Daniil havia se acostumado ao fato de Alina pagar todas as contas.
Isso começou de forma quase imperceptível, ainda quando eles namoravam.

Alina trabalhava como gerente sênior em uma empresa de construção e ganhava sessenta e cinco mil rublos, enquanto Daniil estava apenas começando a carreira como mecânico de manutenção e seu salário não ultrapassava trinta mil.
Naturalmente, era Alina quem pagava nos cafés e no cinema.
Naturalmente, ela também pagava durante as férias.
Daniil considerava isso algo normal, às vezes até com certo orgulho — nem todo homem podia se dar ao luxo de ter uma mulher tão generosa.
A primeira vez que Alina percebeu que algo estava errado foi seis meses depois do casamento.
Daniil sugeriu que fossem visitar a mãe dele em uma cidade vizinha e rever os parentes.
Alina concordou, mas, quando começaram a discutir como chegariam lá, o marido fez um gesto despreocupado com a mão.
— Vamos no seu carro.
O meu é velho e será desconfortável.
Alina ficou surpresa.
O carro realmente estava registrado em nome dela, mas eles o haviam comprado juntos, embora tivesse sido ela quem pagara a maior parte do valor.
Na época, Daniil explicou que tinha problemas com o histórico de crédito e que seria melhor registrar o veículo no nome da esposa.
Alina concordou, sem dar muita importância às formalidades.
— Está bem — disse a esposa —, mas você paga a gasolina.
Daniil assentiu, mas, quando pararam para abastecer, tirou do bolso apenas dois mil rublos.
— Não tenho mais — disse ele, abrindo os braços.
Ainda não recebi o salário.
Alina pagou silenciosamente o restante.
Daniil recebeu o salário no dia seguinte, mas não se lembrou da dívida.
Alina também não o lembrou — não queria estragar o relacionamento por causa de uma coisa pequena.
Eles passaram três dias na casa da mãe de Daniil.
Vera Nikolaevna recebeu a nora cordialmente, mas logo ficou claro que ela estava acostumada a ver o filho chegar sempre com presentes.
Daniil entregou solenemente à mãe uma caixa com uma corrente de ouro.
— Isto é para você, mãe — disse Daniil, abraçando Vera Nikolaevna.
De todo o coração.
A sogra ficou emocionada e agradeceu longamente ao filho pela atenção.
Alina ficou ao lado deles em silêncio.
Eles haviam comprado a corrente juntos em uma joalheria três dias antes.
Daniil escolhera, mas Alina pagara — como sempre, o marido não tinha dinheiro suficiente.
Vinte e três mil rublos.
— Obrigada, meu filho — repetia Vera Nikolaevna.
Como você é atencioso.
Alina sorriu e não disse nada.
Mais tarde, quando ficaram sozinhos, ela tentou conversar com o marido.
— Danil, você não acha estranho dar presentes comprados com o meu dinheiro?
Daniil deu de ombros.
— Nós somos uma família.
O que é seu também é meu.
Não é assim?
— Em parte, sim, mas…
— Nada de “mas”! — interrompeu o marido.
Eu não proíbo você de gastar dinheiro com os seus pais.
Alina quis responder que seus pais estavam mortos havia dez anos, mas se conteve.
Daniil claramente não entendia qual era o problema.
Depois que voltaram para casa, a vida seguiu o curso de sempre.
Alina trabalhava, ganhava dinheiro e pagava as contas.
Daniil também trabalhava, mas o salário dele desaparecia em algum lugar.
Quando a esposa perguntava sobre o orçamento familiar, ele respondia de maneira evasiva.
— Dinheiro é apenas dinheiro.
O importante é que a família viva bem.
Eles realmente viviam bem, mas isso era garantido exclusivamente por Alina.
Contas, alimentos, produtos de limpeza e roupas — tudo era comprado pela esposa.
Daniil às vezes levava alguma coisa para comer, mas escolhia sempre os produtos mais baratos — salsichas, pelmeni e pão.
A desproporção tornou-se especialmente evidente no fim do primeiro ano de vida em comum.
Alina calculou as despesas e ficou horrorizada.
Quarenta e cinco mil rublos do salário dela eram gastos com as necessidades da família.
Daniil gastava, no máximo, cinco mil rublos por mês com a casa.
— Danil — disse Alina certa noite, enquanto o marido assistia televisão na sala —, precisamos falar sobre dinheiro.
— Sobre que dinheiro? — perguntou Daniil sem se virar.
