Então vá correndo pedir dinheiro a ela! — cortou Nádia, interrompendo a visita da ex-sogra no meio da frase.
A noite prometia ser tranquila.
Do lado de fora da janela, caía uma chuvinha fina de outubro, batendo no peitoril metálico.
No apartamento havia cheiro de frango assado e pão fresco.
Nádia estava sentada à mesa ao lado da filha de sete anos, verificando a lição de matemática dela.
Alissa escrevia os números no caderno com muito esforço e, de vez em quando, franzia a testa de um jeito engraçado, exatamente como o pai.
Nádia se pegou pensando nisso e imediatamente afastou o pensamento.
Não queria se lembrar.
A campainha tocou de forma brusca e exigente.
Não uma vez só, mas com um toque longo e insistente, que por algum motivo fez o estômago de Nádia se apertar.
Ela olhou pelo olho mágico e ficou imóvel.
Na soleira estava Antonina Petrovna.
Sua ex-sogra.
Nas mãos, a mulher segurava uma grande sacola envernizada e um guarda-chuva que nem se dera ao trabalho de fechar no corredor do prédio, deixando manchas molhadas no chão de concreto.
Nádia hesitou por um segundo, mas acabou abrindo.
Por pura curiosidade.
Que demônio teria trazido aquela senhora à sua casa seis meses depois do divórcio?
Antonina Petrovna entrou no hall como se fosse a dona da casa.
Dela vinha um cheiro de perfume caro, com uma nota amarga, misturado à umidade.
Ela lançou um olhar rápido pelo corredor, deteve os olhos nas botinhas infantis e, comprimindo os lábios, disse:
— Bem, olá, Nadejda.
Imagino que não me esperava.
— Não esperava, — respondeu Nádia secamente, sem sair do lugar.
— Aconteceu alguma coisa?
Antonina Petrovna suspirou pesadamente, como se estivesse prestes a anunciar uma notícia trágica, e entrou na sala sem convite.
Pôs a sacola no chão e se sentou no sofá, ajeitando a saia.
Alissa levantou a cabeça do caderno e olhou surpresa para a avó.
Em seis meses, ela não tinha telefonado nem uma vez.
— Alissa, meu amor, vá para o seu quarto, — pediu Nádia, tentando falar com firmeza.
— Eu e a vovó precisamos conversar.
A menina juntou obedientemente os cadernos e saiu, fechando bem a porta atrás de si.
Antonina Petrovna a acompanhou com o olhar e, sem perder tempo com longas introduções, colocou sobre a mesa um monte de papéis.
— Vim falar com você sobre um assunto sério, Nadiucha, — começou ela, quase com carinho.
— Perdoe-me por aparecer sem avisar.
A situação é tal que não dá mais para suportar.
Nádia permaneceu em silêncio, esperando a continuação.
— O nosso Vadik está passando por uma situação difícil.
Está sem dinheiro.
Kristina, você sabe, é uma moça jovem, tem suas exigências.
Ora quer uma coisa, ora quer outra.
Eles alugam um bom apartamento.
Além disso, Vadim ainda carrega um empréstimo, desde a época de vocês.
Precisa pagar o carro.
Enfim, este mês ele não poderá transferir a pensão.
Tente compreender a situação.
Nádia piscou.
Depois perguntou lentamente:
— O quê?
Antonina Petrovna revirou os olhos, como se estivesse falando com uma criança sem entendimento.
— Ora, por que esse “o quê” logo de cara?
Você não é surda.
Estou dizendo que este mês não haverá pensão.
Vadik está passando por um período complicado.
Kristina precisa comprar um casaco de pele.
O inverno está chegando.
E, de modo geral, meu menino vive com uma esposa jovem, está construindo uma nova família.
Eles precisam mais agora.
Você, por outro lado, é uma mulher adulta, independente.
Trabalha.
Vai sobreviver de algum jeito um mês sem essas esmolas dele.
Dentro de Nádia, algo desabou e imediatamente ferveu como uma onda quente.
Ela olhava para aquela mulher idosa, de penteado impecável e brincos de ouro, e não conseguia acreditar no que ouvia.
Vadim tinha ido embora com a amante.
Tinha deixado ela com uma criança.
Há seis meses ela carregava sozinha a filha, o trabalho e a casa.
E agora a mãe dele, que nunca a ajudara nem com um centavo nem com uma palavra gentil, vinha pedir que ela abrisse mão da pensão por causa de um casaco de pele para a nova esposa?
— Antonina Petrovna, a senhora está ouvindo o que está dizendo? — A voz de Nádia saiu abafada, mas nela já soava metal.
— Seu filho foi embora com uma mais jovem?
Então vá correndo pedir dinheiro a ela.
A mim, não venha.
A sogra ficou vermelha.
A máscara habitual de benevolência caiu instantaneamente.
Ela se inclinou para a frente e quase cuspiu:
— Como você se atreve?
Eu vim até você, aliás, como se viesse a alguém da família.
Pensei que entenderia, que teria compaixão.
Mas você!
Você sempre foi insensível, Nadejda.
Vadik fez bem em deixá-la.
É impossível conversar com você.
Serpente!
— Já disse tudo? — Nádia apontou para a porta com a cabeça.
— Então vá embora.
E leve seus papéis.
Antonina Petrovna saltou do sofá, agarrou a sacola e saiu ruidosamente para o corredor.
