Os parentes chegaram à dacha de mãos vazias, e eu fui embora para a cidade.

— Abram, moradores da dacha!

Decidimos fazer uma surpresa para vocês, já que trabalham tanto, trabalham tanto, que nem veem mais a luz do dia!

A voz da cunhada soou do outro lado da cerca tão alto que a mão de Marina tremeu, e o jato de água da mangueira passou direto do canteiro e acertou o caminho do jardim.

Ela enxugou os dedos molhados na barra do velho jeans e se endireitou lentamente.

As costas, depois de uma semana de trabalho e três horas de engarrafamento na saída da cidade, doíam desesperadamente.

Atrás do portão estava o crossover azul-escuro de Igor, marido da cunhada.

A própria Sveta já puxava a maçaneta de metal, tentando espiar para dentro do terreno.

Ao lado dela, o filho deles, Denis, de vinte anos, mudava o peso de um pé para o outro, com os olhos grudados na tela do celular.

Marina virou-se para a varanda.

Seu marido Oleg estava parado, com o machado na mão, perto da pilha de lenha.

No rosto dele via-se uma clara confusão, misturada a um sorriso culpado.

— Oleg, você sabia? — perguntou Marina em voz baixa.

— Marina, eu juro, eu não fazia a menor ideia.

Um mês atrás a gente se falou por telefone, e eu soltei, assim sem pensar, que eles podiam passar qualquer dia pela nova dacha.

Quem poderia imaginar que eles apareceriam assim, numa sexta-feira à noite, sem avisar?

Marina respirou fundo o ar morno da noite, cheirando a pinho aquecido e terra úmida.

Eles haviam comprado aquele terreno fazia apenas meio ano.

Era simples, mas tinha uma casinha de toras firme, seiscentos metros quadrados e macieiras.

Durante toda a primavera, eles colocaram a casa em ordem, retiraram o lixo deixado pelos antigos donos e pintaram o chão.

E justamente aquele era o primeiro fim de semana em que Marina havia decidido com firmeza: nada de trabalho pesado.

Ela tinha comprado um quilo e meio de pescoço de porco de primeira, marinado por ela mesma com cebola e temperos, levado uma garrafa de bom vinho tinto seco e legumes frescos.

O plano era perfeito: assar a carne a dois, sentar na varanda e dormir bem.

Oleg enfiou rapidamente o machado num cepo e correu para abrir o portão.

— Svetinha, Igor!

Que surpresa!

Nós não esperávamos vocês hoje.

— Nem nós mesmos esperávamos! — Igor caiu na gargalhada, entrando no terreno e olhando ao redor como se fosse dono do lugar.

Estávamos passando por perto e pensamos: vamos dar uma passada nos parentes.

Aproveitamos e inauguramos a dacha de vocês, já que compraram tudo escondido e nem pagaram uma rodada para comemorar.

Sveta deu um beijo estalado na bochecha do irmão e foi direto até Marina.

— Oi, dona de casa!

Vamos, mostre seus aposentos.

O terreno é meio pequeno, claro.

O chefe do Igor tem mil e quinhentos metros quadrados, aquilo sim é espaço.

Mas, para começar, serve.

Marina colocou no rosto um sorriso automático.

— Olá, Sveta.

Olá a todos.

Entrem.

Igor foi até o porta-malas do carro e o abriu.

Marina, sem querer, esticou o pescoço, esperando ver sacolas de supermercado.

Afinal, ir visitar alguém numa dacha, em cinco pessoas, por todo o fim de semana, era um acontecimento sério.

Igor tirou do porta-malas uma bolsa esportiva, uma vara de pesca e uma velha bola de futebol.

O porta-malas estava absolutamente vazio.

Nem um saco de carvão, nem uma garrafa de água mineral, nem um cacho de bananas para o chá.

Na-da.

— Igor, e as sacolas? — perguntou Oleg com cuidado, aparentemente tendo notado a mesma estranheza.

— Ah, irmão, nem pergunte! — Igor abanou a mão livre.

Estávamos com tanta pressa de sair da cidade que nem paramos em lugar nenhum.

Sveta disse: “Ora, Oleg e Marina sempre têm a geladeira cheia, eles não vão deixar a gente morrer de fome.”

