— Vera, eu e o Slavik fizemos as contas do cardápio para a minha festa de aniversário.
Vai dar cento e quarenta mil rublos.

Um restaurante decente, o “Zolotaya Loza”, para não passarmos vergonha diante dos parentes.
Façam a transferência hoje, senão o administrador vai cancelar a reserva. E nada da sua avareza de sempre!
Afinal, vou fazer sessenta e cinco anos, a família inteira vai se reunir, não comemoramos isso todos os anos.
A voz de Nadezhda Pavlovna saía alta do alto-falante do telefone, exigente e com aquela mesma entonação de uma pessoa que acha que está fazendo um favor aos outros ao permitir que eles paguem suas contas.
Vera parou de cortar as cenouras para o refogado.
A faca bateu surdamente contra a tábua de madeira.
Ela enxugou as mãos úmidas no pano de prato e suspirou profundamente.
— Nadezhda Pavlovna, cento e quarenta mil é uma quantia muito alta — respondeu Vera com calma, tentando conter a irritação que começava a crescer dentro dela.
— Eu e Anton planejávamos pagar este mês o semestre de Egor na universidade e finalmente comprar uma máquina de lavar nova.
— A nossa velha, durante a centrifugação, pula quase até o meio do banheiro.
— Por que Slava não quer ajudar a pagar o banquete?
— Ele também é seu filho.
Do outro lado da linha, ouviu-se um suspiro indignado, seguido de um gemido teatral.
— Verochka, você não tem consciência nenhuma?
— Slavik está pagando o financiamento da casa!
— Ele e Oksana têm dois filhos pequenos.
— Oksana está de licença-maternidade e conta cada centavo.
— De onde eles tirariam tanto dinheiro?
— Você e Anton vivem confortavelmente e ganham muito bem.
— Anton trabalha em dois empregos, e você também não passa necessidade na área de logística.
— Vocês têm obrigação de ajudar sua mãe.
— E, além disso, não vá me deixar nervosa antes da festa, minha pressão está oscilando.
— Estou esperando a transferência.
A ligação foi encerrada.
Vera colocou o telefone sobre a mesa e olhou pela janela, atrás da qual o crepúsculo cinzento do outono ficava cada vez mais escuro.
Vera tinha quarenta e dois anos.
Ela trabalhava como coordenadora sênior em uma grande empresa de transporte, resolvendo todos os dias problemas com a alfândega, caminhões desaparecidos e motoristas que viviam discutindo.
Ela estava acostumada a assumir a responsabilidade por processos complicados.
Seu marido, Anton, trabalhava como administrador de sistemas.
Ele configurava servidores, passava cabos e frequentemente voltava para casa depois da meia-noite, com os olhos vermelhos de tanto sono.
Eles moravam em um apartamento comum de três quartos na periferia da cidade e ganhavam cada centavo com trabalho honesto e pesado.
Além disso, há oito anos eles arcavam com quase todas as grandes despesas da sogra.
Nadezhda Pavlovna reclamava regularmente de sua pequena aposentadoria, e Anton, por ser o filho mais velho e responsável, não conseguia deixar a mãe na mão.
Eles compraram uma geladeira nova para ela, pagaram por caros implantes dentários e todos os meses transferiam quinze mil rublos para medicamentos e contas de serviços públicos.
O irmão mais novo de Anton, Slava, de trinta e cinco anos, era considerado pela família um homem sensível e em busca de seu caminho.
Ele tentou trabalhar como fotógrafo, depois tentou abrir um ponto de retirada de encomendas e, em seguida, ficou interessado em criptomoedas.
Todas as suas iniciativas terminavam em fracasso, depois do qual ele se jogava no sofá diante da televisão e mergulhava em apatia, da qual sua esposa Oksana o tirava.
Oksana era uma mulher com cílios postiços e ambições enormes.
Ela não trabalhava em lugar nenhum e se autodenominava blogueira, embora seu blog tivesse, no máximo, duzentos leitores.
À noite, quando Anton voltou do trabalho, Vera colocou diante dele um prato de goulash quente e contou sobre a conversa com a sogra.
Anton esfregou o rosto cansado com as mãos.
Profundas olheiras marcavam seu rosto.
— Vera, vamos simplesmente transferir esse dinheiro — disse ele em voz baixa, sem olhar para a esposa.
