— Maksim quer tanto consertar ou construir alguma coisa.
Ele está crescendo e se tornando um verdadeiro faz-tudo!
Com um suspiro pesado, Mikhail deixou de lado os documentos que ainda não tinha conseguido examinar e levou o sobrinho até o barracão de ferramentas.
Sveta limpava a sujeira das crianças, calculando mentalmente quanta comida elas tinham comido e, como sempre, admirando-se com a quantidade de bagunça que conseguiam fazer.
À noite, quando Inga finalmente começou a se preparar para ir embora, Sveta não aguentou mais.
— Inga, sabe, talvez devêssemos combinar as visitas de alguma forma?
Nós viemos para cá para trabalhar e descansar, não para entreter convidados todos os fins de semana.
O rosto de Inga se alongou, e uma expressão ofendida apareceu nos seus olhos.
— Ah, então é assim!
Quer dizer que nós incomodamos vocês!
E eu achando que éramos família e que vocês estavam sempre felizes em nos receber.
Mishka, você está ouvindo o que a sua mulher está dizendo?
Mikhail ficou numa situação desconfortável entre a esposa e a irmã.
— Sveta, mas o que é isso…
Inga, é claro que estamos sempre felizes em ver vocês, mas realmente talvez fosse melhor avisar de vez em quando…
— Mas o que há com vocês! — exaltou-se Inga.
— Nós não viemos de mãos vazias!
As crianças são tão bem-educadas e não fazem nenhuma travessura…
Sveta quase começou a rir.
A essa altura, as crianças “bem-educadas” já tinham quebrado uma chávena, desenhado na mesa com uma caneta de feltro e causado uma inundação na casa de banho.
— Não se trata das crianças, — explicou Sveta pacientemente.
— Trata-se do facto de termos os nossos próprios planos e a nossa própria vida.
E eu gostaria que você trouxesse alguma coisa pelo menos de vez em quando, como biscoitos para o chá ou frutas para as crianças.
Todas as vezes alimentamos toda a gente e depois ainda temos de limpar tudo.
Inga inchou como uma peru ofendida.
— Então desculpem por sermos uns parasitas!
Eu não sabia que era preciso pagar pelo direito de ver o próprio irmão!
— Não exagere, — disse Mikhail, cansado.
— Não se trata de dinheiro, mas de que…
— Eu já entendi tudo! — cortou Inga.
— Não vamos mais incomodar vocês!
Ela reuniu as crianças e foi embora, batendo de propósito a porta do carro.
Mikhail e Sveta ficaram para limpar as consequências da visita: toalhas molhadas, brinquedos espalhados e louça suja.
— Você acha que ela vai entender? — perguntou Mikhail, arrumando os livros infantis.
— Duvido, — suspirou Sveta.
— Mas pelo menos teremos duas semanas de paz.
Passaram-se quase três semanas antes de Inga telefonar.
A voz dela parecia conciliadora, mas com um tom de ressentimento fingido.
— Olá, Mishenka.
Como estão as coisas?
E a sua saúde?
— Tudo normal, — respondeu Mikhail com cuidado.
— E vocês, como estão?
— Está tudo bem.
Escute, podemos ir aí no fim de semana?
As crianças sentem muita falta da casa de campo e perguntam o tempo todo quando vamos visitar o tio e a tia.
Mikhail olhou para Sveta, que balançou expressivamente a cabeça.
— Inga, nós estávamos planejando…
— Não vamos chegar de mãos vazias! — disse Inga rapidamente.
— Vou comprar alguma coisa gostosa e levar frutas para as crianças.
Dou a minha palavra, vamos nos comportar muito bem!
Ao ouvir isso, Sveta assentiu.
Talvez a irmã realmente tivesse entendido e mudasse?
— Está bem, — concordou Mikhail.
— Venham no sábado para o almoço.
— Obrigada, querido!
Estamos tão felizes!
Até breve!
No sábado, Inga chegou com uma bolsa grande, da qual retirou solenemente um pedaço de queijo caro, um saco de pêssegos e várias caixas de sumo para as crianças.
— Aqui está, como prometi! — anunciou ela com orgulho.
— O queijo é quase como o francês, e elogiaram muito na loja.
E olhem os pêssegos, como são bonitos!
Sveta ficou agradavelmente surpreendida.
