Depois disso, ela nunca mais apareceu na nossa casa.
A primeira vez que Liudmila Petrovna veio foi um mês depois do casamento.

Eu ainda não tinha tido tempo de me instalar direito no apartamento que eu e o Dima alugávamos na periferia.
As caixas com as coisas estavam no canto do quarto, na cozinha faltava metade dos utensílios necessários, e eu me dividia entre o trabalho e as tentativas de criar pelo menos alguma sensação de aconchego.
— Ai, Lenочка, — arrastou a sogra ao cruzar a soleira, — você podia pelo menos comprar chinelos para visitas.
Fica meio desconfortável assim.
Eu sorri com um sorriso culpado e corri procurar minhas sandálias extras.
O Dima abraçou a mãe, pegou a bolsa dela, sentou-a no sofá.
Liudmila Petrovna olhou ao redor com ar de inspetora e apertou os lábios.
— Bem, para começar, não está mal, — deu ela o veredito.
— Mas eu teria colocado outras cortinas.
Estas são meio sombrias.
Eu passei o chá, tirei os biscoitos que tinha comprado especialmente para a chegada dela.
Ficamos sentados na cozinha, e eu tentava manter a conversa, mas Liudmila Petrovna se empolgava cada vez mais listando o que precisava ser mudado no nosso apartamento.
O Dima assentia, concordava, prometia levar tudo em conta.
— Mãe, não se preocupe, a gente ainda vai arrumar tudo, — dizia ele, e eu sentia crescer dentro de mim uma sensação estranha, parecida com mágoa, mas não exatamente.
Naquela época, me pareceu que era apenas cuidado.
Que Liudmila Petrovna queria nos ajudar, compartilhar experiência.
Eu realmente não entendia muito de interiores, e também não cozinhava tão bem quanto gostaria.
A segunda visita dela aconteceu uns três meses depois.
A essa altura, já tínhamos desempacotado todas as caixas, eu comprei cortinas novas — mas não as que a sogra aconselhou, e sim as que eu mesma gostei.
Pendurei quadros, arrumei livros nas prateleiras.
O apartamento começou a parecer a nossa casa.
Liudmila Petrovna veio com tortas.
Foi um gesto bonito, e eu fiquei sinceramente feliz.
Mas, mal cruzou a porta, ela começou de novo:
— Ai, Len, você acabou comprando cortinas que não são as certas.
Eu falei que tinham que ser claras, elas ampliam o espaço visualmente.
— Eu gosto destas, — retruquei com cuidado.
— Se gosta, gosta, cada um com isso, — dispensou ela num tom que deixava claro: a escolha está errada, mas por educação ela não vai discutir.
No almoço, a sogra provou o meu assado e mastigou pensativa o primeiro pedaço.
— Hummm, não está mal.
Mas eu teria colocado menos carne e mais batata.
E de sal, parece que está faltando.
Dima, não parece?
O Dima comia com apetite e deu de ombros:
— Para mim está normal.
— Bom, homens não entendem dessas sutilezas, — sorriu com ironia Liudmila Petrovna.
— Nós, mulheres, é que entendemos melhor.
Eu fiquei calada.
Disse a mim mesma que não era grave.
Que ela só estava acostumada a controlar tudo, afinal o Dima era o único filho.
Que com o tempo a gente ia se ajustar, e ela me aceitaria.
Mas o tempo passava, e as visitas da sogra ficavam cada vez mais tensas para mim.
Ela vinha uma vez a cada dois ou três meses, geralmente sem convite — só ligava para o Dima de manhã e dizia que viria à noite.
E a cada vez eu me preparava como para uma prova.
Limpava o apartamento até brilhar.
Planejava o cardápio.
Tentava vestir algo neutro, para não dar motivo para críticas.
Mas Liudmila Petrovna sempre encontrava algo para apontar.
— Lenочка, de novo você não tirou o pó da prateleira dos livros.
Olha aqui.
— Len, a sua sopa está salgada demais.
Dimочка, diga à sua esposa que homens não gostam de comida com muito sal.
— Ai, que blusinha esquisita.
Dima, você não pode comprar roupas normais para a sua esposa?