— Vou pegar mais um trabalho extra nos fins de semana e configurar a rede de uma nova clínica.
— Eu simplesmente não aguento mais as crises dela.
— Ela vai começar a ligar novamente para todas as tias em Samara e reclamar que queremos deixá-la morrer de fome e humilhá-la diante das pessoas.
— Estou cansado.
— Que esse seja nosso último grande presente e, depois disso, fecharemos essa torneira de dinheiro.
— Prometo.
Vera olhou para o marido.
Ela via o quanto ele estava exausto.
Anton sempre defendia sua família com unhas e dentes e nunca permitia que alguém maltratasse Vera, mas, diante das lágrimas da mãe, ele não tinha defesa alguma.
Ele era simplesmente bom demais.
— Tudo bem — respondeu Vera suavemente, acariciando o ombro do marido.
— Faça a transferência.
— Mas na quinta-feira você mesmo vai até ela para configurar o novo telefone que compramos para ela de aniversário.
— Estou em período de fechamento no trabalho e chego em casa completamente exausta.
Porém, na quinta-feira, Anton foi chamado às pressas para a sede da empresa por causa de uma falha no servidor, e Vera teve de ir até a sogra.
Ela levou consigo a tão esperada caixa com o smartphone moderno e, depois do trabalho, foi até o outro lado da cidade.
Nadezhda Pavlovna recebeu a nora de ótimo humor.
Ela girava diante do espelho usando um novo vestido vinho, pensando em quais sapatos combinariam com ele.
— Verochka, vá para a cozinha, a chaleira está quente — cantarolou a sogra.
— Desembrulhe o aparelho, transfira todos os meus contatos e fotos.
— E instale aqueles… como é mesmo que se chamam… aplicativos.
— Para que eu possa fazer chamadas de vídeo para o Slavik.
— Enquanto isso, vou tirar o vestido para não amassá-lo antes do banquete.
Vera sentou-se à mesa da cozinha, serviu-se de chá e começou a trabalhar.
Ela ligou o velho telefone rachado da sogra e o novo aparelho e iniciou o processo de sincronização.
As telas se acenderam.
O telefone antigo vibrou e uma notificação de nova mensagem apareceu na tela.
Vera não pretendia ler as conversas particulares de outra pessoa, mas o texto estava em letras grandes e ela tinha uma visão excelente.
A mensagem era de Oksana: “Mãe Nad, e então, como estão as coisas com a avarenta Verochka e o Anton? Eles mandaram o dinheiro para o restaurante? É que amanhã precisamos pagar a segunda parcela da reserva do chalé em Sochi, e estamos contando muito com a parte de vocês!”
A mão de Vera, segurando a xícara, parou no meio do caminho até a boca.
Que reserva de chalé em Sochi?
Que parte?
Ela colocou a xícara de lado, pegou o telefone antigo da sogra e, sem pensar duas vezes, abriu o aplicativo de mensagens.
O que viu nas conversas fez seu coração bater mais rápido, tomado por uma raiva gelada e borbulhante.
Ela percorreu as conversas dos últimos seis meses, e diante de seus olhos se desenrolou um enorme esquema de fraude financeira.
Havia uma mensagem de Anton na qual ele enviava o comprovante de quinze mil rublos com a observação: “Mãe, isso é para os remédios e as contas”.
E exatamente cinco minutos depois, Nadezhda Pavlovna transferia os mesmos quinze mil rublos para Oksana com o comentário: “Oksanochka, isso é para vocês comprarem botas novas, mime-se”.
Havia também uma conversa de um ano antes.
Anton pegava um trabalho extra e transferia oitenta mil rublos para a mãe para pagar implantes caros.
Nadezhda Pavlovna escrevia para a nora mais nova: “Oksana, fiz os dentes de graça na clínica pelo programa de assistência, encontrei um médico muito bom. E o dinheiro do Anton transferi para o seu cartão, porque o Slavik precisava quitar o financiamento do carro. Só não conte nada ao Anton, senão a Vera vai estrangulá-lo de tanta raiva”.
Oksana respondia generosamente, enchendo o texto de emojis sorridentes: “Obrigada, Mãe Nad! Você é a melhor! E que esses egoístas sem filhos paguem. Eles só têm um filho, e ele ainda estuda longe, então não têm onde gastar o dinheiro. Vera é dessas éguas que precisam ser colocadas para trabalhar, ela ainda vai ganhar mais”.