O queijo realmente parecia apetitoso, os pêssegos cheiravam a verão e as crianças ficaram felizes com o sumo.
— Obrigada, Inga, — disse ela com sinceridade.
— Foi muito gentil da sua parte.
— Ora, não é nada, somos uma família! — disse Inga, radiante de satisfação.
— E se fizéssemos espetadas?
Estou com um espírito tão festivo hoje!
Animado pela mudança no comportamento da irmã, Mikhail concordou em organizar uma pequena festa.
Ele foi à loja comprar carne e legumes, enquanto as mulheres começaram a preparar saladas.
Inga estava extraordinariamente simpática e prestativa, ajudava a pôr a mesa e cuidava das crianças.
A noite realmente foi um sucesso.
O queijo revelou-se excelente, a carne ficou suculenta e as crianças brincavam felizes na relva.
Inga contava histórias engraçadas, Mikhail grelhava as espetadas e Sveta aproveitava aquela rara tranquilidade familiar.
Quando escureceu e as crianças começaram a bocejar, Inga levantou-se e foi até a mesa.
— Nós trouxemos queijo, onde está?
Vamos levar as sobras conosco, — disse ela, começando a colocar em sacos os pedaços de queijo, os pêssegos restantes e as caixas de sumo que ainda não tinham sido totalmente bebidas.
Sveta e Mikhail trocaram olhares.
Sveta sentiu a serenidade ser substituída pela decepção.
— Inga, o que você está fazendo? — perguntou ela baixinho.
— Como assim, o que estou fazendo?
Estou levando os meus produtos, — respondeu Inga com calma, continuando a embalar as sobras.
— As crianças têm escola amanhã e não teremos nada para o almoço.
— Mas você trouxe isso de presente…
— Que presente?
Eu disse que não viria de mãos vazias, e foi exatamente o que fiz.
Mas é claro que vou levar as sobras, porque a comida não pode ser desperdiçada.
Inga recolheu metodicamente tudo o que tinha trazido.
Depois, olhou para a mesa onde ainda havia restos de espetadas e saladas.
— Posso pegar um recipiente para a carne?
E também vou levar estes legumes.
Vocês podem preparar mais para vocês, mas eu não tenho nada em casa para alimentar as crianças.
— Inga, — tentou protestar Mikhail, — mas nós cozinhámos para todos e comprámos os alimentos…
— Ora, deixe disso, — disse Inga, fazendo um gesto com a mão.
— Vocês têm uma casa de campo, uma horta, tudo é de vocês.
Eu moro num apartamento na cidade, onde tudo precisa ser comprado.
As crianças estão crescendo e precisam comer.
Ela colocou em recipientes quase todas as sobras do jantar, deixando para os anfitriões apenas alguns restos insignificantes.
As crianças já dormiam no carro enquanto Inga terminava de reunir tudo.
— Obrigada pela noite maravilhosa! — disse ela, colocando os sacos de comida no carro.
— Foi tão bom!
Com certeza vamos voltar!
Mikhail e Sveta ficaram junto ao portão, despedindo-se dos convidados, e observaram em silêncio as luzes do carro se afastando.
Na mesa, restaram apenas pratos sujos e guardanapos amassados.
— Então, — disse Sveta baixinho, — agora você entende que ela não pode ser reeducada?
Mikhail assentiu, olhando para a mesa vazia.
— Entendo.
Ela não veio nos visitar, veio para comer de graça.
E até o que trouxe levou de volta.
— Sabe o que mais me deixou triste? — perguntou Sveta, recolhendo os pratos vazios.
— Não foi ela ter levado os próprios produtos.
Foi o facto de ela não entender de modo algum qual é o problema.
Para ela, é normal vir, comer, tomar sol e ainda levar comida para casa.
— Eu pensei que ela tivesse entendido as nossas reclamações…
— Ela só entendeu que precisava trazer alguma coisa para manter as aparências.
E depois levar tudo de volta.
Isso é até pior do que vir de mãos vazias.
Eles limparam a mesa em silêncio, cada um mergulhado nos próprios pensamentos.
Sveta lembrava-se de como tinha ficado feliz naquela manhã ao ver o queijo e os pêssegos e de como esperava que a relação com a cunhada melhorasse.
Mikhail pensava na irmã, que um dia tinha sido a sua melhor amiga, mas que agora se tinha transformado numa parasita intrometida.