Eu cerrava os dentes e sorria.
Dizia “obrigada pelo conselho” e “com certeza vou levar em conta”.
E por dentro tudo em mim se apertava num nó quente e tenso.
O Dima não percebia.
Ou fingia que não percebia.
— Len, mas ela não faz por mal, — dizia ele quando eu tentava compartilhar o que sentia.
— Ela é assim mesmo, a mãe.
Acostumada a ensinar todo mundo.
Ela não vem tão часто, dá para aguentar.
Dá para aguentar.
Essa frase virou um mantra na nossa família.
Depois de um ano, a situação só piorou.
Liudmila Petrovna parecia ter percebido que eu não reagiria, e se soltou de vez.
Ela começou a comentar sobre o meu trabalho:
— Len, que tipo de gerente você é, se nem consegue manter a casa em ordem?
Sobre a minha aparência:
— Você devia ir ao cabeleireiro, você ficou meio abatida.
Dima, um homem precisa cuidar para que a esposa pareça apresentável.
Sobre o fato de ainda não termos filhos:
— Len, quando é que vocês vão me fazer avó?
Ou você é uma carreirista e não quer ter filhos?
Sabe, no nosso tempo as mulheres trabalhavam e criavam filhos.
Esse assunto ficou especialmente doloroso.
Eu e o Dima tentávamos ter um bebê, mas ainda não dava certo.
Eu ia a médicos, fazia exames, tomava vitaminas.
Foi um período difícil, e os comentários da sogra me atingiam como estilhaços de vidro.
Mas o Dima continuava repetindo: “Dá para aguentar”.
Um dia, eu descobri por acaso um pequeno segredo de Liudmila Petrovna.
Ela veio à nossa casa no meio da semana, quando o Dima estava viajando a trabalho.
Ligou de manhã e disse que chegaria em uma hora — precisava pegar uns documentos que o Dima tinha deixado conosco.
Eu estava trabalhando de casa, sentada com jeans velhos e uma camiseta larga e surrada.
Quando ouvi a campainha, abri a porta, deixei a sogra entrar, pedi desculpas pelo meu visual e disse que iria me trocar.
— Não precisa, Len, é só um minutinho, — dispensou ela.
Ela foi até o quarto, pegou a pasta com os documentos, depois parou, olhou pela janela.
— Posso fumar na varanda? — perguntou de repente.
Eu fiquei sem reação.
Liudmila Petrovna sempre falava com desprezo de mulheres que fumam.
Chamava essas mulheres de “decaídas”.
— A senhora… fuma? — não resisti.
Ela ficou constrangida, corou.
— Bem, de vez em quando.
Quando fico nervosa.
Só não conte para ninguém, principalmente para o Dima.
Ele não iria me entender.
Eu assenti.
Prometi ficar calada.
E realmente fiquei.
Não era meu segredo para revelar.
Mas, desde então, comecei a notar outras pequenas coisas.
Como Liudmila Petrovna, ao criticar meu apartamento, ela mesma esquecia de limpar os pés ao entrar da rua.
Como ela podia se servir de chá e deixar o saquinho em cima da mesa, embora me repreendesse por “desleixo”.
Como ela falava ao telefone com uma voz que não era a dela — doce, insinuante — claramente com algum homem, embora fosse viúva havia muitos anos e sempre contasse como era fiel à memória do marido falecido.
Liudmila Petrovna era uma pessoa comum, com suas fraquezas.
Mas a si mesma ela perdoava essas fraquezas; a mim, não.
Eu preparei meu trigésimo aniversário com cuidado.
Convidei meus pais, minhas amigas, os amigos do Dima.
Arrumei o apartamento, pus a mesa.
Assei um bolo — um medovik pela receita da minha avó, meu número de destaque.
Liudmila Petrovna veio com um buquê e uma caixa de bombons.
Parabenizou-me de forma seca, olhou a mesa com um olhar crítico.
— Ai, quanta coisa, — arrastou ela.
— Lena, você devia fazer mais simples, para que sobrecarregar a mesa assim?
De qualquer jeito, metade vai sobrar.
Eu sorri e fui receber os outros convidados.
A noite começou bem.
