— Você não é rancorosa, é? Acolha a minha mãe por alguns meses. Minha nova esposa não consegue conviver com ela — pediu o ex-marido…

O chaveiro chegou com suas ferramentas meia hora depois.

Aliona estava no corredor, encostada à parede, observando o profissional desmontar a fechadura da porta de entrada.

Algo estalou dentro dela quando o mecanismo antigo foi parar nas mãos dele.

Provavelmente era exatamente essa a libertação de que todos falavam depois do divórcio.

— A senhora escolheu uma boa fechadura — comentou o chaveiro, experimentando o novo cilindro.

— É confiável.

— Quer instalar também uma fechadura de alavancas?

— Sim — respondeu Aliona sem hesitar.

— Quero duas fechaduras.

— Para ter certeza.

O profissional assentiu e começou a trabalhar.

Aliona foi até o quarto, onde os documentos do divórcio estavam sobre a mesa.

O carimbo ainda não havia sido colocado no passaporte, mas ela já tinha em mãos os papéis do tribunal.

Tudo havia sido feito de forma justa e dentro da lei.

Eles não tinham empréstimos conjuntos nem propriedades em comum.

Aliona havia herdado o apartamento da avó dois anos antes do casamento, portanto não havia nada para dividir.

Na época, Andrei ainda ria daquele apartamento de um quarto em um prédio antigo.

— Seria melhor vendê-lo e comprarmos algo decente — dizia o marido.

— Em um bairro novo, com uma planta normal.

Agora, porém, aquele mesmo apartamento havia se tornado a salvação de Aliona.

Trinta e oito metros quadrados de espaço próprio, onde ninguém lhe daria ordens, criticaria sua escolha de programas de televisão ou deixaria pratos sujos na pia.

— Pronto — anunciou o chaveiro.

— Pode verificar.

Aliona pegou as chaves novas e as girou várias vezes nas fechaduras.

A porta fez um clique suave ao se trancar.

A partir de agora, ninguém entraria naquela casa sem a permissão da dona.

— Obrigada — disse Aliona, pagando ao profissional.

Quando a porta se fechou atrás do chaveiro, Aliona apoiou as costas nela e fechou os olhos.

Silêncio.

Pela primeira vez em meio ano, um silêncio verdadeiro.

Não havia Andrei com suas conversas telefônicas intermináveis, nem o barulho da televisão, que o marido deixava ligada da manhã até a noite.

Aliona foi até a janela e a abriu completamente.

O ar de julho invadiu o cômodo, trazendo o perfume das tílias floridas do pátio vizinho.

Em algum lugar lá embaixo, crianças brincavam, e suas vozes se misturavam ao ruído dos carros em uma rua mais distante.

Sons comuns do verão que antes se perdiam no caos familiar.

Na geladeira da cozinha havia apenas um iogurte e um pacote de queijo cottage.

Aliona abriu a porta, ficou algum tempo olhando para as modestas provisões e sorriu.

Andrei sempre reclamava que não havia comida de verdade em casa.

Agora ela compraria apenas aquilo de que tivesse vontade.

Nada de salsichas, que o marido exigia em todos os cafés da manhã.

Nada de pelmeni no jantar três vezes por semana.

Aliona tirou o iogurte, abriu o pote e começou a comê-lo diretamente da embalagem, de pé junto à janela.

Antes, Andrei fazia uma careta quando a via assim.

— Parece um alojamento estudantil — resmungava o marido.

— Não dá para se sentar direito à mesa?

Agora ela podia comer onde quisesse e como quisesse.

A liberdade tinha um sabor delicioso, com o doce gosto residual de iogurte de morango.

O telefone tocou enquanto Aliona lavava o pote.

Era um número desconhecido.

Aliona franziu a testa, pois ligações assim geralmente significavam alguma coisa desagradável.

— Alô — disse ela com cautela.

— Aliona?

Uma voz conhecida soou do outro lado da linha.

— É o Andrei.

Aliona ficou imóvel com o pote molhado nas mãos.

Seu ex-marido.

Como ele havia conseguido seu novo número?

E por que estava ligando?

— O que você quer? — perguntou Aliona friamente.

— Precisamos conversar.

— Podemos nos encontrar?

— Não — cortou Aliona.

— Já discutimos tudo no tribunal.

— Aliona, escute…

Andrei falava mais suavemente do que o habitual, quase de maneira bajuladora.

— Eu entendo que você esteja com raiva.

— Mas existe um problema que precisamos resolver.

— Que problema?

— Mamãe.

