— Maksim, onde está a pequena cafeteira com o cabo de cobre? De manhã, abri o armário e ela não estava lá.
Alina estava no meio da cozinha, segurando a porta do armário aberta.

Na prateleira de cima havia um espaço vazio que chamava especialmente a atenção: a cafeteira sempre ficava ao lado do bule e do açucareiro.
Maksim tirou os olhos do telefone.
— Minha mãe pegou. Ela ia receber visitas.
— Quando ela pegou?
— Acho que na terça-feira.
— Hoje é sábado. Por que estou sabendo disso só agora?
Ele deu de ombros e voltou a olhar para a tela.
— Ela vai devolver. Não entendo por que fazer um interrogatório por causa de uma cafeteira.
Alina fechou o armário e se virou para o marido.
— Porque é a minha cafeteira. Eu não dei permissão para que ela a levasse.
— Podemos comprar outra, se você precisa tanto dessa.
Uma expressão que Maksim conhecia muito bem apareceu no rosto de Alina.
Ela não pretendia gritar, mas a conversa não terminaria ali.
— Eu não quero outra. Quero usar a minha coisa, que estava no meu apartamento.
— Minha mãe não é uma estranha.
— Isso não faz dela a dona dos meus armários.
Maksim soltou um suspiro alto, levantou-se da mesa e foi para o quarto.
Ele realmente achava que a esposa levava as coisas comuns da casa a sério demais.
Para ele, uma xícara, uma cafeteira ou um utensílio de cozinha podiam facilmente ser substituídos por novos.
Alina, porém, via outra coisa: uma pessoa havia aberto um armário sem permissão, escolhido algo de que gostara e levado, sem sequer avisar a dona.
Cinco anos antes, naquele apartamento não havia nem Maksim, nem sua mãe, nem discussões constantes sobre o que podia ser levado sem pedir.
Alina havia comprado o espaçoso apartamento de dois quartos muito antes de conhecer o futuro marido.
Durante vários anos, pagou a hipoteca, abriu mão de compras desnecessárias e foi mobiliando os cômodos aos poucos.
Ela não queria preencher cada canto vazio.
Escolhia as coisas sem pressa, comparava a qualidade e pensava se realmente precisava delas.
Quando terminou de pagar a hipoteca, o apartamento já tinha tudo o que era necessário.
Móveis confortáveis, bons eletrodomésticos, louças resistentes e alguns objetos queridos que haviam pertencido à avó.
Alina conheceu Maksim no aniversário de uma amiga em comum.
Ele trabalhava como técnico de manutenção de equipamentos industriais, conversava facilmente e não tentava impressionar ninguém com grandes promessas.
Eles namoraram durante oito meses antes de Maksim levar seus pertences para a casa de Alina.
A mudança aconteceu sem muita confusão: algumas caixas, roupas, ferramentas de trabalho e um computador.
Maksim entendia perfeitamente que estava morando no apartamento de Alina.
Ele havia visto os documentos do imóvel, sabia que a hipoteca estava quitada e nunca afirmou ter qualquer participação na compra.
Alguns meses depois, eles oficializaram o casamento.
No começo, a vida juntos era tranquila.
Maksim não tentava mudar a rotina habitual, participava das tarefas domésticas e cuidava bem das coisas.
Às vezes, brincava dizendo que Alina era capaz de perceber o desaparecimento de um único garfo de uma gaveta cheia, mas isso não a incomodava.
Ela realmente sabia o que havia em sua casa.
Os problemas começaram depois que Tamara Petrovna passou a ter uma chave reserva.
Maksim entregou a chave à mãe quando o casal viajou por alguns dias para outra cidade.
A sogra deveria regar as plantas e verificar se a torneira do banheiro, que havia sido recentemente consertada, estava vazando.
Quando voltou, Alina agradeceu e presumiu que a chave já estava com Maksim.
Algumas semanas depois, descobriu que Tamara Petrovna havia ficado com ela.
Ela entrou no apartamento durante o dia, quando Alina estava se preparando para ir trabalhar.
— Só vou ficar um minuto — informou a sogra, tirando os sapatos. — Maksim esqueceu alguns documentos aqui e pediu que eu os pegasse.
