O marido deu à cunhada o dinheiro para a prótese da minha irmã, mas a minha resposta tirou tudo deles bem no banquete.

— Você enlouqueceu? — Irma estava parada à porta do banheiro, apertando na mão uma concha de silicone escorregadia e com um cheiro forte e ácido.

Albina, sentada na borda da banheira, nem sequer se sobressaltou.

Ela ajeitou preguiçosamente o papel-alumínio farfalhante nos cabelos e sacudiu a cinza do cigarro diretamente na pia.

— Ah, não começa.

— Grande coisa, uma tigelinha.

— Eu precisava descolorir as raízes com urgência antes da reunião com o designer, e aqui não tem uma tigela decente.

— Isso é o liner individual da Polina! — Irma ficou sem fôlego de indignação.

— Nós mandamos fazer sob medida, esperamos um mês!

— Custou quarenta mil rublos, Albina!

— O silicone absorveu o pigmento, agora essa química vai corroer a pele do coto!

— Para de gritar, — Albina fez uma careta e estendeu a mão para o telefone.

— Grande coisa, borracha.

— A tua Polinka fica sem isso por um tempo, não vai se desmanchar.

— Eu estou lançando uma marca, preciso parecer apresentável.

Irma saiu para a cozinha, sentindo tudo tremer por dentro.

À mesa estava Sergei, tirando metodicamente restos do jantar dos dentes com um palito, e ao lado dele sua mãe, Galina Konstantinovna, servia chá nas xícaras.

No canto, encolhida em um banquinho, estava Polina, de quatorze anos, puxando assustada a manga de um suéter largo sobre a mão direita, ou melhor, sobre o que restara dela depois do acidente do ano anterior.

— Serioja, diga à sua irmã para ela nunca mais tocar nas coisas da Polina! — Irma jogou o liner estragado sobre a bancada.

Sergei nem levantou os olhos.

— Por que você está fazendo esse drama todo?

— A Alka está passando por uma fase difícil agora, ela tem uma startup.

— Ela precisa parecer milionária.

— Sujou, sujou, vocês lavam de algum jeito.

Albina entrou na cozinha, balançando os quadris, para pegar água.

Ao passar pela mesa, ela fez um movimento descuidado com a mão.

Ouviu-se um baque metálico.

A prótese mecânica temporária de Polina, que estava na beira da mesa, voou direto para a frigideira de ferro fundido que Irma acabara de tirar do fogão depois de fritar os hambúrgueres.

Ouviu-se um chiado desagradável.

A cozinha foi imediatamente tomada por um cheiro nauseante de plástico queimado.

As hastes de plástico hipoalergênico nos dedos artificiais começaram rapidamente a escurecer e a derreter, transformando-se em um pedaço carbonizado.

Polina soltou um gritinho baixo e assustado.

— Ops, — Albina levou teatralmente a mão aos lábios, mas não havia nem uma gota de susto em seus olhos.

— Como eu sou desastrada, mas vocês mesmos colocaram isso na beira!

— O que você fez? — Irma correu para o fogão, pegando uma luva para jogar a prótese derretida no chão.

Mas era tarde demais: a mão artificial tinha virado uma massa disforme.

— Para de choramingar, Irma! — Galina Konstantinovna afastou a xícara de chá com desagrado.

— Grande coisa, um pedaço de plástico.

— Vocês colam com essa supercola de vocês, e pronto.

— A nossa Albinotchka agora não tem tempo para os aleijados de vocês, ela está abrindo um showroom, uma marca de roupas!

— A cabeça dela está cheia de outras coisas.

Sergei riu baixinho, trocando um olhar com a irmã.

Naquele momento, o telefone no bolso de Irma vibrou.

Na tela apareceu: “Elena Dmitrievna, protetista”.

Irma saiu para o corredor, apertando o telefone contra o ouvido.

— Irma, bom dia, — ouviu-se a voz calma da médica do outro lado.

— Estou lembrando que entramos no último mês.

— Os músculos do antebraço da Polina já estão começando a perder tônus.

— Se não instalarmos a prótese biônica dentro de trinta dias, começará uma atrofia irreversível.

— Depois simplesmente não haverá mais onde colocar a biônica, entende?