— Ela precisa de um lugar para morar temporariamente.

— Literalmente por alguns meses.

Aliona colocou o pote sobre a mesa e apertou o telefone com mais força.

A sogra.

A mesma Elena Petrovna que, durante todo o casamento, ensinava Aliona a preparar sopa corretamente, dobrar as roupas e receber o marido quando ele voltava do trabalho.

— E o que eu tenho a ver com isso? — perguntou Aliona.

— Como assim?

— Você a conhece.

— Ela tratava você bem.

— Tratava — concordou Aliona.

— Mas nós nos divorciamos, Andrei.

— Eu não faço mais parte da sua família.

— Aliona, por favor…

Andrei se calou e depois suspirou.

— Eu sei que estou pedindo muito.

— Mas não tenho mais ninguém a quem recorrer.

— E a sua nova esposa? — perguntou Aliona diretamente.

Houve outra pausa.

Andrei pigarreou.

— Tania…

— Ela não pode.

— Ela e mamãe não conseguem se entender.

— De jeito nenhum.

— Entendi — disse Aliona.

— Então sua mãe não pode morar com a nova esposa, mas pode morar com a antiga.

— Muito conveniente.

— Não diga isso.

— Mamãe realmente é uma boa pessoa.

— É só que as personalidades delas não combinam.

Aliona foi até a janela e olhou para a rua.

Lá embaixo, um menino de uns dez anos jogava bola, enquanto a mãe dele estava sentada em um banco lendo.

Uma cena comum de verão.

Uma vida tranquila na qual não havia espaço para os problemas alheios.

— Aliona, você ainda está aí? — perguntou Andrei.

— Estou.

— Pense no assunto, por favor.

— Ela não vai incomodar.

— Elena Petrovna é muito discreta, você sabe disso.

— Discreta — repetiu Aliona.

— A mesma pessoa que me dizia todos os dias que eu lavava a louça errado?

— Ela só queria ajudar…

— Andrei — interrompeu Aliona.

— A resposta é não.

— Definitiva e irrevogável.

— Eu não sou um abrigo para os seus parentes.

— Aliona, tenha um pouco de humanidade! — Andrei elevou a voz.

— Para onde ela vai?

— Para a rua?

— Não sei.

— Talvez você devesse perguntar à Tania por que ela não consegue conviver com sua mãe.

— O que Tania tem a ver com isso? — perguntou Andrei, irritado.

— Tudo.

— Esse é o problema dela.

— Ela é sua esposa, então que resolva as questões da família.

— Aliona, estou pedindo seriamente…

— E eu estou respondendo seriamente: não — disse Aliona, desligando.

O telefone começou a tocar novamente de imediato.

Era o mesmo número.

Aliona rejeitou a chamada e bloqueou o contato.

Depois verificou mais uma vez se a porta estava trancada com as duas fechaduras.

O silêncio voltou ao apartamento.

Aliona sentou-se na poltrona e ficou pensativa.

Elena Petrovna…

A mulher que durante sete anos havia sido como uma segunda mãe para Aliona.

Ou pelo menos tentara ser.

Sempre dando conselhos, sempre fazendo comentários, mas, no geral, era uma boa pessoa.

Quando Aliona adoecia, ela levava remédios, e nos feriados dava presentes.

Quando a mãe de Aliona morreu, foi a sogra quem ajudou com o funeral.

Mas isso havia sido antes.

Na época em que Aliona era esposa de Andrei.

Agora tudo havia mudado.

E não era culpa de Aliona que a sogra tivesse problemas com a nova nora.

Aliona se levantou e foi até o guarda-roupa, onde os vestidos estavam pendurados.

Amanhã seria seu primeiro dia no novo emprego.

Ela trabalharia como gerente de vendas em uma loja de móveis.

O salário era de cinquenta e cinco mil rublos, mais comissões.

Talvez não fosse o emprego dos sonhos, mas depois do divórcio Aliona percebeu que era hora de mudar radicalmente de vida.

Antes, ela trabalhava em uma pequena empresa de logística, onde ganhava muito pouco, embora o trabalho fosse tranquilo e familiar.

Agora precisava ganhar dinheiro de verdade.

Morar sozinha era caro, pois todas as despesas recaíam sobre uma só pessoa.

Aliona escolheu um terno azul-marinho sóbrio e uma blusa branca.

Um clássico.

Uma gerente de vendas precisava parecer profissional.

No dia seguinte, teria de conhecer os colegas, estudar os catálogos e atender os primeiros clientes.

