O café na esquina da rua Lipovaya era um daqueles lugares onde os garçons se lembravam do seu pedido.
Nina e Artur estavam sentados à mesa perto da vitrine, e tudo corria como de costume — tranquilo, calmo, familiar.

Ele folheava o cardápio como se o estivesse vendo pela primeira vez, embora eles jantassem ali todas as sextas-feiras.
— Escuta, — Artur deixou o cardápio de lado e fez uma expressão culpada. — Acho que deixei meu cartão em casa.
— De novo? — Nina tirou seu cartão e o entregou ao garçom. — Tudo bem, acontece.
Depois veio o cinema.
E, mais uma vez, Artur deu de ombros: “Já que você tirou a carteira…”
Nina pagou pelos dois ingressos e pela pipoca.
O hábito é uma segunda natureza, e, no caso de Artur, esse hábito já havia criado garras.
Vera, amiga de Nina desde o primeiro ano da faculdade, tinha usado aquela palavra dois dias antes.
De maneira simples, casual, como quem diz: “Passe o sal”.
— Gigolô, — disse Vera, olhando Nina nos olhos. — Ele é um gigolô clássico, Nina.
Bonito, charmoso, com um sorriso de um milhão e a carteira vazia.
— Você não o conhece, — Nina se ofendeu naquela ocasião. — Ele só esquece o cartão às vezes.
— Às vezes? — Vera levantou um dedo. — Os tênis, foi você que comprou.
Aquela camiseta da moda, foi você.
Os táxis, todas as vezes, foi você.
Nina, você ainda não escova os dentes dele de manhã?
Nina ficou em silêncio.
À noite, deitada na cama, pegou o celular e abriu o histórico de transferências.
Seis.
Seis vezes nos últimos dois meses Artur havia pedido “alguns milhares, eu devolvo durante a semana”.
Nenhuma devolução.
O apartamento dos pais de Artur cheirava a coisas assadas.
A mãe de Artur, Galina Petrovna, corria de um lado para o outro em volta da mesa, arrumando os guardanapos e colocando os pratos.
O pai, Viktor Andreievitch, estava sentado em silêncio à cabeceira da mesa e girava uma colher entre os dedos.
— Bom, vamos discutir a data, — Galina Petrovna sentou-se e juntou as mãos. — Eu penso em setembro.
O clima é ameno, podemos pegar um salão com varanda.
— Setembro está ótimo, — Nina assentiu. — Meus cursos terminam justamente nessa época.
— Excelente! — Galina Petrovna abriu um enorme sorriso. — Eu já contei para todo mundo no trabalho: “Esta é minha filha, minha Nininha”.
Foi exatamente assim que eu disse.
Artur permanecia calado.
Ele mexia na salada com o garfo e olhava nervosamente para Nina.
Nina percebeu.
Ela já havia aprendido a reconhecer aquele olhar — o olhar de alguém que está prestes a pedir alguma coisa.
— Nina, — começou ele baixinho, inclinando-se em sua direção. — Escuta, surgiu uma coisa.
Eu precisaria de cinco mil até sexta-feira.
Eu devolvo, palavra de honra.
Nina colocou lentamente o garfo sobre a mesa.
Limpou lentamente os lábios com o guardanapo.
Depois virou-se lentamente para ele.
— Repita, — disse ela. — Repita, por favor, em voz alta e claramente.
Para que todos possam ouvir.
— Ah, qual é… — Artur olhou para os pais. — Eu falei baixinho, só entre nós…
— Não, Artur.
Entre nós, já faz muito tempo que nada é apenas entre nós.
Nina levantou a mão direita e começou a contar nos dedos.
— O café na rua Lipovaya, três vezes — uma, duas, três.
Cinema — quatro, cinco.
Táxi até a sua casa — seis, sete, oito.
Os tênis — nove.
A camiseta — dez.
Os dedos da mão direita acabaram.
Nina levantou a mão esquerda.
— A transferência “por alguns dias”, de 12 de março — onze.
A transferência do dia 23 — doze.
Primeiro de abril — treze, e seria engraçado se não fosse tão triste.
Dia cinco — quatorze.
Dia dez — quinze.
Dia dezoito — dezesseis.
Ela colocou as mãos sobre a mesa.
— Dezesseis.
Artur.
Dezesseis vezes.
E nenhuma devolução.
Nenhuma.
Galina Petrovna soltou um suspiro surpreso e cobriu a boca com a mão.
Viktor Andreievitch parou de girar a colher e encarou o filho.
Artur ficou vermelho até as orelhas.
— Você está falando sério agora? — tentou rir. — Por causa de alguns trocados você está fazendo uma cena na frente dos meus pais?
— Trocados? — Nina sorriu. — Eu fiz as contas.
Quarenta e sete mil e quatrocentos rublos.
Isso sem contar os tênis e a camiseta.
Com eles, chega perto de sessenta mil.
Quer que eu mostre as transferências?
Elas estão no meu celular.
Agora eu guardo tudo.
