Cheguei a uma pequena cidade montanhosa com uma mala, algumas economias e uma dívida que não era minha.
Meu pai havia desaparecido três dias antes.

Ele deixou apenas uma mensagem curta: “Não volte para casa.”
Eu não sabia que, naquele mesmo momento, ele estava sentado diante de um homem que todos na região temiam.
O nome dele era Lukian.
Ele comandava um dos clãs criminosos mais influentes da região.
Diziam que ele era enorme, severo e praticamente impossível de enfrentar.
Nenhuma mulher permanecia ao lado dele por muito tempo.
Algumas tinham medo dele.
Outras simplesmente não suportavam sua aparência e seu jeito frio.
Eu nunca havia pensado que acabaria diante dele.
Muito menos que ele me pediria para ser sua noiva.
Tudo começou na manhã em que entrei na padaria de Stepan Bondar.
Eu precisava de trabalho.
— Você sabe fazer alguma coisa além de ficar olhando para o forno? — perguntou Stepan, um homem de cabelos grisalhos e mãos cobertas de farinha.
— Sei assar pão, fazer bolos e… medovik.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Medovik?
— Sim.
— Então você começa hoje.
Foi assim que me tornei padeira.
Eu era desajeitada, derrubava bandejas, tropeçava nos próprios pés e, certa vez, consegui derrubar um saco inteiro de farinha.
Mas eu trabalhava duro.
E a padaria precisava de alguém como eu.
Algumas semanas depois, comecei a perceber que homens estranhos apareciam com frequência na rua.
Eles nunca compravam nada.
Apenas observavam.
Uma noite, Stepan fechou a porta mais cedo.
— Solomija, você precisa ir para casa.
— Por quê?
Ele ficou em silêncio.
— O que aconteceu?
— Seu pai voltou a fazer dívidas.
Meu coração afundou.
— Quanto?
Stepan desviou o olhar.
— Mais do que você pode imaginar.
Naquela mesma noite, quando voltei para o pequeno apartamento onde estava morando, encontrei um envelope debaixo da porta.
Dentro havia uma fotografia do meu pai.
E, ao lado dele, estava Lukian.
No verso da fotografia havia apenas uma frase:
“Seu pai prometeu você como pagamento.”
Eu não consegui respirar.
No dia seguinte, Lukian apareceu na padaria.
Todos ficaram em silêncio quando ele entrou.
Ele era realmente enorme.
Alto, de ombros largos, vestido de preto.
Seu rosto era severo, e havia uma cicatriz discreta perto da sobrancelha.
Ele olhou diretamente para mim.
— Solomija?
— Sim.
— Precisamos conversar.
— Sobre meu pai?
Ele assentiu.
— Sobre a dívida dele.
Eu tentei permanecer calma.
— Quanto ele deve?
— O suficiente para não conseguir pagar em toda a vida.
— E o que eu tenho a ver com isso?
Lukian ficou em silêncio por alguns segundos.
Então respondeu:
— Ele ofereceu você como parte do acordo.
Senti o chão desaparecer sob meus pés.
— O quê?
— Seu pai disse que você se casaria comigo e que, em troca, a dívida seria encerrada.
Eu ri nervosamente.
— Isso é impossível.
— Eu também pensei.
Ele colocou um documento sobre a mesa.
Eu li.
Meu nome estava lá.
A assinatura do meu pai também.
E uma cláusula dizia claramente que eu deveria me tornar esposa de Lukian.
— Eu não vou fazer isso.
Lukian me encarou.
— Não precisa.
Levantei os olhos.
— Como assim?
— Não vou me casar com uma mulher que não quer estar comigo.
Aquilo me surpreendeu.
Eu esperava uma ameaça.
Esperava que ele me obrigasse.
Mas ele simplesmente pegou o documento.
— Seu pai tentou vender você para pagar uma dívida.
— E você?
— Eu não compro pessoas.
Ele rasgou o contrato diante dos meus olhos.
— Então por que veio?
Lukian demorou a responder.
— Porque eu precisava saber se você realmente concordava.
— E se eu dissesse não?
— Você iria embora.
— E a dívida?
— Continua sendo do seu pai.
Naquele momento, pela primeira vez, percebi que talvez tudo o que diziam sobre aquele homem não fosse verdade.
Ele podia ser perigoso.
Podia ser poderoso.
Mas não parecia ser o monstro que todos descreviam.
Os dias passaram.
Lukian continuou aparecendo na padaria.