Alina ficou surpresa ao ver a chave na mão dela, mas naquela ocasião não discutiu.
Maksim realmente havia pedido à mãe que pegasse uma pasta, e ele próprio já estava trabalhando em outro local.
Depois disso, Tamara Petrovna começou a usar a chave cada vez mais.
No início, ela só aparecia depois de telefonar.
Depois, podia avisar sobre a visita já estando diante da porta.
Alguns meses depois, deixou completamente de avisar.
— Eu sabia que vocês estavam em casa — explicava ela.
Às vezes não havia ninguém em casa, mas isso também não impedia a sogra.
Alina voltava à noite e percebia que alguém havia aberto armários ou mexido nas embalagens da geladeira.
Tamara Petrovna nunca negava suas visitas.
— Vim buscar a assadeira.
— Por que não telefonou?
— Não queria incomodar. De qualquer forma, vou devolver.
A assadeira não foi devolvida por quase um mês.
Quando Alina lembrou o assunto, a sogra ficou surpresa.
— Ela ficou na casa de campo. Vou levar quando formos para lá.
— Eu preciso dela agora.
— Pegue outra.
— Eu não tenho outra.
— Compre uma. Essas assadeiras são vendidas em qualquer lugar.
Alina ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para a sogra.
Ela falava completamente a sério e não via nada de estranho em seu comportamento.
Maksim novamente sugeriu que ela não discutisse.
— Minha mãe vai esquecer e depois trazer.
— Ela pegou uma coisa sem permissão e está me sugerindo que compre outra.
— Mas é apenas uma assadeira.
Uma semana depois, Alina foi pessoalmente à casa de campo da sogra e pegou a assadeira.
Ela estava no galpão, coberta com um saco velho.
Havia restos de gordura queimada no fundo e um arranhão na borda.
Tamara Petrovna nem sequer pediu desculpas.
— As coisas são usadas. Não ficam novas por causa disso.
Alina lavou a assadeira, mas não quis mais cozinhar nela.
Sempre que a pegava, lembrava-se de como a sogra havia decidido o que fazer com uma coisa alheia e depois ainda explicara à dona por que ela não deveria se indignar.
Depois ficou pior.
Tamara Petrovna deixou de se limitar a pegar coisas para si.
Agora ela distribuía os objetos para parentes.
Alina havia comprado um conjunto de porcelana branca e fina depois de quitar a hipoteca.
Ele ficava em um armário fechado e só era usado durante os jantares de família.
Certa vez, ela decidiu arrumar a mesa e descobriu que faltavam quatro xícaras e pires.
— Estão com Katia — informou Maksim.
Katia era a irmã mais nova dele.
— Por que meu conjunto de louças foi parar na casa da sua irmã?
— Algumas amigas dela vieram. Minha mãe deu as xícaras.
— Minha mãe abriu meu armário e entregou minhas coisas para Katia?
— Por que você está falando como se tivesse acontecido um roubo?
Alina virou-se lentamente para o marido.
— E como você acha que eu deveria falar?
— Elas vão devolver.
Não devolveram tudo.
Um dos pires estava rachado e outra xícara tinha lascado.
Katia sorriu sem graça e disse que a louça havia se mostrado frágil demais.
— Minha mãe mesma ofereceu para eu pegar. Eu pensei que você tinha permitido.
Alina não discutiu com a cunhada.
Ela realmente poderia não saber que o conjunto havia sido levado sem o consentimento da dona.
Mas naquela mesma noite, Alina conversou com Tamara Petrovna.
— Não pegue mais nada do apartamento sem a minha permissão.
— Não exagere. Algumas xícaras não vão deixar ninguém pobre.
— Não se trata do preço.
— Então do que se trata?
— Do fato de que são minhas coisas.
A sogra tirou as luvas da bolsa e começou a alisá-las, demonstrando claramente o quanto aquela conversa a incomodava.
— Está bem, não vou pegar mais nada.
Uma semana depois, o mixer de mão desapareceu.
Alina ligou para Tamara Petrovna.
— Está comigo. Eu precisava bater um creme.