Vera estava sentada na cozinha, sentindo tudo dentro dela se contrair diante daquela injustiça.
Enquanto seu marido passava noites sem dormir, prejudicando a visão diante dos monitores, enquanto ela própria lutava por bônus no trabalho para ajudar a sogra, aquela mulher simplesmente transferia o dinheiro deles para os bolsos do filho mais novo e preguiçoso.
Vera pegou seu próprio telefone e fotografou metodicamente todas as telas com as conversas e as transferências bancárias.
Depois, terminou de configurar o novo aparelho, colocou-o cuidadosamente sobre a mesa, vestiu-se no corredor e gritou:
— Nadezhda Pavlovna, configurei tudo.
— Preciso ir, tenho coisas para fazer!
— Ah, então vá, vá, nossa viciada em trabalho! — veio a resposta do quarto.
— Nos vemos no banquete!
À noite, Anton voltou para casa pálido de cansaço.
Tirou os sapatos, entrou na cozinha e desabou pesadamente sobre uma cadeira.
Vera colocou silenciosamente um prato com o jantar diante dele e, ao lado, deixou seu telefone com a galeria de fotos aberta.
— O que é isso? — perguntou Anton, semicerrando os olhos.
— Isso, meu querido, é o orçamento da nossa instituição de caridade — disse Vera em tom firme.
— Leia.
— Leia com atenção para onde foram suas noites de trabalho e nossas economias.
Anton pegou o telefone.
Primeiro, seu rosto demonstrou incompreensão, depois suas sobrancelhas se franziram.
Ele passou pelas fotos uma a uma.
Vera viu os músculos de sua mandíbula se contraírem e os nós dos dedos da mão que segurava o aparelho ficarem brancos.
Na cozinha, só se ouvia o zumbido monótono da velha geladeira.
Quando Anton chegou à mensagem sobre a “égua que precisa ser colocada para trabalhar”, ele colocou lentamente o telefone sobre a mesa.
Não havia dor nem decepção em seus olhos.
Ali ardia a raiva fria e calculista de um homem que havia percebido que fora traído pelas pessoas mais próximas.
Ele pegou seu smartphone e abriu o aplicativo bancário.
— Vou cancelar imediatamente o pagamento do restaurante — disse com uma voz dura e seca, que Vera mal reconhecia.
— Vou ligar para ela e dizer que meu dever de filho terminou para sempre.
Vera colocou a mão sobre a dele.
— Não, Anton.
— Não cancele.
— O dinheiro já foi, o restaurante está pago.
— Ela convidou trinta parentes de todo o país.
— A tia Valya veio, o tio Boris também.
— Se você cancelar tudo agora, ela vai nos apresentar como dois avarentos malucos que estragaram a festa da mãe.
— Ela vai distorcer tudo de modo que nós acabaremos sendo os culpados.
— E o que você propõe? — Anton olhou para a esposa.
— Sentarmos lá e sorrirmos enquanto o Slavik come às nossas custas e ri de nós?
— Vamos a esse aniversário — disse Vera calmamente.
— E vamos dar a Nadezhda Pavlovna a festa que ela merece.
— E acredite em mim, ela vai se lembrar desse banquete pelo resto da vida.
Na noite de sábado, o restaurante “Zolotaya Loza” brilhava sob os lustres de cristal.
A longa mesa estava repleta de aperitivos.
Os garçons de camisas brancas serviam peixe recheado, julienne e saladas em pequenas travessas de cristal.
Os parentes faziam barulho, brindavam e discutiam as últimas novidades.
Nadezhda Pavlovna estava sentada à cabeceira da mesa como uma rainha-mãe.
Seu novo vestido caía perfeitamente, e um colar brilhava em seu pescoço.
À sua direita estavam Slava e Oksana.
Slava usava uma camisa de marca cara, enquanto Oksana ajeitava o cabelo constantemente, exibindo sua manicure recém-feita e os lábios volumosos.
Vera e Anton estavam sentados um pouco mais afastados, observando calmamente o que acontecia.
Quando serviram o prato quente, Nadezhda Pavlovna bateu com o garfo na taça, pedindo a atenção de todos.
Os convidados ficaram em silêncio.
