— Controle seus desejos — disse o marido à esposa grávida…

Arina não estava se sentindo bem: suas pernas haviam inchado novamente, e nenhum conselho dos médicos ajudava a aliviar aquela sensação dolorosa de peso.

A gravidez não estava sendo fácil, mas, ao chegar ao sétimo mês, ela já quase havia se conformado com o desconforto que limitava seu corpo.

— Shhh, minha pequenina, acalme-se… Está tudo bem, meu amor — sussurrava a futura mãe, acariciando delicadamente a barriga.

A filha já era ativa antes, mas naquele dia se mexia com uma intensidade incomum, como se pressentisse que algo estava prestes a acontecer.

De repente, o telefone de Arina vibrou.

Ela se assustou e olhou para a tela.

Era uma mensagem do banco: “95.000 rublos foram depositados em sua conta.”

Arina ficou surpresa, mas depois sorriu alegremente.

— Olha só, o papai mandou dinheiro para nós — sussurrou ela sonhadora, dirigindo-se à pequena.

— Em breve vamos comprar seu berço, roupinhas e tudo o que você precisar…

Ela pensou que Serguei finalmente havia conseguido dinheiro para preparar o quarto do bebê.

Até então, o casal vinha discutindo havia várias semanas.

Arina insistia em comprar o essencial para a filha, enquanto Serioja se irritava, considerando-a exigente demais.

Todos os dias, o marido franzia a testa e repetia a mesma coisa:

— Arina, meu trabalho está parado!

A empresa está tendo prejuízo!

Você gasta demais.

Controle seus desejos, ou vamos acabar sem dinheiro!

A empresa de Serguei trabalhava com fornecimento de materiais de construção.

Era um negócio de família que existia havia muitos anos.

O homem reclamava regularmente que a empresa quase não dava lucro, mas, ao mesmo tempo, não queria fechá-la.

Ele dizia que, para ele, aquilo não era apenas um negócio, mas uma ligação com o passado, com o pai e com tradições que tinha medo de destruir.

Sabendo dos problemas da empresa, Arina ficou sinceramente surpresa quando o marido lhe enviou dinheiro.

Ela abriu o aplicativo do banco para se certificar mais uma vez de que não se tratava de um erro, mas congelou ao ver a observação anexada à transferência: “Isto é para você, minha Ninochka, minha alegria… E para o nosso filho, que vai nascer em breve… Eu amo você!”

Sua visão escureceu, sua cabeça começou a girar e, se a futura mãe não estivesse sentada, certamente teria caído.

Arina deu leves tapas nas próprias bochechas e, quando voltou a si, esfregou os olhos várias vezes e releu a mensagem: Ninochka… Nosso filho, que vai nascer em breve…

A imagem de uma mulher surgiu em sua memória.

Havia apenas uma conhecida deles com esse nome — Nina, filha de uma amiga da sogra.

Então Serguei vinha se encontrando secretamente com ela esse tempo todo?

E ela também estava esperando um filho?

Provavelmente era exatamente isso.

O homem já sustentava sua querida Ninochka havia vários meses, e aqueles 95 mil também eram destinados a ela.

Confuso com seus próprios relacionamentos, o marido aparentemente havia enviado o dinheiro para a mulher errada.

— Muito bem… — murmurou Arina entre os dentes, ao perceber o que tinha acontecido.

Ela sempre havia sido uma pessoa emocional, mas agora precisava se controlar.

De repente, as palavras de sua mãe, que já havia partido deste mundo há muito tempo, ecoaram em sua cabeça: “Uma mulher inteligente não deve se deixar dominar pelas emoções!

As lágrimas ficam para depois; primeiro é preciso pensar em si mesma.”

Sem perder um segundo, Arina fez uma captura de tela da transferência, salvou o comprovante e começou a esperar pelo marido.

Serguei voltou à meia-noite.

Ele sempre chegava tarde, justificando-se com os assuntos da empresa.

Ao perceber que a esposa ainda estava acordada, o homem disse friamente:

— Por que você está sentada no escuro?

Está inventando problemas por causa da gravidez de novo?

Arina fingiu não ter ouvido e apenas perguntou:

— Como foi o trabalho hoje?

— Nada bom, temos poucos pedidos…

Você precisa reduzir os gastos, já estou cansado de ganhar dinheiro para satisfazer todos os seus caprichos.

Pense no futuro e economize — disse o marido, suspirando.

Arina sorriu discretamente.

Serguei acabara de transferir 95 mil para outra mulher e agora pedia que ela economizasse.

— Está bem, jante e vá descansar — respondeu ela calmamente.

Arina não dormiu até o amanhecer, enquanto Serguei roncava no quarto.