— Você tem seu próprio mixer.
— O meu funciona mal.
— Quando vai devolver?
— Quando eu tiver tempo.
— Hoje.
— Não mande em mim.
— Então não pegue minhas coisas.
A sogra levou o mixer naquela noite.
Colocou-o sobre o móvel perto da porta e foi embora sem entrar no apartamento.
Depois de receber a ligação da mãe, Maksim ficou mais carrancudo do que de costume.
— Minha mãe ficou chateada.
— Eu também fiquei chateada quando não encontrei o eletrodoméstico que pretendia usar.
— Você poderia ter usado um batedor manual.
Alina ergueu as sobrancelhas.
— E sua mãe poderia ter usado o próprio mixer.
Maksim não encontrou o que responder.
Durante vários meses, Alina tentou agir com calma.
Guardava os objetos mais valiosos em lugares menos acessíveis, pedia ao marido que pegasse a chave de volta com a mãe e lembrava a sogra das conversas anteriores.
Maksim prometia resolver a situação todas as vezes, mas não fazia nada.
— Agora não é um bom momento.
— Ela vai ficar ofendida.
— Na próxima vez eu falo.
A próxima vez chegava regularmente, e a conversa continuava sendo adiada.
Uma mesinha dobrável desapareceu do depósito.
Tamara Petrovna a entregou ao irmão por alguns dias.
Dois meses depois, ele afirmou que pensava que a mesa havia sido um presente.
Um pequeno vaporizador de roupas apareceu na casa de Katia.
A sogra levou uma panela nova para casa porque a antiga era desconfortável.
Ela entregou um conjunto de toalhas a uma parente distante que havia passado a noite em sua casa.
Alina começou a manter uma lista.
Não porque quisesse contar cada colher, mas porque Maksim continuava chamando tudo aquilo de coisas pequenas.
Ela anotava a data, o nome do objeto e o lugar onde ele era encontrado.
Em agosto, a lista já ocupava duas páginas.
Enquanto isso, Tamara Petrovna sentia-se cada vez mais à vontade no apartamento.
Ela já não perguntava se podia abrir um armário.
Podia entrar no quarto, encontrar o que precisava em uma gaveta e anunciar sua decisão somente depois que o objeto já estivesse em sua bolsa.
— Vou levar o cobertor para a casa de campo.
— Não — respondeu Alina certa vez.
A sogra nem sequer entendeu imediatamente.
— O que significa “não”?
— O cobertor fica aqui.
— Ele está aí sem fazer nada.
— Isso não importa.
— Às vezes você se comporta como se tivesse pena de nos dar até um simples pano.
Alina tirou o cobertor das mãos dela e o colocou de volta na prateleira.
— Eu não tenho problema em compartilhar. Não permito que decidam o que fazer com as minhas coisas.
Tamara Petrovna foi embora ofendida, mas uma semana depois voltou como se aquela conversa nunca tivesse acontecido.
Em meados de agosto, o casal decidiu organizar um pequeno jantar em família.
Maksim sugeriu convidar os pais, Katia com o marido e dois parentes próximos que haviam voltado recentemente de uma viagem.
Alina concordou.
Ela não pretendia proibir o marido de se encontrar com os familiares e esperava que a noite passasse sem mais uma discussão.
Os convidados chegaram às seis.
O pai de Maksim trouxe uma melancia, Katia trouxe frutas e os outros parentes trouxeram aperitivos.
Tamara Petrovna apareceu por último, examinou a mesa posta e imediatamente começou a dar conselhos.
— A carne deveria ter sido servida mais tarde. E seria melhor usar outros pratos.
Alina não respondeu.
Ela colocou os talheres ao lado dos pratos, chamou todos para a mesa e mudou a conversa para a próxima viagem de Katia.
O jantar transcorria tranquilamente.
Maksim contava uma história do trabalho, seu pai discutia com um parente sobre o conserto de um carro e Katia mostrava fotografias.
Tamara Petrovna tentou várias vezes explicar a Alina quais pratos ela deveria ter preparado, mas não recebeu apoio e logo mudou para outros assuntos.
