— Exijam o almoço em casa e agora desapareçam todos daqui! — gritou Nástia com firmeza.

Nástia empurrou a porta do apartamento e percebeu imediatamente que o ar ali estava diferente — pesado, estranho, impregnado pela presença de pessoas indesejadas.

Ela ainda nem tinha conseguido tirar os sapatos quando já ouviu o som de água espirrando e uma voz feminina alta vinda do banheiro.

“Eis a minha noite tranquila”, pensou ela, lembrando-se de como, pouco tempo antes, alguém entre os vizinhos havia cochichado que seu marido, Andrei, levava uma amante para casa enquanto a esposa estava fora.

Traição ou não, ela não tinha forças para lidar com aquilo naquele momento.

Ela havia economizado dinheiro para a reforma durante três anos, e agora pés molhados de estranhos pisavam sobre o parquet recém-instalado.

Sua mãe ainda permanecera com o tio para apoiá-lo no hospital, enquanto Nástia havia voltado para casa — e encontrado aquilo.

Certa vez, a sogra a havia advertido:

“O nosso Andriucha é uma pessoa simples, os parentes vivem se agarrando a ele.”

Mas uma coisa era ouvir isso, e outra bem diferente era ver toda aquela família instalada em sua casa como se fosse dona do lugar.

Zinaida — a tia de Andrei — saiu do banheiro usando seu velho roupão felpudo desbotado, com uma toalha enrolada na cabeça como um turbante.

Um rastro molhado se estendia atrás dela.

Ela nem sequer cumprimentou Nástia, apenas lançou-lhe um olhar rápido e gritou para o fundo do apartamento:

— Vitka, o próximo!

— A água está quente, uma verdadeira bênção!

Nástia entrou na sala.

Viktor, marido de Zinaida, estava esparramado no sofá, apertando os botões do controle remoto.

Ao lado dele estavam sentados os dois filhos adultos do casal — um rapaz de cerca de vinte e cinco anos e uma moça com o celular na mão.

A televisão berrava pelo apartamento inteiro.

— Boa noite — disse Nástia com a voz firme.

Viktor se virou e assentiu.

Ele era o único que parecia constrangido.

— Cortaram a nossa água — explicou ele.

— Houve uma emergência.

— Zina disse que passaríamos na casa do Andrei para tomar banho.

— Desculpe por termos vindo sem avisar.

— Podem se lavar — disse Nástia, fazendo um gesto com a mão.

— Só abaixem o volume da televisão.

— Tive um dia difícil.

Viktor diminuiu o volume obedientemente.

Seus filhos nem sequer levantaram a cabeça.

Nástia foi até o quarto e fechou a porta atrás de si.

Seus pensamentos voltaram ao hospital, à tia Raia, que estava deitada sob os soros, pálida como um lençol.

Cinco anos antes, elas haviam viajado juntas para o mar.

Tia Raia ria, ensinava-lhe a preparar borscht à moda do Kuban e contava histórias de sua juventude.

Ela era bondosa, calorosa e verdadeira.

E agora os médicos apenas davam de ombros, impotentes.

Tio Slava tentava se manter firme, mas era evidente que estava destruído.

Seu filho, o idiota do Kostik, tinha se metido em algum problema de novo, desaparecido para algum lugar e nem sequer visitado a mãe.

Uma vergonha para toda a família.

Nástia começou a desabotoar a blusa quando a porta se abriu de repente, sem que ninguém batesse.

— Ah — disse Zinaida, parando na entrada e examinando a figura seminua de Nástia.

— Você poderia pelo menos ter avisado que estava se despindo.

Nástia nem se abalou.

Continuou tirando a blusa calmamente e a pendurou em um cabide.

Depois tirou o sutiã.

Zinaida permaneceu parada na porta, vermelha de indignação.

— Estou dizendo que não se deve ficar nua diante de estranhos!

— Você não tem vergonha?

— Zinaida Petrovna — disse Nástia, virando-se para ela e olhando-a diretamente nos olhos.

— A senhora invadiu o meu quarto.

— Sem bater.

— Na minha casa.

— E agora ainda me repreende por eu estar trocando de roupa?

— Eu bati!

— Depois de entrar.

— Sabe, isso atrapalha um pouco a lógica de todo o processo.