Na porta, virou-se e lançou:
— Você vai se arrepender!
Acha que eu não sei como dar um jeito em você?
Você ainda vai chorar, mocinha!
O bater da porta soou como um tiro.
Nádia encostou-se à parede e fechou os olhos.
O coração batia em algum lugar da garganta.
Alissa saiu silenciosamente do quarto.
Não perguntou nada.
Apenas abraçou a mãe pela cintura e encostou a bochecha nela.
Nádia acariciou sua cabeça e sussurrou:
— Não tenha medo, coelhinha.
Nós vamos dar conta.
À noite, Nádia demorou muito para conseguir dormir.
Ficou deitada no escuro, lembrando.
Sete anos de vida familiar, que Antonina Petrovna transformara em um pesadelo de forma metódica e constante.
Nos primeiros anos, tudo ainda era mais ou menos suportável.
A sogra aparecia frequentemente na casa deles, mas pelo menos avisava antes da visita.
Depois começaram as ligações para Vadim exigindo prestação de contas das compras.
Antonina Petrovna exigia fotos dos recibos.
Ela precisava saber onde Nádia gastava o dinheiro do filho.
— Ela está arrancando tudo de você, — sibilava a sogra ao telefone, e Vadim assentia obedientemente, esquecendo que Nádia trabalhava tanto quanto ele e contribuía para o orçamento familiar não menos do que ele.
Quando Alissa nasceu, tudo piorou.
Antonina Petrovna criticou tudo: a forma de alimentar a bebê, as fraldas, a cor do carrinho, o nome da criança.
Exigia que a menina se chamasse Antonina.
Foi então que Nádia demonstrou caráter pela primeira vez e se manteve firme até o fim.
O nome foi escolhido por ela e Vadim juntos.
Naquela época, ele ainda sabia tomar decisões por conta própria.
A sogra não perdoou.
Começou a colocar metodicamente o filho contra a esposa.
— Olhe para ela.
Relaxou depois do parto.
Anda por aí com um robe velho.
O que você viu nela?
E antes até que não era de todo ruim.
— Por que ela fica em casa?
De licença-maternidade?
Como se isso fosse trabalho.
Você rala como um condenado e ela pinta as unhas.
— Ela está traindo você.
Ontem eu a vi conversando com um homem na entrada do prédio e sorrindo.
Com certeza está traindo.
Nádia ficava sabendo dessas conversas por acaso.
Vadim explodia, gritava e depois, quando esfriava a cabeça, repetia as revelações da mãe.
Ele próprio acreditava nelas.
Antonina Petrovna sabia fazer lavagem cerebral com maestria.
O desfecho veio em abril.
Vadim chegou tarde em casa, cheirando a perfume de outra mulher.
Nádia ficou calada.
Uma semana depois, ele declarou diretamente:
— Conheci outra pessoa.
Kristina.
Nós nos amamos.
Vou pedir o divórcio.
Naquele momento, Nádia ficou muda.
Simplesmente ficou parada na cozinha, olhando para um ponto qualquer.
Vadim se remexia de um pé para o outro e acrescentava:
— Mamãe diz que precisamos nos separar de forma civilizada.
Sem escândalos.
Você não vai atrapalhar minha felicidade, vai?
Ainda mais porque a culpa é sua.
Você não conseguiu preservar a família.
Era isso.
Não conseguiu preservar.
Um mês depois, já estavam divorciados.
Dividiram os bens de forma justa: para ele, uma vida nova; para ela, o apartamento antigo e a filha.
Na manhã seguinte à visita da ex-sogra, Nádia telefonou para a única pessoa em quem confiava.
Veronika, sua amiga da universidade, trabalhava como advogada de família.
Encontraram-se em uma pequena cafeteria perto do escritório de Veronika.
Veronika ouvia, mexendo o cappuccino, e suas sobrancelhas subiam cada vez mais a cada minuto.
Quando Nádia terminou e recuperou o fôlego, a amiga assobiou baixinho.
— Que circo.
Em dez anos de prática, já ouvi muita coisa, mas uma sogra vir pedir que a pensão de uma criança não fosse paga por causa de um casaco de pele para a amante… isso é um gênero novo.
Arte.
— O que eu faço? — perguntou Nádia em voz baixa.
— Não quero mais humilhações.
Ela me ameaçou.
Disse que encontraria uma forma de me dar uma lição.
Veronika afastou a xícara e olhou para a amiga com seriedade.
— Guarde uma coisa simples.
Antonina Petrovna, para você, é zero.
Um zero jurídico.
Não tem nenhum direito de exigir nada, nenhuma base para reivindicações.
Quem é obrigado a pagar a pensão é seu ex-marido.
E só ele.
Se não paga, é dívida dele, não problema seu.
Você aqui é a parte prejudicada.
A criança tem direito ao sustento de ambos os pais.
Ponto.
— E se ele realmente não pagar?
Veronika sorriu de lado.
— Há vários cenários.
Primeiro: oficiais de justiça.
Você abre um processo de execução, e eles bloqueiam as contas dele.
Todas.
Até o último centavo.
Segundo: multa por atraso.
Para cada dia de atraso, acumula-se uma penalidade.
Em seis meses, o valor da dívida pode crescer várias vezes.
Terceiro: responsabilidade administrativa.