— Sobre o nosso.
Sobre o dinheiro da família.
Acho que as responsabilidades estão distribuídas de maneira desigual.
Daniil se virou para a esposa, com uma expressão de sincera incompreensão no rosto.
— O que você quer dizer com “desigual”?
Eu também trabalho.
— Você trabalha, mas quase não gasta nada com a família.
— Alina — disse Daniil, levantando-se do sofá e aproximando-se dela —, você sabe que meu salário é menor.
Eu já faço o melhor que posso.
— Faz o melhor que pode? — perguntou Alina, olhando-o com mais atenção.
Então, para onde vai o seu salário?
— É gasto — respondeu Daniil, dando de ombros.
Transporte, almoços, ferramentas para o trabalho e várias coisinhas.
— Que ferramentas?
Você disse que havia tudo no trabalho.
— Há, mas é mais prático ter as próprias.
Daniil começou a se irritar.
— O quê?
Você fica controlando cada centavo meu?
Alina se calou.
Realmente parecia que ela estava tentando controlar o marido.
Ela não queria se transformar em uma fiscal dentro de casa.
Mais seis meses se passaram.
Alina percebeu que Daniil usava o carro dela com cada vez mais frequência.
No início, ele pedia permissão, mas depois parou de perguntar.
Simplesmente pegava as chaves e saía para resolver seus assuntos.
Certo dia, Alina não conseguiu ir ao trabalho porque o marido havia pegado o carro para jogar futebol na casa de um amigo.
— Danil — disse Alina quando ele voltou —, amanhã de manhã preciso do carro.
Tenho uma reunião importante.
— Está bem — respondeu Daniil, assentindo.
A que horas devo estar pronto?
— Como assim, a que horas? — perguntou Alina, sem entender.
Você não precisa ir a lugar nenhum.
— Como assim, a lugar nenhum? — perguntou o marido, surpreso.
Eu vou trabalhar.
— Vá de ônibus, como fazia antes.
— Para quê, se temos um carro?
— Eu tenho um carro — corrigiu Alina.
Daniil olhou para a esposa como se ela tivesse dito algo muito estranho.
— Somos uma família.
O carro é dos dois.
— Dos dois? — perguntou Alina, sentindo a tensão crescer.
Fui eu quem o comprou, eu pago o seguro e eu pago as revisões.
Mas o carro é dos dois?
— Alina, não comece — disse Daniil, fazendo um gesto com a mão.
Não somos estranhos.
— Estranhos ou não, também sou eu quem paga a gasolina.
— Então continue pagando.
Você ganha mais.
Alina olhou para o marido, perplexa.
Daniil sinceramente não entendia onde estava o problema.
Para ele, havia se tornado natural que a esposa pagasse por tudo e que ele aproveitasse os resultados.
No fim do segundo ano de vida em comum, a situação piorou ainda mais.
Daniil começou a convidar os amigos para casa, oferecer comida e comprar bebidas alcoólicas.
Naturalmente, tudo era comprado com o dinheiro de Alina.
A esposa tentava protestar, mas o marido explicava:
— Não se pode ser mesquinho.
Quando as pessoas vêm nos visitar, é preciso recebê-las bem.
— Receba-as com o seu próprio dinheiro — disse Alina.
— Estou passando por um período difícil agora.
Prometeram-me um bônus, mas ainda não pagaram.
Ele estava esperando esse bônus havia seis meses.
Alina começou a suspeitar que esse bônus nunca existira e nunca existiria.
Daniil simplesmente havia se acostumado a viver às custas dela.
A situação com o apartamento era especialmente dolorosa para Alina.
A moradia pertencia a ela e havia sido comprada antes de conhecer Daniil.
Mesmo assim, o marido se comportava como se fosse o verdadeiro dono.
Mudava os móveis de lugar sem pedir permissão.
Convidava pessoas quando Alina estava no trabalho.
Certa vez, até deu as chaves a um amigo para que ele pudesse passar a noite lá.
— Danil — disse Alina —, este apartamento é meu.
— Nosso — corrigiu o marido.
Nós somos casados.
— Somos casados, mas eu comprei o apartamento antes do casamento.
— E daí? — perguntou Daniil, dando de ombros.
Eu moro aqui.
— Você mora aqui, mas isso não significa que pode fazer o que quiser.
— Fazer o que eu quiser? — riu Daniil.
Você acha que vou vender o apartamento?
