🔺— Quero que tudo volte a ser como antes, percebi que errei ao ir embora. Sinto saudade. Quando posso voltar? perguntou ingenuamente aquele que a havia abandonado com os filhos…

Nina já estava na fila havia quarenta minutos.

À sua frente havia quatro pessoas, e atrás dela mais seis.

Os documentos para solicitar o subsídio tinham sido reunidos com antecedência e cuidadosamente colocados em uma pasta transparente.

Ela rolava a tela do telefone quando ouviu uma voz.

— Nin?

Nina, é você?

Ela levantou os olhos.

Gleb estava no guichê ao lado, meio de lado, como se tivesse se virado por acaso.

Ele usava uma jaqueta amassada, abotoada torta.

Sob o olho esquerdo havia um hematoma amarelado, já desaparecendo, mas ainda visível.

— Oi, disse Nina com voz firme.

— Que encontro!

Gleb abriu um sorriso largo, quase teatral.

— Dois anos, hein?

O tempo voa.

Ele se aproximou e ficou ao lado dela, como se eles tivessem combinado.

Nina não recuou, mas também não se moveu em sua direção.

Ela olhava para ele com calma, sem expressão.

— Você está bem, disse ele.

— De verdade.

Algo mudou.

Cortou o cabelo?

— Está igual, respondeu Nina.

— Não, com certeza tem algo diferente.

Você emagreceu?

Ou pegou sol?

Ele apertou os olhos, observando-a, e Nina percebeu o canto da boca dele estremecer.

Por trás daquela animação fingida havia outra coisa.

Confusão.

Ou o costume de esconder o constrangimento atrás das palavras.

— Lembra quando fomos a Kaluga?

disse Gleb.

— Naquela vez, Mitka deixou o sorvete cair no sapato, e Dasha ficou consolando ele.

Ela era engraçada.

Tinha três anos, não tinha?

— Quatro, corrigiu Nina.

— Quatro, isso mesmo.

Foi uma boa época.

Nina permaneceu em silêncio.

A fila avançou uma pessoa.

Ela deu um passo à frente.

— E você, como está no geral?

perguntou Gleb, inclinando-se um pouco mais para perto.

— Está dando conta?

— Estou.

— E as crianças?

— Estão crescendo.

— Mitka está indo para a escola?

— Está.

Gleb ficou calado por um momento.

Depois começou a se mexer no lugar, passando o peso de uma perna para a outra.

— Bom.

Fiquei feliz em te ver.

Se precisar de alguma coisa…

— Eu preciso ir, disse Nina.

— O guichê ficou livre.

Ela se virou e se aproximou do balcão.

Tirou os documentos e os colocou diante da funcionária.

Suas mãos se moviam de maneira firme e habitual.

Quando ela se virou dez minutos depois, Gleb já não estava mais ali.

Ela levantou os olhos.

Gleb estava no guichê ao lado, meio de lado, como se tivesse se virado por acaso.

Ele usava uma jaqueta amassada, abotoada torta.

Sob o olho esquerdo havia um hematoma amarelado, já desaparecendo, mas ainda visível.

— Oi, disse Nina, tirando os sapatos.

— Oi!

Dasha levantou a cabeça.

— Você comprou o esmalte?

— Comprei.

Dois potes.

Turquesa e terracota.

— Posso experimentar?

— Amanhã.

Hoje ele precisa descansar.

Mitia não levantou a cabeça.

Nina se aproximou e colocou a mão sobre o topo da cabeça dele.

Ele se inclinou um pouco para trás, com um gesto familiar.

— Quer comer?

perguntou ela.

— Um pouco.

— Vou esquentar o ensopado.

Quinze minutos.

A noite passou em silêncio.

As crianças jantaram, Dasha adormeceu cedo, e Mitia foi para o quarto.

Nina se sentou à mesa de trabalho, onde estavam quatro xícaras inacabadas, uma encomenda do café na Pokrovka.

A argila estava úmida e obediente.

Ela pegou a ferramenta e começou a retirar o excesso.

Mas seus dedos se moviam distraídos.

Ela deixou a ferramenta de lado.