— Vocês prepararam o dinheiro?

— A conta especial da clínica aguarda o pagamento no valor de setecentos mil rublos.

— Sim, Elena Dmitrievna.

— O dinheiro está lá, amanhã faremos a transferência, — respirou Irma.

Ela desligou e abriu o aplicativo do banco.

Setecentos mil rublos, o dinheiro da venda da dacha da avó, estavam em sua conta poupança separada.

Irma abriu a aplicação para fazer a transferência e ficou gelada.

Na tela brilhava um zero redondo e zombeteiro.

Ela piscou, pensando que fosse uma falha do sistema.

Atualizou a página, mas o saldo não mudou.

Invadiu a cozinha.

— Serioja, onde está o dinheiro da conta?

Sergei congelou com o palito na mão, e seu rosto imediatamente ficou coberto de manchas vermelhas.

Ele lançou um olhar rápido para a mãe.

— O que foi?

— Eu peguei temporariamente.

— Você pegou o dinheiro reservado para a prótese da minha irmã?

— A quem resta um mês para não ficar incapacitada pelo resto da vida?! — gritou Irma.

— Polina também se vira com a mão esquerda, já se adaptou! — disse de repente a sogra, estreitando os olhos.

— Mas Albina precisa de um começo na vida!

— Não seja egoísta, Irma!

— A vossa biônica não vai ajudar uma aleijada, mas a Albina tinha um aluguel no shopping prestes a escapar!

— Se não tivéssemos pago a caução hoje, o espaço teria ido para outros!

— Sergei, como homem, fez tudo certo: ajudou a irmã!

Sergei endireitou os ombros, encorajado pela mãe, e olhou confiante para a esposa.

— Sim, Ir.

— Usei aquela procuração que você me deu para a clínica.

— Transferi a caução do showroom no “Atrium”.

— Está tudo oficial, não se preocupe.

— O negócio vai dar certo, e devolveremos esses míseros trocados para a tua Polinka.

— É preciso pensar nas pessoas, não só em si mesma!

— Devolva o dinheiro agora mesmo, — Irma deu um passo em direção ao marido, mas Galina Konstantinovna cresceu entre eles como um falcão.

— Ele não vai devolver nada! — gritou a sogra, cuspindo saliva.

— O dinheiro está em circulação, o contrato de aluguel foi assinado!

— Por causa da tua menina mimada, não vamos permitir que destruam o negócio da família!

— Sergei é o chefe da família, ele tem o direito de administrar o orçamento!

— Esse dinheiro era meu, pessoal! — Irma voltou o olhar para o marido.

— Serioja, você cometeu um roubo, entende isso?

— Ah, para com isso, — Sergei fez uma careta, desviando os olhos.

— Que roubo?

— Havia procuração?

— Havia.

— Eu a mostrei no banco, está tudo legal.

— Eu não peguei para farra.

— A Alka vai crescer, em seis meses devolvemos.

— Pronto, assunto encerrado, minha cabeça está explodindo.

Irma olhou para Polina.

A menina chorava baixinho, com o rosto enterrado nos joelhos.

O resto mecânico da prótese no chão já havia esfriado, transformando-se em uma massa preta sem forma.

No dia seguinte elas precisavam ir até Elena Dmitrievna, mas já não havia com o que ir.

Os três dias seguintes transformaram o apartamento de Irma em um dia da marmota.

Albina e seu namorado “startupeiro”, Kirill, um rapaz alto e magro de moletons sujos, praticamente se instalaram ali.

Eles declararam a sala de Irma o seu “quartel-general temporário”.

— Precisamos visualizar o funil de vendas, — discursava Kirill com ar profissional, esparramado no sofá claro de Irma com jeans de rua nos quais secava a lama cinzenta da primavera.

No parquet de carvalho sueco, que Irma encomendara da Finlândia e protegia como a menina dos olhos, surgiram marcas circulares e pegajosas de latas de energético e cerveja.

No peitoril da janela azedava tristemente uma pizza meio comida dentro da caixa, por onde moscas já rastejavam.

Mas o limite chegou na quinta-feira à noite.

Irma voltou do trabalho cansada, com dor de cabeça.