Um amigo apenas pediu um lugar para passar a noite.
— Da próxima vez, me avise.
— Está bem — concordou o marido, mas não começou a avisá-la.
Alina começou a perceber que Daniil não a via como uma parceira igual, mas como uma fonte de financiamento.
O marido não se interessava pelo trabalho dela, não perguntava como ela estava e nunca oferecia ajuda.
Por outro lado, frequentemente insinuava que gostaria de comprar alguma coisa, viajar para algum lugar ou experimentar algo novo.
E sempre ficava subentendido que Alina pagaria.
O ponto culminante foi a situação com os brincos de ouro para Vera Nikolaevna.
No aniversário da mãe, Daniil decidiu dar-lhe uma joia.
Escolheu por muito tempo e acabou optando por brincos que custavam trinta e um mil rublos.
— São lindos — disse Daniil, admirando a vitrine.
Mamãe vai gostar.
— São caros — observou Alina.
— Mas são de boa qualidade.
A mãe não faz aniversário todos os dias.
— Danil, você tem esse dinheiro?
— Tenho — respondeu o marido, assentindo.
Quer dizer, vou ter.
Receberei o salário daqui a uma semana.
— Mas o presente precisa ser entregue amanhã.
— E daí? — perguntou Daniil, olhando para a esposa.
Você pode pagar por enquanto.
Depois eu devolvo.
Alina tirou o cartão em silêncio.
Era óbvio que Daniil não pretendia devolver nada.
Como em todas as vezes anteriores, o dinheiro simplesmente desapareceria em alguma direção desconhecida.
No aniversário de Vera Nikolaevna, Daniil entregou solenemente à mãe a caixa com os brincos.
A sogra ficou encantada e elogiou o filho por sua atenção e carinho.
Alina permaneceu sentada à mesa em silêncio.
Trinta e um mil rublos.
O dinheiro dela.
O salário dela.
Mas os agradecimentos eram dirigidos ao marido.
— Como meu filho é atencioso — repetia Vera Nikolaevna.
Nem todo homem cuida assim da própria mãe.
Alina assentia e sorria.
A irritação crescia dentro dela.
Não porque o dinheiro havia sido gasto em um presente.
Mas porque o marido estava se apropriando de méritos que não eram dele.
Daniil dava presentes comprados com o dinheiro de outra pessoa, mas aceitava os agradecimentos como se fossem merecidos.
Em casa, Alina tentou conversar com o marido mais uma vez.
— Danil, eu não gosto de ver você gastar o meu dinheiro e receber todo o reconhecimento.
— Que reconhecimento? — perguntou Daniil, sem entender.
— Sua mãe pensa que é você quem compra os presentes.
— E quem os compra? — perguntou o marido, sinceramente surpreso.
Sou eu quem escolhe e entrega.
— Mas sou eu quem paga.
— E daí?
Somos uma família.
O dinheiro é comum.
— Comum? — perguntou Alina, olhando para o marido com mais atenção.
Então por que sou apenas eu que ganho esse dinheiro comum?
— Eu também ganho dinheiro.
— Para onde vai o seu salário?
— É gasto.
— Em quê?
Daniil hesitou.
Ele não conseguia dar uma resposta concreta.
O dinheiro realmente desaparecia em algum lugar, mas não era gasto com as necessidades da família.
Alina começou a suspeitar que o marido simplesmente não achava necessário prestar contas a ela.
Na manhã seguinte, Alina acordou com uma certeza clara: aquilo não podia continuar.
Daniil vivia completamente às custas dela e nem percebia.
Além disso, o marido considerava aquela situação normal.
Alina o sustentava, enquanto Daniil tratava isso como algo natural.
O café da manhã transcorreu em silêncio.
Daniil se preparava para o trabalho e pegou as chaves do carro.
— Danil — disse Alina —, precisamos conversar.
Conversar seriamente.
— Sobre o quê? — perguntou o marido, parando junto à porta.
— Sobre o que está acontecendo na nossa família.
— E o que está acontecendo?
Alina olhou para o marido e entendeu que aquela conversa seria difícil.
Daniil sinceramente não via problema algum em viver sendo sustentado pela esposa.
Para ele, isso havia se tornado a ordem natural das coisas.
— Conversaremos à noite — disse Alina.
Com calma e em detalhes.
Daniil assentiu e saiu.
No carro dela.
Com a gasolina paga por ela.
Vestindo a camisa que ela havia lavado e passado.
Levando o almoço que ela havia preparado.