— Meus queridos — começou a sogra com uma voz melodiosa, enxugando os cantos dos olhos com um guardanapo.
— Obrigada por terem vindo compartilhar este dia comigo.
— Sou uma mulher rica porque tenho minha família.
— Quero agradecer especialmente ao meu caçula, Slavik, e à minha maravilhosa nora Oksanochka.
— Eles estão sempre ao meu lado, sempre me apoiam com uma palavra carinhosa e me deram netos maravilhosos.
— Vocês são meu apoio!
Slava estufou o peito orgulhosamente, enquanto Oksana baixava os cílios com modéstia.
— E, claro, obrigada ao meu filho mais velho, Anton — continuou Nadezhda Pavlovna, virando-se para eles, enquanto sua voz adquiria um tom levemente professoral.
— E a você também, Vera, obrigada.
— Embora você sempre ajude a família com má vontade e conte cada centavo.
— Mas hoje espero que tenha deixado sua avareza em casa, afinal, quando se trata da mãe, nada deve ser considerado caro demais!
Os parentes assentiram em aprovação.
Alguém sorriu.
Oksana cobriu a boca com a mão para esconder o sorriso debochado.
Vera não ficou vermelha nem se constrangeu.
Ela se levantou lentamente do lugar.
Ajeitou o paletó.
Pegou seu telefone sobre a mesa.
— A senhora tem toda a razão, Nadezhda Pavlovna — disse Vera em voz alta, para que todo o salão pudesse ouvi-la.
— Para uma família de verdade, nada é caro demais.
— Mas, já que a senhora mencionou minha avareza diante de todos os nossos queridos parentes, quero esclarecer uma coisa.
— Repita, por favor: quem é a avarenta aqui?
A sogra deu um puxão nervoso no ombro.
— E daí? O que foi que eu disse?
— Eu só disse a verdade!
— É sempre preciso arrancar a ajuda de vocês a fórceps!
Vera abriu o aplicativo bancário no telefone e mostrou o cálculo que havia preparado antecipadamente.
— Vamos aos números.
— Afinal, sou da área de logística e gosto de precisão.
— Nos últimos três anos, eu e Anton transferimos pessoalmente para a senhora, Nadezhda Pavlovna, quinhentos e quarenta mil rublos para suas necessidades.
— Isso inclui medicamentos, contas da casa, uma geladeira nova, uma viagem para um sanatório e aqueles famosos implantes suíços.
Um murmúrio de surpresa percorreu a mesa.
Tia Valya, de Samara, arregalou os olhos — para os parentes da província, aquelas quantias pareciam astronômicas.
— É obrigação dos filhos! — tentou interromper Slava, ficando vermelho.
— Vocês vivem bem, por que não ajudariam a mãe?
— Exatamente, Slava — Vera virou-se para o cunhado.
— Ajudar a mãe.
Vera fechou o aplicativo bancário e abriu a galeria com as fotografias.
— Agora vamos ouvir quem nós realmente ajudamos.
Ela começou a ler em voz alta, pronunciando claramente cada palavra:
— Treze de abril.
— Transferência de Anton para a mãe: quinze mil rublos.
— Mensagem de Nadezhda Pavlovna para Oksana no mesmo dia: “Oksanochka, isso é para vocês comprarem botas novas, mime-se”.
— Vinte e dois de agosto.
— Transferência de Anton para a mãe para tratamento dentário: oitenta mil.
— Mensagem para Oksana: “Fiz os dentes de graça pelo programa de assistência, e estou mandando o dinheiro para vocês porque faltava ao Slavik para pagar o financiamento do carro. Só não conte nada ao Anton, senão a Vera vai estrangulá-lo de tanta raiva”.
Um silêncio tão pesado tomou conta do restaurante que era possível ouvir um carro passando na rua.
Oksana empalideceu tão rapidamente que as camadas de base em suas bochechas ficaram visíveis.
Slava afundou-se na cadeira.
Vera não parou:
— E o meu favorito, de pouco tempo atrás.
— Mensagem de Oksana: “E então, como está a avarenta Verochka? Eles mandaram o dinheiro para o restaurante? É que precisamos pagar a reserva do chalé em Sochi”.
— É mentira!
— É falsificação! — guinchou Oksana, levantando-se de repente.