Ao abrir a porta da sala, ela congelou.

Diretamente no papel de parede de design, feito sob encomenda, havia sido desenhado com marcador permanente preto um enorme e torto “mapa mental de vendas”.

Setas, círculos, inscrições: “Albina-brand”, “Tráfego”, “Aquecimento”.

Em vários pontos, folhas de cartolina estavam presas à parede com fita adesiva marrom barata.

Kirill estava justamente arrancando uma delas: junto com a fita, soltou-se um pedaço de reboco, expondo o concreto cinzento da parede.

— O que vocês estão fazendo?

— Ah, não atrapalha, estamos fazendo brainstorming! — Albina nem se virou, desenhando com o marcador outra seta grossa diretamente na parede.

— Vocês colam outro papel de parede, grande coisa.

— Mas olha só a conversão prevista!

— Fora da minha casa! — Irma se aproximou da parede e arrancou o marcador das mãos da cunhada.

— Como você fala assim? — Galina Konstantinovna saiu da cozinha com uma xícara de chá.

— As pessoas estão trabalhando!

— Meu filho está registrado aqui, aliás, então os parentes dele também têm o direito de estar aqui!

— Você é uma pequeno-burguesa, Irma, treme por cada pano e cada parede, enquanto as pessoas estão construindo um grande futuro!

Sergei, que entrou logo depois, lançou um olhar irritado para a esposa.

— Sério, chega de histeria.

— Desenharam nas paredes, e daí?

— De qualquer forma queríamos reformar.

— A turma está trabalhando, no sábado teremos um jantar de comemoração.

— Vamos celebrar o lançamento do showroom no “Atrium”.

— Mamãe vai cozinhar, então sem essa tua cara azeda.

Irma não discutiu.

Pegou o telefone e fotografou em silêncio as paredes, os círculos pegajosos no parquet e os rostos sorridentes dos parentes do marido.

Na manhã seguinte, sentada em seu escritório na sede de uma empresa de desenvolvimento imobiliário, Irma abriu o banco de dados interno de monitoramento de imóveis comerciais.

Ela era Diretora de Riscos Comerciais.

O shopping “Atrium”, onde Albina havia alugado a boutique, pertencia ao grupo empresarial deles.

E os contratos de aluguel eram administrados pela subsidiária “Empresa Gestora Development”.

Irma digitou na busca de locatários o sobrenome “Volkova Albina Viktorovna”.

O sistema exibiu a ficha do contrato.

Caução: 700.000 rublos, pagamento recebido ontem.

Mas a pagadora não constava como Albina.

No campo “Fonte do pagamento” estavam os dados da conta pessoal de Irma, e na descrição: transferência por procuração de Volkov Sergei Viktorovich.

Ela se recostou na cadeira.

A armadilha que Sergei e sua família tinham montado com tanta alegria tinha um ponto muito fraco.

Pegou o telefone interno.

— Ivan Petrovich?

— Aqui é Irma, do departamento de riscos.

— Preciso que você venha à minha sala com um advogado.

— Há um contrato de aluguel muito suspeito no “Atrium”.

— Parece que encontramos uma fraude e uso indevido de recursos de uma menor.

— Sim, agora mesmo.

— Você entende, Irma Sergeevna, que isso é uma encrenca? — Ivan Petrovich, o corpulento chefe de segurança do grupo, esfregou a nuca grisalha e puxou o extrato da conta para perto de si.

— O teu estimado marido fez uma transação por procuração da tua conta pessoal para as contas da nossa subsidiária, a “EG Development”.

— Mas a conta é tua, anterior ao casamento, e o dinheiro tinha destinação específica.

— Para nós, isso é um caso claro do Código Civil: enriquecimento sem causa.

— Recebemos dinheiro de um terceiro sem fundamento legal.

— Eu sei, Ivan Petrovich, — respondeu Irma.

— Se eu entrar na Justiça pedindo a devolução como pagamento ilegal, a empresa enfrentará riscos judiciais e reputacionais.

— Exatamente!

— Antes da auditoria, não precisamos desse inferno de jeito nenhum, — assentiu o chefe de segurança.

— Os advogados já prepararam a ordem.

— Vamos devolver o dinheiro para a tua conta ainda hoje como pagamento equivocado.