Zinaida ergueu bruscamente o queixo, virou-se e saiu, batendo a porta.

Passaram-se cerca de dez minutos.

Nástia deitou-se na cama e fechou os olhos.

Ela queria apenas ficar um pouco em silêncio e esquecer aquele dia.

Mas a porta se abriu novamente.

— Nastiucha — começou Andrei, com um tom culpado, embora a irritação transparecesse em sua voz.

— Escute, tia Zina está perguntando sobre o almoço.

— Todos estão com fome.

— Você não poderia preparar alguma coisa?

Nástia sentou-se na cama.

— Andrei, eu acabei de voltar.

— A esposa do tio Slava está morrendo.

— Passei o dia inteiro no hospital.

— E você quer que eu alimente os seus parentes?

— Mas eles são convidados…

— Seus convidados — corrigiu ela.

— Que você convidou.

— Enquanto eu não estava.

— Para o meu apartamento.

— Nosso apartamento — resmungou Andrei.

— Não, Andriucha.

— Meu.

— Você sabe muito bem a quem ele pertence.

— E o que há na geladeira?

— Bem… eles… comeram um pouco…

— Ou seja, está vazia.

— Maravilhoso.

— Então vá ao mercado e resolva isso sozinho.

Andrei ficou vermelho, apertou os lábios e saiu.

Um minuto depois, sua voz deliberadamente alta e ofendida veio do corredor:

— Tia Zina, ela não vai preparar o almoço.

— Voltou mal-humorada.

Nástia cerrou os dentes.

Então era assim.

Ele a transformara na vilã diante de seus parentes.

A porta se abriu novamente — desta vez com estrondo.

Zinaida entrou como um tornado e bateu com os nós dos dedos no batente quando já estava dentro do quarto.

— Escute aqui, quem você pensa que é, alguma rainha? — sua voz subiu até virar um guincho.

— Nós viemos até aqui porque estamos numa emergência, e você fica torcendo o nariz?!

— É tão difícil fritar algumas almôndegas?

— Seus braços vão cair?

Nástia se levantou.

Devagar e calmamente.

— Zinaida Petrovna, deixe-me explicar uma coisa simples para a senhora.

— Embora, pelo que estou vendo, eu vá precisar usar palavras curtas.

— Não venha bancar a espertinha comigo!

— Claro.

— É o único prazer que posso tirar desta conversa.

— Então.

— Vocês vieram à minha casa.

— Sem convite.

— Usaram o meu banheiro.

— Comeram a minha comida.

— Se esparramaram no meu sofá.

— E agora ainda exigem que eu os alimente?

— Andrei nos convidou!

— Andrei deixou vocês entrarem.

— Sem o meu conhecimento.

— E agora, atenção, vem a parte final.

— Está pronta?

Zinaida abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Nástia se antecipou.

Sua voz ficou alta, clara e cortante, para que todos ouvissem:

— Exijam o almoço em casa e agora desapareçam todos daqui!

O apartamento ficou em silêncio.

Até a televisão parou — aparentemente alguém havia apertado o botão de pausa de tão surpreso.

Zinaida ficou púrpura.

Sua boca se abria e fechava, mas nenhuma palavra saía.

— Você… você está dizendo isso na frente de todos… — conseguiu finalmente balbuciar.

— Exatamente na frente de todos.

— Para que não haja nenhum mal-entendido.

— Andrei! — gritou Zinaida.

— Você está ouvindo o que a sua esposinha está dizendo?!

Andrei apareceu na porta.

Seu rosto estava confuso e assustado.

— Nástia, você está exagerando…

— Eu estou exagerando? — perguntou Nástia com um sorriso sarcástico.

— Andriucha, hoje eu fiquei ao lado de uma mulher que talvez não sobreviva até a próxima semana.

— Uma mulher que foi como uma segunda mãe para mim.

— Voltei para casa — o único lugar onde eu poderia ficar em silêncio — e encontrei um circo aqui.

— Mais precisamente, um circo com parentes.

— O que é ainda pior.

— Eles são meus parentes!

— Exatamente.

— Seus.

— Então cuide deles.

— Alimente-os, entretenha-os e limpe o nariz deles.

— Mas não ouse exigir isso de mim.

Enquanto isso, Zinaida já corria pelo quarto, juntando suas coisas.