Às vezes comprava pão.
Às vezes ficava apenas alguns minutos em silêncio.
E, aos poucos, começamos a conversar.
Descobri que ele gostava de café forte.
Descobri que odiava doces excessivamente açucarados.
E descobri que, apesar de sua aparência intimidante, ele tinha uma maneira surpreendentemente delicada de tratar as pessoas que considerava importantes.
Um dia, preparei um medovik para ele.
— Não gosto de doces — disse ele.
— Eu sei.
— Então por que fez?
— Porque queria descobrir se você realmente não gosta.
Ele provou um pedaço.
Ficou em silêncio.
— E então?
Ele pegou outro pedaço.
— Talvez eu goste deste.
Eu sorri.
Foi naquele momento que alguma coisa mudou entre nós.
Não foi amor imediato.
Foi algo mais lento.
Mais perigoso.
Mais verdadeiro.
Eu comecei a esperar pelos dias em que ele aparecia.
E ele começou a aparecer cada vez mais.
Certa noite, enquanto fechávamos a padaria, ouvi passos do lado de fora.
Stepan ficou pálido.
— Eles vieram atrás de você.
— Quem?
— Os homens que cobravam a dívida do seu pai.
A porta se abriu.
Três homens entraram.
Um deles sorriu.
— A garota vem conosco.
Antes que eu pudesse reagir, Lukian apareceu atrás deles.
— Não.
O homem virou-se.
— Isso não diz respeito a você.
Lukian deu um passo à frente.
— Agora diz.
O silêncio ficou pesado.
Os homens recuaram.
Nenhuma ameaça foi necessária.
Eles sabiam quem ele era.
Depois que foram embora, minhas mãos começaram a tremer.
Lukian percebeu.
— Você está bem?
— Estou.
— Está mentindo.
Ele tirou o próprio casaco e colocou sobre meus ombros.
— Você não precisa ter medo.
Eu olhei para ele.
— E se eu quiser ficar com você?
Ele ficou imóvel.
— Não diga isso por causa da dívida.
— Não estou dizendo por causa da dívida.
— Então por quê?
Engoli em seco.
— Porque eu quero.
Ele não respondeu.
Apenas segurou minha mão.
Pela primeira vez, não senti medo.
Senti segurança.
Algumas semanas depois, meu pai voltou.
Ele estava desesperado.
— Solomija, você precisa ajudá-lo a pagar.
— Eu não sou moeda de troca.
— Você não entende!
— Entendo perfeitamente.
Ele começou a chorar.
— Eu não tinha outra opção.
Lukian estava parado atrás de mim.
— Você sempre teve outra opção — disse ele.
Meu pai abaixou a cabeça.
— Eu estava desesperado.
— E decidiu vender sua própria filha.
Meu pai não respondeu.
Lukian colocou um envelope sobre a mesa.
— Aqui está a dívida.
Meu pai olhou para ele.
— Você pagou?
— Não.
Ele empurrou o envelope na direção dele.
— Você vai pagar sozinho.
Meu pai abriu o envelope.
Dentro estavam todos os documentos das dívidas.
Mas havia também outra coisa.
Um contrato de trabalho.
Lukian havia conseguido para ele um emprego em uma empresa distante.
— Você vai trabalhar e pagar o que deve.
Meu pai ficou olhando para ele.
— Por que faria isso?
Lukian respondeu:
— Porque sua filha não é sua propriedade.
Meu pai saiu naquela noite.
Nunca mais tentou me vender.
Meses depois, Lukian me levou até uma pequena casa nas montanhas.
— O que é isso?
— Nossa casa.
Eu fiquei sem palavras.
— Nossa?
Ele assentiu.
— Se você quiser.
Eu olhei para ele.
— E se eu não quiser?
— Então continuaremos vivendo como antes.
Sorri.
— Eu quero.
Ele segurou meu rosto com as duas mãos.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Não por causa do seu pai?
— Não.
— Não por causa da dívida?
— Não.
— Então por quê?
Eu sorri.
— Porque escolhi você.
Ele me beijou.
E, naquele momento, entendi que a história que começou com uma dívida havia terminado com uma escolha.
Meu pai tentou me vender.
Lukian poderia ter me comprado.
Mas ele não comprou.
Ele me deu a liberdade de ir embora.
E foi justamente essa liberdade que me fez voltar.
Porque, pela primeira vez na vida, eu não estava sendo obrigada a escolher.
Eu estava escolhendo por mim mesma.






