— Eu ganho tanto quanto você, mas mesmo assim você continua me chamando de parasita e empregada! Você me humilha de propósito na frente dos seus amigos…

— Minha mulher, Vadik, é o exemplo clássico de uma mulher que começa a inventar bobagens por ter tempo livre demais e viver do meu dinheiro — disse Igor em voz alta, com evidente satisfação consigo mesmo, cravando agressivamente os dentes do garfo em um pedaço suculento de carne de porco assada.

— Eu disse a ela logo de cara: quer brincar de empresária, fique à vontade, mas não me encha a cabeça.

Que se divirta enquanto sou eu quem traz dinheiro de verdade para casa.

Svetlana estava do outro lado da longa mesa de carvalho e cortava metodicamente o pato quente com movimentos precisos e calculados.

A lâmina larga da faca de chef atravessava com um estalo a pele dourada e crocante, revelando a carne escura e fumegante.

Ela não ergueu os olhos para o marido, apenas apertou um pouco mais os dedos em torno do cabo da faca.

— Ah, deixe disso, Igorek, a Sveta é diretora de um escritório inteiro de arquitetura — disse Vadim, recostando-se com ar despreocupado na cadeira e girando na mão uma taça arredondada com conhaque caro.

Seu rosto inchado já estava coberto de manchas vermelhas por causa do álcool e da abundante comida gordurosa.

— Não é como ficar lixando unhas em salão.

É um cargo respeitável, soa bonito.

— Que escritório o quê, Vadik, pelo amor de Deus! — Igor fez um gesto de desdém com a mão livre, quase acertando a taça de Oksana, esposa de Vadim, que imediatamente se endireitou de maneira servil, demonstrando estar pronta para ouvir o dono da casa.

— Isso é passatempo para idiotas.

Três coitados ficam sentados em um escritório alugado desenhando umas figuras para outros vagabundos iguais a eles.

Se não fossem as minhas injeções regulares de dinheiro no nosso orçamento familiar, aquela empresinha fajuta dela fecharia em um mês.

Eu sustento completamente essa aproveitadora, desde as calcinhas até a gasolina do carro dela.

E à noite ela ainda finge que está exausta por causa do trabalho.

Oksana deu uma risadinha baixa e bajuladora, cobrindo a boca com um guardanapo de papel.

Ela adorava esse tipo de jantar, no qual podia comer bem às custas dos outros e ouvir os discursos de um homem bem-sucedido, sentindo-se ao mesmo tempo uma esposa perfeitamente correta e obediente.

Svetlana terminou de cortar a ave, colocou cuidadosamente os pedaços em uma travessa larga de cerâmica e enxugou as mãos em uma toalha seca.

Dentro dela, uma mola rígida e gelada de fúria já começava a se comprimir.

Ela sabia perfeitamente que Igor adorava se exibir diante dos amigos, bancar o macho alfa e o benfeitor, mas naquele dia a verborragia dele ultrapassava todos os limites imagináveis da insolência.

— O meu “passatempo para idiotas”, Igor, fechou dois grandes contratos de projetos para centros comerciais no último trimestre — disse Svetlana em tom uniforme e gelado, olhando diretamente para os olhos oleosos e insolentes do marido.

— E rendeu três vezes mais lucro líquido do que o seu comércio de peças automotivas chinesas durante todo o ano passado.

Vadim parou de girar o conhaque na taça e fixou os olhos no próprio prato.

Oksana engoliu em seco, nervosa, desviando o olhar do anfitrião avermelhado para a dona da casa completamente tranquila.

— Ah, lá vem ela de novo! — Igor soltou uma gargalhada alta e desdenhosa, jogando o garfo de lado.

O metal pesado bateu ruidosamente na porcelana.

Ele não ficou nem um pouco constrangido.

Pelo contrário, as palavras da esposa lhe deram uma excelente oportunidade para desenvolver ainda mais o tema da própria superioridade.

— Ouviu, Vadik?

Parece que eu moro com uma milionária!

Só não entendo por que essa milionária mora no meu apartamento, viaja para resorts às minhas custas e come a comida que eu compro com o meu dinheiro suado.

Não venha me falar desses seus rendimentos no papel.

Sou eu quem paga este banquete, sou eu quem sustenta esta casa.

E os trocados que você ganha com os seus desenhos servem, no máximo, para bugigangas de mulher.

