👑— Prepare os documentos para a venda da dacha, Lena e eu precisamos de dinheiro, ligou o ex-marido. Svetlana desligou o telefone e discou outro número…

Galina Petrovna chegou à casa da nora naquela terça-feira sem avisar, com dois sacos de mudas e um pote de geleia caseira de groselha.

Svetlana abriu a porta e, ao ver a sogra, sorriu — sinceramente, sem esforço.

Entre elas havia muito tempo se formara uma relação que não se encaixava em nenhuma piada nem em nenhum comentário maldoso.

— Pensei que os floxes perto da cerca estavam completamente tristes, disse Galina Petrovna, colocando os sacos no chão.

— Trouxe novos.

E geleia.

Você gosta dela, eu me lembro.

— Galina Petrovna, a senhora de novo.

Eu pedi para não gastar dinheiro.

— Isso não é gasto, Sveta.

É prazer.

Também me dá alegria.

Svetlana levou os sacos para a cozinha e colocou a chaleira no fogo.

Galina Petrovna sentou-se à mesa e olhou ao redor como de costume.

Aquele apartamento pertencia a Nina Vasilievna, mãe de Svetlana, e as duas mulheres sabiam disso.

Danil também sabia, embora preferisse não se lembrar.

— Como ele está? perguntou Galina Petrovna em voz baixa.

— Danil?

Ele existe.

Vem, vai embora.

Às vezes janta em casa.

Às vezes não.

— Ele sempre foi assim.

Mesmo menino, parecia estar por perto, mas ao mesmo tempo não estava.

Achei que, ao se casar, mudaria.

— Não mudou.

— Eu vejo.

Svetlana serviu o chá nas xícaras e sentou-se em frente a ela.

Ela não reclamava.

Não porque fosse orgulhosa, mas porque reclamar era inútil.

Danil não a ofendia, não fazia escândalos — ele simplesmente estava ausente.

Fisicamente, estava no apartamento, mas sua presença era sentida não mais do que a sombra de um armário.

— Eu me lembro de como a senhora me ajudou naquela época, disse Svetlana.

— Com o carro.

Se não fosse a senhora, eu não teria conseguido.

Eu precisava viajar para longe todos os dias, e dinheiro não havia absolutamente nenhum.

— Pare com isso.

Depois você me retribuiu em dobro.

Quando nasceu o menino de Katia e precisávamos de um massagista — não qualquer um, mas um bom.

Você encontrou um por meio de conhecidos em dois dias.

Eu mesma teria procurado por um mês.

— Não foi difícil.

— Para você, não foi difícil.

Para mim, foi uma salvação.

Então estamos quites, Sveta.

Elas tomavam chá e conversavam sobre nada em especial — sobre as mudas, sobre os vizinhos da dacha, sobre o fato de que a macieira perto do portão daria uma boa colheita naquele ano.

Galina Petrovna se animava quando o assunto chegava à dacha.

Aquela dacha pertencia a Svetlana — ela a herdara do avô —, mas foi Galina Petrovna quem lhe deu vida.

Ela colocou o terreno em ordem, plantou flores e fez canteiros.

Svetlana não tinha tempo para cuidar disso, e a dacha ficara abandonada por anos.

— No fim de semana vou para lá, disse Galina Petrovna.

— É preciso cobrir as rosas antes que as noites fiquem completamente frias.

— Claro.

Vá.

A senhora sabe que lá é como se fosse sua casa.

Galina Petrovna assentiu com gratidão.

Svetlana realmente sentia isso.

A sogra na dacha significava que a dacha vivia.

Sem ela, o terreno voltaria a se transformar em um matagal abandonado.

Danil chegou em casa na sexta-feira, depois dos feriados.

Não estava sozinho.

Atrás dele estava uma mulher — baixa, loira, com o casaco desabotoado.

Svetlana saiu para o corredor ao som da porta se abrindo e parou.

Olhou para o marido, depois para a mulher.

Depois novamente para o marido.

Ela já sabia.

Não especificamente sobre aquela mulher, mas sabia — tudo caminhava para isso.

O distanciamento dos últimos meses, as noites vazias, o olhar que passava por ela sem parar.

Tudo se juntava em uma única imagem, e Svetlana não fingiu estar surpresa.

— Precisamos conversar, começou Danil.

A voz era calma, ensaiada.

— Converse.

— Vou pedir o divórcio.

Esta é Lena.

Vamos ficar juntos.

— Está bem.

Danil piscou.

Ele claramente se preparara para outra coisa — para gritos, para perguntas como “por quê” e “como você pôde”.