As abas de seu roupão esvoaçavam como as asas de um pássaro enfurecido.

— Vitka!

— Crianças!

— Vistam-se!

— Vamos embora!

— Aqui nem nos tratam como gente!

Viktor entrou e olhou para Nástia com culpa.

— Desculpe — disse ele em voz baixa.

— Nós realmente não queríamos…

— Vocês, não — respondeu Nástia, assentindo.

— Mas sua esposa claramente acha que todos lhe devem alguma coisa.

— Não ouse falar de mim na minha frente! — guinchou Zinaida.

— Zinaida Petrovna, a senhora não é um assunto interessante o bastante para que falem de você pelas costas.

— Na sua presença é muito mais eficaz.

Cinco minutos depois, o apartamento estava vazio.

Andrei ficou parado no meio da sala, sem saber onde colocar as mãos.

— Está satisfeita agora? — perguntou ele com voz abafada.

— Você humilhou a minha tia na frente de todos.

— Agora vão lembrar disso em todas as reuniões de família.

— Que lembrem.

— Talvez da próxima vez ela bata antes de entrar.

— Você os expulsou!

— Eu pedi que fossem embora.

— Com uma certa… firmeza.

— Depois que sua querida tia invadiu o meu quarto duas vezes, me insultou e exigiu almoço como se estivesse numa cantina.

— Andrei, eles vieram tomar banho e transformaram isso numa ocupação.

O marido abaixou a cabeça.

— Você sempre faz isso… brinca com as palavras…

— Não, querido.

— Eu apenas sei usá-las.

— Ao contrário da sua família, que só sabe gritar e exigir.

— Eles não são tão ruins assim…

— Andrei, sua tia me chama de “aquela” pelas costas.

— Acha que eu não sei?

— E toda vez que eles vêm, eu tenho que servi-los, alimentá-los e entretê-los.

— E o que recebo em troca?

— Grosseria.

Andrei permaneceu em silêncio.

— E mais uma coisa — disse Nástia, aproximando-se.

— Se algum dia você ou seus parentes decidirem novamente que eu sou uma empregada gratuita que veio junto com o apartamento, esse será o último dia em que você morará aqui.

— Você está me ameaçando?

— Estou explicando.

— Este apartamento é meu.

— Eu não me vanglorio disso.

— Em dez anos, nem uma única vez eu disse que você chegou à minha casa com apenas uma mala.

— Embora você mesmo devesse se lembrar disso.

— “Sem dote” — era assim que o chamavam na universidade, não era?

Andrei estremeceu.

— Quem te contou…

— Não importa.

— O que importa é que eu nunca joguei isso na sua cara.

— Mas se você acha que pode me tratar como uma empregada, pegue sua mala e volte para a casa da sua tia.

— Ela vai alimentá-lo.

— Talvez.

Andrei se virou e foi em silêncio para o banheiro.

Um minuto depois, ouviu-se de lá o som da água e o ruído de um pano esfregando.

Ele estava limpando.

Pelo menos isso.

Nástia sentou-se no sofá, exatamente no lugar onde Viktor havia ficado esparramado pouco antes.

Sentia um cansaço profundo e pesado, como uma pedra no peito.

O telefone tocou.

Era sua mãe.

— Filhinha, você chegou?

— Sim, mãe.

— Está tudo bem.

— E como está Andrei?

Nástia ficou em silêncio por um segundo.

— Estamos resolvendo algumas coisas.

— Como está tia Raia?

— Estável.

— Os médicos dizem que a noite vai mostrar.

— Tio Slava está aguentando.

— Descanse, está me ouvindo?

— Você precisa de forças.

— Está bem, mãe.

Ela desligou o telefone e fechou os olhos.

Seu relacionamento com Andrei havia rachado.

Talvez fosse possível consertar a rachadura.

Talvez não.

Mas naquele dia ela havia feito o que deveria ter feito havia muito tempo — estabelecera um limite.

Claro como uma linha em um mapa.

Do outro lado da parede, a água corria.

Andrei esfregava o banheiro.

Que esfregasse.

Que sentisse como era limpar a sujeira dos outros.

Amanhã eles conversariam.

Calmamente.

Sem gritos.

Ela lhe explicaria o que significava respeito.

E o que acontecia quando ele não existia.

Mas, por enquanto — silêncio.

Finalmente, silêncio.

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