Ele se inclinou sobre a mesa, pegou despreocupadamente a garrafa de vinho tinto e serviu-se generosamente, sem nem sequer oferecer mais bebida aos convidados.

Uma gota do líquido cor de vinho caiu do gargalo sobre a toalha branca como neve e se espalhou numa mancha feia que lembrava sangue.

— Igor tem razão, Svetochka — intrometeu-se Oksana em tom meloso e professoral, espetando cuidadosamente um pedaço de queijo com o garfo e levando-o à boca.

— O homem é o provedor, a rocha, o alicerce da família.

E os nossos afazeres de mulher são mais para a alma, para a gente não mofar em casa.

O mais importante é manter um bom clima no lar e criar conforto para o marido.

Veja só a mesa maravilhosa que você preparou hoje, muito bem.

Uma verdadeira dona de casa.

Para que discutir com o marido e tentar provar alguma coisa?

Svetlana voltou lentamente o olhar para Oksana.

Aquela mulher limitada, que nunca havia trabalhado oficialmente um único dia na vida e vivia das parcas esmolas do marido, agora estava sentada à mesa dela, comendo iguarias compradas com o dinheiro de Svetlana e ousando lhe dar lições sobre o papel da mulher.

— Oksana — respondeu Svetlana, pronunciando friamente cada palavra — eu não sou “Svetochka” para você.

E eu não estou discutindo com ninguém.

Só estou constatando fatos.

— Deixe ela, Ksyukha, não jogue pérolas aos porcos — disse Igor, fazendo um gesto desdenhoso na direção da esposa enquanto cortava mais um pedaço de carne.

Ele se sentia um triunfador absoluto, o rei da situação em seu reino imaginário.

— Mulher nenhuma entende de números.

A cabeça delas só tem fantasias e novelas.

Ela acredita sinceramente que alguém precisa dos rabiscos dela.

Que acredite.

Que a criança se divirta com o que quiser, desde que não venha me atormentar depois do trabalho.

Vamos, Vadik, melhor brindarmos aos homens de verdade, que carregam este mundo nas costas e ainda suportam princesas ingratas como essa penduradas no pescoço deles.

Igor ergueu a taça bem alto.

Vadim brindou com ele de bom grado.

Eles beberam de uma vez, soltaram grunhidos altos de satisfação e ao mesmo tempo estenderam as mãos para os petiscos.

Svetlana permaneceu à beira da mesa, de braços cruzados sobre o peito, observando o marido mastigar.

A gordura da carne brilhava em seu queixo oleoso, e uma pequena mancha de molho aparecia no colarinho da camisa cara.

Ela já não via diante de si apenas um homem insolente, mas um parasita completo e narcisista.

Um homem que, durante anos, vivera às custas dela, tapara seus constantes rombos financeiros com transferências dela e, em público, metodicamente a transformava numa criada idiota apenas para alimentar um pouco o próprio ego masculino ferido.

Svetlana pegou a saladeira vazia da mesa e caminhou calmamente em direção à cozinha.

Movia-se com passos firmes, mantendo as costas perfeitamente eretas.

Por fora, parecia absolutamente imperturbável, mas a decisão de esmagar aquele impostor ali mesmo e naquele instante já havia se formado por completo em sua mente.

Ela não pretendia mais sustentar aquela fachada miserável e mentirosa.

Svetlana voltou silenciosamente à sala de estar, mas sua presença imediatamente alterou a atmosfera do ambiente.

Naquele momento, Igor gesticulava intensamente enquanto descrevia a Vadim seus grandiosos, porém completamente vazios, projetos financeiros.

— Eu e umas pessoas de confiança estamos planejando comprar os armazéns abandonados atrás do antigo anel viário — discursava ele, apoiando-se com ar confiante contra a borda da mesa e ignorando a esposa que se aproximava.

— O lugar é perfeito.

Vamos demolir aqueles hangares velhos, jogar concreto de verdade e construir ali um centro logístico moderno.

O investimento vai retornar três vezes mais em no máximo dois anos.

Estou pensando em colocar lá todos os nossos ativos disponíveis.

É negócio garantido, Vadik.

Você também pode entrar enquanto estou de bom humor e deixo você participar.

Vadim assentiu com aprovação, olhando respeitosamente para o dono do apartamento como se estivesse diante de um gênio da economia paralela.