Todos riam, comiam, bebiam champanhe.
Minhas amigas elogiavam o bolo, minha mãe se orgulhava de mim, os amigos do Dima brincavam e me parabenizavam.
Eu me sentia feliz.
E então chegou a hora de cortar o bolo.
Eu o trouxe da cozinha e coloquei sobre a mesa.
Ele ficou bonito — camadas retas, recheio cremoso, decoração de frutas vermelhas.
Os convidados fizeram barulho, sorriram.
— Uau, Len, você é uma verdadeira dona de casa! — disse minha amiga Katya.
— Dima, você deu sorte com a esposa, — acrescentou o amigo dele, Seryoga.
O Dima me abraçou pelos ombros, e eu vi que ele estava orgulhoso.
Eu cortava o bolo, distribuía nos pratos, e nesse momento soou a voz da sogra:
— Ai, Lenочка, você não exagerou no mel, por acaso?
Está meio enjoativo.
E as camadas estão meio secas.
Você devia ter colocado mais manteiga.
A sala ficou em silêncio.
Todos olharam para Liudmila Petrovna, depois para mim.
E então tudo o que vinha se acumulando durante aqueles dois anos.
Todos os comentários, todas as acusações, todo o “dá para aguentar”.
Aquilo, enfim, chegou ao limite.
Eu coloquei a faca de lado devagar.
Olhei a sogra nos olhos.
— Liudmila Petrovna, — eu disse com calma, — obrigada pela opinião.
Mas sabe, eu acho que todos nós temos os nossos defeitos.
Eu, por exemplo, posso fazer um bolo não perfeito.
E a senhora, por exemplo, fuma na varanda quando acha que ninguém está vendo.
E deixa marcas sujas no chão.
E esquece de apagar a luz do banheiro.
E fala ao telefone de um jeito doce demais com homens desconhecidos, embora conte a todos como é fiel à memória do seu marido.
Eu não levantei a voz.
Eu apenas enumerava fatos.
Mas cada palavra caía no silêncio como uma pedra na água.
O rosto de Liudmila Petrovna, de branco, ficou vermelho, depois roxo.
Ela abriu a boca, fechou, abriu de novo.
— Você… como você se atreve! — conseguiu dizer por fim.
— Dima!
Você está ouvindo como sua esposa fala comigo?!
O Dima estava ao meu lado, e eu sentia como a mão dele no meu ombro se tensionava.
Mas eu não desviava o olhar da sogra.
— Eu apenas respondi à sua crítica diante dos convidados, — eu disse.
— A senhora acha possível apontar meus defeitos na frente de todos.
Por que eu não posso responder do mesmo jeito?
— Isso… isso é falta de respeito! — Liudmila Petrovna pegou a bolsa.
— Eu sou sua sogra!
Eu sou mais velha!
Eu tenho o direito!..
— Direito a quê? — interrompi.
— Ao longo de dois anos me humilhar na minha própria casa?
A criticar cada passo meu, cada decisão minha?
A me dizer que eu sou uma péssima esposa, uma péssima dona de casa, que me visto errado, cozinho errado, vivo errado?
Minha voz tremia, mas eu continuei:
— Eu aguentei.
Porque o Dima pediu.
Porque eu achava que a senhora ia se acostumar, que ia me aceitar.
Mas a senhora não aceita.
A senhora apenas se aproveita do fato de eu não responder.
Então, sabe de uma coisa?
Chega.
Liudmila Petrovna pegou da mesa o buquê — aquele mesmo que tinha trazido para mim de presente.
— Eu não vou ficar nesta casa nem por um minuto! — declarou.
— Dima, você vai comigo!
Ela olhou o filho com desafio.
O Dima ficou em silêncio.
Eu via como ele lutava consigo mesmo, via a tensão no rosto dele.
E então ele balançou a cabeça devagar.
— Não, mãe.
Eu fico.
Esta é a nossa casa.
E a Lena está certa.
Liudmila Petrovna empalideceu ainda mais.
Por um segundo ela ficou imóvel, depois se virou e saiu, batendo a porta com força.
Os convidados foram embora mais cedo do que o planejado.