Svetlana não lhe deu nada disso.

Ela ficou de pé, ereta, com os braços ao longo do corpo e o rosto calmo.

— Está bem? perguntou ele.

— É só isso que você vai dizer?

— E o que você quer ouvir?

Que estou desesperada?

Eu não estou desesperada, Danil.

Vá arrumar suas coisas.

Ele foi para o quarto.

Lena ficou no corredor.

Por alguns segundos, ficou calada, mudando o peso de um pé para o outro, depois deu um passo em direção a Svetlana.

— Svetlana, eu gostaria…

Não guarde rancor.

Aconteceu assim.

Ninguém planejou.

Svetlana olhou para ela — não com raiva, não com desprezo, mas como se olha para uma desconhecida em uma fila.

Sem interesse.

Depois se virou e entrou no escritório.

Fechou a porta.

Sentou-se à mesa.

Abriu o notebook.

Lena ficou sozinha no corredor.

Do quarto vinham sons — farfalhar, portas do armário batendo.

Danil arrumava suas coisas.

Cerca de quarenta minutos depois, ele saiu com duas bolsas.

Olhou para a porta fechada do escritório.

Aproximou-se.

Levantou a mão para bater.

Não bateu.

Baixou a mão.

Pegou as bolsas e saiu do apartamento.

Dois dias depois, a sogra chegou.

Ela ligou antes e pediu permissão.

Svetlana abriu a porta.

Galina Petrovna parecia não dormir havia dois dias.

Os olhos estavam vermelhos, os lábios apertados.

— Sveta.

Vim pedir desculpas.

Pelo meu filho.

Eu não o criei assim.

Não sei o que aconteceu com ele.

— Galina Petrovna, a senhora não tem culpa de nada.

— Tenho culpa.

Ele é meu filho.

Isso significa que em algum lugar eu não vi o suficiente.

Em algum lugar eu errei.

— Ele é um homem adulto.

Ele tomou uma decisão.

A senhora não tem nada a ver com isso.

A sogra sentou-se em uma cadeira no hall e ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois levantou a cabeça.

— Vou juntar minhas coisas na dacha e sair de lá.

É sua e de Danil…

Ou melhor, é sua dacha.

Agora me sinto desconfortável.

— Galina Petrovna, espere.

A dacha é minha.

Herança do meu avô.

Danil não tem relação nenhuma com ela.

— Ainda mais.

Que direito eu tenho de ficar lá se você e meu filho se separaram?

— A senhora tem esse direito porque eu peço que fique.

Se a senhora for embora, a dacha voltará a virar uma ruína.

Eu vou lá uma vez por mês.

E, quando vou, me sinto em casa.

Porque foi a senhora que fez dela uma casa.

— Sveta…

— Não se apresse.

Não tome decisões movida pela emoção.

Fique.

Nada mudou.

Galina Petrovna começou a chorar.

Baixinho, por pouco tempo.

Enxugou os olhos, endireitou-se e assentiu.

O divórcio foi formalizado rapidamente.

O apartamento pertencia a Nina Vasilievna.

Danil não podia reivindicá-lo e não o fez.

A dacha estava registrada em nome de Svetlana.

Danil também não a reivindicou — naquele momento.

Naquele momento, ele estava ocupado com outra coisa: uma nova vida, uma nova mulher, um novo começo.

Passaram-se quatro meses.

Svetlana estava voltando para casa quando o telefone tocou.

Era o número de Danil.

Ela atendeu.

— Prepare os documentos para a venda da dacha, disse ele sem cumprimentar.

— Lena e eu precisamos de dinheiro.

Svetlana ficou em silêncio por exatamente dois segundos.

Não por confusão — por surpresa diante de tanta insolência.

— Não, disse ela.

— Sveta, vamos resolver isso normalmente.

Eu trabalhei duro lá.

Coloquei a cerca, consertei o telhado.

— Quem colocou a cerca foi seu amigo Igor.

O telhado foi consertado por trabalhadores contratados.

Com o meu dinheiro.

A dacha é minha.

Pelos documentos.

Pela lei.

Pela consciência.

— Você está falando sério agora?

Eu preciso de dinheiro.

Não estou pedindo a quantia toda.

A metade.

— Metade da minha herança?

Danil, você precisa ir ao médico?

— Estou ouvindo uma mulher gananciosa que não consegue dividir os bens de forma normal.

Svetlana desligou.

Com calma.

Sem bater, sem estalo.

Apenas apertou o botão.

Depois discou outro número.

— Galina Petrovna.

Olá.

Danil acabou de ligar.