Oksana observava Igor com admiração indisfarçável, como se absorvesse cada palavra de um verdadeiro provedor.

Svetlana parou atrás da cadeira vazia.

Seu olhar frio e calculista deslizou pelo rosto satisfeito do marido.

— Ninguém vai lhe dar autorização para construir naquela área, Igor — disse ela em tom uniforme e completamente desprovido de emoção, destruindo seu monólogo pomposo.

— Exatamente há um mês, aquele terreno foi reclassificado como área de uso recreativo.

Ali passa um antigo coletor municipal, e o solo é extremamente instável, cheio de areia movediça.

Se você investir um único rublo ali, vai simplesmente enterrá-lo.

Qualquer arquiteto ou advogado competente vai lhe dizer isso depois de cinco minutos analisando o mapa cadastral público.

Igor parou no meio da frase.

Seu rosto, que já estava vermelho por causa do álcool, começou a ficar rapidamente púrpura.

Svetlana não apenas havia se intrometido numa conversa que ele considerava exclusivamente masculina.

Diante de Vadim, ela acabara de transformá-lo num completo amador, incapaz até de verificar uma informação banal e pública antes de se gabar de investimentos milionários.

A ilusão do empresário bem-sucedido, que ele construíra tão cuidadosamente durante toda a noite, abriu uma rachadura enorme e feia.

— Você entende ao menos do que estou falando? — continuou Svetlana, olhando diretamente para os olhos dele, que se enchiam de uma fúria animalesca.

— Você está prestes a entregar dinheiro a mais um grupo de vigaristas em troca de um pedaço de pântano intransponível onde não dá nem para construir um barraco.

Vadim tossiu, constrangido, parou de sorrir e desviou os olhos, fingindo enorme interesse pelo desenho elaborado da toalha cara.

Oksana se encolheu contra o encosto da cadeira, pressentindo a tempestade inevitável.

Igor bateu com força selvagem o punho pesado sobre a mesa.

Os pratos de porcelana saltaram e bateram ruidosamente nas taças de cristal.

— Cala a boca, mulher, seu dia é oito de março! — berrou ele com toda a força.

Seu rosto se deformou de raiva, e veias azuis e pulsantes saltaram no pescoço grosso.

— Seu trabalho é cortar salada e rebolar diante dos convidados, não se meter em assuntos sérios de homem!

Entendeu?!

Fecha essa boca e vai agora mesmo para a cozinha!

Ele se recostou na cadeira, respirando pesada e ruidosamente pelo nariz, absolutamente convencido de que aquela demonstração grosseira e primitiva havia restaurado sua autoridade abalada.

Esperava que a esposa baixasse a cabeça, engolisse a humilhação pública e se retirasse obedientemente, como fizera durante anos para preservar a aparência de bem-estar da família.

Mas Svetlana não se mexeu.

Não havia restado nela nem uma gota de medo, nenhuma dúvida e nenhum desejo de amenizar a situação.

A pesada armadura formada por anos de paciência constante e compromissos podres desabou num único instante, revelando uma fúria gelada e concentrada.

Ela deu dois passos rápidos e seguros à frente e se aproximou da borda da pesada mesa de carvalho.

Suas mãos, com os nós dos dedos brancos de tensão, agarraram com força mortal a espessa borda de madeira do tampo.

Igor nem teve tempo de entender o que estava prestes a acontecer.

Em sua visão distorcida do mundo, a esposa simplesmente era incapaz de oferecer uma resistência física dura e agressiva.

Svetlana puxou bruscamente todo o corpo para trás e para cima.

Colocando naquele movimento desesperado todo o peso do próprio corpo e todo o ódio acumulado contra o parasita hipócrita sentado à sua frente, ela puxou a pesada mesa com força brutal na própria direção, virando-a diretamente sobre o marido.

O tampo maciço se ergueu num ângulo absurdo.

A gravidade fez imediatamente seu trabalho destrutivo.

Toda a luxuosa mesa posta, da qual Igor tanto se orgulhava, transformou-se numa chuva caótica de projéteis.

A grande travessa de cerâmica com o pato quente cortado foi a primeira a escorregar.

A ave gordurosa acertou em cheio o peito de Igor com um som úmido e repugnante, deixando uma enorme mancha oleosa que se espalhou pela cara camisa clara.

