O quarto está pronto e o dinheiro para as nossas despesas também”?
A resposta do genro a fez agarrar as malas.

Andrei estava junto à janela e observava o táxi se aproximar da entrada do prédio.
Do carro saíram duas pessoas: sua sogra, Alevtina Pavlovna, e a irmã mais nova dela, Zinaida.
Ele sabia que esse dia chegaria.
E vinha se preparando para ele havia três semanas.
Atrás dele, Vika mexia nervosamente na barra do vestido.
Ela não sabia exatamente o que o marido havia planejado.
Mas confiava nele sem reservas.
A campainha cortou o silêncio do apartamento.
— Abra, — disse Andrei suavemente à esposa.
— Vai ficar tudo bem.
Vika assentiu e foi até a porta.
A fechadura estalou.
— Vikucha! — ouviu-se a voz alta de Alevtina Pavlovna.
— Aqui estamos nós!
Receba as visitas!
Alevtina entrou no hall como uma rainha em uma recepção.
Atrás dela vinha Zinaida, apressada, com duas malas enormes.
— Oi, mãe, — disse Vika baixinho.
— Oi, oi, — respondeu Alevtina, dispensando-a com um gesto.
— Onde está Andrei?
E por que você não está ajudando sua tia com a bagagem?
Andrei saiu do quarto.
Havia um sorriso cordial em seu rosto.
— Boa tarde, Alevtina Pavlovna.
Zinaida Pavlovna.
Fico feliz em vê-las.
— Então, — Alevtina o examinou dos pés à cabeça.
— Prepararam o quarto?
Eu escrevi para Vika ainda na semana passada.
— Claro, — respondeu Andrei.
— Venham, vou mostrar.
Ele as conduziu pelo corredor até o quarto de hóspedes.
Abriu a porta.
E deu um passo para o lado.
A sogra parou imóvel na soleira.
Sua boca se abriu, mas nenhum som saiu.
O quarto estava cheio de caixas.
Torres de papelão se amontoavam até o teto.
No chão, no corredor estreito entre elas, havia duas camas dobráveis com colchões finos.
— O que é isso? — Alevtina finalmente conseguiu dizer.
— O quarto de vocês, — respondeu Andrei com calma.
— Vocês queriam ficar, não queriam?
— Você está zombando de mim?
— Não.
O sofá eu vendi há muito tempo.
Por enquanto há camas dobráveis.
Atrás da irmã, Zinaida soltou um pequeno gemido.
— Viktoria! — a voz de Alevtina subiu até virar um guincho.
— Você está vendo o que seu marido está fazendo?
Que falta de respeito é essa com sua própria mãe?
Autora: Vika Trel © 4947z
Vika estava pálida, olhando ora para a mãe, ora para Andrei.
Seus dedos mexiam nervosamente na barra do vestido.
— Mãe, eu não sabia das caixas…
— Não sabia? — Alevtina deu um passo em direção à filha.
— Mas deveria saber!
Você é a dona desta casa ou o quê?
— Alevtina Pavlovna, — interveio Andrei suavemente.
— Vamos primeiro comer alguma coisa depois da viagem.
Depois conversamos com calma.
— Com calma?
Depois disso? — Alevtina apontou para o quarto.
— Vocês estão cansadas.
Vamos para a cozinha.
Andrei se virou e foi para a cozinha.
Os outros o seguiram.
Sobre a mesa havia uma panela.
Ao lado, quatro pratos.
Andrei tirou a tampa.
Dentro da panela havia macarrão grudado, transformado em um único bloco cinzento.
— Por favor, — disse ele, colocando uma porção em cada prato.
Por cima, uma salsicha para cada um.
— Sirvam-se.
Zinaida se sentou à mesa em silêncio.
Seus olhos estavam arregalados de horror.
— Isto… isto é o quê? — Alevtina ficou encarando o prato.
— Macarrão com salsicha.
Comida caseira.
Minha receita.
— Isso é intragável!
— Por quê?
Eu comi assim durante toda a infância.
E nada, cresci saudável.
Vika se sentou ao lado da tia.
Não levantava os olhos.
— Andrei, — a voz da sogra ficou ameaçadoramente baixa.
— Exijo explicações.