Exigiu que eu vendesse a dacha.

Ele e Lena precisam de dinheiro.

Do outro lado, houve uma longa pausa.

— Ele disse “exigiu”?

— Exatamente assim.

Exigiu.

Como se fosse propriedade dele.

— Sveta, eu…

Eu não sei o que dizer.

— A senhora não precisa dizer nada.

Eu só quero que saiba.

Não vou vender a dacha.

A senhora mora lá, e vai continuar lá.

— Sveta, escute.

Eu penso nisso há muito tempo.

Tenho um apartamento — de um quarto, praticamente não o uso.

Posso vendê-lo.

Darei parte do dinheiro a Danil, para que ele nos deixe em paz.

Parte darei a Katia.

Parte colocarei em um depósito.

E eu mesma vou morar na dacha.

Se você não se importar.

— Galina Petrovna, a senhora não é obrigada.

— Eu sei que não sou obrigada.

Mas eu quero.

O apartamento fica vazio.

Vou lá uma vez por semana para pegar a correspondência.

Para que preciso de paredes nas quais não vivo?

— A senhora tem certeza?

— Absoluta.

Svetlana ficou sentada no carro, olhando à frente.

A decisão fora tomada — não por ela, mas com seu consentimento silencioso.

Ela não jogava o problema para outra pessoa.

Ela não adiava.

Danil queria dinheiro — ele receberia dinheiro.

Mas não de Svetlana.

E não às custas de sua propriedade.

Uma semana depois, Svetlana ligou para a amiga.

Marina estava em casa, mexendo em alguma coisa, e atendeu no quarto toque.

— Marinka.

Aconteceu uma coisa.

Galina Petrovna está vendendo o apartamento.

E quer morar na dacha.

— Espera.

É sua sogra?

Ex-sogra?

— Ex.

Sim.

— E o que ela tem a ver com a sua dacha?

— Ela mora lá.

Já faz dois anos.

Cuida do terreno.

Eu permiti.

— Svet, eu não me meto nos assuntos dos outros.

Você sabe.

Mas isso é uma situação estranha.

Sua ex-sogra mora na sua dacha.

Seu ex-marido exige que essa dacha seja vendida.

E a sogra, em vez de ficar do lado do filho, vende o próprio apartamento.

— Exatamente.

— Certo.

Você é adulta.

Faça como achar melhor.

Só me diga — você confia nela?

— Em Galina Petrovna?

Sim.

Mais do que eu confiava no filho dela.

Marina ficou em silêncio.

Depois disse baixinho:

— Então me mantenha informada.

Galina Petrovna vendeu o apartamento em um mês.

O comprador apareceu rapidamente — o bairro era bom, o preço razoável.

Ela dividiu o dinheiro em três partes: uma parte deu a Danil, uma parte à filha Katia, e uma parte colocou em um depósito.

Danil veio buscar o dinheiro no mesmo dia em que ele caiu na conta.

Não agradeceu.

Não perguntou como ela estava.

Pegou — e foi embora.

Galina Petrovna ligou para Svetlana à noite.

— Pronto.

O apartamento não existe mais.

Danil recebeu a parte dele.

Katia recebeu a dela.

Estou na dacha.

Se você mudar de ideia, diga diretamente, eu encontro para onde ir.

— Galina Petrovna.

Eu não vou mudar de ideia.

More aí.

A dacha é sua casa enquanto a senhora quiser.

— Obrigada, Sveta.

Você é melhor do que meu filho merecia.

Nina Vasilievna ligou para a filha no sábado de manhã.

Falou pouco, de forma prática, como sempre.

— Svetlana, Marina me contou.

Sobre a dacha, sobre a sogra.

O que está acontecendo?

— Nada novo.

Danil queria dinheiro.

Recebeu — da mãe dele, não de mim.

Agora, espero que me deixe em paz.

— E Galina Petrovna agora está sem moradia?

— Ela está na dacha.

Por vontade própria.

Eu não a obriguei.

— Não estou dizendo que obrigou.

Estou perguntando se você entende o que está fazendo.

— Entendo.

Ela é uma boa pessoa.

Ela não tem culpa de o filho dela ter se tornado assim.

— Está bem.

Você é adulta.

As decisões são suas.

Mas, se algo der errado, ligue.

— Vou ligar.

Nina Vasilievna desligou.

Ela havia muito tempo deixara de se intrometer na vida da filha.

Não por indiferença — por respeito.

Desde os quinze anos, Svetlana tomava decisões sozinha.

Às vezes errava.

Mas, na maioria das vezes, não.

Enquanto isso, Danil comprou um carro.