O clima estava estragado e, embora todos fingissem que nada de muito grave tinha acontecido, havia constrangimento.
Quando o último convidado saiu, eu e o Dima ficamos a sós.
Ele estava sentado no sofá, com a cabeça entre as mãos.
Eu recolhia as coisas da mesa, sem saber o que dizer.
— Len, — chamou ele por fim.
— Vem aqui.
Eu me aproximei.
Ele pegou minha mão, me sentou ao lado dele.
— Me desculpa, — disse ele.
— Eu fui um idiota cego.
— Dim…
— Não, escuta.
Eu realmente não entendia o quanto estava sendo difícil para você.
Eu pensava que a mãe só estava preocupada.
Que as observações dela eram… bem, uma forma de amor.
Mas hoje eu vi o seu rosto.
E entendi o quanto você aguentou.
Ele me abraçou, e eu me encostei nele, sentindo a tensão ir embora.
— Eu não queria brigar com ela, — sussurrei.
— Mas eu não consegui mais.
— Você fez certo, — disse ele.
— Eu devia ter te protegido antes.
É minha culpa ter chegado a isso.
Ficamos sentados em silêncio, no meio de saladas pela metade e restos de bolo.
E pela primeira vez em muito tempo eu senti que nós estávamos realmente juntos.
Liudmila Petrovna não ligou por três dias.
Depois ligou para o Dima — curta, seca.
Disse que estava magoada e que não voltaria à nossa casa enquanto eu não pedisse desculpas.
O Dima respondeu que quem devia pedir desculpas era ela.
Que a Lena aguentou por dois anos, e ela ultrapassou todos os limites.
A conversa foi curta.
Liudmila Petrovna desligou.
Passaram duas semanas.
Depois um mês.
O Dima tentou se reconciliar com a mãe, ligava para ela, sugeria se encontrar em algum lugar neutro.
Mas ela recusava com teimosia, repetindo sempre que a nora devia ser a primeira a pedir perdão.
Eu não pretendia pedir desculpas.
Não por ter dito a verdade.
Não por finalmente ter me defendido.
Um mês depois, o Dima foi sozinho até a casa da mãe.
Voltou tarde da noite, cansado.
— E então? — perguntei.
— Ela não quer contato, — suspirou ele.
— Acha que você a humilhou.
Que agora ela não consegue olhar nos meus olhos.
— Dima, eu não queria humilhá-la, — eu disse.
— Eu só queria que ela entendesse como foi para mim todo esse tempo.
— Eu sei.
E eu expliquei isso a ela.
Mas ela… ela não está pronta para aceitar.
Pelo menos, por enquanto.
Ele me abraçou, me beijou na bochecha.
— Sabe, talvez seja melhor assim.
Que haja uma pausa.
Talvez nesse tempo ela repense.
Passou um ano.
Liudmila Petrovna nunca mais apareceu na nossa casa.
O Dima a via de vez em quando — passava na casa dela, às vezes se encontravam num café.
Ela perguntava da vida dele, mas nunca se interessava por mim.
Fingia que eu simplesmente não existia.
No começo foi difícil para mim.
Eu sentia culpa, embora soubesse que não deveria.
Eu pensava se não tinha sido dura demais, se não deveria ter encontrado outras palavras.
Mas com o tempo eu entendi: eu fiz o que precisava fazer.
Eu defendi a minha dignidade.
O meu direito de viver na minha casa do jeito que eu considero certo.
O meu direito de ser imperfeita, não ideal, de não corresponder aos padrões de alguém.
E o Dima mudou.
Ele ficou mais atento, mais carinhoso.
Aprendeu a me ver, a me ouvir.
Nós viramos de verdade uma equipe.
Às vezes, enquanto arrumava a casa, eu pensava naquela noite.
No rosto de Liudmila Petrovna quando eu respondi à crítica dela.
No silêncio da sala.
E em como ficou fácil respirar depois que eu finalmente desabafei.
Eu simplesmente respondi à minha sogra à crítica dela diante dos convidados.
Depois disso, ela nunca mais apareceu na nossa casa.
E sabe de uma coisa?
Eu não me arrependi.
Nem um pouco.