Logo depois do pato, uma tigela funda de vidro cheia de salada em camadas caiu sobre ele.

A maionese caseira espessa, misturada com legumes picados e carne, cobriu seu rosto e cabelo, escorrendo em nojentos grumos brancos pelo colarinho aberto.

A garrafa aberta de vinho tinto caro virou no ar e encharcou generosamente as calças claras de Igor com o líquido bordô pegajoso, impregnando completamente o tecido grosso.

Dezenas de pratos de porcelana, talheres pesados de aço, pedaços de carne de porco assada, restos de queijo e azeitonas desabaram numa avalanche suja sobre o colo do homem completamente atordoado, que não entendia nada do que estava acontecendo.

A pesada borda da mesa de carvalho atingiu o abdômen de Igor com um impacto seco e brutal, prendendo-o com força contra o encosto da cadeira e impedindo-o de se mexer ou mesmo respirar direito.

Vadim saltou para o lado soltando um palavrão e derrubou sua cadeira no piso de parquet.

Oksana soltou um grito curto e abafado, parecido com o de um rato, cobrindo a boca com as duas mãos em puro terror e encarando a destruição com os olhos arregalados.

Igor permaneceu sentado, firmemente preso sob o tampo.

Seu rosto antes arrogante agora estava cômica e miseravelmente coberto de molho, enquanto gordura amarelada pingava lentamente da ponta do nariz.

A camisa se transformara num trapo sujo encharcado de vinho e comida.

Ele arfava convulsivamente, de olhos esbugalhados, tentando em vão compreender a dimensão da humilhação que acabara de sofrer.

Svetlana se erguia sobre ele, apoiando pesadamente os braços estendidos na parte inferior da mesa virada.

Sua postura expressava uma dominação física absoluta e incondicional.

Ela olhava de cima para o marido derrotado, e em seus olhos escurecidos pela raiva não havia nem um vestígio de medo.

Havia apenas uma determinação fria e impiedosa de destruí-lo por completo.

— Você enlouqueceu de vez, porra?! — rugiu Igor, arrancando freneticamente da bochecha uma folha de salada coberta de maionese.

Ele puxou o ar com ruído e um assobio pelo nariz coberto de molho gorduroso, tentando se libertar debaixo do pesado tampo de carvalho.

A madeira o prendia com força contra o encosto alto da cadeira, impedindo-o até de respirar normalmente.

Seus dedos escorregadios de gordura arranhavam a borda da mesa e deixavam marcas sujas na superfície envernizada.

— Limpa essa bagunça agora mesmo!

Você tem ideia do que fez, sua maluca?!

Resolveu me humilhar na frente dos meus amigos?!

Svetlana não se mexeu.

Ela permanecia sobre ele como uma rocha monolítica de granito, observando suas tentativas miseráveis de escapar com uma expressão de desprezo absoluto e enojado.

O cheiro forte de álcool derramado, misturado ao aroma de alho e perfume masculino caro, atingiu seu nariz, um coquetel repulsivo que refletia perfeitamente a essência do homem diante dela.

— Eu ganho tanto quanto você, mas mesmo assim você continua me chamando de parasita e empregada!

Você me humilha de propósito diante dos seus amigos para parecer durão?!

Chega!

Vou pedir o divórcio.

Procure outra idiota!

Igor congelou e parou de se debater.

As palavras da esposa, ditas sem uma única hesitação e sem qualquer histeria, atravessaram sua névoa alcoólica.

Mas seu ego ferido ainda tentava se agarrar aos velhos padrões de dominação.

— Que divórcio?! — grasnou ele, projetando a mandíbula para a frente.

Seu rosto ficou coberto de manchas vermelhas feias sob a camada de comida grudada na pele.

— Sem mim, você vai morrer de fome!

Quem vai querer você com esses seus desenhinhos?!

— Morrer de fome? — Svetlana sorriu ironicamente.

Aquele sorriso frio, sem qualquer alegria, era mais assustador do que qualquer grito.

— Então vamos contar a verdade ao seu público, Igor.

Agora mesmo.

Já que você gosta tanto de fazer espetáculo diante dos outros.

Ela voltou lentamente o olhar para Vadim e Oksana, encolhidos, e depois encarou novamente os olhos inquietos do marido.