Fechou os olhos.

Gleb estava diante dela, amassado, com o hematoma e aquele sorriso ridículo.

Dois anos antes, ele havia juntado suas coisas em uma bolsa esportiva, dito “preciso ficar sozinho por um tempo” e fechado a porta atrás de si.

Nina não chorou naquela época.

Ela lavou a louça, colocou as crianças na cama e ficou sentada até as quatro da manhã diante do torno de oleiro.

De manhã, levou Mitia para a escola e se inscreveu em um curso de queima de cerâmica.

Agora ela novamente não conseguia dormir.

Mas o motivo era outro.

Não era dor.

Não era saudade.

Era algo parecido com vigilância.

Um instinto que dizia: ele vai voltar.

De manhã, a campainha tocou.

Olia estava na porta com uma sacola, de onde aparecia a ponta de um papel-alumínio, e uma caixa de argila branca.

— Trouxe torta de maçã e dois quilos de massa de faiança, disse ela em vez de cumprimentar.

— Entra, disse Nina, afastando-se.

Olia entrou na cozinha, colocou a sacola sobre a mesa e se sentou no banquinho.

Ela sempre se sentava assim, imediatamente, sem cerimônia.

— Então, conta, disse Olia.

— Sua voz no telefone estava estranha.

— Eu vi o Gleb.

Ontem.

No centro de atendimento.

Olia congelou com a faca na mão.

— E?

— Ele estava na fila.

Com um hematoma debaixo do olho.

A jaqueta amassada.

Sorria como se tudo estivesse maravilhoso.

— Clássico, disse Olia, cortando um pedaço da torta de maçã.

— E o que ele disse?

— Lembrou de Kaluga.

Disse que eu estava bem.

Perguntou sobre as crianças.

— E você?

— Respondi curto.

Fui embora quando chegou a minha vez.

Olia ficou em silêncio.

Depois colocou a faca sobre a mesa.

— Nin, vou falar diretamente.

Você sabe que eu sempre falo diretamente.

— Sei.

— Dois anos atrás, esse homem se levantou e foi embora.

Não porque vocês brigaram.

Não porque aconteceu algo terrível.

Ele foi embora porque ficou entediado.

Ou porque se sentiu preso.

Ou porque decidiu que merecia algo melhor.

— Olia…

— Espera.

Nestes dois anos, você levantou suas encomendas do zero.

Você fez um nome para si mesma.

Três cafés compram suas peças.

Seus filhos estão alimentados, vestidos e estudam em uma boa escola.

Você fez tudo isso sozinha.

E agora ele está na fila com um hematoma, contando sobre sorvete em Kaluga.

Nina permaneceu calada.

— Ele vai tentar voltar, disse Olia.

— É questão de dias.

O hematoma, a roupa amassada, o ar de coitado, tudo isso é preparação.

Primeiro a pena, depois “eu mudei”, depois “vamos tentar”.

— Talvez eu esteja enganada, disse Nina baixinho.

— Talvez ele realmente…

— Não, disse Olia, balançando a cabeça.

— Nin, você não está enganada.

Você só é boa.

E são coisas diferentes.

A mensagem chegou dois dias depois.

Curta e educada:

“Нin, podemos nos encontrar?

Conversar.

Nada sério, só conversar.”

Nina leu a mensagem sentada diante do torno de oleiro.

A argila girava sob seus dedos, macia e obediente.

Ela desligou o torno.

Secou as mãos em uma toalha.

Escreveu:

“Parque perto da escola.

Amanhã, às doze.”

Ele apareceu sem hematoma.

Barbeado, com uma camisa limpa.

Sentou-se no banco ao lado dela, deixando meio metro entre os dois.

— Obrigado por aceitar, disse ele.

— Estou ouvindo.

— Quando eu fui embora…

Ele se calou, procurando as palavras.

— Nos primeiros meses, eu senti liberdade.

Sabe, aquela liberdade de poder fazer o que quiser, quando quiser.

Nenhuma obrigação.

— E?

— Depois a liberdade acabou.

Só ficou o vazio.

Nina olhava para frente.