Alina ficou sozinha e tentou organizar os pensamentos.
Era preciso mudar alguma coisa.
Mudar tudo de maneira radical.
Mas como explicar a um marido que não via problema algum que o problema existia e era sério?
À noite, Alina preparou o jantar e esperou pelo marido.
Daniil voltou de bom humor, cantarolando alguma coisa.
Sentou-se à mesa, começou a comer e ao mesmo tempo contou sobre o trabalho.
— Danil — interrompeu a esposa —, você se lembra de que eu disse de manhã que precisávamos conversar?
— Sim, lembro — respondeu ele, sem parar de mastigar.
Sobre o que vamos falar?
— Sobre o fato de que eu não consigo mais viver assim.
— Assim como? — perguntou Daniil, finalmente erguendo os olhos do prato.
O que aconteceu?
— Eu sustento você há dois anos.
Sustento você completamente.
E você nem sequer é grato.
— De onde vêm essas ideias? — perguntou Daniil, largando o garfo.
Eu trabalho.
— Você trabalha, mas não contribui para sustentar a família.
O aluguel, a comida, a gasolina e os presentes para a sua mãe — tudo isso sou eu que pago.
— Alina, somos uma família.
Quem deve o quê a quem dentro de uma família?
— Exatamente! — exclamou Alina, sentindo a voz aumentar.
Quem deve o quê a quem?
Eu pago por tudo e você só gasta.
— Eu não gasto, eu vivo — protestou Daniil.
Além disso, se a esposa trabalha, ela pode sustentar o marido.
Muitos homens vivem assim.
Alina ficou imóvel.
Aquela frase soou como um tapa.
Daniil não apenas usava o dinheiro dela — ele considerava aquilo correto.
Normal.
Óbvio.
— Repita — disse Alina em voz baixa.
— Repetir o quê?
— O que você acabou de dizer.
— Eu disse que, se a esposa trabalha, pode sustentar o marido — respondeu Daniil, dando de ombros.
Não há nada de estranho nisso.
— Nada de estranho? — perguntou Alina, levantando-se da mesa.
Você realmente pensa assim?
— O que há para pensar? — perguntou Daniil, levantando-se também.
Você ganha mais.
— Eu ganho mais, enquanto você não ganha nada.
Pelo menos nada para a família.
— Eu ganho dinheiro! — indignou-se o marido.
Só tenho minhas próprias despesas.
— Que despesas? — perguntou Alina, dando um passo em direção a ele.
Com o que você gasta trinta mil rublos por mês?
— Com… coisas diferentes.
— Que coisas?
— Com necessidades pessoais.
— Necessidades pessoais?! — gritou Alina, sentindo algo explodir dentro dela.
E onde ficam as minhas necessidades pessoais?
— Seu salário é maior — repetiu Daniil.
Você tem dinheiro suficiente para tudo.
— Eu tenho porque economizo comigo mesma! — gritou Alina, incapaz de se conter por mais tempo.
Eu deixo de comprar coisas para mim para que você tenha tudo de que precisa!
— Alina, acalme-se — disse Daniil, tentando abraçá-la, mas ela se afastou.
— Não toque em mim! — gritou Alina, indo até a janela.
Só agora entendi com quem estou vivendo.
— Você vive com o seu marido.
— Eu vivo com um parasita! — gritou Alina.
Com um parasita que ainda exige ser tratado como rei!
— Isso já é uma ofensa — disse Daniil, franzindo a testa.
— Uma ofensa? — perguntou Alina, virando-se para ele.
E o que você faz comigo não é uma ofensa?
— Eu não faço nada.
Apenas vivo.
— Você vive às minhas custas! — gritou Alina, dando um passo em direção a Daniil.
O apartamento é MEU.
O carro é MEU.
E até o ouro que você deu à sua mãe foi comprado com o meu dinheiro!
— Nós somos casados — começou Daniil.
— Somos casados! — interrompeu Alina.
Isso significa que tudo deveria ser dividido igualmente.
Então, quem deve o quê a quem aqui?
— O que você quer dizer?
— Quero dizer que você me deve dinheiro pelos dois anos em que eu o sustentei! — declarou Alina, fazendo as contas mentalmente.
As contas, a comida, a gasolina e os presentes para a sua mãe.
Quanto tudo isso dá?
— Alina, não diga bobagens.
— Bobagens? — Alina riu, mas seu riso foi amargo.