Quarto: responsabilidade criminal.
Se ele se esquivar de forma maliciosa, pode ser responsabilizado pelo artigo 157 do Código Penal.
Ali há trabalhos obrigatórios e até prisão de até três meses.
— Criminal? — Nádia balançou a cabeça, incrédula.
— Isso é real?
— Absolutamente.
Tive três casos assim no último ano.
Os três correram para o caixa eletrônico mais rápido do que eu terminei meu café da manhã.
Ninguém quer antecedentes criminais.
Especialmente gente como o seu Vadim.
Filhinhos da mamãe algemados parecem especialmente patéticos.
Nádia ficou pensativa.
Diante de seus olhos surgiu novamente a cena da véspera: a sogra com a sacola, os papéis sobre a mesa, o tom exigente.
E as últimas palavras: “você vai se arrepender”.
— Acho que ela está tramando alguma coisa, — disse Nádia.
— Ela não veio à toa.
Estava sondando o terreno.
Testando minha reação.
— É bem possível, — assentiu Veronika.
— Por isso aconselho você a se adiantar a eles.
Não espere que inventem outra maldade.
Passe à ofensiva.
Primeiro, verifique de onde Vadim tira dinheiro para essa nova vida.
Se ele paga aluguel, compra casacos de pele e anda de carro, então tem renda.
E muito provavelmente a esconde.
— Como verificar isso?
— Eu ajudo você.
Tenho um advogado conhecido.
Arkádi Viktorovitch.
Especialista em processos de divórcio.
Ele resolve casos assim como quem quebra sementes.
Marque uma consulta com ele.
Você gastará uma hora, mas saberá quais são suas possibilidades reais.
Nádia anotou o número de telefone e o endereço.
Quando saiu da cafeteria, o tempo já tinha melhorado.
As nuvens se abriram, e por elas entrava um tímido sol de outubro.
De repente, ela sentiu uma estranha leveza.
Pela primeira vez em muito tempo, a situação deixava de parecer sem esperança.
Ela tinha apoio.
Conhecimento.
Um plano.
Dois dias depois, ela estava sentada no amplo escritório do advogado.
Arkádi Viktorovitch revelou-se um homem idoso e seco, de óculos com fina armação dourada.
Falava pouco, mas cada palavra atingia o alvo com precisão.
Nádia colocou diante dele todos os documentos: a decisão judicial sobre a cobrança da pensão, seus cálculos, a correspondência com o ex-marido, na qual ele prometia pela centésima vez “pagar na semana que vem”.
O advogado examinou os papéis, anotou algo no bloco e disse:
— O quadro é claro.
Dívida de três meses.
O valor principal da dívida é de cerca de duzentos e quarenta mil rublos.
Mais a multa.
Se calcularmos tudo corretamente, é possível recuperar judicialmente uma quantia próxima de meio milhão.
— Ele não tem esse dinheiro.
Oficialmente, ganha uma miséria.
— Oficialmente, sim, — o advogado ajeitou os óculos e pela primeira vez permitiu-se um leve sorriso.
— E não oficialmente?
Faremos solicitações.
Levantaremos a movimentação das contas.
Mesmo que receba salário por fora, sempre ficam rastros.
O aluguel custa dinheiro.
Cartões de crédito, compras em lojas, pagamentos do carro.
Se as despesas superam significativamente a renda declarada, isso se chama enriquecimento sem causa.
O tribunal não gosta nada dessas coisas.
Surgem perguntas da Receita.
E aí começam problemas de outra natureza.
Não apenas familiares, mas também administrativos.
— E o que devo fazer agora?
— Agora, observar.
Por enquanto, não diga nada a ninguém.
Deixe seu ex-marido e a mãe dele pensarem que você desistiu e engoliu a ofensa.
Nós vamos reunir provas em silêncio.
Solicitaremos extratos.
Veremos quem é essa Kristina e com que recursos ela vive.
Nádia assentiu.
Esse conselho coincidia totalmente com o que Veronika havia dito.
Sem pressa.
Cálculo frio.
Ao sair do escritório do advogado, sentiu um impulso de determinação sem precedentes.
Em casa, Alissa a esperava, assim como as lições e as preocupações do dia a dia.
Mas agora, na rotina habitual, entrelaçava-se um novo fio.
Fino, porém resistente, como uma corda de aço.
A espera pela retribuição.
As duas semanas seguintes foram dedicadas à coleta de informações.
Nádia agia com cautela, tentando não revelar suas intenções de forma alguma.
Vadim ligou para ela apenas uma vez, avisando em tom seco que o dinheiro ainda não estava disponível, mas que em breve certamente estaria.
Ela não discutiu, e isso pareceu tranquilizá-lo.
Antonina Petrovna também não apareceu.
Provavelmente relatava ao filho sua missão malsucedida e esperava que a nora começasse a se debater em histeria.
Nádia permaneceu em silêncio, e esse silêncio se parecia enganosamente com uma capitulação.
Enquanto isso, Veronika, por seus próprios contatos, ajudou a obter as primeiras informações.
À noite, quando Alissa já tinha ido dormir, a amiga enviou uma mensagem pedindo que ligasse com urgência.
Nádia discou o número.
— Você está sentada? — A voz de Veronika soava excitada.
— Encontrei algo interessante.
— Fale.