Depois a gente racha com vocês, se for o caso.

Onde fica a churrasqueira de vocês?

Depois dessa estrada, eu comeria um javali inteiro!

Marina sentiu a irritação começar a ferver por dentro.

“Depois a gente racha.”

Ela conhecia perfeitamente esse “depois”.

Em quinze anos de casamento com Oleg, ela havia decorado os hábitos da irmã dele.

Sveta acreditava sinceramente que o irmão mais novo era obrigado a recebê-la do melhor jeito possível simplesmente pelo direito de parentesco.

— A churrasqueira fica atrás da casa, — respondeu Marina, seca.

— Só que temos carne exatamente para dois.

Um quilo e meio.

Sveta, que já tinha conseguido tirar as sandálias de cidade e calçar uns chinelos de borracha de alguém que estavam na varanda, abanou a mão alegremente.

— Ah, deixa disso, Marina!

Nós não somos gente metida, não precisamos de muito.

Comemos um pedacinho cada um, cozinhamos umas batatas, cortamos uma saladinha.

Você tem batatas, não tem?

Vamos, diga onde fica cada coisa.

Denis, larga esse telefone e vai ajudar o tio Oleg!

Denis estalou a língua, insatisfeito, mas se arrastou atrás de Oleg até a churrasqueira.

Marina foi em silêncio para a cozinha.

A noite deixava de ser agradável.

Na geladeira estava aquele mesmo recipiente com a carne, cinco tomates, três pepinos, um pacote de manteiga, uma dúzia de ovos e um pedaço de bom queijo para o café da manhã.

No armário havia um pacote de macarrão e um pacote aberto de trigo-sarraceno.

Ela comprara os mantimentos com cálculo preciso para dois dias de descanso preguiçoso para dois adultos.

Sveta entrou flutuando na cozinha.

Abriu a geladeira como dona da casa, passou os olhos pelas prateleiras e apertou os lábios com desagrado.

— Marina, vocês estão de dieta?

A geladeira está completamente vazia.

Com o que vocês vão alimentar os convidados?

— Eu já disse, Sveta, nós não esperávamos convidados, — Marina pegou uma faca e começou a lavar os legumes.

Viemos para descansar.

A loja da aldeia já fechou, ela funciona até as sete.

Então vamos comer o que temos.

— Bem, você podia manter alguma coisa de reserva, afinal é uma dacha, — disse a cunhada em tom de sermão, sentando-se à mesa da cozinha.

Escuta, a internet pega aqui?

O Denis está reclamando que não tem sinal.

— Pega mal.

Só perto da janela.

As duas horas seguintes se fundiram, para Marina, numa maratona contínua.

Em vez de sentar numa poltrona com uma taça de vinho, ela descascava batatas, cozinhava-as numa panela enorme e cortava a única salada para todos.

Igor, junto à churrasqueira, dava ordens a Oleg, exigindo ora a lenha certa, ora líquido acendedor, que eles nunca tinham tido.

Quando todos se sentaram à grande mesa da varanda, já estava escuro.

Marina trouxe a travessa com o churrasco.

Um quilo e meio, depois de assado, havia se transformado num modesto monte de carne.

Denis imediatamente espetou com o garfo os três maiores pedaços e os levou para o próprio prato.

Igor seguiu o exemplo do filho, servindo-se generosamente de carne.

— Humm, nada mal, — resmungou Igor, mastigando.

Só que a marinada é simples demais.

Devia ter sido feita com kefir.

E tem pouca cebola.

Oleg, onde vocês guardam os estoques?

Nem servimos nada para acompanhar a carne.

— Só temos uma garrafa de vinho, — disse Oleg, olhando culpado para a esposa.

Nós não bebemos bebidas fortes.

— Vocês são demais! — Igor bateu a palma da mão na mesa, decepcionado.

Ir para a dacha sem um estoque decente.

Tudo bem, então vinho.

Abra.

Marina sentou-se na ponta do banco, observando os convidados destruírem rapidamente aquilo que ela preparara com tanto carinho.

Para ela sobrou um pequeno pedaço de churrasco e uma colher de salada.

Sveta falava sem parar sobre seus problemas no trabalho, Igor reclamava dos preços da gasolina, Denis mastigava em silêncio olhando para o telefone.