Depois do jantar, Alina recolheu os alimentos que sobraram e os levou para a cozinha.
Ela não tinha pressa, guardou cuidadosamente os recipientes na geladeira, limpou a bancada e voltou para a sala.
Tamara Petrovna havia desaparecido da mesa.
Katia também havia saído.
Alina olhou para o corredor e percebeu que a porta do quarto estava entreaberta.
Ela foi até lá.
Tamara Petrovna estava diante do armário.
Nas mãos, segurava uma pequena caixa escura.
A tampa estava aberta e, sob a luz, brilhavam colheres, garfos e facas de prata.
Katia estava ao lado dela.
— Vão ficar lindas no aniversário — dizia a sogra. — Lá em casa tudo é comum, e esse conjunto vai ficar perfeito. Depois, talvez eu deixe para você. Você gosta de coisas bonitas.
Katia olhou para a entrada e imediatamente recuou.
— Mãe, coloque de volta.
Tamara Petrovna virou-se.
O rosto de Alina não demonstrava confusão.
Ela parou na porta, endireitou os ombros e olhou primeiro para a caixa e depois para a sogra.
O conjunto pertencia à avó dela.
A avó o usava em grandes ocasiões e, antes de morrer, o entregou à neta.
Alina guardava a prata havia muitos anos, raramente a usava e sempre a guardava pessoalmente.
Tamara Petrovna segurava a caixa com uma das mãos, como se fosse apenas mais uma assadeira ou panela.
Alina aproximou-se.
— Tamara Petrovna, coloque a coisa de volta no lugar. Ela não lhe pertence.
A sogra soltou uma breve risada, mas o riso soou inseguro.
— Por que você já está falando nesse tom? Eu só vou levar o conjunto para o aniversário.
— Não.
— Só por uma noite.
— Não.
— Depois eu devolvo.
— Você já decidiu deixá-lo para Katia.
A cunhada corou e interveio rapidamente.
— Eu não preciso de nada. Minha mãe é que disse isso.
— Eu não estou culpando você — respondeu Alina.
Tamara Petrovna fechou a tampa da caixa com força.
— Eu só queria usar os talheres bonitos. Será que é pedir demais para a mãe do seu marido?
— Usar coisas de outras pessoas só é possível com a permissão do proprietário. Ninguém me perguntou.
— Eu sabia que você começaria a implicar.
— Por isso decidiu levá-lo escondido?
— Não escondido. Eu teria avisado.
— Quando a caixa já estivesse na sua casa?
Os gritos foram ouvidos na sala.
Maksim foi o primeiro a aparecer na porta, seguido pelo pai e pelos outros parentes.
— O que aconteceu? — perguntou ele.
Tamara Petrovna imediatamente estendeu a caixa para a frente.
— Sua esposa está fazendo um interrogatório por causa de um conjunto que eu queria levar para o aniversário.
Maksim olhou para Alina.
— Será que não podemos resolver isso depois, sem discutir na frente de todo mundo?
Ela não desviou o olhar.
— Sua mãe abriu o armário do nosso quarto e decidiu levar o conjunto da minha avó.
— Ela vai devolver.
Alina abriu silenciosamente a segunda porta do armário.
Em uma das prateleiras havia vários espaços vazios.
Antes, ali ficavam caixas com louças, pequenos eletrodomésticos e outras coisas que, aos poucos, haviam desaparecido do apartamento.
— Está vendo este espaço? — perguntou ela.
Maksim franziu a testa.
— E daí?
— Aqui ficava o conjunto de louças. Sua mãe deu parte das xícaras para Katia. Uma xícara e um pires foram danificados.
Katia baixou os olhos.
— Aqui ficava a assadeira. Ela foi levada para a casa de campo e voltou arranhada. Na prateleira de baixo ficava o vaporizador. Ele passou várias semanas na casa da sua irmã.
— Eu devolvi — disse Katia baixinho.
— Porque eu fui buscá-lo.
Alina apontou para um espaço vazio junto à parede.
— Aqui ficava uma caixa com toalhas. Elas foram dadas a uma parente sem a minha permissão. A mesinha dobrável foi parar com o tio de Tamara Petrovna. Até hoje não voltou. O mixer de mão, a panela, a cafeteira e vários utensílios de cozinha também foram levados sem autorização.