— O que vamos fazer? — perguntou Sveta, colocando a louça na máquina de lavar.
— Não sei, — respondeu Mikhail com sinceridade.
— Falar com ela não adianta, porque ela não escuta.
Também não podemos proibi-la de vir, afinal ela é minha irmã, e as crianças não têm culpa de nada.
— Podemos simplesmente não atender as chamadas, — sugeriu Sveta.
— Talvez ela entenda que não pode se comportar assim.
— Isso vai parecer uma birra infantil…
— E o que ela está fazendo?
É uma mulher adulta que se comporta como uma criança mimada e acha que o mundo inteiro lhe deve alguma coisa.
Mikhail entendia que a esposa tinha razão.
Inga realmente acreditava que os parentes eram obrigados a alimentá-la, entretê-la e tolerar os seus caprichos.
E o mais triste era que ela sinceramente não entendia que estava se comportando mal.
Uma semana depois, Inga telefonou novamente.
— Olá, Mishenka!
Como estão?
Passámos um tempo tão bom no fim de semana passado!
As crianças ainda falam das espetadas.
Podemos ir aí no próximo sábado?
Mikhail olhou para Sveta, que balançou a cabeça com firmeza, e rejeitou a chamada.
— Ela está ligando de novo, — disse ele, desligando o telefone.
— Não atenda, — pediu Sveta.
— Ela precisa entender que estamos falando sério.
Inga telefonou mais algumas vezes e depois escreveu numa aplicação de mensagens: “Mishka, o que aconteceu?
Por que você não responde?”
Depois escreveu: “Será que Sveta é contra?
Nós passámos um tempo tão bom!”
E por fim: “Vocês ficaram ofendidos porque eu levei as sobras?
Elas teriam estragado de qualquer maneira!”
Mikhail e Sveta não responderam.
Eles entendiam que tentar explicar era inútil.
Inga simplesmente não era capaz de entender que era indecente causar incómodo aos parentes e, ao mesmo tempo, aproveitar-se da hospitalidade deles.
Passou um mês.
Inga não telefonou mais.
Às vezes, Mikhail perguntava-se se eles não tinham sido duros demais, mas então lembrava-se de todos aqueles anos de visitas intermináveis, alimentos consumidos e planos arruinados.
Então pensava que, às vezes, a única maneira de impedir um comportamento inadequado era simplesmente não permitir que ele continuasse.
Sveta já não se assustava quando a campainha tocava aos fins de semana.
Mikhail trabalhava tranquilamente ao computador, sem medo de que a qualquer momento precisasse entreter convidados indesejados.
A casa de campo deles voltou a ser um lugar de descanso, e não uma cantina gratuita para parentes.
Às vezes, Mikhail pensava que talvez devessem ter encontrado outra forma de resolver o problema.
Mas então lembrava-se da última visita de Inga e do rosto dela enquanto colocava nos sacos as sobras daquele mesmo queijo.
Nesse momento, compreendia que algumas pessoas realmente não podem ser mudadas.
Resta apenas proteger a própria vida e não permitir que perturbem a sua paz.
O verão estava chegando ao fim, e eles aproveitavam cada noite tranquila na varanda, sabendo que ninguém perturbaria o seu sossego exigindo comida, bebida e diversão.
É verdade que, às vezes, era triste pensar que as relações familiares podiam terminar de forma tão lamentável.
Mas ambos entendiam que respeitar os limites dos outros é a base de qualquer relação saudável.
E, se uma pessoa não é capaz de entender isso, talvez seja melhor limitar o contacto.
No outono, quando estavam fechando a casa de campo, Sveta encontrou no armário uma caixa esquecida de biscoitos caros.
Inga tinha trazido aquilo muito tempo antes “como presente” e depois se esquecido de levar de volta.
— Olhe, — disse ela, mostrando a caixa a Mikhail.
— É a única coisa que ela deixou aqui em todos estes anos.
Mikhail sorriu com tristeza.
— Provavelmente apenas se esqueceu.
Se tivesse lembrado, certamente teria levado consigo.
Eles riram, e tudo pareceu mais leve.
Os limites tinham sido estabelecidos, a paz tinha sido restaurada e, à frente, havia um inverno tranquilo, sem visitas inesperadas e sem exigências sobre a hospitalidade deles.