— Lembra que você contou que Kristina se gabava de um novo cargo?
Que supostamente tinha conseguido trabalho como marqueteira em uma empresa da capital?
— Sim, foi isso.
Vadim dizia que ela ganhava muito.
— Pois então.
Ela não é marqueteira coisa nenhuma.
Ela nem trabalha desde março.
Saiu do último emprego.
Oficialmente, não está empregada.
Mas, nos últimos seis meses, comprou um carro.
Usado, mas ainda assim não gratuito.
E atenção: em agosto viajou para o exterior com amigas.
Por uma semana.
A julgar pelas fotos nas redes sociais, que ela não considera necessário esconder, aproveitou muito bem.
Nádia se deixou cair lentamente numa cadeira.
Os números estalavam em sua cabeça.
A filha pedia botas novas para o inverno, e ela contava cada moeda.
Seu ex-marido dava viagens ao exterior para a amante.
— De onde veio o dinheiro? — sussurrou ela.
— Aí está a parte mais interessante.
Acionei alguns contatos.
Não vou entrar em detalhes, mas consegui descobrir que Vadim mudou de emprego há seis meses.
Foi trabalhar em uma empresa de transporte de cargas, de algum parente distante.
Oficialmente, pelo salário mínimo.
Na prática, recebe por fora quantias bastante consideráveis.
Daí o aluguel em uma boa região, as viagens e os casacos de pele.
— Ele tem outro salário e o esconde do tribunal, — pronunciou Nádia lentamente, mais para si mesma do que para a amiga.
— Exatamente.
E isso é uma violação grave.
Ocultação de renda com o objetivo de evitar o pagamento da pensão.
Aqui já se vislumbra responsabilidade criminal, se a denúncia for bem apresentada.
Arkádi Viktorovitch vai ficar encantado.
Ele adora casos assim.
Nádia se despediu e colocou o telefone sobre a mesa.
O apartamento estava silencioso.
Só a geladeira zumbia baixinho na cozinha, e em algum lugar atrás da parede os vizinhos assistiam à televisão.
Ela ficou sentada no escuro, olhando para o poste de luz do lado de fora da janela.
A luz amarela se desfazia no vidro molhado.
Algo dentro dela se virava.
Não era raiva.
Não.
Era uma determinação fria e furiosa.
Ela não era mais a vítima.
Ela era a caçadora.
No dia seguinte, Nádia se encontrou novamente com o advogado.
Sobre a mesa, diante de Arkádi Viktorovitch, estavam impressas fotografias da rede social de Kristina: praia, piscina, uma moça sorridente com uma taça na mão.
Ao lado, capturas de tela de anúncios de venda do carro vinculados à conta da amante do ex-marido.
E extratos que Veronika, por algum milagre, conseguira obter.
— Isto é suficiente, — disse o advogado, curto.
— Vamos entrar com a ação.
Dívida de pensão, multa, além do pedido de apuração do valor real dos rendimentos.
Prepararei a petição em três dias.
A audiência será marcada para não antes de um mês, para que o réu tenha menos tempo de se preparar.
E, separadamente, recomendo apresentar uma denúncia à Receita.
Que verifiquem de onde uma garota desempregada tirou dinheiro para brinquedos caros.
— E eles vão verificar?
— São obrigados.
Denúncia anônima, mas com provas anexadas.
Fundamentada.
Coisas assim raramente ficam sem atenção.
Especialmente agora, quando o controle sobre a sonegação de impostos foi endurecido.
Nádia assinou os documentos, a procuração, e saiu para a rua.
Era novembro.
Um vento frio empurrava folhas murchas pela calçada.
Ela levantou a gola do casaco e caminhou devagar até o metrô.
Na bolsa havia uma pasta com cópias da ação.
Também havia um pen drive com as fotos de Kristina.
Imagens da viagem, nas quais a moça posava diante do oceano, enquanto ao fundo aparecia a mão de um homem.
A mão de seu ex-marido, que “não podia pagar a pensão” porque supostamente estava sem dinheiro.
De repente, ela se lembrou de quando, no ano anterior, Alissa teve gripe.
A febre subiu para quase quarenta graus, e foi preciso chamar a ambulância.
Vadim estava então em viagem de trabalho e nem ligou de volta.
Nádia passou a noite no hospital, apertando contra si a filha quente e febril.
E ele, como se descobriu depois, não estava trabalhando coisa nenhuma.
Estava descansando com Kristina em uma pousada fora da cidade.
Depois, a sogra ainda repreendeu Nádia: “Não consegue proteger a criança e ainda se chama mãe”.
Essas lembranças já não causavam dor.
Apenas cimentavam ainda mais sua determinação.
Ela não permitiria mais que aquelas pessoas pisoteassem sua vida.
A ação foi aceita.
A data da audiência foi marcada.
Vadim soube do processo uma semana antes da audiência.
Provavelmente recebeu a intimação.
Nádia esperava a ligação.
E ela veio.
À noite, quando ela colocava Alissa para dormir, o telefone vibrou na mesinha de cabeceira.
Ela saiu para o corredor e levou o aparelho ao ouvido.
— Nádia, o que você está fazendo? — A voz de Vadim tremia de indignação.
— Você enlouqueceu de vez?
Por que entrou na Justiça?
— Porque você não paga a pensão, — respondeu ela com calma.
— Eu expliquei!