Imediatamente.
— Com prazer, — Andrei se sentou em frente à sogra.
— Vejo duas opções.
A primeira: vocês dormem nas camas dobráveis.
A segunda: hotel.
— O quê?
— Há também uma terceira.
Vocês voltam para casa.
Na cozinha, instalou-se o silêncio.
Zinaida ficou olhando fixamente para o prato de macarrão.
— Você se atreve a me expulsar da casa da minha filha?
— Não.
Estou oferecendo uma escolha.
— Viktoria! — Alevtina se virou para a filha.
— Você está ouvindo o que ele está dizendo?
Diga alguma coisa!
Esta é a sua casa!
Sua própria mãe!
Vika levantou os olhos.
Andrei viu seu rosto ficar vermelho.
Viu as lágrimas se aproximarem.
— Vika, — disse ele, tirando do bolso uma folha dobrada.
— Vá, por favor, ao mercado.
Aqui está a lista.
— Agora? — a voz dela tremeu.
— Sim.
Precisamos de comida para o jantar.
Vou preparar algo melhor do que macarrão.
Talvez eu cozinhe batatas, temos chucrute.
Vika pegou a lista.
Suas mãos tremiam.
— Não ouse sair! — ordenou Alevtina.
— Estou falando com você!
— Mãe, eu volto logo.
Vika saiu da cozinha discretamente.
A porta de entrada bateu.
Andrei olhou para a sogra.
Depois para a irmã dela.
— Agora vamos conversar a sério.
*
Alevtina Pavlovna se endireitou na cadeira.
Seus olhos se estreitaram.
— Pois bem, fale.
Explique por que você está me humilhando diante da minha irmã.
— Estou lhe dando uma chance, Alevtina Pavlovna.
Uma.
A última.
— Uma chance? — ela sorriu com desprezo.
— Para quê?
— Para reconhecer o erro.
Pedir desculpas.
E começaremos a conversa do início.
— Eu?
Pedir desculpas?
A quem?
— A Vika.
Por usá-la durante anos como hotel gratuito.
— Usá-la?
Eu sou mãe dela!
Andrei colocou as palmas das mãos sobre a mesa.
Sua voz continuou firme.
— Nós recusamos.
Três semanas atrás.
Vika escreveu que iríamos sair de férias.
— E daí?
Férias podem ser adiadas.
— Não podem.
— Podem, — a sogra bateu a palma da mão na mesa.
— Quando a mãe chega, as férias são canceladas.
— Não.
— Sim!
Zinaida tossiu baixinho.
— Talvez não valha a pena brigar?
Nós poderíamos realmente ir para um hotel…
— Cale-se! — cortou Alevtina.
— Isto é assunto de família!
— Exatamente, — Andrei assentiu.
— De família.
Ontem liguei para seus filhos, Igor e Marina.
Ao ouvir esses nomes, Alevtina estremeceu.
— Para quê?
— Conversamos.
Descobri algo interessante.
— O que você poderia descobrir com eles?
— Que Igor suspirou aliviado quando a senhora foi embora.
Que Marina chorou de alegria ao fechar a porta atrás da senhora.
Que os dois contam os dias até a sua próxima visita.
Com pavor.
— Mentira!
— Arrisque.
Ligue para eles.
Alevtina se levantou de um salto.
— Você está colocando meus filhos contra mim!
— Não.
Eles entendem tudo há muito tempo.
Só têm medo de dizer isso na sua cara.
— Medo?
De mim?
— Justamente da senhora.
Zinaida se levantou silenciosamente da mesa.
Ela claramente queria desaparecer.
— Sente-se! — Alevtina gritou para a irmã.
— Você é testemunha desta indecência!
— Sou testemunha de que seu genro está tentando falar com você como uma pessoa, — disse Zinaida de repente.
— E você está gritando.
Alevtina se virou para a irmã.
— Você também está contra mim?
— Eu não estou contra ninguém.
Mas esse macarrão eu não vou comer.
E não pretendo dormir em cama dobrável.
Vamos para um hotel, Alia.
— Eu não vou a lugar nenhum!
Esta é a casa da minha filha!
Tenho o direito de estar aqui!
Andrei se levantou.
— Muito bem.
