— Saiam da minha cozinha agora mesmo! Não me importa que vocês quisessem fazer o melhor! Vocês jogaram minha sopa dietética no vaso sanitário e prepararam esse borscht gorduroso, que só dá enjoo, porque o filhinho de vocês emagreceu?!

— Saiam da minha cozinha agora mesmo!

Não me importa que vocês quisessem fazer o melhor!

Vocês jogaram minha sopa dietética no vaso sanitário e prepararam esse borscht gorduroso, que só dá enjoo, porque o filhinho de vocês emagreceu?!

A dona desta casa sou eu, não vocês!

Peguem suas panelas e sumam daqui!

— gritou Marina, apertando convulsivamente com as mãos úmidas a borda da toalha felpuda na qual estava enrolada.

Sua voz se transformou em um guincho, refletindo nos azulejos novinhos, mas se perdia no zumbido pesado e pegajoso do exaustor, que trabalhava no limite, mas ainda assim não dava conta.

A cozinha, seu orgulho esterilmente branco, reformada havia apenas um mês, agora parecia uma lanchonete gordurosa de estação em plena hora do rush.

O ar estava denso, azulado pela fumaça e pelo óleo rançoso.

Ele entrava pelo nariz, assentava-se como uma película desagradável na pele ainda úmida depois do banho, destruindo instantaneamente a sensação de limpeza.

Tamara Ivanovna nem sequer se virou.

Ela estava de pé junto ao fogão, monumental e inabalável como uma rocha no meio das ondas, mexendo com fúria alguma coisa em uma enorme frigideira enegrecida, que havia trazido consigo em sua bolsa imensa.

— Não vejo nada, resmungou a sogra, sem interromper o que estava fazendo.

A espátula raspava no metal de um jeito que fazia os dentes de Marina rangerem.

— Olha só, começou a berrar.

Os vizinhos vão ouvir e pensar que estão matando alguém aqui.

Oleg vai chegar do trabalho com fome de lobo, e o que você tem na geladeira?

Uma gosma verde?

Eu não daria isso nem para um gato, quanto mais para um homem saudável.

Marina deu um passo à frente, batendo os pés descalços no chão.

Pareceu-lhe que até as solas grudavam no laminado.

Seu olhar correu até a pia de pedra artificial, cara, bege, que ela havia escolhido durante três semanas.

Agora boiavam nela cascas de beterraba, pedaços de casca de cebola e manchas de gordura.

E ao lado, sobre a bancada branca como neve, jazia carne de porco descongelada, escorrendo um líquido sanguinolento.

Uma poça vermelha avançava lentamente em direção à junção com o painel da parede.

— Que diferença faz para vocês o que temos na geladeira?!

Marina sufocava de indignação e da fumaça acre.

— Eu tinha preparado sopa cremosa de brócolis!

Para três dias!

Estou vindo de um turno, estou cansada como um cachorro, eu só queria comer e ir dormir!

E vocês…

Vocês simplesmente vieram enquanto eu tomava banho e transformaram isto aqui num chiqueiro!

— O chiqueiro estava na sua panela, cortou Tamara Ivanovna, finalmente dignando-se a se virar.

Seu rosto brilhava por causa do calor, gotas de suor haviam surgido na testa, e o avental que ela aparentemente encontrara no armário, aquele mesmo, de linho, dado de presente, já estava salpicado de manchas marrons.

— Eu despejei a sua lavagem no vaso sanitário.

E ainda fiquei com medo de entupir.

Uma espécie de muco de pântano.

Um homem precisa de carne, precisa de força.

O seu anda pálido, dá medo de olhar.

No que ele se sustenta?

No seu brócolis?

Credo.

Ela cuspiu aquele “credo” com tamanho desprezo, como se Marina tivesse proposto a Oleg comer terra.

A sogra voltou-se novamente para o fogão, tirou a tampa da panela, e uma nova onda de cheiro cobriu a cozinha, repolho cozido e toucinho velho.

O cheiro era tão denso que parecia poder ser cortado com uma faca.

Marina sentiu um nó subir à garganta.

Ela olhou para as fachadas brilhantes dos armários superiores.

Nelas, bem na altura dos olhos, já reluziam pequenas gotas amarelas.

Gordura.

Gordura onipresente e impossível de eliminar, que Tamara Ivanovna espalhava generosamente ao redor de si como água benta.

— Vocês estragaram minha cozinha…

sussurrou Marina, sentindo a raiva se transformar em fúria fria.

— Vocês entendem quanto custaram essas fachadas?

Vocês entendem que isso não sai assim, simplesmente?

Por que estão fritando na banha?!

Nós temos óleo!

— O seu óleo é pura água, não frita nada, só queima, declarou a sogra de forma categórica, pegando com o garfo um pedaço de carne crepitante e jogando-o de volta na gordura, fazendo um novo festival de respingos voar para todos os lados.

— Com banha fica mais gostoso.

Mais natural.

Meu avô comia assim, meu pai comia assim, e Oleg também vai comer.

E essas suas fachadas…

Você passa um pano, não é nenhuma baronesa.

Transformou isto aqui num museu, não dá nem para cuspir em lugar nenhum.

Cozinha tem que trabalhar, menina, não brilhar como bolas de gato.

— Eu não vou limpar isso!

gritou Marina, perdendo os últimos restos de autocontrole.

— E Oleg não vai comer isso!

Nós não comemos esse tipo de coisa!

Nós temos alimentação saudável, vocês estão ouvindo ou não?