— Mas para a locatária… como é mesmo o nome dela?

— Volkova Albina… começam tempos interessantes.

Ivan Petrovich sorriu de canto.

— Agora não há pagamento caução no contrato de aluguel.

— Isso significa que a locatária violou condições essenciais do contrato.

— E, de acordo com o item 8.4 do nosso regulamento, quando a caução é anulada por falsificação de dados, o contrato é rescindido unilateralmente pela incorporadora.

— Além disso, há uma multa no valor da própria caução.

— Setecentos mil rublos.

— E quem responderá por ela não será apenas essa moça, mas também o coobrigado dela.

— O teu marido, Sergei Volkov.

— Procedam, — assentiu Irma.

O sábado chegou depressa.

O apartamento de Irma fervilhava.

Nas paredes da sala desenhadas com marcador, balões balançavam festivamente.

Sobre a mesa fumegava um frango assado com maionese, havia pratos de saladas, e na geladeira gelava uma garrafa de champanhe meio-doce.

Galina Konstantinovna corria de um lado para o outro, arrumando as taças, enquanto Albina e seu Kirill riam alto, discutindo como “dominariam esta cidade com a marca deles”.

Polina estava trancada em seu quarto.

Irma havia proibido terminantemente que ela saísse para ver os convidados.

Sergei, já bastante bêbado, levantou-se à cabeceira da mesa e bateu com força o garfo na taça.

— Silêncio, senhores!

— Peço um minuto de atenção! — disse ele, lançando um olhar vitorioso sobre os amigos e parentes presentes.

— Hoje é um grande dia!

— Minha irmãzinha Albina abre uma boutique no melhor shopping da cidade!

— E graças a quem?

— Graças à nossa família!

Ele voltou o olhar pesado e embriagado para Irma, que estava sentada na ponta da mesa sem tocar na comida nem no álcool.

— A nossa Irmochka só sabe contar dinheiro dos outros no trabalho.

— Em casa, não serve para nada, nem consegue ter um filho.

— Acabou, minha querida, a moleza terminou!

— Agora Albina é a principal investidora da nossa família, logo estará movimentando milhões!

— E você, Irma, já que não serve para nada, amanhã vá preparar mingau para a Polinka.

— Com a mão esquerda vocês se viram de algum jeito!

Os convidados riram sem graça.

Galina Konstantinovna assentiu triunfante.

Albina bateu palmas.

Irma levantou-se calmamente do lugar.

De sua bolsa de trabalho, pendurada no encosto da cadeira, tirou duas folhas dobradas e as colocou diretamente no prato de Sergei, em cima de um pedaço gorduroso de frango.

— Que papelada é essa? — Sergei franziu a testa, tentando focar o olhar.

— É a tua intimação para a realidade, Serioja, — disse Irma com voz gelada.

— Primeira folha: extrato do meu banco.

— Setecentos mil rublos voltaram hoje às quatro da tarde para a minha conta como pagamento equivocado.

— Amanhã de manhã, eu e Polina vamos à clínica de Elena Dmitrievna para a prótese.

A sogra congelou com a saladeira nas mãos.

— Como… voltaram? — balbuciou Sergei, empalidecendo.

— Eu transferi… o contrato foi assinado…

— E a segunda folha, — Irma apontou com o dedo para o documento com o carimbo azul do grupo, — é uma notificação oficial da “Empresa Gestora Development”.

— O contrato de aluguel com Volkova Albina foi rescindido unilateralmente devido à ausência do pagamento caução.

— Além disso, foi imposta à locatária e ao seu fiador, ou seja, a você, Serioja, uma multa de setecentos mil rublos por tentativa de fraude.

Naquele mesmo segundo, o telefone de Albina, que estava sobre a mesa, vibrou.

Na tela apareceu: “Administrador Atrium”.

A cunhada apertou o viva-voz com os dedos trêmulos.

— Albina Viktorovna? — ouviu-se uma voz ríspida do outro lado.

— Informamos que o acesso ao seu showroom foi bloqueado.

— O espaço foi lacrado até a quitação integral das multas devidas à nossa empresa.

— Desocupe a área no prazo de vinte e quatro horas.