Estou com dificuldades temporárias.
Um mês.
Apenas um mês.
É tão difícil esperar?
— Eu não tenho suas dificuldades.
Tenho sua filha, que precisa de comida, roupas e remédios.
Sua mãe veio à minha casa e pediu que eu o liberasse das obrigações por causa de um casaco de pele para sua nova mulher.
Você acha isso normal?
Houve uma pausa na linha.
Evidentemente, Antonina Petrovna não havia relatado ao filho os detalhes da visita.
— Mamãe não quis dizer isso.
Você distorceu tudo, como sempre!
Você sempre distorce tudo.
É impossível conversar com você.
— Vadim, falta uma semana para o julgamento.
Meu advogado preparou os documentos.
Seus rendimentos, seus gastos, as viagens de Kristina, o carro, as férias no exterior.
Tudo isso será apresentado ao tribunal.
Se quiser resolver a questão pacificamente, quite a dívida por completo.
Com a multa.
Antes da audiência.
— Você está me ameaçando? — Ele quase gritava.
— Você, que destruiu nosso casamento, agora tenta destruir minha nova família?
Está com inveja?
Inveja porque eu sou feliz e você fica sozinha nesse buraco?
Acha que, se me prejudicar, vai ficar mais feliz?
Não vai!
— Até o julgamento, — repetiu Nádia e desligou.
Suas mãos tremiam.
Mas sua alma estava tranquila.
Ela fizera tudo certo.
Agora a palavra era da lei.
O julgamento aconteceu numa quarta-feira, às duas da tarde.
A sala era pequena, abafada e um tanto descascada.
Janelas altas, bancos de madeira, paredes verde-claras.
Nádia chegou quinze minutos antes do início, junto com Arkádi Viktorovitch.
O advogado parecia imperturbável, folheava alguns papéis e ao mesmo tempo dava as últimas instruções:
— Fale apenas quando lhe perguntarem.
Não responda a provocações.
Se a sogra ou o réu começarem a ofender, fique calada.
Eu falarei por você.
Vadim apareceu um minuto depois.
Ao lado dele, segurando-o pelo braço, vinha Antonina Petrovna.
Kristina também se dignou a comparecer.
Vestira-se como se fosse para um jantar de gala: vestido curto, salto alto, maquiagem chamativa.
A sogra examinou Nádia da cabeça aos pés, resmungou algo entre os dentes e sentou-se ostensivamente em um banco no fundo da sala.
A secretária anunciou a composição do tribunal.
A juíza, uma mulher de cerca de quarenta e cinco anos, de rosto cansado e olhar atento, ocupou seu lugar.
A audiência começou.
Primeiro falou o advogado de Nádia.
Ele falava baixo, mas cada palavra soava pesada.
Expôs os fatos.
O valor da dívida principal.
Os prazos.
A multa.
O cálculo da penalidade.
Depois passou às provas de ocultação de rendimentos.
Extratos.
Fotos das redes sociais.
Cópias dos anúncios de venda do carro vinculados à conta da nova esposa do réu.
Comprovantes de viagens ao exterior.
A juíza franzia a testa enquanto estudava os documentos.
Depois Vadim se levantou.
Seu advogado, um rapaz jovem e claramente inexperiente, tentou insistir que os rendimentos do réu não estavam comprovados, que o carro tinha sido comprado com dinheiro dos pais de Kristina e que a viagem fora presente de uma amiga.
Mas cada argumento se quebrava diante das perguntas seguintes.
A juíza perguntou:
— Comprovem documentalmente a origem dos recursos para a compra do carro.
Existe contrato de doação?
Recibos?
O advogado de Vadim se atrapalhou.
Não havia recibos.
— As informações sobre os rendimentos do réu, — continuou a juíza, folheando os papéis, — indicam que o salário oficial é quase quatro vezes menor que suas despesas mensais.
Como explicam isso?
— O réu usa economias. — A voz do advogado soou insegura.
— Economias que não aparecem em nenhuma conta, — rebateu Arkádi Viktorovitch.
— Solicito a juntada aos autos da declaração bancária sobre ausência de depósitos.
A juíza assentiu.
A gota final foi o discurso de Antonina Petrovna.
Ela pediu a palavra, e a juíza, após hesitar, permitiu.
— Meritíssima, — começou a sogra com uma voz doce e untuosa, — esta mulher destruiu meu filho.
Ela sempre foi gananciosa e vingativa.
Só se interessa por dinheiro.
Nem sequer permite que ele veja a criança!
E o rapaz só quer construir uma nova vida.
Ele é jovem, bonito.
Precisa de liberdade.
E esta aqui, — ela acenou com a mão na direção de Nádia, — arranca-lhe as entranhas.
Peço que compreenda a situação.
A juíza tirou os óculos e olhou para Antonina Petrovna com um olhar longo e pesado.
— Senhora, terminou?
O tribunal está examinando um caso de evasão ao pagamento de pensão alimentícia.
Sua opinião sobre as qualidades pessoais da autora não tem relação com o objeto do processo.
Sente-se, por favor.
Antonina Petrovna ficou roxa de raiva, quis dizer algo, mas seu advogado sussurrou alguma coisa em seu ouvido, e ela, comprimindo os lábios, sentou-se no banco.
Kristina estava pálida e furiosa.
Claramente não esperava aquela reviravolta.