— Nina, já chega, — Artur deu de ombros. — Você está se comportando como uma contadora, não como uma noiva.
— E você está se comportando como um gigolô, não como um noivo, — respondeu Nina calmamente. — E sabe de uma coisa, eu pensei: talvez isso seja normal.
Talvez eu precise de um belo gigolô.
Você é bonito, Artur.
As garotas ficam atrás de você.
Seu sorriso, seu cabelo, seus olhos — você é realmente bonito.
Artur piscou, confuso.
Galina Petrovna alternava o olhar entre a futura nora e o filho.
Viktor Andreievitch estreitou os olhos.
— Só que, se sou eu quem sustenta você, — continuou Nina, — então vamos ser honestos.
Você limpa o chão — você.
Você vai às compras — você.
Você cozinha — você.
Você corre de manhã — obrigatoriamente.
Porque, Artur, você já está com uma barriguinha.
Aqui. — Ela apontou com o dedo. — E para que eu quero um marido com barriga se, além disso, ainda sou eu quem paga por ele?
Artur levantou-se de repente.
Seu rosto se contorceu de raiva, e seus olhos ficaram duros e agressivos.
— Você… você é uma mão de vaca! — disparou ele. — É isso que você é!
Mão de vaca, mesquinha, fica contando cada centavo!
Eu achava que você me amava, mas você é uma comerciante!
Ouviu-se um estalo forte.
Viktor Andreievitch, sem sequer se levantar, estendeu o braço e bateu na testa do filho com a colher.
— Sente-se, — disse o pai. — E cale a boca.
Artur levou a mão à testa.
Uma marca vermelha já começava a aparecer em sua pele.
Ele olhou para o pai com ressentimento, mas sentou-se.
— Mão de vaca? — Nina se levantou. — Mão de vaca é quem não dá aquilo que é seu.
Mas eu dei, Artur.
Dei, dei e dei.
Só que você não percebeu quando “eu dou” se transformou em “eu sou obrigada”.
— Você está exager… — começou Artur.
— Eu terminei, — interrompeu Nina. — O noivado está cancelado.
Se bem me lembro, você tinha uma lista enorme.
Você me mostrou, todo orgulhoso — trinta e duas garotas que haviam escrito primeiro para você.
Escolha qualquer uma.
Talvez alguma delas fique feliz em pagar pelos seus tênis.
Galina Petrovna cobriu o rosto com as mãos.
No mundo dela, o plano do casamento no outono, dos netos e dos almoços familiares aos domingos acabara de desmoronar.
Ela já estava acostumada a dizer “minha Nininha”, e aquela palavra havia se tornado tão querida para ela quanto o nome do próprio filho.
— Nina, espere, — Galina Petrovna tirou as mãos do rosto. — Não vá embora assim.
— A senhora é uma mulher maravilhosa, — Nina virou-se para ela. — E Viktor Andreievitch é um homem que eu respeito.
Mas seu filho ainda não amadureceu o suficiente para merecer a palavra “marido”.
Talvez ele amadureça.
Mas não às minhas custas.
Nina pegou a bolsa e caminhou em direção à porta.
Artur estava sentado com uma marca vermelha na testa e piscava os olhos.
Ele não correu atrás dela.
Não gritou “espere”.
Ficou sentado, tentando entender por que o mundo havia se tornado tão injusto de repente.
— Nina. — Viktor Andreievitch a alcançou já na entrada do prédio.
Ele estava de chinelos sobre o concreto frio e a olhava seriamente, sem sorrir.
— Espere um minuto.
— Não tenho nada a acrescentar, — Nina parou, mas não se virou.
— Não estou pedindo por ele, — disse ele. — Estou perguntando por mim.
Se ele pedir desculpas.
Não agora, no calor do momento.
Se ele entender.
Se vier.
Se disser as palavras certas e as confirmar com atitudes.
Você vai dar uma chance a ele?
Nina virou-se lentamente.
— Eu o amo, — disse baixinho.
— Esse é justamente o problema.
Se eu não o amasse, simplesmente iria embora.
Mas aqui estou eu, conversando com o senhor de chinelos.
Ele assentiu.
— Preciso pensar, — Nina desviou o olhar. — Apenas pensar.
Ela foi embora.
Simplesmente foi embora, com passos tranquilos e firmes, e isso apertou o coração de Viktor Andreievitch.
Artur estava sentado à mesa com a marca da colher na testa.
Sua mãe recolhia os pratos em silêncio.
Viktor Andreievitch voltou, tirou os chinelos na entrada e sentou-se diante do filho.
— E então, o que você conseguiu? — perguntou o pai.
— E ela?! — Artur explodiu. — Por alguns milhares!
Ela fez um espetáculo!
Na frente de vocês!
Ela me humilhou!
— Você?
Ela humilhou você? — O pai bateu a colher sobre a mesa. — Meu filho, não foram as palavras de Nina que humilharam você.