Uma nova vida, novas pessoas e novas tarefas.

No banheiro, Aliona se observou longamente no espelho.

Seu rosto havia emagrecido durante o divórcio, e olheiras escuras surgiram sob seus olhos.

Ela tinha trinta e quatro anos, mas parecia ter quarenta.

O estresse, as noites sem dormir e as discussões constantes com Andrei haviam deixado marcas.

Mas o mais importante era que havia desaparecido aquela expressão acuada que surgira nos últimos meses do casamento.

Quando Aliona descobriu a traição, alguma coisa se quebrou dentro dela.

Cada dia se tornou uma provação.

Andrei chegava em casa e agia como se nada tivesse acontecido, enquanto Aliona oscilava entre a vontade de fazer um escândalo e o medo de destruir a família definitivamente.

Agora a família não existia mais.

Mas havia paz.

E o direito de decidir sozinha como viver dali em diante.

Aliona tomou banho e se deitou na cama grande, que agora pertencia somente a ela.

A roupa de cama cheirava a sabão em pó fresco, pois Aliona a havia lavado logo depois que o ex-marido foi embora.

Era simbólico.

Apagar completamente todos os vestígios da vida em comum.

De manhã, Aliona acordou com o som do despertador, e não com os roncos altos de Andrei.

Mais uma pequena alegria.

Ela bebeu café sem pressa, escolheu sapatos confortáveis e foi trabalhar de bom humor.

A loja de móveis ficava em um shopping center na periferia da cidade.

Era um salão espaçoso, com conjuntos de móveis, sofás e poltronas dispostos por toda parte.

O diretor, Igor Vladimirovitch, recebeu Aliona cordialmente.

— Tem experiência em vendas? — perguntou o homem, folheando o currículo dela.

— Um pouco — respondeu Aliona com sinceridade.

— Mas estou pronta para aprender.

— O mais importante é encontrar a abordagem certa para cada cliente.

— O resto vem com a experiência.

Igor Vladimirovitch conduziu Aliona pelo salão, explicando as características de cada conjunto.

Cozinhas italianas, quartos alemães, mesas e cadeiras russas.

Os preços iam de quinze mil rublos por uma cadeira simples a trezentos mil por uma cozinha de luxo.

— Os clientes são diferentes — explicou o diretor.

— Alguns procuram algo mais barato, enquanto outros estão dispostos a pagar pela qualidade.

— Sua tarefa é entender o que cada pessoa precisa.

Na hora do almoço, Aliona já conhecia a localização dos principais produtos e as características de cada fabricante.

O trabalho se revelou interessante.

As pessoas chegavam com plantas de apartamentos, mostravam fotografias dos cômodos e pediam conselhos sobre cores e materiais.

Aliona sentia que ajudava a criar conforto nos lares.

A primeira venda aconteceu à tarde.

Um jovem casal estava escolhendo móveis para o quarto.

Aliona mostrou pacientemente várias opções e explicou as vantagens de cada uma.

No fim, os recém-casados compraram um conjunto por oitenta mil rublos.

— Excelente — elogiou Igor Vladimirovitch.

— Sua comissão por esta venda é de quatro mil rublos.

— Nada mal para o primeiro dia.

Aliona sorriu.

Quatro mil rublos em um único dia.

Se vendesse todos os dias, poderia ganhar muito bem.

É claro que não haveria vendas diariamente, mas até dez ou quinze vendas por mês dariam um bom acréscimo ao salário fixo.

À noite, Aliona voltou para casa de ótimo humor.

Novo trabalho, novas perspectivas e novos conhecidos.

A vida começava a entrar nos eixos.

No pátio, encontrou a vizinha, tia Valia.

— Aliona, onde está seu marido? — perguntou a senhora idosa.

— Faz tempo que não o vejo.

— Nós nos divorciamos — respondeu Aliona com calma.

— Ah, que pena! — exclamou tia Valia, abrindo os braços.

— Vocês pareciam um casal tão unido…

— Acontece — disse Aliona, dando de ombros.

— As pessoas mudam.

— Não faz mal.

— Você ainda vai encontrar outra pessoa.

— Você é uma boa mulher.

Aliona agradeceu pelas palavras gentis e subiu para casa.

Lá, colocou uma música que Andrei detestava e preparou o jantar.

Uma salada leve e peixe assado, exatamente o que ela queria, e não o que o ex-marido exigia.

O telefone permaneceu em silêncio durante uma semana inteira.

Aliona teve tempo de se acostumar ao novo trabalho, conhecer os colegas e até ganhar suas primeiras comissões.