A hora de dormir foi difícil.

Na casa havia apenas dois quartos.

Em um ficava a cama de casal dos donos; no outro, o quarto de hóspedes, havia um sofá-cama.

— Marina, então nós ficamos no quarto de hóspedes, e Denis se vira na cama dobrável da varanda, — declarou Sveta, sem admitir discussão.

— Na varanda faz frio à noite, — objetou Marina, sentindo as têmporas começarem a latejar de cansaço.

E tem mosquitos.

— Não tem problema, é bom para o rapaz se acostumar.

Dê a ele uma manta mais quente.

À noite, Marina demorou muito para conseguir dormir.

Ela ouvia Igor roncar alto atrás da parede e a cama dobrável ranger na varanda.

Oleg dormia ao lado dela, virado para a parede.

A manhã de sábado começou às sete.

Marina, por hábito, acordou cedo.

Desceu para a cozinha e parou na soleira.

Sobre a mesa havia pratos sujos com ketchup ressecado e taças com restos de vinho.

Na pia, amontoava-se uma frigideira engordurada, na qual Sveta, aparentemente, havia esquentado os restos de batata na noite anterior.

Marina despejou água na chaleira em silêncio.

Colocou-a no fogão.

Nesse momento, Denis desceu para a cozinha, ainda sonolento.

— Bom dia, — resmungou ele, coçando a barriga por baixo da camiseta esticada.

Tia Marina, tem alguma coisa para mastigar?

Acordei morrendo de fome.

— Ainda havia queijo na geladeira, — respondeu ela em voz uniforme.

Denis escancarou a porta, remexeu nas prateleiras.

— Aqui só tem um pedacinho.

E não tem pão.

Você não vai fazer panquecas?

A mamãe sempre faz nos fins de semana.

Com leite condensado.

— Não, Denis, não vou fazer panquecas.

E nós não temos leite condensado.

O rapaz deu de ombros, insatisfeito, pegou o pedaço de queijo, mordeu diretamente nele e voltou para a varanda.

Às dez horas, Sveta e Igor acordaram.

A cunhada saiu para a cozinha com um roupão felpudo, espreguiçando-se com prazer.

— Aqui é tão bom, tão silencioso.

Dormi tão bem!

Escuta, Marina, o café de vocês é solúvel ou precisa preparar?

Eu só tomo feito no cezve.

Marina, em silêncio, pegou o pote de seu café moído preferido, que havia trazido especialmente para aquele fim de semana, e o colocou sobre a mesa.

— Ah, ótimo.

Prepare para todos, está bem?

Igor vai se lavar agora e também desce.

E o que temos para o café da manhã?

Você faz ovos mexidos com bacon?

— Svetlana, — disse Marina, apoiando as mãos na bancada.

Sua voz soava estranhamente calma.

— Não há bacon.

Restaram oito ovos.

Não há pão.

Se vocês querem tomar café da manhã, acordem Oleg e Igor e mandem-nos até a loja da aldeia.

Ela está aberta desde as nove.

Sveta fez beicinho ofendida.

— Por que você já começa a se irritar?

Você mesma podia ir, são só quinze minutos a pé.

Você é a dona da casa.

Está bem, vou mandar Igor agora.

Igor, ao saber que precisava ir à loja, não demonstrou entusiasmo.

— Oleg, vamos com o seu carro, é incômodo manobrar o meu, ele está preso perto da cerca.

Aproveita e me mostra onde vendem carne boa por aqui.

Hoje vamos fazer pilaf no caldeirão!

Eles foram embora.

Sveta se instalou numa cadeira de vime na varanda com uma xícara de café, apertando os olhos ao sol com expressão de felicidade.

Marina começou a lavar a montanha de louça da noite e da manhã.

A água do boiler saía num fio fino, e era preciso aquecer a chaleira para conseguir remover a gordura endurecida.

Os homens voltaram uma hora depois.

Oleg levou para a cozinha duas sacolas grandes.

Seu rosto estava tenso.

Marina começou a desfazer as compras.

Cinco quilos de arroz, dois quilos do frango mais barato, uma garrafa enorme de ketchup, algumas latas de cerveja, chips, salgadinhos, cinco pães e um quilo de salsichas baratas.