Você se humilhou dezesseis vezes, cada vez que estendeu a mão e pediu dinheiro àquela garota.
Todas as vezes, foi você quem se humilhou.
— Pai, mas você também…
— Eu também o quê? — O pai se inclinou para mais perto. — Em trinta e dois anos, nunca pedi dinheiro à sua mãe.
Não porque eu fosse orgulhoso.
Mas porque homem é aquele que resolve os problemas, não aquele que os cria.
Artur ficou em silêncio.
Esfregou a testa e olhou para a mesa.
— Ela me chamou de gigolô, — murmurou. — Na frente de vocês.
Isso é normal?
— E os sessenta mil do dinheiro dela no seu bolso são normais? — perguntou a mãe, da pia.
Ela não se virou, mas sua voz fez Artur encolher os ombros.
— Mãe…
— Não me venha com “mãe”.
Há vinte e seis anos eu digo a você: seja homem.
E você continua sendo um garoto.
Um garoto bonito, pelo qual as garotas pagam.
Eu entendo Nina.
No lugar dela, eu também teria ido embora.
Só que teria ido embora muito antes.
Artur abriu a boca.
Olhou para o pai.
Depois para a mãe.
Depois novamente para o pai.
— E o que eu faço agora? — perguntou.
— Isso você decide sozinho, — Viktor Andreievitch levantou-se. — Você é adulto.
Pelo menos, em teoria.
Ele fez uma pausa.
— Agora todo mundo vai rir de você porque sua noiva o deixou.
E por quê?
Porque você não conseguiu pagar um jantar no café.
— Não precisa falar assim…
— Precisa, — o pai parou na porta. — Porque, se você não entender agora, daqui a um ano estará sentado com outra garota pedindo a ela “alguns milhares até sexta-feira”.
E daqui a dois anos.
E daqui a cinco.
Até acabar sozinho, com uma lista enorme e a conta vazia.
Viktor Andreievitch saiu.
Galina Petrovna enxugou as mãos com um pano de prato e sentou-se diante do filho.
— Você a ama? — perguntou ela.
— Amo, — respondeu Artur.
Depois acrescentou, mais baixo:
— Acho que sim.
— “Acho que sim” não é uma resposta, — sua mãe olhou longamente para ele. — Amor é quando você sente vergonha.
Agora mesmo, neste exato segundo.
Você está com vergonha?
Artur ficou em silêncio.
Depois esfregou o galo na testa e disse baixinho:
— Sim.
Estou com vergonha.
Muita vergonha.
— Comece por aí, — sua mãe se levantou. — Só não corra atrás dela agora.
Agora você vai dizer alguma bobagem e ela irá embora para sempre.
Espere.
Pense.
E quando for procurá-la, não leve flores, leve uma atitude concreta.
Nina caminhava pela rua ao anoitecer.
Seu telefone vibrou — Vera havia enviado uma mensagem: “E aí? Como foi?”
Nina não respondeu.
Ela pensava em como, três meses antes, Artur havia pedido sua mão em casamento.
Foi lindo, com um anel, na margem do rio, ao pôr do sol.
Ela estava feliz.
Ela acreditava nele.
E agora, caminhando pela calçada, ela não sabia o que predominava dentro dela — mágoa ou esperança.
A mágoa dizia: “Você fez a coisa certa”.
A esperança sussurrava: “Talvez ele entenda”.
O telefone tocou.
Era um número desconhecido.
Nina atendeu.
— Nina, é Galina Petrovna.
Por favor, não desligue.
— Estou ouvindo.
— Não vou pedir por ele.
Ele é adulto e precisa resolver isso sozinho.
Estou ligando para agradecer.
Pela sua honestidade.
Por não ter ficado em silêncio.
Outra pessoa teria ficado calada, pago e acumulado ressentimento até tudo explodir.
Mas você disse a verdade.
E isso vale muito.
Nina sentiu a garganta apertar.
— Galina Petrovna, eu…
— Você é minha filha, — a voz da mulher tremeu. — Foi e continua sendo.
Aconteça o que acontecer.
Lembre-se disso.
Nina apertou o botão para desligar e parou no meio da calçada.
Ficou ali, apertando o telefone contra o peito, e pensou: talvez o amor não diga respeito apenas a duas pessoas.
Talvez o amor seja quando a mãe de outra pessoa chama você de filha e agradece por você não ter permitido que o filho dela se tornasse pior do que poderia ser.
E Artur estava sentado à mesa vazia, tocando o galo na testa.
Ele tinha vinte e seis anos, olhos bonitos, um sorriso encantador e nenhum argumento para se defender.
Apenas dezesseis dedos dobrados, que ele ainda conseguia ver diante de si.
E, em algum lugar entre o ressentimento e a vergonha, ele começou a compreender — não com a cabeça, mas justamente com o lugar onde o pai o havia atingido com a colher — que perder Nina por causa da própria preguiça e arrogância seria a compra mais cara de sua vida.
Uma compra que nenhum cartão jamais conseguiria pagar.