A juíza anunciou uma breve pausa e depois leu a decisão.
— Os pedidos da autora são parcialmente acolhidos.
Determina-se a cobrança integral da dívida de pensão alimentícia do réu, bem como da multa por cada dia de atraso.
O valor total a ser pago é de quatrocentos e oitenta e sete mil rublos.
Além disso, o tribunal obriga o réu a apresentar informações verídicas sobre seus rendimentos e encaminha os materiais do processo à Receita para verificação dos fatos de ocultação de renda.
O queixo de Vadim caiu.
Ele ficou parado, sem acreditar no que ouvia.
Kristina agarrou sua manga e sibilou:
— Que quatrocentos e oitenta mil?
Você disse que resolveríamos tudo.
Você disse que ela não ousaria!
Antonina Petrovna ficou branca como um lençol.
Olhava para Nádia com tanto ódio que parecia que o ar na sala havia se aquecido.
Nádia reuniu os papéis em silêncio, agradeceu ao advogado e saiu para o corredor.
Não olhou para trás.
Sabia que aquilo ainda não era o fim.
A verdadeira tempestade estava apenas começando.
A tempestade explodiu naquela mesma noite, mas não na casa de Nádia, e sim em outro lugar.
Kristina voltou para casa primeiro.
Jogou as chaves no aparador e, sem tirar o casaco, entrou na sala.
Dentro dela fervia a raiva.
Quatrocentos e oitenta e sete mil.
Mais a fiscalização da Receita.
Mais a vergonha no tribunal.
E por quê?
Para ficar sentada numa sala abafada ouvindo a mãe dele despejar bobagens sobre uma ex-mulher gananciosa?
Meia hora depois, Vadim e Antonina Petrovna entraram no apartamento.
A mãe segurava o filho pelo braço e falava excitada:
— Vamos recorrer.
Isso é ilegal.
Vou ligar para Semion Arkadievitch, ele é um velho jurista, vai ajudar.
Não se preocupe, meu menino.
Nós vamos acabar com eles.
Aquela serpente ainda vai se arrepender.
Kristina estava parada na porta da sala, de braços cruzados.
Seu rosto já não expressava devoção nem amor.
Apenas irritação fria.
— Chega, — disse ela bruscamente.
Antonina Petrovna se calou.
— Como assim “chega”? — perguntou, baixando o tom.
— Chega dessas conversas sobre serpentes e recursos.
Seu filho deve quase meio milhão.
Vocês entendem que valor é esse?
Eu não tenho esse dinheiro.
Nós não temos esse dinheiro.
Vocês ouviram o que a juíza disse no tribunal?
Fiscalização da Receita.
Se descobrirem de onde veio o dinheiro para o meu carro e para a viagem, vou ter grandes problemas.
Só me faltavam multas.
— Queridinha, — começou Antonina Petrovna, tentando controlar a situação, — não precisa se preocupar assim.
Vamos resolver tudo.
Vendemos o carro, pedimos emprestado a conhecidos.
Mas o principal é não deixar aquela desgraçada vencer.
Você ama o Vadik, não ama?
Kristina estreitou os olhos.
Em seu olhar surgiu algo duro.
— Amo?
Eu amo uma vida tranquila.
E seu filho me arrastou para o tribunal e me fez passar por uma completa idiota.
Vocês me prometeram que não haveria problemas com a ex-mulher.
Disseram que ela era uma ratinha cinzenta e quieta, que não ousaria dizer uma palavra contra.
E onde está agora essa ratinha?
Ela nos reduziu a pó.
E vocês ficam aí me falando de recurso.
Vadim, que até então permanecera calado, deu um passo à frente.
— Kristina, escute…
— Não, você é que vai escutar. — Ela apontou o dedo para o peito dele.
— Você me prometeu uma vida normal.
E no fim você deve dinheiro à ex-mulher, sua mãe se mete nos nossos assuntos, e agora a Receita vai fuçar nos meus rendimentos.
Eu não preciso disso.
Tenho minha própria cabeça.
E sabe de uma coisa?
Não vou pagar suas dívidas.
São seus problemas.
Você os criou, você que resolva.
— Mas nós somos uma família, — murmurou Vadim, confuso.
— Família? — Kristina riu amargamente.
— Que família?
Você nem consegue ganhar o suficiente para que sua própria filha não conte moedas.
Acha que eu quero um marido assim?
Antonina Petrovna surgiu atrás do filho, com o rosto manchado de vermelho.
— Ah, sua garota ingrata!
Eu e Vadik fizemos tanto por você!
Pagamos o apartamento, demos o carro, esses resorts idiotas!
E agora você torce o nariz?
Acha que vai encontrar alguém melhor?
Quem vai querer você com esse caráter?
— Pagaram o apartamento? — Kristina já não se continha.
— Vocês passaram seis meses choramingando que não havia dinheiro.
O carro nós pegamos financiado.
E o financiamento, aliás, está em meu nome.
A viagem eu mesma organizei.
Seu filho só prometeu devolver metade e não devolveu.
Então vocês não me deram nada.
Mas me deram problemas até acima da cabeça.
Ela se virou bruscamente, foi até o armário e pegou uma bolsa de viagem.
— Pronto.
A conversa acabou.
Vadim, até amanhã à noite não quero sentir seu cheiro aqui.