Igor Vladimirovitch a elogiava, pois os clientes percebiam a sinceridade e o profissionalismo da nova funcionária.

Aliona já havia vendido três conjuntos de móveis e se sentia cada vez mais confiante.

Na sexta-feira à noite, Aliona voltava para casa depois de um dia bem-sucedido.

Uma jovem família havia comprado móveis para um quarto infantil por cento e vinte mil rublos, o que lhe rendeu quase cinco mil de comissão.

Aliona calculava seus ganhos e planejava renovar algumas coisas no apartamento.

Um sedã azul conhecido estava parado diante da entrada.

Aliona parou e franziu a testa.

Era o carro de Andrei.

O ex-marido estava ao volante, fumando com a janela aberta.

Ao ver Aliona, Andrei saiu do carro.

— Olá — disse ele, jogando a bituca na lixeira.

— O que você quer? — perguntou Aliona friamente.

— Conversar.

— Conversar de verdade.

— Já conversamos.

— Pelo telefone.

— Aliona, por favor…

Andrei parecia cansado.

O terno estava amarrotado e a gravata, torta.

— Me dê dois minutos.

— Fale — respondeu Aliona, sem convidá-lo para entrar.

— A situação é complicada.

— Mamãe realmente não consegue morar com Tania.

— De jeito nenhum.

— Esse é um problema de Tania — respondeu Aliona.

— Que ela aprenda a viver com a sogra.

— Aliona, seja realista.

— Tania é jovem e tem suas próprias opiniões.

— E mamãe…

— Você sabe como Elena Petrovna é.

— Cuida de tudo e está acostumada a controlar cada detalhe.

— Eu sei.

— É justamente por isso que estou dizendo que sua nova esposa deve resolver isso sozinha.

Andrei tirou outro cigarro e o acendeu.

As mãos dele tremiam.

Aliona percebeu e pensou que a vida familiar com Tania provavelmente não era tão maravilhosa quanto parecia.

— Aliona, você não é rancorosa, é? — tentou o ex-marido, usando outra abordagem.

— Lembra-se de como mamãe ajudou você?

— Quando sua mãe morreu, Elena Petrovna ficou ao seu lado durante um dia inteiro.

— Eu me lembro — respondeu Aliona, assentindo.

— E daí?

— Ela é uma boa pessoa.

— Apenas tem uma mentalidade antiga.

— E Tania…

Andrei se calou e tragou o cigarro.

— Tania disse que, se mamãe ficar, ela mesma vai embora.

— Entendi — disse Aliona.

— Ela lhe deu um ultimato.

— Bem…

— Sim, basicamente.

— E você escolheu sua esposa em vez de sua mãe.

— Não é tão simples assim — murmurou Andrei.

— É muito simples.

— Sua esposa não quer morar com a sogra.

— Você precisa escolher entre sua mãe e Tania.

— E agora quer que eu resolva seus problemas?

Aliona olhava para o ex-marido e se surpreendia com a própria calma.

Antes, uma conversa assim a teria feito chorar.

Agora sentia apenas uma leve irritação.

— Aliona, é só por alguns meses.

— Mamãe vai encontrar um lugar permanente e tudo se resolverá.

— Andrei — disse Aliona lentamente.

— Você me trocou por Tania.

— Lembra-se?

— Disse que estava entediado comigo e queria novas experiências.

— Isso é diferente…

— É exatamente a mesma coisa.

— Você fez uma escolha.

— Agora viva com as consequências.

— Aliona, eu entendo que você esteja com raiva.

— Mas mamãe não tem nada a ver com isso.

— Ela amava você como uma filha.

— Amava — concordou Aliona.

— Mas agora eu não sou mais sua esposa.

— E não sou obrigada a resolver os problemas familiares do homem que me abandonou.

Andrei jogou fora o cigarro e se aproximou.

Aliona sentiu o cheiro familiar da colônia dele e recuou instintivamente.

— Aliona, para onde mamãe vai?

— A aposentadoria dela é de dezesseis mil rublos.

— Ela não tem dinheiro para alugar um apartamento.

— Não sei.

— Talvez Tania encontre um meio-termo.

— Ou você encontre outra moradia para sua mãe.

— Que outra moradia?

— Tenho o financiamento do carro e a hipoteca.

— Tania acabou de começar a trabalhar.

— Não temos dinheiro.

— Então vocês precisam encontrar uma saída.

— Mas não às minhas custas.

— Aliona, eu estou pedindo…

— E eu estou respondendo: não.