Ela estava sentada na sala e examinava lentamente o telefone do marido.

Antes, nunca havia feito algo assim.

Arina não era o tipo de mulher que vasculhava as conversas privadas de outra pessoa.

Mas agora era importante para ela reunir todas as provas.

As mensagens se abriam uma após a outra.

E quanto mais ela lia, mais horrorizada ficava.

Descobriu que a mãe de Serguei já sabia havia muito tempo sobre o relacionamento entre Nina e Serguei.

A sogra nunca fora próxima da nora.

Ela sonhava que o filho se casasse com a filha de sua amiga, mas ele escolhera Arina, embora, como se descobriu, isso não tivesse durado muito.

Agora ele estava com Nina, e sua mãe comemorava:

— Seriojenka, como você está?

Está tudo bem?

Eu entendo como é difícil para você viver com aquela histérica, mas aguente mais um pouco…

— Nina é uma mulher calma, não como Arina!

— O mais importante é que o apartamento permaneça na família.

— Deixe que ela dê à luz primeiro, depois veremos…

Ao reler as conversas entre o marido e a mãe dele, Arina se surpreendia com o quanto uma pessoa podia ser hipócrita.

Mas a última mensagem da sogra a deixou completamente chocada:

— Não se preocupe, Seriojenka.

Depois do parto, ela ficará ocupada com o bebê o tempo todo.

Então você poderá organizar tudo direitinho e ficar com o apartamento para você…

Arina guardou o telefone e fechou os olhos.

Então era isso.

Não se tratava apenas de uma traição por parte do marido.

Toda a família dele estava se preparando para expulsar a jovem mãe e deixá-la na rua com a filha.

O apartamento estava registrado no nome de Serguei, mas havia sido Arina quem pagara a entrada inicial.

Ela vendera a casa de campo da mãe e nunca imaginara que, no futuro, o marido tentaria tirar tudo dela.

Mas ela não era uma mulher ingênua.

Todos os documentos e extratos ainda estavam guardados em sua pasta.

A sogra e o marido provavelmente acreditavam que Arina, grávida, já não conseguia pensar com clareza e que, depois do nascimento do bebê, certamente não lutaria por seus direitos.

Mas eles estavam muito enganados.

Faltavam dois meses para o parto.

Era tempo suficiente para se preparar para as futuras batalhas judiciais.

Arina fez cópias de tudo o que pôde: extratos, transferências e comprovantes.

Ela até fotografou as mensagens da sogra nas quais ela discutia com o filho a futura vida dele com Nina no apartamento que o casal havia comprado durante o casamento.

Nas semanas seguintes, Arina tentou ser a esposa perfeita.

Ela preparava o jantar de Serguei, perguntava sobre a empresa e pedia desculpas por seu cansaço.

Serioja relaxou.

Ele chegava depois da meia-noite, convencido de que a esposa não sabia de nada, enquanto continuava planejando como deixá-la sem nada.

E a sogra fazia de tudo para incentivá-lo.

Certo dia, ela visitou a nora levando uma sacola com roupas infantis usadas e, com um sorriso falso, disse:

— Arina, não gaste dinheiro com roupas novas.

Comprei uma sacola inteira por meio de um anúncio.

Tem muita coisa lá.

Jogue fora o que não servir e lave o restante.

O mais importante é não pressionar Seriojenka.

Ele já está passando por dificuldades, e você precisa ficar mais tranquila.

Além disso, homens não gostam de mulheres insatisfeitas.

Arina apenas assentiu.

Naquela altura, ela já havia se encontrado com um advogado e com a contadora da empresa de Serguei, que havia começado a trabalhar lá recentemente e logo notara algumas inconsistências nas contas.

— Eu não quero me envolver nisso!

No fim, ainda vão me transformar na culpada — disse Liubov Igorievna quando Arina a procurou para falar sobre sua licença-maternidade, já que ela também trabalhava na empresa do marido.

E então vieram à tona muitas coisas interessantes.

A empresa da qual Serguei vivia reclamando não estava dando prejuízo algum.

Os pedidos realmente haviam diminuído, mas não de forma crítica.

Por outro lado, Liubov Igorievna havia percebido uma tendência estranha: nos últimos seis meses, Serguei vinha retirando dinheiro por meio de faturas falsas e também reduzindo os impostos com esquemas ilegais.

Parte do dinheiro ele entregava a Nina, e outra parte à mãe.

Foi por isso que nem Serioja nem sua amante secreta perceberam a falta daqueles 95 mil que haviam sido enviados por engano para Arina.

Descobriu-se que o homem escondia a verdadeira renda da empresa não apenas da esposa, mas também das autoridades fiscalizadoras.