— Como você ousa?! — Galina Konstantinovna bateu violentamente a saladeira na mesa, e a maionese espirrou sobre a toalha limpa.

— Foi você que armou tudo, sua víbora!

— Resolveu deixar a própria família na miséria?

— Serioja, meu filho, ela te roubou!

— Esse dinheiro é teu, você é o marido!

— Era dinheiro da Polina, — disse Irma com clareza.

— E voltou para a legítima dona.

— E agora fora da minha casa!

— O quê?! — gritou Albina, apertando convulsivamente o telefone.

— Para onde vamos?

— Nossa mercadoria está lá!

— Temos a apresentação da marca na segunda-feira!

— Sergei, faça alguma coisa!

Sergei estava sentado, segurando a cabeça com as mãos.

A bebedeira evaporou num instante.

Ele entendia o que significava o departamento jurídico de um grupo imobiliário.

Aquelas pessoas não perdoavam dívidas.

— Ir… vamos conversar, — rouquejou ele, erguendo olhos enlouquecidos.

— Eu me exaltei, retire essa declaração, deixe a Alka trabalhar…

— Vocês têm uma hora para juntar as coisas, senão elas vão voar pela janela, — Irma se levantou e abriu a porta de entrada.

Quarenta minutos depois, a porta de ferro se fechou atrás dos convidados, da sogra e de Sergei abatido.

Irma aproximou-se da janela, respirou fundo e sorriu pela primeira vez em muito tempo.

Passou-se um mês.

Galina Konstantinovna estava sentada na cozinha minúscula de seu apartamento Khrushchovka, mexendo sem pensar com uma colher um chá já frio de um sachê barato.

Sobre a mesa pegajosa de oleado estavam espalhadas em leque notificações judiciais.

Irma não perdeu tempo.

O divórcio passou rapidamente.

Como o carro da família havia sido comprado com seus recursos pessoais, anteriores ao casamento, o tribunal deixou o carro para ela.

Mas o golpe principal foi outro: os advogados de Irma provaram que Sergei usou a procuração para fins interesseiros, causando prejuízo financeiro direto à menor Polina.

O tribunal reconheceu os setecentos mil rublos como dívida pessoal dele com a criança.

Agora o serviço de oficiais de justiça retinha mensalmente metade do salário dele para quitar a dívida.

E sobre a outra metade avançaram os advogados da incorporadora, exigindo o pagamento daquela mesma multa corporativa pela quebra do aluguel.

Na sala, no velho sofá de molas rangentes, Albina estava deitada, rolando estupidamente o feed de notícias na tela de um telefone quebrado.

Ela não se tornou uma mulher de negócios: a mercadoria ficou lacrada no depósito do shopping por causa das dívidas.

No corredor, arrastando pesadamente os pés, entrou Sergei.

— De novo essas cartas? — perguntou ele, indo para a cozinha.

— De novo, meu filho, — Galina Konstantinovna soluçou baixinho.

— Ligaram do banco, bloquearam o teu cartão…

— Porque ele é um fracassado! — gritou Albina do quarto.

— Um homem normal teria arrancado o apartamento daquela mulher, mas você estragou tudo!

— Por tua causa fiquei sem marca!

— Cala a boca, sua desgraçada! — Sergei gritou, batendo o punho no batente.

— Por causa das tuas roupas eu fui expulso do meu próprio apartamento, atolado em dívidas até o pescoço com os oficiais de justiça!

— Você ganhou pelo menos um centavo, empresária de quarto?!

— Meninos, meninas, não briguem… — lamentou a sogra, como de costume, cobrindo o rosto com as mãos.

Mas ninguém a ouvia.

No quarto começou mais uma briga suja, com gritos e maldições mútuas.

Galina Konstantinovna olhou pela janela.

Em algum lugar, no seu espaçoso e limpo apartamento de três quartos, vivia Irma.

Naquele dia, ela havia publicado uma foto nas redes sociais: Polina, feliz, sorria experimentando uma prótese biônica novinha, brilhando em cromo.

A menina segurava com ela uma xícara de chá.

Com a sua mão direita.

A sogra baixou a cabeça sobre a mesa e chorou de forma amarga e impotente.

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