— Este jantar luxuoso que você ofereceu tão generosamente aos convidados foi pago até o último centavo com o meu cartão corporativo — disse ela, pronunciando cada palavra com precisão matemática.

— Seu glorioso comércio de peças está dando prejuízo há oito meses.

Você mora no meu apartamento, que comprei antes mesmo de conhecê-lo.

Seu SUV de luxo, com o qual você desfila pela cidade, foi comprado financiado.

E sou eu quem paga as parcelas todos os meses para que o setor de segurança do banco não destrua seu telefone de tanto ligar.

— Cala a boca! — guinchou Igor histericamente, sacudindo-se de repente sob a mesa.

A pesada borda do tampo pressionou dolorosamente seu abdômen, fazendo-o soltar um gemido abafado.

— Eu só comecei — cortou Svetlana com dureza, sem elevar a voz nem um decibel.

Seu tom carregava uma confiança absoluta e esmagadora.

— Seus grandiosos projetos de investimento não passam de tentativas patéticas de cobrir suas próprias dívidas com fornecedores chineses.

Você é apenas um oportunista barato.

Esconde sua completa incompetência me humilhando metodicamente diante dos outros.

Você aumenta sua autoestima às minhas custas porque, por si só, não vale absolutamente nada.

Um vazio dentro de uma camisa cara comprada com o meu dinheiro.

Vadim, que até então tentava se fundir com o desenho do papel de parede, pigarreou nervosamente.

Deu um passo hesitante para a frente, passando desajeitadamente por cima das batatas esmagadas no piso e dos cacos de porcelana.

— Sveta, por que tanta dureza? — murmurou, evitando cuidadosamente o olhar dela.

— O cara bebeu, relaxou e falou demais.

Acontece com todo mundo.

Vocês são uma família.

É preciso ter sabedoria e amenizar os conflitos.

Não o humilhe assim diante de nós, isso não fica bem.

Svetlana virou lentamente a cabeça para Vadim, como um predador que acabava de sentir o cheiro de uma nova presa.

Seu olhar era tão penetrante e cortante que o homem corpulento recuou involuntariamente, quase tropeçando na perna da cadeira caída.

— E você, Vadim, no seu lugar eu nem abriria a boca — disse ela, com palavras que acertavam exatamente o alvo e destruíam sem piedade a amizade hipócrita deles.

— Você vem regularmente à minha casa se empanturrar de iguarias enquanto concorda com tudo o que esse palhaço diz.

Você sabe perfeitamente que ele mente em cada palavra.

Fica sentado aqui bancando o companheiro fiel, mas há três meses veio rastejando até ele para pedir meio milhão emprestado a fim de cobrir suas dívidas de cartão.

Só que você não pegou esse dinheiro com ele.

Era a minha poupança pessoal, que ele retirou escondido da nossa conta conjunta para brincar de benfeitor.

O rosto de Vadim imediatamente adquiriu uma tonalidade cinza-terra.

Suas bochechas carnudas caíram, e seus olhos começaram a correr em pânico em busca de uma saída.

Ele lançou à esposa um olhar acuado e cheio de terror.

Oksana percebeu que logo chegaria a vez dela e decidiu se antecipar.

Endireitou os ombros e ergueu orgulhosamente o queixo, fingindo uma indignação nobre.

— Svetlana, você está se comportando de maneira completamente inadequada — disse ela com falsa superioridade, apertando os lábios.

— Uma mulher normal jamais se rebaixaria a um escândalo tão selvagem.

Você está destruindo seu próprio casamento por causa de uma ambição idiota.

— Uma mulher normal? — repetiu Svetlana, dando um passo rápido na direção de Oksana e fazendo-a se encostar instintivamente na parede.

— Você se chama de mulher normal?

Você, que nunca trabalhou um único dia na vida, vive às custas do seu marido viciado em jogo e suporta as bebedeiras constantes dele?

Você vem à minha casa, sorri falsamente na minha cara e depois passa horas dizendo aos nossos conhecidos como eu pareço velha e que Igor logo vai arranjar uma jovem idiota e obediente.

Oksana abriu a boca e puxou o ar com avidez, mas não conseguiu emitir som algum.

Sua impecável máscara de respeitabilidade se despedaçou, revelando uma natureza mesquinha e invejosa.

Svetlana percorreu o trio miserável com um olhar gelado.