A senhora fez sua escolha.
— Que escolha?
Eu não escolhi nada!
— A senhora se recusou a reconhecer o erro.
Então não há mais chance.
Ele se virou e foi para o quarto de hóspedes.
— Aonde você vai? — gritou a sogra.
Andrei não respondeu.
Entrou no quarto e começou a dobrar as camas dobráveis.
*
Alevtina entrou voando no quarto atrás dele.
— O que você está fazendo?
— Devolvendo as camas dobráveis à vizinha.
Elas são dela.
— Espere!
— Não.
Ele pegou as duas camas dobradas e passou com dificuldade pela sogra em direção à saída.
— Andrei!
Pare!
Vamos conversar!
— Nós já conversamos.
— Não!
Ainda não terminamos!
Ele abriu a porta de entrada.
Em três passos, estava diante do apartamento da vizinha.
— Liuda! — tocou a campainha.
— É o Andrei!
A porta se abriu.
A vizinha, uma mulher jovem, apareceu no patamar.
— Ah, já não precisa mais delas?
— Sim.
Muito obrigado.
Você me salvou.
— Não foi nada.
E então, as visitas foram embora?
— Estão indo.
Ele entregou as camas dobráveis.
Agradeceu mais uma vez.
E voltou para seu apartamento.
Alevtina estava em pé no hall.
Seu rosto estava branco de raiva.
— Você está me expulsando.
— Eu lhes ofereci uma escolha.
Vocês escolheram o escândalo.
— Eu não estou fazendo escândalo!
— A senhora está levantando a voz há quarenta minutos.
— Porque você está zombando de mim!
— Não.
Estou protegendo minha família.
— Família?
Eu sou a família da sua esposa!
— Vika é minha esposa.
Ela é minha família.
A senhora é uma visita.
Uma visita que chega sem convite.
Todas as vezes, e não por um dia ou dois, mas por um mês, e ainda exige dinheiro para seus passeios.
Zinaida apareceu no corredor com duas malas.
— Alia, vamos.
Encontrei um hotel perto da estação.
Barato.
— Eu não vou a lugar nenhum!
— Então eu vou sozinha.
Alevtina se virou para a irmã.
— Você está me abandonando?
— Eu quero dormir e comer normalmente.
Numa cama dobrável com macarrão isso é impossível.
— Mas Vika…
— Vika vai voltar do mercado e encontrar o apartamento vazio.
Isso vai deixá-la feliz.
— De onde você tirou isso?
— Do fato de que o marido dela a está protegendo de você.
E não o contrário.
Isso é raro, Alia.
Valorize.
Andrei observava em silêncio a discussão das duas.
Seu rosto não expressava nada.
— Chame um táxi, — disse finalmente Alevtina à irmã.
— Já que você é tão esperta.
— Já chamei.
Chega em cinco minutos.
A sogra se virou para Andrei.
Em seus olhos havia raiva.
E algo mais.
Algo parecido com medo.
— Eu vou me lembrar disso.
— Como quiser.
— Vika vai saber como você me tratou.
— Ela sabe.
— Ela sabe? — a voz de Alevtina vacilou.
— Sim.
E confia em mim.
— Minha filha não pode…
— Sua filha é uma mulher adulta.
Durante anos, ela suportou suas visitas.
Sorria.
Cozinhava.
Limpava.
Dava dinheiro.
E depois chorava à noite.
Alevtina recuou.
— Não é verdade.
Você está mentindo.
— É verdade.
Pergunte a ela mesma.
Se tiver coragem.
O telefone de Zinaida apitou.
— O táxi chegou.
*Recomendo a leitura: 👑— Ela está aqui agora?
Bem no meu apartamento? — Elena não sabia se ria ou se já era hora de matar o marido.
Quando Vika voltou do mercado com as sacolas, o apartamento estava silencioso.
Andrei estava sentado no quarto de hóspedes, desmontando as caixas.
Elas estavam vazias — ele as empilhava.
— Onde estão todos? — perguntou Vika da soleira.
— Foram embora.
— Foram embora?
— Sim.
Para um hotel.
Vika colocou as sacolas no chão.
Aproximou-se lentamente do marido.
— O que aconteceu?
— Nós conversamos.
