Quase na entrada do restaurante, entre Alisa e Pavel quase aconteceu uma briga.
Ela entendia perfeitamente — essa conversa teria que acontecer mais cedo ou mais tarde.

Só que não esperava que começasse justamente agora — quando chegaram para discutir o pedido do banquete.
Pavel parou o carro e olhou criticamente para o prédio:
— Meu Deus… Nem dá para chamar isso de restaurante!
Alisa deu de ombros:
— Eu gosto desse lugar. Eu costumava vir aqui com minhas amigas.
Aliás, a dona é ótima, e a comida é excelente.
Ele se virou bruscamente para ela:
— Você está falando sério? É brincadeira? Não vamos aqui só para comer um lanche!
Será o dia do nosso casamento!
— Pasha, primeiro, não precisa levantar a voz comigo — respondeu ela calmamente.
— Segundo, simplesmente não podemos pagar um lugar mais caro.
Ele bateu as mãos no volante, frustrado:
— E quem diz isso é a filha de um homem que controla milhões!
Alisa ficou séria:
— Já falamos sobre isso várias vezes. É fácil viver às custas dos outros, mas eu não quero.
Papai te deu um bom cargo, mesmo que você claramente não esteja pronto para ele.
Se quiser, podemos adiar o casamento, esperar até podermos pagar o que você quer.
Pavel quase não conteve a irritação. Às vezes Alisa podia ser tão teimosa que parecia até meio boba.
— Tudo bem — suspirou ele. — Não vamos estragar a noite por causa de uma bobagem. Vamos.
Alisa entendeu que ele deliberadamente mudou de assunto.
Decidiu não continuar o conflito.
O restaurante ficava mesmo na periferia da cidade.
Antes, quando Alisa morava ali perto com as amigas, todos os eventos importantes eram celebrados ali.
Tudo era aconchegante, claro, caseiro — e principalmente barato.
A dona sempre as tratava com carinho e dava descontos, brincando: “Para estudantes, como nos velhos tempos.”
Agora a decoração era mais moderna, e o estabelecimento era gerido pela filha da antiga dona — um pouco mais cheinha, mas tão gentil quanto a mãe.
Alisa gostou dela logo de cara, então a escolha do local foi óbvia.
— Alisa, vamos logo! — puxou-a impaciente Pavel.
Mas a garota de repente notou uma menina.
Ela já a tinha visto perto do restaurante — naquela época a criança oferecia para lavar o vidro do carro. Vestida de forma pobre, até demais.
Agora ela estava sentada perto da entrada, olhando pensativa para as pessoas que passavam.
— Espera… — Alisa deu um passo em direção à menina, mas mudou de ideia e entrou rapidamente.
Pavel suspirou. Estava acostumado ao fato de que sua noiva frequentemente agia por impulso, sem explicar nada a ele.
Mas depois do casamento ele certamente mudaria isso.
Só que agora não dava — era um momento muito emocional, e o pai dela também era de personalidade forte…
Assim que entrou, Alisa já voltou.
Com uma caixa de doces, um refrigerante e mais alguma coisa na mão.
Passou por ele sem dizer palavra.
Pavel balançou a cabeça: “Será que ainda vão aparecer muitos moradores de rua para Alisa alimentar?”
Suspirando, ele a seguiu.
— Oi! — disse Alisa suavemente para a menina. — Meu nome é Alisa, e este é meu noivo, Pavel.
Os olhos cansados da criança brilharam ao ver a comida:
— Obrigada… Eu me chamo Katya.
Ela comeu um pouco e embrulhou o resto com cuidado:
— Vou levar para o papai. Ele está doente.
Alisa ficou sem jeito e estendeu algumas notas para ela:
— Pegue. Não tenho mais nada comigo.
Pavel suspirou teatralmente de novo, esperando que Alisa o ouvisse.
Mas ela o ignorou.
Katya recusou educadamente:
— Não, eu não vou pegar. Não sou pedinte, tenho uma casa. E obrigada mesmo pela comida.
Ela se levantou, ia embora, mas de repente voltou:
— Alisa, você é boa… Mas eu não casaria com ele. Você não o conhece de verdade.
Pavel ficou irritado imediatamente:
— Veja que orgulho! Ela recebeu comida e em vez de agradecer, é rude. Como um sem-teto que foi ajudado — e ainda morde a mão.