— Posso entregar o telefone à tia Valya agora mesmo, ela é uma mulher instruída e pode olhar pessoalmente as capturas de tela do seu telefone, Nadezhda Pavlovna — rebateu Vera, dando um passo em direção à parente.
A sogra percebeu que todas as rotas de fuga haviam sido bloqueadas.
Seu rosto ficou coberto de manchas vermelhas.
Nadezhda Pavlovna levou teatralmente a mão ao peito, representando com todo o corpo uma cena da comédia “Amor e Pombos”, na qual o tio Mítia enterrava sua esposa ainda viva e falava sobre um infarto do miocárdio e uma cicatriz daquele tamanho.
— Água! — gemeu ela, revirando os olhos.
— Meu coração!
— Vocês levaram a mãe a esse estado!
Anton, que até então permanecera em silêncio, levantou-se da mesa.
Sua figura pairou sobre a mesa festiva.
— Pare com esse circo, mãe — disse ele com uma voz fria como metal.
— Eu mesmo vi essas mensagens.
— Durante anos, você roubou da minha família para sustentar um vagabundo de trinta anos que nem sequer consegue ganhar dinheiro para as próprias férias.
— Nós nos privávamos de tudo para que você tivesse remédios e comida, enquanto você pagava as férias deles em Sochi e chamava minha esposa de égua.
— Anton, irmão, o que está acontecendo com você? — tentou protestar Slava, dando um passo ameaçador para a frente.
— Nós somos uma família!
— Você está dizendo que é difícil gastar dinheiro com seu próprio irmão?!
— Família não trata uns aos outros como idiotas, Slava — respondeu Anton, olhando para o irmão com profundo desprezo.
— A partir de hoje, o financiamento da vida luxuosa de vocês acabou.
— Aproveitem o peixe.
— Nós pagamos por ele.
— Essa é a nossa indenização de saída para todos vocês.
Ele pegou Vera pela mão.
Os dois se viraram em silêncio e caminharam em direção à saída do restaurante, sem prestar atenção ao tumulto que havia começado atrás deles.
Os parentes já interrogavam Nadezhda Pavlovna, tia Valya repreendia Oksana em voz alta por sua audácia, e Slava tentava se justificar.
Mas Vera e Anton já não estavam interessados.
Eles saíram para a rua.
O ar de outono pareceu incrivelmente fresco e leve para Vera, como se ela tivesse acabado de tirar dos ombros um pesado saco empoeirado cheio de pedras.
Anton passou o braço pelos ombros dela e beijou sua têmpora.
Seis meses depois, a vida de Vera e Anton havia mudado radicalmente.
Depois de parar de despejar dinheiro no poço sem fundo das necessidades dos parentes, eles rapidamente economizaram a quantia necessária e compraram aquele mesmo terreno perto da floresta com que sonhavam havia tanto tempo.
Vera escolhia com entusiasmo as mudas para os futuros canteiros de flores, enquanto Anton desenhava o projeto da nova sauna.
As manipulações da sogra já não funcionavam.
Durante as primeiras semanas, Nadezhda Pavlovna tentou ligar, chorar ao telefone, pedir perdão e exigir o retorno dos pagamentos mensais, mas Anton estabeleceu limites firmes: contato apenas para assuntos importantes, ajuda somente em caso de doença real e apenas com alimentos entregues pessoalmente.
Também não adiantou tentar criar escândalos por meio de outros parentes.
Toda a família conhecia a verdade, e muitos chegaram a ligar para Vera para demonstrar seu apoio e pedir desculpas por um dia terem considerado que ela era avarenta.
Slava e Oksana tiveram de encarar a dura realidade.
Sem o financiamento secreto, Slava foi obrigado a vender seu carro caro para quitar os empréstimos e arrumar um emprego como estoquista em um depósito.
Oksana esqueceu as ambições de blogueira, voltou da licença-maternidade e começou a trabalhar como recepcionista em um salão de cabeleireiro barato.
Vera estava na varanda de sua nova casa de campo, segurando uma caneca de chá quente nas mãos.
Ela observava Anton ocupado acendendo a churrasqueira e sorria.
Ela havia compreendido uma coisa fundamental: é impossível ser bom com pessoas que consideram sua bondade uma fraqueza e um recurso do qual podem se aproveitar.
E, às vezes, para proteger sua família, basta parar de ter medo de parecer avarento.