Tamara Petrovna fez um gesto irritado com a mão.
— Agora ela vai ficar lembrando até de cada pano de prato.
— Vou — respondeu Alina calmamente.
Ela saiu para a sala, pegou o caderno que estava sobre o móvel e voltou.
— Aqui está anotado tudo o que desapareceu do apartamento nos últimos meses.
Maksim pegou o caderno.
À medida que lia, sua expressão mudava.
Na primeira página havia pequenas anotações.
Na segunda, a lista continuava.
— Você realmente anotou tudo isso? — perguntou ele.
— Sim. Porque todas as vezes eu ouvia que aquilo era uma coisa pequena.
Alina mencionou os objetos um por um.
Alguns eram baratos.
Outros precisariam ser procurados e comprados novamente.
Mas o valor total já estava longe de ser insignificante.
— Mesmo que esqueçamos o preço, tenho coisas que não podem ser substituídas — continuou ela. — Este conjunto pertenceu à minha avó. Não está à venda e não será entregue aos parentes de Maksim. Não pode ser levado para um aniversário e depois simplesmente decidido que ficará com alguém.
Tamara Petrovna apertou a caixa com mais força.
— Você está me tratando como uma ladra.
— Estou pedindo que devolva o que pegou sem permissão.
— Eu não roubei nada.
— Então por que minhas coisas estão na sua casa e na casa dos seus parentes?
O pai de Maksim tossiu e desviou o olhar.
Os outros convidados permaneceram em silêncio.
Ninguém tentou defender Tamara Petrovna, porque era difícil explicar aquilo de outra maneira.
Maksim colocou o caderno sobre a cômoda.
— Mãe, coloque a caixa de volta.
A sogra virou a cabeça bruscamente.
— Você também vai ficar do lado dela?
— A coisa é da Alina.
— E agora ela também vai contar tudo o que usamos?
— Ela já contou — respondeu Alina. — E fez muito bem.
Tamara Petrovna ficou alguns segundos olhando para o filho.
Depois abriu o armário e colocou a caixa de volta na prateleira.
Não a deixou na borda, mas a empurrou para o fundo, deixando a tampa torta.
Alina mesma a ajeitou e fechou a porta.
— Dentro de uma semana, devolva tudo o que foi levado do apartamento sem a minha permissão.
— Não vou ficar indo de parente em parente para recolher suas coisas velhas.
— Foi você quem as distribuiu. Você vai devolvê-las.
— E se eu não devolver?
Alina olhou para ela sem sorrir.
— Então entrarei em contato pessoalmente com cada pessoa e explicarei como a propriedade de outra pessoa foi parar com ela. Acho que a maioria ficará constrangida ao descobrir a verdade.
Katia foi a primeira a falar.
— Amanhã vou trazer tudo o que ainda tenho.
— Obrigada.
Tamara Petrovna virou-se para a filha.
— Ninguém pediu para você se justificar.
— Mãe, você disse que Alina tinha permitido que pegássemos.
— Não se meta.
— Eu já estou envolvida. As coisas dela estavam na minha casa.
A sala ficou em silêncio.
Maksim estava ao lado da esposa e já não sugeria que a conversa terminasse.
Alina estendeu a mão.
— E a chave.
A sogra piscou.
— Que chave?
— A chave do apartamento.
— Maksim mesmo me deu.
— O apartamento é meu. Você recebeu a chave reserva para uma finalidade específica, quando viajamos. Agora deixe-a sobre a mesa.
— Para eu ficar parada na porta esperando vocês decidirem abrir?
— Você vai telefonar antes de vir e virá quando combinarmos.
— Eu sou a mãe de Maksim.
— Isso não lhe dá o direito de entrar no meu apartamento sem avisar.
Tamara Petrovna virou-se para o filho.
— Você está ouvindo como ela fala comigo?
Maksim esfregou a ponte do nariz com os dedos.
— Estou.
— E você fica calado?
— Mãe, dê a chave.
O rosto dela ficou coberto de manchas vermelhas.