— E onde está a carne para o pilaf? — perguntou Marina baixinho ao marido.

— Na loja da aldeia só tinha frango congelado, — sussurrou Oleg, olhando de lado para a janela, atrás da qual Igor já abria a primeira lata de cerveja.

— Entendi.

E quem pagou por isso?

Oleg desviou os olhos.

— Bem, eu.

A maquininha não leu o cartão do Igor, e ele não tinha dinheiro vivo.

Depois eu…

— Depois nada, — cortou Marina.

Está bem.

O dia se arrastou como melaço pegajoso.

Marina marinava o frango, descascava cebolas e cenouras, ficava no fogão.

Os convidados descansavam.

Denis tomava sol no gramado, com uma música rítmica irritante tocando no celular.

Igor e Oleg tentavam consertar uma bicicleta velha encontrada no galpão.

Sveta andava pelo terreno distribuindo conselhos.

— Marina, aqui seu canteiro está mal feito.

Você devia ter plantado peônias, não essas suas margaridas.

Fica com cara de barato.

E vocês colocaram a estufa num lugar ruim, a sombra da cerca cai em cima.

Na hora do almoço, Marina cozinhou uma grande panela de sopa com dorsos de frango e preparou macarrão com salsichas.

Todos se sentaram à mesa.

— Hm, meio rala, — constatou Igor, mexendo a colher no prato.

Sem ofensa, Marina, mas a sopa está vazia.

Aqui faltava uma boa carne defumada, azeitonas, um limãozinho.

Dava para fazer uma solyanka caprichada.

Homem precisa de comida grossa, encorpada.

— Então qual é o problema, Igor? — Marina pousou a colher.

Vocês podiam ter ido à cidade, comprado carnes defumadas, trazido e cozinhado.

Eu teria comido a solyanka de vocês com prazer.

Um silêncio constrangedor pairou sobre a mesa.

Sveta pigarreou alto.

— Marina, por que você fala assim, como se fôssemos estranhos?

Nós viemos visitar vocês.

O trabalho do Igor é pesado, ele quer relaxar no fim de semana.

E cozinhar é obrigação de mulher.

Você cozinha em casa do mesmo jeito, que diferença faz cozinhar para dois ou para cinco?

— A diferença é enorme, Sveta, — disse Marina, olhando diretamente nos olhos da cunhada.

Eu trabalho a semana inteira com números.

Na sexta-feira, meus olhos estão vermelhos de tanto olhar para o monitor e minha cabeça está estourando.

Eu vim para cá descansar.

Em vez disso, pelo segundo dia seguido, estou trabalhando como cozinheira, lavadora de louça e empregada gratuita para pessoas que chegaram de mãos vazias e só fazem exigir.

— Que declarações são essas! — Sveta ficou vermelha e atirou a colher na mesa.

Nós viemos ao meu próprio irmão!

E você nos joga na cara um pedaço de pão?

— Um pedaço de pão que meu marido comprou, porque o cartão de vocês, milagrosamente, não funcionou, — rebateu Marina com calma.

E uma carne que foi comprada para nós dois.

— Oleg! — indignou-se Igor.

Por que você fica calado?

Sua mulher está ofendendo a minha família!

Nós viemos até vocês de coração aberto, e recebemos esse tratamento!

Oleg encolheu a cabeça entre os ombros.

Ele odiava conflitos.

— Marina, de verdade, para que falar assim?

Eles vieram, pronto, são pessoas da família.

Vamos não brigar.

Eles vão embora amanhã à noite, aguente.

Marina percorreu lentamente a mesa com o olhar.

Sveta irritada, com manchas vermelhas nas bochechas.

Igor emburrado.

Denis mastigando, completamente indiferente ao que acontecia, desde que fosse alimentado.

E Oleg.

O marido que preferiu se esconder atrás da palavra “aguente”, só para não colocar os parentes folgados no devido lugar.

Dentro de Marina, algo estalou.

Como se uma corda esticada ao limite tivesse arrebentado, mas em vez de dor veio uma calma surpreendente e uma clareza de pensamento.

Ela não sentia mais cansaço nem raiva.