Alisa o cutucou com o cotovelo, mas a menina já estava indo embora.
— Alisa, um dia todos esses pobres que você compadece vão te matar — gritou ele atrás dela.
— E aí você vai chorar? — sorriu ela.
— Não… Você está maluca.
À noite, Alisa não conseguiu dormir por muito tempo.
Seus pensamentos voltavam às palavras de Katya.
Embora não acreditasse em previsões, aquele estranho aviso não a deixava em paz.
Talvez a menina tivesse algum parente vidente?
Suspirando, Alisa sentou na cama e olhou para o relógio.
Já era hora do Pavel ir dormir.
Normalmente ele ligava, desejava boa noite e dizia que também ia descansar.
Ela se arrumou rapidamente:
— Não, não é por isso. Só quero dar uma volta.
Saiu silenciosamente de casa e, quinze minutos depois, estava na porta do prédio de Pavel.
O carro dele não estava lá. As janelas do apartamento estavam escuras.
Ela se aproximou, mas decidiu firmemente não entrar — tinha a chave, mas sabia que não havia ninguém lá.
Andou devagar pela cidade, sem saber para onde ia.
De repente viu, bem à sua frente, o contorno familiar do carro de Pavel.
O carro seguia devagar, então sinalizou e entrou no pátio.
Alisa estacionou um pouco mais longe, saiu e correu atrás.
O noivo não estava sozinho.
Ao lado dele havia uma mulher. Brilhante, chamativa.
Eles não conseguiam chegar na porta — se beijavam e abraçavam.
Alisa até se beliscou — não estaria sonhando? Afinal, o casamento era em duas semanas, tudo já estava quase pronto!
Mas as imagens não desapareceram.
Parecia até que eles poderiam deitar no asfalto…
Assim que Pavel e sua acompanhante desapareceram na entrada, Alisa entrou no carro.
Suas mãos tremiam.
“Não posso dirigir assim,” pensou, mesmo que as ruas estivessem vazias.
Deu algumas voltas pelo bairro e só depois voltou para casa.
Surpreendentemente, adormeceu quase imediatamente.
Pela manhã, o pai já estava ocupado na cozinha.
Alisa levantou e, ao ouvir seus passos, saiu logo:
— Filha, você está cedo hoje… Foi a algum lugar? Ouvi que voltou tarde.
— Não com Pavel. Sozinha. Pai, preciso falar com você.
O pai ficou sério imediatamente:
— Entendi. O que aconteceu?
— Bem… algo.
Alisa olhou ao redor do restaurante — não havia ninguém.
Saiu do carro e foi em direção ao local.
Perto do lago, sentada na grama, estava Katya olhando pensativa para a água.
Alisa sorriu, entrou no restaurante e depois de alguns minutos voltou com uma grande sacola de comida.
Se aproximou da menina e se sentou em silêncio ao lado dela.
Katya se virou:
— Você está sozinha?
— Como você pode ver. Quer comer?
A menina suspirou:
— Claro! Tenho essa idade… E em casa agora tudo está muito ruim.
Alisa começou a tirar a comida da sacola.
Katya perguntou:
— Você vai ficar comigo?
Alisa hesitou um pouco, depois deu de ombros levemente:
— Por que não? Agora não preciso mais emagrecer para o casamento.
— Sério? — riu Katya. — Você não deveria emagrecer — já é como um vidro!
Comeram juntas, conversando sobre nada, até que Katya perguntou de repente:
— Ele foi embora?
— Pode-se dizer isso. Para mim, ele já foi, mas acho que ele ainda não sabe.
— Alisa, posso te perguntar uma coisa?
— Claro.
— Você… realmente vê as coisas ou foi brincadeira?
Katya riu novamente:
— Sim, sou “vidente”! Vi seu noivo beijando uma garota!
Alisa olhou para ela surpresa.
— Por que você está olhando assim? — continuou Katya rindo. — Eu vou à cidade!
E o rosto dele é fácil de lembrar — marcante. Eles saíram do hotel e ficaram se abraçando o tempo todo.
— “Vidente”! — repetiu Katya e riu de novo.
Alisa sentiu lágrimas nos olhos — talvez por rir, talvez por tudo que tinha vivido.
Juntas caíram na grama e riram muito, como duas loucas.
À noite, tocou o telefone. Era Pavel:
— Alisa, vamos conversar!