— Muito bem. Agora vocês vão esconder de mim suas colheres e panelas.
— Não será preciso esconder nada se você parar de pegar o que não é seu — respondeu Alina.
A sogra tirou um molho de chaves da bolsa, retirou uma delas e a colocou com força sobre a cômoda.
O metal bateu contra a superfície de madeira.
— Pegue.
Alina pegou a chave e colocou-a no bolso.
O restante da noite já não parecia um jantar de família.
Os convidados se despediram rapidamente.
Katia aproximou-se de Alina separadamente e prometeu mais uma vez devolver o vaporizador, as xícaras e alguns utensílios de cozinha que sua mãe havia lhe dado.
— Eu realmente pensei que você sabia — disse ela.
— Agora você sabe.
— Sim. E isso me deixa desconfortável.
— Então simplesmente devolva as coisas.
Quando a porta se fechou atrás do último convidado, Maksim recolheu os copos em silêncio e os levou para a cozinha.
Alina guardou a caixa em outro lugar e depois verificou os armários.
O marido apareceu na porta.
— Você poderia ter conversado com minha mãe depois do jantar.
— Eu já conversei com ela muitas vezes.
— Não na frente de todos.
— Ela abriu o armário na frente de Katia e estava prestes a levar o conjunto na frente de todos. Por que eu deveria impedi-la às escondidas?
Maksim franziu a testa e entrou no quarto.
— Mesmo assim, eu me sinto mal.
— E eu me sinto bem procurando minhas coisas há meses?
— Eu não disse que você está errada.
— Toda vez você sugeria comprar outra coisa. Agora olhe para a lista e imagine quantas coisas teriam de ser substituídas só porque você não queria discutir com sua mãe.
Ele se sentou na ponta da poltrona e pegou o caderno.
Desta vez, Maksim leu com atenção.
Perguntou onde cada objeto estava, quem o havia levado e se tinha retornado ao apartamento.
Alina respondia brevemente.
Quando ele chegou à última linha, ela abriu o telefone.
— Há mais uma coisa.
Em uma conversa com Katia, algumas semanas antes, Tamara Petrovna discutia sobre os objetos do apartamento de Alina.
As mensagens chegaram até ela por acaso.
A cunhada havia enviado uma captura de tela para perguntar se realmente poderia levar o vaporizador.
Na época, Alina não mostrou a conversa ao marido.
Primeiro, queria ver se a sogra pararia depois de mais uma conversa.
Na captura de tela estavam as mensagens de Tamara Petrovna.
Ela listava o que havia no apartamento e sugeria à filha que escolhesse o que queria.
Mencionava um moedor de café, um cobertor, a assadeira, o conjunto de toalhas e até uma pequena luminária de mesa.
Katia perguntava várias vezes se Alina não se importaria.
Tamara Petrovna respondia que a nora quase nunca usava aquelas coisas e que Maksim “resolveria”.
Maksim leu a conversa duas vezes.
Depois colocou o telefone sobre a mesa.
— Ela realmente estava discutindo o que mais poderia levar.
— Sim.
— Por que você não me mostrou antes?
— Porque queria que você mesmo visse o que estava acontecendo, em vez de começar a explicar que eu havia interpretado as mensagens errado.
Maksim passou a mão pelo queixo.
Desta vez, não defendeu a mãe.
— Vou conversar com ela amanhã.
— Você pode conversar o quanto quiser. Eu preciso das coisas de volta e que o acesso livre ao apartamento termine.
— Ela devolveu a chave.
— A que estava no molho. Não sabemos se ela fez uma cópia.
— Você acha que ela poderia ter feito?
Alina olhou para os espaços vazios no armário.
— Depois de hoje, não pretendo ficar supondo.
Na manhã seguinte, ela comprou um novo cilindro para a fechadura e o trocou sozinha.
Maksim ajudou a segurar a porta, mas Alina segurava as ferramentas com segurança.
Ela guardou o mecanismo antigo em uma caixa, contou as novas chaves e deixou uma para si e uma para o marido.
As demais colocou junto com os documentos.
— Não vou mais dar a chave para minha mãe — disse Maksim.