Apenas um cálculo frio.

Ela se levantou da mesa em silêncio, saiu da varanda e subiu ao segundo andar.

No quarto, tirou do armário sua pequena bolsa de viagem.

Colocou nela, com cuidado, um agasalho esportivo, a nécessaire e pegou da mesinha o carregador do telefone.

Tudo não levou mais de dez minutos.

Depois desceu.

No corredor, tirou os tênis da dacha e calçou os sapatos da cidade.

Pegou, na mesinha ao lado da porta, as chaves do próprio carro, pois ela e Oleg sempre iam em carros separados, já que na sexta-feira o expediente de Marina terminava mais cedo.

Ao sair para a varanda, viu que todos haviam se mudado para o gazebo.

Ao ver Marina com a bolsa, as conversas cessaram.

— Marina, aonde você está indo? — Oleg saltou do banco, com o rosto pálido.

— Estou indo para casa, para a cidade, — disse ela em voz alta e clara, para que todos ouvissem.

— Como assim para a cidade?

E nós? — Sveta se espantou sinceramente.

— Vocês ficam.

Vocês vieram descansar, então descansem.

A casa está à disposição de vocês.

O gramado não foi cortado, os canteiros não foram regados.

Na cozinha há uma montanha de louça suja.

Na geladeira há frango barato e salsichas, exatamente aquilo de que vocês gostam.

Cozinhem solyanka, fritem pilaf, temperem o Denis.

— Você enlouqueceu? — guinchou a cunhada.

Vai abandonar os convidados no meio do fim de semana?

Isso é uma grosseria sem precedentes!

— Grosseria, Sveta, — disse Marina, aproximando-se do portão e apertando o botão da fechadura, — é invadir a casa dos outros sem convite, sem comida, devorar a comida alheia e ainda dizer à dona da casa que ela planta errado os canteiros.

Eu vim para cá descansar.

E vou descansar.

Só que em outro lugar.

Oleg correu até ela e a segurou pelo cotovelo.

— Marina, não me faça passar vergonha.

Volte para casa.

O que eles vão pensar?

Como vou ficar aqui sozinho com eles?

Marina soltou, com cuidado mas firmeza, os dedos do marido de seu braço.

— É sua irmã, Oleg.

E seu sobrinho.

Você mesmo disse: são pessoas da família.

Então passem um tempo em família.

Só não se esqueça de limpar a cozinha.

E lavem a louça com água quente da chaleira, eu desliguei o boiler.

Ela saiu pelo portão, foi até seu carro importado prateado, sentou-se ao volante e ligou o motor.

No espelho retrovisor, viu Oleg confuso, parado junto à cerca, enquanto Sveta gritava furiosamente alguma coisa, agitando os braços.

O caminho até a cidade levou pouco mais de uma hora.

No sentido contrário, no sábado à tarde, quase não havia trânsito.

Marina dirigia ouvindo uma música instrumental baixa.

A janela estava entreaberta, e o vento bagunçava seus cabelos.

Ela respirava com uma leveza inacreditável.

O apartamento a recebeu com silêncio perfeito e frescor.

Não havia cheiro de gordura queimada, ninguém exigia panquecas, não era preciso fazer fila para usar o próprio banheiro.

Marina largou a bolsa no corredor, foi ao banheiro e abriu a água.

Encheu a banheira, acrescentou sua espuma preferida com aroma de lavanda e mergulhou na água quente.

O telefone sobre a mesinha vibrou.

Era Oleg ligando.

Ela não atendeu.

Depois chegou uma mensagem longa de Sveta: “Você é uma histérica anormal!

Nós fomos até vocês de coração aberto, e você cuspiu na cara da família!

Nunca mais colocaremos os pés na sua dacha idiota!

Igor está em choque!”.

Marina sorriu ao ler o texto e dispensou a notificação.

Era o melhor resultado possível.

O problema havia se resolvido sozinho.

Mais perto da noite, ela pediu um grande combinado de sushi e uma garrafa de vinho branco caro.

O entregador chegou quarenta minutos depois.

Marina sentou-se no largo parapeito da janela da cozinha, comia rolls saborosos, olhava as luzes da cidade ao entardecer e sentia uma paz absoluta, incomparável com qualquer outra coisa.