Sua mãe preferiu o hotel.
— Ela… escolheu sozinha?
— Sim.
Vika se sentou no chão ao lado das caixas.
Seus olhos estavam secos.
— Eu não entendo.
— O que exatamente?
— Como você conseguiu.
Andrei deixou uma caixa de lado.
Olhou para a esposa.
— Dei uma escolha a ela.
Ela escolheu a jogada errada.
— Errada?
— Ela decidiu que podia gritar.
Que isso ajudaria.
Não ajudou.
O telefone de Vika vibrou.
Ela olhou para a tela.
— É ela.
— Atenda.
Vika apertou o botão.
— Sim, mãe?
Do telefone veio a voz de Alevtina.
Alta, indignada, mas já não tão segura.
— Vika!
Seu marido é um insolente!
Expulsou-me no meio da noite!
Para a rua!
— Agora são três da tarde, mãe.
— Não importa!
Ele me humilhou!
Na frente da Zina!
Eu nunca passei por algo assim!
— Onde vocês estão agora?
— Num hotel!
Perto da estação!
É um lugar horrível!
— Está limpo?
— O quê?
— O quarto está limpo?
— Sim, mas… Vika, você está me ouvindo?
— Estou ouvindo.
— Venha para cá!
Imediatamente!
Leve-nos de volta!
Vika olhou para Andrei.
Ele arrumava as caixas tranquilamente.
— Não, mãe.
— Como assim, não?
— Daqui a uma semana saímos de férias.
Temos tudo planejado.
— E daí?
Cancele!
— Não.
— Vika!
— Mãe, descanse.
Amanhã conversamos sobre tudo.
Boa noite.
— Viktoria!
Não ouse desligar!
— Até amanhã, mãe.
Vika encerrou a chamada.
Colocou o telefone sobre a mesa.
E abraçou o marido.
— Obrigada.
— Pelo quê?
— Por fazer o que eu não conseguia.
Andrei retribuiu o abraço.
— O sofá chega amanhã.
Bom, confortável.
— E as caixas?
— Vou jogar fora.
Elas eram necessárias só para hoje.
Vika riu baixinho.
— Você planejou tudo isso.
— Sim.
— E o macarrão?
— Principalmente o macarrão.
Receita da cantina da escola.
— Isso foi cruel.
— Mas eu comia antes e não morri envenenado.
O telefone vibrou de novo.
Vika olhou para a tela.
— Tia Zina.
— Atenda.
Ela apertou o botão.
— Sim, tia Zin?
— Vika, sou eu.
Escute, não fique brava conosco.
Nós realmente passamos dos limites.
— Não estou brava.
— Seu marido… ele foi muito bom.
De verdade.
Alka está furiosa, mas vai se acalmar.
Amanhã de manhã vamos voltar para casa.
— Tão rápido?
— Sim.
De repente, Alka teve assuntos urgentes em casa.
Imagine só.
Vika olhou de novo para Andrei.
Ele sorriu.
— Imagino, tia Zin.
— Pois é.
Perdoe-nos, se for o caso.
E diga ao seu marido… diga que ele é uma boa pessoa.
Firme.
Hoje em dia, gente assim é rara.
— Vou dizer.
Vika colocou o telefone de lado.
Encostou-se no marido.
— Elas vão embora amanhã de manhã.
— Eu ouvi.
— Como você fez isso?
— Simplesmente não deixei a ela nenhum ponto de apoio.
Nem caixas, nem macarrão — nada que pudesse ser chamado de hospitalidade.
— E as camas dobráveis?
— Devolvi à vizinha quando ela se recusou a pedir desculpas.
— Você deu a ela uma chance de pedir desculpas?
— Sim.
Uma.
Ela não aproveitou.
Vika fechou os olhos.
— Eu não teria conseguido.
— Eu sei.
Por isso fui eu.
— E se ela vier de novo?
— Então haverá caixas de novo.
E macarrão.
E camas dobráveis, se eu encontrar.
— Você não tem jeito.
Vika riu.
— Eu te amo.
— Eu também te amo.
Do lado de fora da janela, o sol se punha.
No apartamento havia silêncio e calma.
Pela primeira vez em muito tempo.