— Não dê a ninguém sem a minha autorização.
— Entendi.
Na segunda-feira, Katia trouxe o vaporizador, três xícaras, dois pires e os utensílios de cozinha.
A quarta xícara havia quebrado, e a cunhada comprou por conta própria uma substituta adequada, embora não tenha conseguido encontrar exatamente a mesma.
— Isso não vai devolver o conjunto ao estado original — admitiu ela. — Mas eu queria pelo menos consertar o que posso.
Alina aceitou as coisas e não prolongou a conversa.
Na terça-feira, o pai de Maksim entregou a mesinha dobrável.
Descobriu-se que o irmão de Tamara Petrovna realmente pensava que a mesa havia sido um presente.
Quando soube a quem ela pertencia, devolveu imediatamente.
Na quarta-feira, a cafeteira apareceu.
A sogra a enviou através do marido, embora morasse perto.
Junto com ela vieram a panela e a caixa com as toalhas, da qual faltavam duas.
Na sexta-feira, quase tudo já estava novamente no apartamento.
Tamara Petrovna ligou para Alina à noite.
— Só faltam as toalhas. Não dá mais para devolvê-las.
— Então compre um conjunto igual.
— Não era barato.
— Justamente por isso você não deveria tê-lo distribuído.
A sogra ficou em silêncio.
— Vou encontrar umas parecidas.
— Não parecidas. Iguais.
— Está bem.
Alguns dias depois, ela trouxe um novo conjunto.
Dessa vez, não abriu a porta com a própria chave e não ligou para Maksim exigindo que ele a deixasse entrar imediatamente.
Primeiro, ligou para Alina.
— Estou perto da casa. Posso subir?
— Combinamos às sete. Agora são seis e meia.
— Vou esperar.
Alina olhou para o relógio e só então percebeu o quanto aquela resposta soava incomum.
Pela primeira vez, Tamara Petrovna não tentou entrar antes da hora, não invocou o filho e não reclamou porque a dona da casa determinava o horário da visita.
Às sete, Alina abriu a porta.
A sogra entrou com uma sacola, tirou os sapatos e permaneceu no corredor.
— Aqui estão as toalhas. É o mesmo conjunto.
Alina verificou a embalagem.
— Obrigada.
Tamara Petrovna olhou na direção da cozinha.
— Na próxima semana vou precisar de uma assadeira grande. Não tenho uma dessas.
Antes, ela simplesmente teria aberto o armário e levado a que servisse.
Agora esperava uma resposta.
— Em que dia?
— No sábado. Devolvo no domingo.
— Está bem. Eu mesma vou entregá-la.
A sogra assentiu.
Não procurou a assadeira, não entrou nos outros cômodos e não fez nenhum comentário.
Depois que ela foi embora, Maksim sorriu de canto.
— Parece que ela entendeu.
Alina colocou a sacola com as toalhas na prateleira.
— Ela entendeu muito antes. Só não via motivo para mudar.
— E agora viu?
— Agora sabe que eu não vou mais ficar calada.
A partir daquele dia, Tamara Petrovna telefonava antes de cada visita.
Se precisava de alguma coisa, pedia permissão e dizia quando devolveria.
Às vezes Alina concordava, às vezes recusava — e nunca mais ouviu discursos sobre ser obrigada a compartilhar tudo o que estivesse em seu apartamento.
Maksim também deixou de sugerir que comprassem coisas novas em vez das que haviam desaparecido.
Ele entendeu a simples diferença entre pedir algo emprestado e adquirir o hábito de decidir sobre as coisas dos outros.
E o conjunto de prata da avó continuou com Alina.
Ela o tirou do armário no outono, quando sua tia foi visitá-los.
Colocou cuidadosamente os talheres ao lado dos pratos e, depois do jantar, guardou cada peça pessoalmente em seu lugar.
Mais ninguém abriu aquele armário sem sua permissão.
Uma única frase, dita com calma, foi suficiente para interromper aquilo que durante anos havia sido justificado por parentesco, esquecimento e pequenas questões domésticas:
— Coloque a coisa de volta no lugar. Ela não lhe pertence.