— Definitivamente.

Aliona se virou e caminhou em direção à entrada do prédio.

Andrei a alcançou e agarrou seu braço.

— Espere!

— Você é mesmo tão insensível?

— Não toque em mim — disse Aliona friamente.

— E não se atreva a me acusar de não ter coração.

— Onde estava o seu coração quando você me traía?

— Isso é passado…

— Para você é passado.

— Para mim é uma lição.

— Eu não sou mais um espaço para duas pessoas, Andrei.

— Entendeu?

— Aliona, pense em mamãe.

— Elena Petrovna não tem culpa do que aconteceu entre nós.

— Não tem — concordou Aliona, assentindo.

— Mas também não é minha responsabilidade.

— Agora Tania que aprenda a conviver com sua mãe.

— Ou que não aprenda.

— São assuntos da sua família.

— Então você se recusa?

— Exatamente.

— Eu me recuso.

— E não venha mais aqui com pedidos assim.

Aliona entrou no prédio e subiu para seu apartamento.

Da janela, viu Andrei fumar ao lado do carro por mais uns quinze minutos, antes de entrar e ir embora.

Aliona preparou café e sentou-se perto da janela.

Lá embaixo, as crianças dos vizinhos brincavam de esconde-esconde.

As risadas entravam pela janela aberta e se misturavam ao som do vento nas folhas.

Uma vida comum de verão, na qual cada pessoa resolve seus próprios problemas.

O telefone tocou uma hora depois.

Era o número de Andrei.

Aliona recusou a chamada e bloqueou o contato novamente.

Depois enviou uma mensagem para o mesmo número: “Não ligue mais.

Minha resposta é definitiva.”

No dia seguinte, Aliona vendeu um conjunto de cozinha por duzentos mil rublos.

Sua comissão foi de oito mil.

Igor Vladimirovitch apertou sua mão e disse que era difícil encontrar vendedores como ela.

— A senhora tem talento — disse o diretor.

— As pessoas confiam na senhora.

— Apenas trabalho com honestidade — respondeu Aliona.

— Exatamente.

— A honestidade é rara hoje em dia.

À noite, Aliona calculou os ganhos das duas últimas semanas.

Com o salário fixo, havia recebido setenta e três mil rublos.

Mais do que ganhava em dois meses na empresa de logística.

A nova vida lhe trazia não apenas libertação emocional, mas também independência financeira.

Aliona comprou um vestido novo e se matriculou em uma academia.

Era hora de cuidar de si mesma.

Recuperar a forma que havia sido prejudicada pelo estresse dos últimos meses do casamento.

Encontrar novos interesses e conhecer novas pessoas.

Na academia, Aliona conheceu Olga, uma mulher da mesma idade que também havia se divorciado recentemente.

As duas começaram a conversar no vestiário.

— No começo, fiquei com medo — contou Olga.

— Achei que não conseguiria me virar sozinha.

— Mas descobri que me saio ainda melhor do que quando estava com meu marido.

— Exatamente — concordou Aliona.

— Ninguém manda, critica ou cria problemas.

— Meu ex também tentou voltar.

— Não para a família, mas para que eu resolvesse os problemas dele.

— Você acredita em tamanha cara de pau?

— Acredito.

— Passei por algo parecido.

— E o que você fez?

— Disse não.

— De uma vez por todas.

— Fez muito bem.

— Que eles mesmos resolvam o que fizeram.

Aliona assentiu e pensou em como era importante conhecer pessoas que compreendiam sua situação.

Olga havia passado por uma experiência parecida e não se culpava por estabelecer limites pessoais.

Em casa, Aliona preparou o jantar e colocou música.

Jazz, que antes ela só escutava com fones de ouvido.

Agora podia ouvir no volume máximo.

Começava a anoitecer.

Os postes de luz se acendiam do lado de fora, e as janelas dos apartamentos em frente começavam a se iluminar.

Aliona observava aquela cena tranquila e pensava em como sua vida havia mudado durante o último mês.

O divórcio, o novo emprego e os novos planos.

E, acima de tudo, ninguém mais colocaria sobre ela a responsabilidade pelas decisões alheias.

Andrei havia escolhido Tania.

Agora cabia a Tania decidir como conviver com a sogra.

Ou não conviver.

Aliona não participava mais daqueles jogos.

O telefone permaneceu em silêncio.

E essa era a melhor prova de que o ex-marido havia entendido que pressioná-la era inútil.

Aliona sabia com certeza que nunca mais salvaria pessoas que haviam criado os próprios problemas.

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