Igor, coberto de gordura e humilhado pela própria impotência.

Vadim, esmagado pela verdade sobre suas dívidas.

Oksana, apanhada em suas fofocas baratas.

A fachada da amizade falsa e podre deles havia sido destruída até os alicerces.

Igor soltou um som abafado e borbulhante, tentando engolir e respirar normalmente.

Apoiando as mãos fortes nos braços de madeira da cadeira, ele se lançou subitamente para a frente, contraiu os músculos dos ombros e empurrou o pesado tampo para longe.

A madeira maciça caiu no parquet com um estrondo monstruoso, esmagando definitivamente os últimos pratos de porcelana intactos e espalhando os restos do luxuoso jantar por toda a sala.

O homem se levantou pesadamente.

Sua aparência era ao mesmo tempo assustadora e grotescamente ridícula.

O cabelo espesso estava completamente grudado pela maionese caseira, gordura amarelada de pato escorria lentamente pela testa avermelhada, e a enorme mancha bordô nas calças claras fazia com que parecesse um açougueiro desleixado depois do expediente.

— Você vai se arrepender muito do que fez — sibilou ele entre os dentes cerrados, avançando lentamente na direção de Svetlana.

Seus grandes punhos se fecharam por reflexo, e os nós dos dedos ficaram brancos de tensão.

Ele estava acostumado a ter sempre a vantagem física e, agora, completamente privado de seus argumentos verbais e desmascarado diante do público, pretendia dominar a esposa exclusivamente pela força bruta.

— Vou reduzir você a pó.

Ainda vai rastejar de joelhos até mim pedindo perdão por este espetáculo.

Svetlana não se mexeu nem um centímetro quando a figura enorme e tomada pela fúria dele pairou sobre ela.

Igor cheirava fortemente a álcool, molho de alho azedo e suor animal.

Ela olhou para seus olhos injetados de sangue com um nojo aberto e cristalino, registrando friamente cada pequeno vaso rompido e cada ruga tensa naquele rosto deformado pela raiva cega.

Não havia medo algum.

Havia apenas um desejo ardente e pulsante de limpar para sempre seu espaço pessoal daquele homem.

— Saia do meu apartamento — ordenou ela com voz calma e extremamente firme.

— O que você disse?! — ele lançou bruscamente a mão direita para a frente com a intenção de agarrá-la pelo ombro, mas seus dedos escorregadios de gordura apenas deslizaram inutilmente sobre o tecido liso da blusa de seda dela.

Svetlana agiu primeiro, com a precisão de um relógio suíço.

Projetou rapidamente as duas mãos para a frente e agarrou com força mortal o colarinho da camisa dele, arruinada e encharcada de vinho tinto.

O tecido caro esticou-se como uma corda e se rasgou com um estalo seco ao longo da costura do ombro.

Aproveitando a fração de segundo em que ele ficou verdadeiramente atordoado, ela puxou o marido para si com uma força incrível para o seu porte, desequilibrando-o, e imediatamente o empurrou com todo o corpo na direção do corredor.

Igor, que não esperava uma resistência física tão forte e agressiva, recuou cambaleando.

Seu pé, coberto apenas por uma meia fina, pisou com força num pedaço escorregadio de pele de pato que estava no parquet danificado.

Ele perdeu o equilíbrio e começou a agitar os braços de modo ridículo no ar, tentando desesperadamente se manter em pé e não cair de costas nos restos da salada esmagada.

Svetlana não lhe deu uma única chance de se recompor.

Deu outro passo rápido e preciso, apoiou as palmas das mãos diretamente no peito largo dele, bem no meio da mistura de legumes esmagados e molho de carne, e com um empurrão forte e direcionado o lançou para o corredor.

Ele bateu de costas contra a parede lisa da entrada e derrubou com o ombro um alto cabide de madeira.

A estrutura caiu no chão com um estrondo ensurdecedor, cobrindo-o de casacos.

Ela o seguiu sem parar, foi até a porta de entrada e a abriu completamente, deixando entrar no apartamento abafado e impregnado de cheiro de comida uma corrente de ar fresco vinda da escada.

— Saia daqui — repetiu Svetlana, apontando com firmeza para o chão de concreto cinza do corredor do prédio.

— Exatamente do jeito que está.

— Você está completamente doente da cabeça?! — gritou Igor histericamente, escorregando pela parede e tentando desesperadamente encontrar seus sapatos de couro na sapateira.