Vou juntar suas coisas e colocá-las no corredor.
O apartamento é alugado, e o contrato está em meu nome.
Não tenho mais dinheiro para pagar aluguel.
Pode voltar para a mamãezinha.
Eu vou para a casa dos meus pais.
— Kristina, não seja boba, — Vadim empalideceu.
— Nós nos amamos.
Vamos simplesmente sentar com calma e conversar.
— Não há nada para conversar.
Você está falido.
Tem dívidas e processos judiciais.
Sua mãe é uma velha maluca que acha que todos ao redor são culpados.
E eu quero viver em paz.
Sem histerias e fiscalizações.
Vá embora.
Antonina Petrovna levou a mão ao coração e desabou na poltrona, mas seu gesto teatral não comoveu ninguém.
Kristina saiu em silêncio para o quarto e trancou a porta.
Vadim ficou parado no meio da sala.
Olhava para a porta fechada e não conseguia acreditar que tudo desmoronava tão rápido e de forma tão irreversível.
Antonina Petrovna gemia baixinho na poltrona, lamentando a injustiça do mundo e a negra ingratidão da juventude.
Seu filho sentou-se lentamente no sofá e segurou a cabeça com as mãos.
No apartamento pairou um silêncio vibrante.
O mesmo silêncio de antes, no tribunal, quando a juíza lia a sentença.
Naquela mesma noite, Kristina, deitada no quarto, ligou para a mãe.
A conversa foi curta, mas significativa.
— Mãe, venha amanhã de manhã.
Ajude-me a arrumar as coisas.
— O que aconteceu?
— Estou deixando Vadim.
Ele se revelou um inútil.
Dívidas, pensão, Receita.
Não preciso disso.
— E o apartamento?
Vocês alugavam, não?
— O contrato está em meu nome.
Avisei a proprietária.
Amanhã vou sair.
Estou expulsando Vadim.
Que vá para a mamãezinha dele.
Ela é tão esperta, então que o sustente agora.
— E o carro?
— O carro está em meu nome.
O financiamento também está em meu nome.
Mas vou vendê-lo.
E, mãe, sabe de uma coisa?
Eu coloquei tudo no meu nome de propósito.
Foi você que me ensinou.
Vadim é tão tolo que nem lia o que assinava.
Então eu não perco nada.
— Muito bem.
Correto.
Não se deve afundar por causa da burrice alheia.
Venha.
Seu pai ficará feliz.
No dia seguinte, Vadim voltou do trabalho mais cedo que de costume e encontrou suas coisas cuidadosamente colocadas em duas grandes malas no corredor.
As chaves do apartamento não estavam no bolso.
Kristina as havia levado ainda de manhã.
A porta do quarto estava escancarada.
Cabides vazios balançavam tristemente no armário.
Ele ligou para Kristina.
Ela recusou a chamada.
Ligou novamente.
Silêncio.
Então discou o número da mãe.
— Mãe, ela me expulsou.
Antonina Petrovna, esquecendo o ataque cardíaco teatral da véspera, começou a insultar Kristina com as piores palavras e depois declarou:
— Está vendo?
Eu avisei.
Todas as mulheres são iguais.
Menos a mãe.
Venha.
Seu quarto está como sempre esteve.
Você fica aqui por enquanto.
Depois pensaremos em alguma coisa.
Eu ainda vou mostrar a essas desgraçadas.
Tanto à Nadka quanto a essa sua Kristina.
Elas ainda vão dançar na minha mão.
Vadim desligou, pegou as malas e saiu para o patamar da escada.
A porta se fechou atrás dele com um ruído metálico surdo.
Ele ficou parado na penumbra do prédio e sentiu o chão fugir debaixo dos pés.
A vida que ainda ontem parecia brilhante e promissora agora se reduzia a duas malas empoeiradas num corredor descascado.
Passaram-se seis meses.
Nádia estava à janela de sua cozinha, olhando para o pátio.
A primavera assumia seus direitos de forma tímida, mas insistente.
A neve tinha derretido, expondo a grama cinzenta do ano anterior, mas aqui e ali já surgiam os primeiros dentes-de-leão.
O sol brilhava forte e quente.
Alissa corria pelo pátio com as amigas, rindo alto e balançando cordas de pular.
O dinheiro de Vadim chegou dois meses depois do julgamento.
Primeiro caiu na conta a primeira parte, depois a segunda.
Como ele conseguiu, Nádia não sabia e não queria saber.
Vendeu alguma coisa, pediu emprestado a conhecidos, pegou empréstimo no banco com juros abusivos — isso já não lhe dizia respeito.
O advogado fez seu trabalho.
Os oficiais de justiça agiram com precisão.
A pensão do mês seguinte chegou no dia certo, como um relógio.
Não houve mais atrasos.
Antonina Petrovna desapareceu do horizonte.
Apenas uma vez Nádia a viu por acaso em um shopping.
A sogra estava diante de um caixa eletrônico, apertando nervosamente os botões e sacudindo a bolsa com raiva.
Parecia envelhecida e um tanto desgastada.
Ou a tintura do cabelo havia desbotado, ou as rugas estavam mais visíveis.
Ela levantou a cabeça, cruzou o olhar com Nádia e imediatamente se virou, fingindo não reconhecê-la.
Nádia não se aproximou.
Simplesmente passou por ela, empurrando levemente o carrinho de compras.