A bobagem foi eu ter suportado tudo isso durante dois anos!
— O que você suportou?
— Eu pensei que tivesse um parceiro, não um parasita com uma coroa na cabeça! — gritou Alina, sentindo as lágrimas se acumularem nos olhos.
Eu pensei que estivéssemos construindo uma família, não que eu estivesse sustentando um inútil!
— Alina, chega! — gritou Daniil.
Eu não sou um inútil!
— Então, o que você é? — perguntou Alina, enxugando os olhos.
Como se chama um homem que vive no apartamento de outra pessoa, dirige o carro de outra pessoa e dá presentes com o dinheiro de outra pessoa?
— Não é dinheiro de outra pessoa, é nosso.
— É meu! — gritou Alina.
Meu dinheiro!
Ganhei com o meu trabalho!
— Está bem — disse Daniil depois de uma pausa.
Está bem.
O que você propõe?
— Proponho acabar com esta farsa.
— Que farsa?
— Nosso casamento — respondeu Alina claramente, para que não houvesse mal-entendidos.
Não quero mais sustentar um marido ingrato.
— Do que você está falando? — perguntou Daniil, ficando pálido.
Que divórcio?
— Estou falando do fato de que cansei de ser uma vaca leiteira.
— Alina, você enlouqueceu? — perguntou Daniil, tentando se aproximar dela.
Nós somos uma família.
— Uma família? — perguntou Alina, indo até a porta.
Em uma família, as responsabilidades são divididas igualmente.
E como é na nossa?
— Na nossa, está tudo normal.
— Nada está normal! — gritou Alina, abrindo a porta.
Amanhã de manhã vou trocar as fechaduras.
Arrume suas coisas.
— Onde você quer que eu coloque minhas coisas? — perguntou Daniil, sem entender.
Esta é a minha casa.
— Sua casa? — perguntou Alina, parando na porta.
Onde estão os documentos do apartamento?
— Com você.
— Exatamente.
Porque este apartamento é MEU.
E o carro é MEU.
E fui eu quem comprou o ouro para a sua mãe.
— Alina, não seja tão…
— Tão o quê? — interrompeu a esposa.
Honesta?
— Podemos conversar sobre tudo.
— Conversamos por dois anos.
Chega.
Alina saiu do cômodo e fechou a porta.
Na manhã seguinte, Alina levantou-se cedo, vestiu-se e saiu de casa sem falar com o marido.
Primeiro foi até uma oficina de chaveiros e pediu a troca das fechaduras.
O chaveiro prometeu chegar duas horas depois.
Enquanto esperava, Alina foi até uma loja e comprou caixas de papelão.
Voltou para casa quando Daniil estava no trabalho e começou a juntar as coisas dele.
Roupas, sapatos e utensílios de barbear — tudo foi cuidadosamente colocado nas caixas.
O chaveiro chegou pontualmente e trocou rapidamente as fechaduras.
Alina recebeu as novas chaves e sentiu um alívio estranho.
Era como se um peso enorme tivesse saído de seus ombros.
Alina colocou as caixas com as coisas de Daniil do lado de fora da porta.
Ao lado, deixou um bilhete:
“Fechaduras novas.
Não peça as chaves.
Alina.”
À noite, quando Daniil voltou do trabalho, a campainha tocou.
Depois vieram as batidas.
Depois os gritos.
— Alina! — gritava o marido.
Abra a porta!
— Pegue suas coisas e vá embora — respondeu Alina, sem se aproximar da porta.
— Ir para onde?
Esta é a minha casa!
— Sua casa é na casa da sua mãe.
Ou na casa dos amigos que você recebia com o meu dinheiro.
— Alina, abra!
Vamos conversar!
— Não há nada para conversar.
Eu sustentei você durante dois anos.
Chega.
— Eu posso mudar!
— É tarde demais — respondeu Alina, sentada na cozinha, tomando café.
Não quero mais sustentar um gigolô.
Daniil continuou batendo na porta por mais meia hora e depois se calou.
Alina olhou pela janela.
As caixas haviam desaparecido.
Daniil também não estava mais à vista.
Alina voltou para a cozinha e serviu mais café para si mesma.
Pela primeira vez em dois anos, sentia-se livre.
Ninguém mais gastaria o dinheiro dela.
Ninguém mais usaria o carro dela.
Ninguém mais daria presentes comprados com o salário dela.
Alina finalmente havia retomado o controle da própria vida.
E aquela era a decisão certa.