— Sinto saudade do Mitia, continuou Gleb.

— Da Dasha.

De você.

Da casa.

Das noites em que você modelava argila e eu lia para as crianças.

Do cheiro de argila na cozinha.

— Gleb, aonde você quer chegar?

— Posso ir aí?

Só para jantar com as crianças.

Uma vez.

Não estou pedindo nada.

Só quero vê-las.

Nina ficou em silêncio por muito tempo.

Um minuto, talvez dois.

— Está bem, disse ela por fim.

— Um jantar.

Você será convidado.

Nada mais.

— Claro.

— Isso significa que você vem, come, conversa com as crianças e vai embora.

Sem conversas sobre o passado.

Sem promessas.

Sem nada.

— Eu entendi.

— Sábado.

Às seis.

Ela se levantou e foi embora sem olhar para trás.

Em casa, contou às crianças.

— Mitia, Dasha.

O pai de vocês virá jantar no sábado.

Dasha levantou a cabeça.

— Papai?

— Sim.

— Por muito tempo?

— Para o jantar.

Ele vai comer conosco e depois vai embora.

Mitia ficou em silêncio.

Depois perguntou:

— Por quê?

Nina se agachou ao lado dele.

— Ele pediu.

Quer ver vocês.

— E você?

— Eu aceitei.

Uma vez.

Mitia assentiu.

Seu rosto estava sério, adulto demais para a idade.

O sábado chegou rápido.

Nina preparou frango com batatas, simples, sem pretensões.

Pôs a mesa para quatro.

Pegou os pratos, os seus, feitos à mão, com bordas irregulares e esmalte turquesa.

Gleb chegou exatamente às seis.

Com uma sacola, suco, doces e um livro de colorir para Dasha.

— Oi, disse ele da entrada.

— Entra.

Tire os sapatos.

Dasha saiu correndo primeiro.

Parou a um passo dele, observando-o.

— Oi, Dashulya, disse Gleb, agachando-se.

— Você tem barba, disse ela.

— Tenho.

Deixei crescer um pouco.

— Espeta?

— Um pouco, ele sorriu.

Mitia saiu do quarto.

Assentiu com a cabeça.

Sentou-se à mesa.

O jantar transcorreu tranquilamente.

Gleb perguntou sobre a escola, sobre desenhos e sobre os animais de massinha.

Dasha contou sobre a amiga Sonia e sobre como elas construíram uma cabana de cobertores.

Mitia respondia de forma curta, mas sem hostilidade.

Nina quase não falava.

Servia mais comida, recolhia os pratos e colocava chá.

Quando as crianças foram para o quarto, Gleb ficou à mesa.

— Pratos bonitos, disse ele, passando o dedo pela borda.

— Você mesma fez?

— Sim.

— Muito talentoso.

— Obrigada.

Ele ficou calado por um momento.

Depois disse:

— Nin, eu ainda te amo.

Nina colocou a xícara sobre a mesa.

Devagar, com cuidado.

— Gleb.

— Espera, deixa eu falar.

Eu sei que fui embora.

Sei que foi uma atitude baixa.

Mas eu mudei.

Mudei de verdade.

Pensei em você todos os dias.

— Todos os dias durante dois anos são setecentos e trinta dias, disse Nina.

— E nem uma ligação.

— Eu tinha vergonha.

— Vergonha não é explicação.

É desculpa.

Ele estendeu a mão e tentou tocar a palma dela.

Nina retirou a mão, suavemente, mas com clareza.

— Não, disse ela.

— Nin…

— Você era um convidado.

As condições estavam claras.

O jantar acabou.

Gleb olhou para ela.

Algo passou por seus olhos, mágoa, surpresa, talvez raiva.

— Está bem, disse ele.

— Entendi.

Ele se levantou, vestiu a jaqueta e a abotoou.

Virou-se na porta.

— Posso vir de novo?

— Vou pensar.

A porta se fechou.

Nina recolheu os pratos restantes da mesa, lavou-os e os colocou no lugar.

Depois se sentou ao torno e trabalhou até meia-noite.

Quatro dias depois, Gleb apareceu de novo.