Toda a quantia que a mãe lhe dera, ele investiu no automóvel — novo, brilhante, caro.

Lena ficou satisfeita.

Igor, seu amigo, deu-lhe um tapinha no ombro.

— Que beleza!

Isso sim é vida.

E essa sua Svetlana é uma sovina.

Podia ter dividido alguma coisa.

O apartamento, tudo bem, é da sogra.

Mas a dacha — era vida em comum, rotina em comum.

— A dacha está registrada no nome dela, disse Danil.

— E daí?

Você morou lá.

Você investiu lá.

— Ela diz que eu não investi.

— Bobagem.

Você é marido.

Foi.

Então tem direito moral.

— Moral não é jurídico.

— Escuta, sua mãe ainda mora lá?

— Mora.

E daí?

— Então…

Se sua mãe mora lá, isso significa que, na prática, é a casa dela.

Você pode ir visitar sua mãe?

Pode.

Ela vai deixar você entrar?

Vai.

E depois — quem vai expulsar você de lá?

Talvez a dacha já seja dela?

Danil olhou para Igor.

Algo estalou em sua cabeça.

A ideia lhe pareceu lógica, bonita, impecavelmente simples.

A mãe mora na dacha — então a dacha, na prática, pertence à mãe.

Ele é o filho.

Então pode ir para lá.

— Lena, disse ele à noite.

— Eu tive uma ideia.

Vamos nos mudar para fora da cidade.

Para a dacha.

Minha mãe está lá sozinha, ela vai gostar.

O terreno é grande, a casa é espaçosa.

Vai dar para nós.

— E Svetlana?

— Svetlana não mora lá.

Ela aparece uma vez por mês.

A dacha é da minha mãe.

— Você tem certeza de que é uma boa ideia?

— Absoluta.

Arrume as malas.

Lena arrumou.

Duas malas grandes, três caixas.

Danil colocou tudo no carro novo.

Eles foram em silêncio.

Lena olhava para o lado e mordia o lábio.

Depois do divórcio, ela tentara criar uma relação com Galina Petrovna — ligava, propunha encontros.

Galina Petrovna recusava educadamente todas as vezes.

Não de forma rude.

Apenas não.

Sem explicações.

— Danil, você ligou para sua mãe?

Avisou?

— Para quê?

Eu sou filho dela.

Vou chegar, e ela ficará feliz.

— Você tem certeza?

— Lena, chega de perguntas.

Eu sei o que estou fazendo.

O carro parou perto do portão.

Danil saiu e olhou ao redor.

O terreno estava excelente — gramado aparado, caminhos retos, canteiros de flores ao longo da cerca.

A macieira perto do portão estava carregada de frutos.

A casa estava recém-pintada, com novos acabamentos nas janelas.

Galina Petrovna havia colocado naquele lugar todo o seu tempo e suas forças.

Danil abriu o portão e foi em direção à casa.

Lena ficou junto ao carro.

Galina Petrovna saiu para a varanda.

Ela olhava para o filho — sem sorriso, sem alegria.

Com uma expressão pesada e imóvel.

— Oi, disse Danil.

— Chegamos.

Decidimos nos mudar para fora da cidade.

Trouxe as coisas.

— Que coisas?

— Nossas.

Minhas e de Lena.

Malas, caixas.

Vamos morar aqui por um tempo.

Há espaço suficiente.

A mãe não se mexeu da varanda.

Ela estava de pé, apoiando a mão no corrimão.

— Danil.

Você ligou para Svetlana?

— Por que eu ligaria para Svetlana?

Você mora aqui.

Eu vim até você.

— Eu moro aqui.

Mas estou aqui como convidada.

Esta não é minha casa.

É a casa de Svetlana.

Ela me permitiu ficar.

A você, ela não permitiu.

Danil parou no meio do caminho até a varanda.

O sorriso começou a desaparecer de seu rosto.

— Como assim?

Você é minha mãe.

Eu vim até você.

— Você veio à casa de outra pessoa.

Sem convite.

Com malas.

E com a mulher por causa de quem destruiu seu casamento.

Você realmente achou que eu abriria a porta?

— Você não vai abrir a porta para seu próprio filho?

— Não vou abrir a porta de outra pessoa.

Esta não é minha porta, Danil.

É a porta de Svetlana.

Vou ligar para ela e perguntar.

— Não ligue para ninguém!

Isso é absurdo!

— Não é absurdo.

É decência.

Espere.

Galina Petrovna tirou o telefone e ligou para Svetlana.

— Sveta.

Danil chegou.

Com malas.