Oleg voltou no domingo à noite.

Abriu a porta em silêncio, deixou as sacolas no corredor e foi para a cozinha.

Parecia amarrotado e incrivelmente cansado.

Havia sombras sob seus olhos.

Marina estava sentada à mesa, lendo um livro.

Ela ergueu os olhos para o marido.

— Oi.

Descansaram bem?

Oleg sentou-se pesadamente na cadeira à sua frente.

— Nem pergunte.

Foi algum tipo de pesadelo.

— É mesmo? — Marina fechou o livro, fingindo surpresa sincera.

E o que aconteceu?

Eram pessoas da família.

Oleg acenou a mão, resignado.

— Sveta fez um escândalo porque você foi embora.

Depois Igor exigiu que eu assasse frango para ele na churrasqueira, porque ele não come macarrão com salsichas.

Passei metade do dia mexendo com carvão.

Denis reclamava que tinha alergia a mosquitos e exigia que eu ligasse o repelente elétrico, mas as pastilhas tinham acabado.

Depois eles beberam toda a cerveja e foram conhecer os vizinhos.

Igor se estranhou com um sujeito dois terrenos adiante porque ele estava ouvindo rádio alto demais.

Quase chegaram às vias de fato.

Eu mal consegui separá-los.

Marina ouvia sem interromper.

— E quando eles foram embora?

— Hoje depois do almoço.

Sveta disse que nunca mais põe os pés lá.

Que somos uns sovinas sem hospitalidade.

E que vai contar tudo para a mãe.

— E eles lavaram a louça? — perguntou Marina calmamente.

Oleg baixou a cabeça, culpado.

— Não.

Sveta disse que estragaria a manicure e que nós não temos lava-louças.

Eu mesmo lavei.

Com água fria, porque esqueci como se liga o boiler.

Marina…

Eu tirei dois sacos de lixo depois deles.

Ele olhou para a esposa com olhos de cachorro espancado.

— Me perdoa, tá?

Eu realmente não pensei que eles fossem assim… assim…

— Assim como sempre foram a vida inteira? — Marina cruzou os braços sobre o peito.

Oleg, eles sempre foram assim.

Só que antes quem os servia era eu, e você não percebia.

Era conveniente para você ser o bom irmão hospitaleiro às minhas custas.

À custa do meu tempo, dos meus nervos e do meu trabalho no fogão.

Oleg ficou calado.

Não havia nada a responder.

— Desta vez você foi um bom irmão às suas próprias custas, — continuou ela.

Espero que tenha gostado.

— Nunca mais haverá convidados sem o seu consentimento, — disse Oleg com firmeza.

Eu juro.

Se alguém quiser vir, discutiremos isso antes.

E cada um trará comida para si.

Eu entendi tudo, Marina.

De verdade.

Fiquei tão esgotado nessas vinte e quatro horas como se tivesse descarregado um vagão de carvão.

Marina assentiu.

Ela sabia que Oleg cumpria a palavra quando levava uma boa lição.

Aquela lição custara uma sexta-feira à noite estragada.

— Vá tomar banho, pobre dacheiro, — disse ela, suavizando-se.

Na geladeira há almôndegas boas, caseiras.

Fiz hoje.

Esquente para você quando sair.

Uma semana depois chegaram novos dias de folga.

Na sexta-feira à noite, eles voltaram à dacha.

Marina abriu o portão e inspirou o cheiro de grama recém-cortada.

A varanda estava limpa, e a geladeira estava cheia de coisas gostosas apenas para os dois.

Durante toda a noite, eles ficaram sentados nas espreguiçadeiras, beberam chá com hortelã e olharam as estrelas.

O telefone de Oleg tocou apenas uma vez: era Sveta.

Ele olhou para a tela, apertou o botão de recusar chamada e colocou o aparelho no modo silencioso.

— Quem ligou? — perguntou Marina, tomando um gole de chá.

— Ah, nada, algum spam, — sorriu Oleg, passando o braço pelos ombros da esposa.

Nada importante.

E Marina entendeu que aquele fim de semana com certeza seria perfeito.

Ficarei feliz com seus likes, inscrições e comentários, para entender quais histórias vocês mais gostam!

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