— Deixe pelo menos eu colocar a jaqueta e os sapatos!

Não vou sair assim!

— Eu disse fora! — ela se aproximou dele, e havia em sua voz um tom tão primitivo, duro e incontestável que Igor encolheu instintivamente a cabeça entre os ombros, como se esperasse receber um golpe direto.

Ele tropeçou para fora da porta usando apenas meias, deixando marcas sujas e oleosas no concreto empoeirado da escada.

Naquele exato momento, Vadim e Oksana correram para a entrada.

O rosto de Oksana estava deformado de raiva, e ela puxava furiosamente com as duas mãos a manga do caro paletó do marido.

— Você perdeu meio milhão no jogo?! — gritava ela por todo o corredor, cuspindo saliva enquanto falava.

Seu penteado impecável de festa estava completamente desfeito, revelando sua verdadeira natureza vulgar.

— Você jurou olhando nos meus olhos que aquilo era seu bônus anual do trabalho!

Você torrou nosso dinheiro de novo naquelas malditas máquinas, seu inútil?!

Por sua causa, acabei de ser humilhada diante de todo mundo!

— Cala essa boca, sua maluca! — Vadim empurrou grosseiramente a esposa com o cotovelo no peito, enquanto seu rosto flácido se cobria de grandes gotas de suor frio.

— Você também não é nenhuma santa!

Passa o dia inteiro nas cozinhas dos outros falando mal de todo mundo, e quando a coisa aperta, corre para se esconder!

Por causa dessa sua língua comprida e dessas fofocas, agora eu pareço um completo idiota!

Svetlana observava aquele circo patético e baixo com um nojo absoluto e avassalador.

As pessoas que apenas meia hora antes estavam sentadas à mesa dela se esforçando para parecer a elite bem-sucedida da sociedade agora se despedaçavam umas às outras com fúria no corredor, abandonando os últimos restos miseráveis de dignidade humana.

— Para fora.

Os dois — ordenou Svetlana secamente.

Ela se aproximou de Vadim, agarrou com força o tecido grosso do paletó na altura do antebraço e empurrou brutalmente seu corpo pesado para fora da porta, atrás de Igor.

Oksana saiu disparada atrás do marido por conta própria, fugindo da vergonha enquanto continuava a cobri-lo com os piores insultos e gesticulava furiosamente.

Uma verdadeira briga suja começou imediatamente na escada.

Igor, pisando desajeitadamente de um lado para o outro com as meias sujas, avançou sobre Vadim com os punhos cerrados.

— Por que diabos você ficou lá parado e calado?! — berrou com toda a força, agarrando o amigo pelas lapelas do paletó.

— Nós tínhamos combinado que você confirmaria a minha história sobre os armazéns!

Por sua causa, ela me fez parecer um completo idiota!

— Vai para o inferno, seu empresário de merda! — retrucou Vadim com raiva, empurrando Igor com força.

— Resolva seus próprios problemas!

Não vou mais servir de cobertura para as suas histórias!

Minhas dívidas são problema meu, mas você é só um gigolô barato sustentado por uma mulher!

Oksana se meteu sem cerimônia entre os dois e tentou, tomada pela raiva, atingir Vadim com sua pesada bolsa de couro, enquanto gritava insultos contra Igor, seus investimentos falsos e sua aparência imunda.

As vozes dos três se fundiram num único coro estridente e repugnante de fracassados agressivos, acusando-se sem parar pela própria insignificância.

Svetlana permaneceu na porta de seu apartamento e observou em silêncio aquela massa agitada e gritante durante exatamente cinco segundos.

Então colocou calmamente a mão na maçaneta e empurrou com força a pesada porta metálica de entrada.

As fechaduras estalaram de maneira seca e precisa, separando-a para sempre daquelas pessoas e de suas mentiras intermináveis.

Na sala destruída, sentia-se claramente o cheiro de álcool derramado, alho e comida estragada, enquanto cacos de louça quebrada brilhavam sobre o caro parquet e pedaços de carne gordurosa estavam espalhados pelo chão.

Mas, pela primeira vez em muitos anos, Svetlana respirava profundamente, sentindo fisicamente o ar fresco preencher seus pulmões com uma liberdade absoluta, cristalina e há tanto tempo esperada…

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