Seu pai me sobrecarregou tanto que quase morro!
Até me mandou para outra cidade! Talvez você possa falar com ele?
— Sobre o quê? Não é seu dever como chefe de suprimentos?
— Mas eu sou seu noivo!
— Não lembro que papai tenha criado esse cargo na fazenda.
— Alisa, não gostei do tom como você fala comigo!
— Escuta, Pasha, se não gosta — simplesmente não ligue. Foi você quem me ligou, não eu.
Depois de uma pausa, ele perguntou:
— Você está chateada?
— Não, pelo contrário — muito feliz.
— Não entendo…
— Tá bom, deixa pra lá. Só saiba — o casamento está cancelado.
Pavel começou a gritar, mas Alisa simplesmente desligou.
Depois da terceira ligação, colocou o número dele na lista negra.
Meia hora depois, bateram na porta.
O pai espiou no quarto:
— Alisa, Pavel chegou.
— Diga que eu fui para a Lua.
O pai sorriu, e Alisa se levantou — era hora de esclarecer tudo de uma vez.
Pavel parecia abatido:
— Alisa, você entendeu tudo errado! Aquela era minha irmã!
Posso apresentá-las!
Alisa fez uma careta:
— Pasha, não quero explicações. Mas se ela realmente é sua irmã, vocês se beijam de um jeito estranho demais.
Então não ligue e não apareça mais. Não estamos mais juntos. Aliás, já cancelei o pedido do banquete.
Ela quis sair, mas Pavel agarrou sua mão:
— Espera!
Você não pode desistir assim! Ainda não somos casados! As pessoas esperam! Eu devo para elas! Me matam!
Alisa puxou a mão.
O pai disse calmamente, mas com firmeza:
— Saia de casa. Senão chamarei a segurança.
No dia seguinte, Alisa voltou ao restaurante, mas Katya não estava lá.
Ela ficou quase uma hora no carro esperando, mas a menina não apareceu.
“Eu devia ter perguntado o endereço ontem,” pensou, se repreendendo.
Entrando no restaurante, Alisa perguntou:
— Com licença, a menina… Katya?
A dona suspirou:
— Ah, eles têm problemas. Alguém denunciou à assistência social que ela está pedindo esmola.
Provavelmente um forasteiro. Vieram esta manhã.
O pai dela está com a saúde ruim desde que caiu de uma torre no ano passado.
Deram dois dias para resolver a situação, senão vão tirar a Katya.
— Quem denunciou? Vocês sabem?
— Dizem que foi Pavel Zagorodny. O mesmo noivo com quem você ia se casar?
Mas Alisa já estava correndo para fora.
Ela tinha o endereço, mas isso não bastava — precisaria da ajuda do pai.
Geralmente ela tentava resolver tudo sozinha, mas este era um caso especial.
Andrey Semenovich nunca negou ajuda à filha.
Três meses depois
— Katya, pronta? — Alisa entrou animada no quarto.
Katya tentou parecer importante, mas logo correu para Alisa:
— Você acha que o papai vai gostar?
— Claro! E você foi ótima: não roeu as unhas, senta direito, come com cuidado…
Katya suspirou teatralmente:
— Como é difícil às vezes ser boazinha!
As duas riram, despreocupadas e sinceras como sempre.
— Vamos, Katyusha! Papai não pode ficar em pé por muito tempo.
— Alisa, você tem certeza que papai vai conseguir andar?
— Tenho! E até correr. Graças ao vovô Andrey!
O pai de Alisa observava a cena e sorria.
Ele via a filha de um jeito totalmente diferente — cuidadosa, gentil, verdadeira.
Alisa tem muitos talentos, mas esse novo — demonstrar amor e compaixão — o tocou mais do que tudo.
O pai de Katya se revelou um homem bom e honesto, apenas passando por uma situação difícil na vida.
Andrey Semenovich estava confiante de que eles conseguiriam. Alisa já tinha provado isso várias vezes.
Ele suspirou. Que felicidade que os caminhos deles se cruzaram!
Não importava quantos esforços, conexões e dinheiro ele teve que gastar.
Por essas pessoas ele não poupava nada.
E foi exatamente três meses depois do começo de todas essas mudanças que eles celebraram o casamento — naquele mesmo restaurante aconchegante onde para Alisa tudo recomeçou.