Com a mulher dele.

Quer morar aqui.

O que você diz?

Do outro lado houve uma breve pausa.

Depois veio a voz de Svetlana — firme, sem emoção, sem tremor:

— Galina Petrovna, meu ex-marido e a mulher dele não têm nada a fazer na minha dacha.

Esta é a minha casa.

Ele não foi convidado para lá.

Nem hoje, nem amanhã, nem nunca.

— Entendi.

Obrigada, Sveta.

Galina Petrovna guardou o telefone e olhou para o filho.

— Ouviu?

— Ela não pode me proibir!

— Pode.

A dacha é propriedade dela.

Você sabe muito bem disso.

Danil ficou parado no meio do caminho.

Lena saiu do carro e se aproximou.

Ela havia ouvido a conversa.

Seu rosto estava tenso, pálido.

— Danil, vamos embora.

Por favor.

Não faça isso.

— Espere! retrucou ele.

— Mãe, você entende que eu não tenho apartamento?

O dinheiro que você me deu eu investi no carro.

Não tenho para onde ir.

— Você investiu o dinheiro do apartamento vendido — do meu apartamento — em um pedaço de metal?

Todo o dinheiro?

— Foi uma compra sensata.

— Uma compra sensata.

Por causa de rodas.

E agora você está aqui exigindo o teto de outra pessoa.

Danil, eu dei à luz a você.

Eu amo você.

Mas não vou trair por sua causa uma pessoa que agiu comigo com decência.

— Você escolhe a ex-nora?

Em vez do filho?

— Eu escolho a consciência.

Eu não escolhi a ex-nora — ela mesma escolheu continuar sendo decente.

E você mesmo escolheu se tornar assim.

Danil virou-se para Lena.

Lena olhava para ele, e em seus olhos havia algo novo — não apoio, não admiração, não confiança.

Algo parecido com decepção.

— Lena, diga alguma coisa.

— O que você quer que eu diga, Danil?

Você disse que tinha um plano.

Que nos mudaríamos para fora da cidade.

Que tudo estava resolvido.

Nada está resolvido.

Não temos apartamento.

Não temos economias.

Temos um carro, no qual agora, pelo visto, vamos morar.

— Eu não podia saber que minha mãe recusaria!

— Você podia ter ligado.

Podia ter perguntado.

Você não fez nada.

Como sempre.

Ela se virou e foi para o portão.

Danil ficou sozinho.

Galina Petrovna estava na varanda.

Entre eles havia o caminho, revestido com placas bem alinhadas.

Nas bordas, havia cravos-de-defunto, laranja e amarelos, ainda vivos, ainda brilhantes.

— Danil, disse a mãe.

— Vá embora.

Encontre um apartamento alugado.

Ponha sua vida em ordem.

Quando voltar a si, ligue.

Não para cá.

Para mim.

No meu número.

Mas não traga malas.

E não traga Lena.

E não venha com exigências.

— Você me traiu, disse ele.

— Não.

Foi você quem traiu.

Primeiro sua esposa.

Depois, a si mesmo.

E eu apenas parei de fingir que não percebia.

Danil se virou e foi até o carro.

O porta-malas estava cheio de coisas.

Lena já estava sentada no banco do passageiro, virada para a janela.

Ele se sentou ao volante.

Por muito tempo não ligou o motor.

Depois ligou e arrancou.

O carro desapareceu atrás da curva.

Galina Petrovna ficou de pé na varanda.

Tirou o telefone.

Ligou para Svetlana.

— Sveta.

Ele foi embora.

— A senhora está bem?

— Não exatamente.

Mas vou ficar.

Obrigada por não ceder.

— Galina Petrovna.

Esta é a minha casa.

E a senhora é minha pessoa.

Não havia nada a ceder.

— Sabe, Sveta…

Ele gastou o dinheiro no carro.

Tudo, até o último copeque.

— Não estou surpresa.

— Eu estou.

Sempre fico surpresa.

Embora, ao que parece, já esteja na hora de parar.

— Descanse.

Vou aí no sábado.

Levarei uma torta de maçã.

— Você não sabe fazer torta de maçã.

— Eu compro.

Galina Petrovna sorriu.

Guardou o telefone e voltou para dentro de casa.

Fechou a porta.

Colocou a chaleira no fogo.

Do lado de fora da janela estavam o terreno, as flores, a macieira.

Tudo estava em seu lugar.

Tudo estava vivo.

E Danil seguia pela estrada, e o carro novo — brilhante, caro — agora lhe parecia exatamente aquilo que era de verdade: uma caixa bonita, completamente vazia.

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