Sem avisar.

Com um buquê de crisântemos brancos, embrulhados em papel kraft.

Nina abriu a porta e viu as flores antes de ver o rosto dele.

— Eu não te convidei, disse ela.

— Eu sei.

Mas eu precisava vir.

Nin, eu quero voltar.

Ela ficou parada no vão da porta, sem deixá-lo entrar.

— Voltar para onde?

— Para casa.

Para vocês.

Para você, para as crianças.

— Esta não é a sua casa, Gleb.

Já faz dois anos.

— Mas são meus filhos.

— Os filhos, sim.

A casa, não.

Ele passou o peso de uma perna para a outra.

As flores balançaram em sua mão.

— Nin, me dê uma chance.

Uma chance de verdade.

Vou arrumar trabalho, vou ajudar.

Vou estar presente.

Tudo será como antes.

— Eu não quero “como antes”, disse Nina.

— “Antes” era eu sozinha com duas crianças e um marido que olhava para o teto sonhando com liberdade.

“Antes” era eu esperando.

Eu não espero mais.

— Você está com raiva.

— Não.

Estou dizendo como as coisas são.

É uma grande diferença.

— Você nem me deixa entrar no apartamento.

— Porque você veio sem convite.

Com flores.

Com um plano pronto.

Você nem perguntou se eu queria isso.

— E você não quer?

— Não, disse Nina.

— Não quero.

Gleb abaixou as flores.

— Eu não acredito, disse ele.

— Não acredito que em dois anos tudo tenha passado.

Isso não acontece.

— Acontece.

Quando uma pessoa vai embora em silêncio e você fica com duas crianças, uma geladeira vazia e três mil no cartão, acontece.

Quando você aprende a fazer louça de madrugada porque de dia não há tempo, acontece.

Quando Dasha pergunta “onde está o papai?” e você não sabe o que responder, acontece.

Tudo passa, Gleb.

— Eu errei.

— Sim.

Errou.

— E você não me perdoa?

Nina olhou diretamente para ele, sem raiva, sem pena.

— Eu te perdoei há muito tempo.

Perdão e retorno são coisas diferentes.

Eu perdoei para seguir vivendo.

Mas não há para onde voltar.

Aquela casa da qual você saiu não existe mais.

Existe outra.

A minha.

Gleb ficou em silêncio.

O buquê pendia ao longo do corpo.

— Você pode ver as crianças, disse Nina.

— Combinando antes.

Nos fins de semana.

Se elas quiserem.

Mas não aqui.

E não assim.

— Como assim, não assim?

— Não com flores e promessas.

Não tentando recuperar aquilo que você mesmo destruiu.

De forma honesta.

Simples.

Como um pai que vem ver os filhos e vai embora.

— Isso é cruel, disse ele baixinho.

— Não, Gleb.

Cruel é ir embora sem explicações.

Cruel são dois anos de silêncio.

Cruel é aparecer com um hematoma e falar sobre Kaluga quando sua filha esqueceu a sua voz.

Isso sim é cruel.

O que eu estou fazendo é colocar ordem.

Ele ficou parado por mais meio minuto.

Depois estendeu as flores para ela.

— Pelo menos aceite.

Jogue fora se quiser.

Nina não pegou.

— Vá embora, disse ela.

— Com calma, sem cena.

Quando estiver pronto para falar sobre as crianças, escreva.

Eu responderei.

Gleb assentiu.

Virou-se.

Desceu as escadas, segurando o buquê na mão abaixada.

Nina fechou a porta.

Trancou a fechadura.

Ficou parada por um segundo, encostada de costas na porta.

Depois se endireitou, voltou para a cozinha e ligou a chaleira.

O telefone tocou uma hora depois.

Era Olia.

— E então?

— Ele veio.

Com flores.

Pediu para voltar.

— E?

— Recusei.

— Como ele ficou?

— Perdido.

Magoado.

Mas foi embora em silêncio.

— Você foi forte, disse Olia.

— Sério.

— Eu não fui forte.

Eu só sei o que não quero.

— Isso é ser forte.

A maioria das pessoas não sabe.