— Se a Receita descobrir isso, seu marido terá problemas sérios — disse o advogado, chegando a assobiar de surpresa ao ver a dimensão da ocultação.

Mas Arina ainda não tinha pressa em denunciar o marido.

Ela tinha um plano melhor.

No domingo, a sogra decidiu organizar um jantar em família para comemorar o próprio aniversário.

Ela convidou parentes, amigos e também Ninochka…

Nina entrou no apartamento segurando cuidadosamente a barriga ainda discretamente arredondada.

A jovem e bela mulher irradiava felicidade e tinha certeza de que estava prestes a vencer sua rival.

Arina não se surpreendeu nem um pouco com a presença dela.

Ela estava sentada à cabeceira da mesa, usando um vestido claro e comendo frutas tranquilamente.

— Bem — disse a sogra quando todos se sentaram —, obrigada por terem vindo.

Isso significa muito para mim.

A família deve permanecer unida, caso contrário a vida perde o sentido.

— Concordo plenamente com a senhora! — disse Arina inesperadamente.

Os convidados olharam para ela, esperando que começasse a parabenizar a sogra, mas a nora não tinha nenhuma intenção de fazer isso.

Em vez disso, tirou um pen drive e o balançou diante do marido.

Serguei ficou imediatamente tenso.

— O que é isso? — perguntou ele.

— Assuntos de família.

Afinal, somos todos parentes aqui, então posso falar abertamente — respondeu Arina com confiança.

Ela abriu uma pasta no tablet e começou a mostrar as provas: capturas de tela das transferências, extratos bancários, documentos financeiros da empresa e conversas privadas entre Serguei, sua mãe e Nina.

Os três ficaram sem palavras quando perceberam o que estava acontecendo.

O último documento que Arina apresentou foi um contrato impresso.

Segundo ele, após o divórcio, o apartamento deveria passar integralmente para a esposa.

— Este é o acordo, Serioja.

O imóvel deve ficar comigo e com minha filha.

Todo o resto será dividido igualmente.

Ou fazemos assim, ou entrego todo o material à Receita, e eles iniciarão uma investigação sobre suas fraudes.

Um silêncio ameaçador tomou conta da mesa.

— Você está blefando! — sibilou a sogra de repente.

— Podem verificar, mas tenham em mente que, por uma ocultação desse tipo, seu filho pode realmente acabar na prisão.

A sogra levou a mão ao coração, enquanto Serguei estava sentado, pálido como um lençol.

E apenas a jovem Ninochka falou de repente com a voz trêmula:

— Querido Seriojenka, você disse que ela não entendia nada disso.

E que conseguiria tirar tudo dela!

— Cale a boca! — rosnou o homem, antes de se virar para a esposa.

— Que garantias eu tenho de que, depois que eu assinar o documento, você não vai nos denunciar?

— Nenhuma.

Você terá que confiar na minha palavra — respondeu Arina friamente.

Serguei foi obrigado a assinar o acordo.

Naquele momento, Arina sentiu um leve movimento na barriga, como se a filha tivesse percebido a vitória da mãe.

— Você ainda vai se arrepender disso! — disse a sogra entre os dentes, observando o filho assinar aquilo que parecia sua própria sentença.

— Sabe — disse Arina, pegando os documentos —, minha mãe estava certa: uma mulher inteligente deve primeiro resolver os problemas e só depois dar vazão às emoções.

Mas ela se enganou em uma coisa: depois de uma vitória, não dá vontade nenhuma de chorar.

Arina pegou o contrato e foi embora.

Um mês depois, ela deu à luz uma menina, a quem deu o nome de Vera em homenagem à própria mãe.

O apartamento ficou com ela, e a empresa de Serguei acabou sendo alvo de uma investigação.

Alguém havia enviado anonimamente à Receita documentos comprometedores.

A sogra ficou fora de si de tanta raiva depois da visita dos órgãos fiscalizadores.

Ela chegou até a ser internada no hospital, reclamando de dores no coração.

Quanto a Ninochka, desapareceu rapidamente quando percebeu que Serguei agora estava atolado em dívidas e processos judiciais, e ela não queria compartilhar os problemas dele.

Ainda assim, as duas mães pediram pensão alimentícia.

Ao que tudo indica, Serguei terá que vender todos os seus bens para conseguir pagar ao menos parte das dívidas…

Às vezes, Arina se lembrava de como a família do ex-marido a havia tratado.

Mas ela não se arrependia de nada e até sentia orgulho de si mesma.

Alguns meses antes, quando todos a traíram ao mesmo tempo, ela não desmoronou.

Ela resistiu e agora começava a vida do zero.

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