Naquela mesma noite, Veronika ligou.
— Imagine, ouviu a novidade?
— Não.
Que novidade?
— Encontrei no tribunal uma conhecida nossa, secretária da vara.
Ela contou que a fiscalização da Receita sobre Kristina terminou com uma grande multa e cobrança adicional.
Jogaram tudo sobre ela: falta de pagamento de impostos sobre renda e algumas irregularidades nas declarações.
No fim, os pais dela tiveram que vender a casa de campo para pagar as dívidas.
Pois é.
Nem tudo são flores.
— Quase sinto pena dela, — disse Nádia em voz baixa.
— E não deveria.
Ela sabia no que estava se metendo.
Sabia que o homem tinha uma filha, que não pagava pensão, e mesmo assim o arrastava para resorts e exigia casacos de pele.
Então agora que colha os frutos.
A justiça existe.
Nádia se despediu e colocou o telefone no lugar.
Serviu-se de chá, sentou-se à mesa e folheou distraidamente o jornal do dia anterior.
A cozinha estava silenciosa.
Do lado de fora da janela, escurecia.
A campainha tocou.
Nádia estremeceu.
Desde algum tempo, um toque à porta à noite provocava nela uma sensação persistente de ansiedade.
Aproximou-se do olho mágico e ficou imóvel.
Na soleira estava Vadim.
Estava sozinho.
Sem a mãe.
Sem Kristina.
Apenas um homem com uma jaqueta amarrotada, rosto abatido e barba de três dias.
Nas mãos, segurava um saco de papel.
Tinha uma aparência culpada e, ao mesmo tempo, suplicante.
Nádia abriu a porta, mas não recuou para dentro do hall.
Ficou parada no vão, bloqueando a entrada.
— Olá, — disse Vadim em voz baixa.
— Posso entrar?
— Para quê?
— Para conversar.
Trouxe um presente para Alissa.
Uma coisinha.
Quero muito vê-la.
Por favor.
— Alissa já está dormindo, — mentiu Nádia.
— O que você queria dizer?
Vadim hesitou, passando o saco de uma mão para a outra.
— Nádia, quero voltar.
Entendi tudo.
Fui um idiota.
Mamãe me confundiu, Kristina me usou.
Perdi a cabeça.
Mas agora compreendi.
Você é a única que me amou de verdade.
Vamos tentar de novo.
Nós temos uma filha.
Somos uma família.
Vou mudar.
Palavra de honra.
Vou trabalhar, vou ajudar.
Só me dê uma chance.
Nádia o escutou sem interromper.
Olhava para aquele homem que um dia amara até tremer e não sentia nada.
Apenas cansaço.
E uma leve repulsa.
— Vadim, você chegou tarde, — disse ela em voz baixa, mas firme.
— O trem já partiu.
Você fez sua escolha um ano e meio atrás.
Eu não sou sua pista de reserva.
Não sou o aeroporto para onde se volta quando se quebram as asas.
Vá embora.
Deixe o presente, eu o entregarei a Alissa em seu nome.
Mas você não venha mais aqui.
Ela pegou o saco dos dedos enfraquecidos dele, deu um passo para trás e fechou a porta.
Do outro lado ouviu-se uma respiração pesada.
Depois passos.
Depois silêncio.
Nádia voltou para a cozinha, colocou o saco no peitoril da janela e pegou novamente a xícara de chá.
O chá estava quase frio.
Ela tomou um gole e pensou que no dia seguinte precisaria pagar as contas, matricular a filha na dança e comprar botas novas para a primavera.
Havia muitas coisas a fazer.
A vida continuava.
E, a dois quarteirões de sua casa, numa pequena agência bancária, naquele exato momento estava Antonina Petrovna.
Ela torcia nervosamente uma guia de pagamento nas mãos.
Atrás do vidro, uma jovem caixa esperava pacientemente enquanto a mulher idosa recontava notas amassadas.
— Ainda faltam quatrocentos e trinta e dois rublos, — repetiu a caixa.
— É a próxima parcela do empréstimo do seu filho.
Vai pagar em dinheiro ou no cartão?
— Em dinheiro, — resmungou Antonina Petrovna e começou a remexer na carteira.
Tirou o último dinheiro, colocou-o na bandeja e murmurou para si mesma, mas alto o bastante para ser ouvida:
— Logo vem a aposentadoria.
Olha só a que ponto chegamos.
Filho endividado até o pescoço, ex-nora uma víbora traiçoeira, aquela leviana da Kristina ainda se revelou uma golpista.
Agora sobrou tudo para eu resolver.
E por quê?
Porque as pessoas de bem não sabem dar nenhum conselho útil.
Só há maldade por toda parte.
A caixa, recebendo as notas, não se conteve e disse baixinho, quase para si:
— Tudo bem.
Talvez da próxima vez ele pense antes de abandonar a família.
Antonina Petrovna ergueu a cabeça de repente, pronta para explodir em uma tirada furiosa, mas a caixa já havia se virado para o monitor e batia nas teclas.
A fila atrás da sogra começou a resmungar abafadamente.
A mulher agarrou a bolsa e, vermelha de indignação, dirigiu-se à saída.
As portas do banco se fecharam atrás dela, separando-a do calor e da luz.
Na rua, a chuva começava de novo.