Ou sabe, mas tem medo de dizer.

— Eu não tive medo, disse Nina.

— Estava claro para mim.

Pela primeira vez em todo esse tempo, absolutamente claro.

— Tome chá.

Deite cedo.

Amanhã será um dia comum.

— Sim.

Comum.

E isso é bom.

A manhã chegou sem ansiedade.

A luz caía no chão em faixas oblíquas.

Nina se levantou às sete, como sempre, e foi para a cozinha.

Ela pegou farinha, ovos e queijo cottage.

Amassou a massa para os syrniki com movimentos habituais e precisos.

A frigideira aqueceu, e o óleo começou a chiar.

Dasha apareceu primeiro, descalça, com seu ursinho de pelúcia.

— Syrniki?

perguntou ela.

— Syrniki.

— Com geleia?

— Com geleia.

Mitia saiu cinco minutos depois.

Sentou-se à mesa e puxou o prato para perto.

O prato tinha uma cor quente de areia.

Nina o fizera no mês anterior, especialmente para os cafés da manhã.

Eles comeram em silêncio.

Depois Mitia largou o garfo.

— Ele vai vir de novo?

perguntou.

Nina olhou para o filho.

Ele tinha dez anos, mas às vezes parecia ter vinte.

— Não sei, disse ela.

— Talvez ele veja vocês nos fins de semana.

Se vocês quiserem.

— E você?

— Eu, não.

Não tenho nada para conversar com ele.

— Por quê?

— Porque ele queria recuperar o que existia antes.

E o que existia antes não existe mais.

Existe o que há agora.

E agora é melhor.

Mitia assentiu.

Ficou em silêncio por um momento.

— Seus pratos são bonitos, disse ele.

Nina sorriu.

— Obrigada, Mitia.

— Sério.

Eu contei na escola.

Os colegas pediram para ver.

— Você vai mostrar.

Vou te dar um para levar, aquele com o desenho de bétula.

— Posso levar o azul?

Aquele com a rachadura na lateral?

— Pode.

Só com cuidado.

Dasha levantou a cabeça do prato.

— E para mim também você vai dar?

— Para você, vou fazer um especial.

Como você quer?

— Com um gato.

— Combinado.

Depois do café da manhã, Nina verificou o e-mail.

Duas novas encomendas: um conjunto de tigelinhas para uma loja de chá e uma série de travessas decorativas para um restaurante na Maroseyka.

Ela anotou as medidas, calculou o esmalte e fez esboços a lápis no caderno.

O telefone estava ao lado.

Não havia mensagens de Gleb.

E Nina sabia que não haveria.

Não hoje.

Talvez amanhã.

Talvez em uma semana.

Mas, fosse o que fosse que ele escrevesse, a resposta já existia.

Clara, definitiva, pronunciada em voz alta.

Ela ligou o torno.

Colocou um bloco de argila no centro.

Umedeceu as mãos.

A argila cedeu, como sempre.

Suave e obediente.

As paredes da tigela cresciam sob seus dedos, lisas, finas, vivas.

Dasha espiou dentro do quarto.

— Que bonito, disse ela.

— Vai ser uma tigela.

Para chá.

— Posso tentar?

— Sente-se ao lado.

Aqui está um pedaço para você.

Dasha sentou-se no banquinho baixo, pegou o pedaço de argila e começou a amassá-lo com os dedos.

Concentrada, mordendo o lábio.

Nina trabalhava.

A luz caía sobre a mesa, sobre suas mãos, sobre a argila úmida.

Tudo estava em seu lugar.

Os pratos estavam no escorredor, os mesmos em que tinham acabado de comer.

Os esboços estavam no caderno.

As encomendas esperavam sua vez.

Ela não precisava provar nada a ninguém.

Nem a ele, nem a si mesma.

A vida que ela construíra ao longo daqueles dois anos falava por si só, em silêncio, com segurança e sem palavras desnecessárias.

Ela não esperava mais por ninguém.

E isso não era solidão.

Era uma certeza calma e serena: tudo o que era necessário já estava ali.

A argila girava.

A tigela ganhava forma.

Nina trabalhava.

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