Vocês vieram sem avisar, abriram a porta com a chave que receberam para caso de vazamento, e organizaram uma sabotagem aqui!

— Sabotagem?

Tamara Ivanovna bufou e, limpando as mãos gordurosas diretamente nas coxas, apoiou-as na cintura.

— Eu sou mãe!

Vim alimentar meu filho, já que a esposa dele parece ter as mãos no lugar errado.

Você devia agradecer por eu estar no fogão enquanto você fica se lavando por uma hora.

O marido vai chegar, e na mesa vai ter borscht, bolinhos de carne, purezinho.

E não o seu…

purê de mato.

Marina olhava para aquela mulher e via diante de si não uma parente, mas uma ocupante.

Uma inimiga que havia tomado o território e agora impunha suas leis bárbaras.

A panela de borscht no fogão borbulhava ameaçadoramente, lançando gotas alaranjadas sobre o esmalte do fogão.

A frigideira soltava fumaça.

E Tamara Ivanovna estava no meio desse caos com ar de vencedora, tão certa de sua razão que isso beirava a loucura.

— Para fora, disse Marina em voz baixa, sentindo os joelhos tremerem.

— Saiam daqui.

Agora mesmo.

— Nem penso nisso, respondeu calmamente a sogra, pegando a espátula de novo.

— Os bolinhos ainda não chegaram ao ponto.

Estão crus por dentro.

Sente-se, acalme-se, beba um pouco de água.

Histérica.

Essa palavra foi o gatilho.

Marina entendeu que a conversa havia acabado.

A diplomacia morreu no momento em que sua sopa foi embora pelo esgoto.

Ela avançou decididamente até o fogão, sem se importar se a toalha poderia escorregar.

— Não ousem me tocar!

E não ousem mandar aqui!

Marina puxou a mão, onde ficou uma marca gordurosa da espátula.

A pele ardia não pelo golpe, mas pelo nojo.

— Desliguem o gás!

Agora mesmo!

— Nem penso nisso, disse Tamara Ivanovna, fechando a cara como um trator diante de uma parede de concreto, enquanto pegava do prato um pedaço de banha branca e o jogava com força na frigideira.

— Está ficando meio seco, Oleg não gosta assim.

Ele precisa que o caldo escorra, para depois molhar o pãozinho.

Aprenda enquanto eu estou viva, sua cabeça oca.

A gordura na frigideira rugiu.

Respingos incandescentes se espalharam em leque para todos os lados, alcançando até os lugares que Marina considerava seguros.

Gotas amarelas e oleosas, como estilhaços, atingiram o backsplash de azulejos italianos caros, aqueles mesmos que ela e Oleg haviam esperado dois meses sob encomenda.

Aqueles mesmos cujas juntas Marina esfregava com escova de dentes para que ficassem perfeitamente brancas.

Agora se espalhavam ali manchas horríveis e brilhantes, escorrendo para baixo, em direção à bancada.

Algo estalou na cabeça de Marina.

Alto, nítido, como se tivesse queimado o fusível responsável pela educação, pelo respeito aos mais velhos e pelo instinto básico de autopreservação.

Ela viu a gordura atingir a torneira cromada, e o mundo se estreitou até o tamanho daquela maldita frigideira de ferro fundido.

— Aprender, é?

sibilou Marina.

Sua voz ficou baixa, vibrando de raiva contida.

— Então olhem com atenção.

A aula acabou.

Ela se lançou para o fogão.

Tamara Ivanovna, que não esperava tamanha rapidez da nora geralmente quieta, tentou proteger a boca do fogão com o corpo, estendendo o cotovelo à frente, mas Marina agia por instinto.

Ela agarrou a borda da toalha de banho, enrolou-a na mão e se prendeu ao cabo da frigideira pesada e incandescente.

— O que você está inventando?!

Coloque isso no lugar agora!

gritou a sogra, percebendo o que estava acontecendo.

Seus olhos se arregalaram, e o rosto ficou coberto de manchas vermelhas.

— Isso é comida!

Isso é dinheiro!

Coloque no lugar, idiota!

Mas Marina já não ouvia.

Os músculos se contraíram, levantando quilos de ferro fundido e carne.

A frigideira balançou, a gordura transbordou pela borda, quase escaldando suas pernas, mas Marina não parou.

Com um puxão brusco, ela se virou para a pia.

— É assim que molhamos o pãozinho!

gritou ela, virando a frigideira diretamente na pia.

Os bolinhos de carne, dourados, quase prontos, exalando aquele mesmo aroma “masculino”, caíram com um baque surdo no fundo da pia de pedra artificial.

Em seguida, veio o óleo fervente.

Marina, sem perder um segundo, puxou a alavanca da torneira até o fim.

A água gelada atingiu a gordura incandescente.

O efeito foi como a explosão de uma pequena bomba.

A cozinha foi imediatamente tomada por um vapor espesso e azulado.

Ouviu-se um chiado que fez os ouvidos tamparem, o som da esperança de um jantar morrendo.

O vapor bateu no rosto, misturado a miríades das menores partículas de gordura, que agora se depositavam absolutamente em tudo: nos cabelos de Marina, em sua toalha limpa, na janela, nos armários.

— A-a-a-a!

uivou Tamara Ivanovna, como se estivessem cortando ela mesma, e não a carne de porco.

Ela se lançou para a pia, sem ligar para as nuvens de vapor.

— Monstros!

Os alimentos!

Porco fresco!

Eu escolhi no mercado desde manhã, os melhores pedaços!

O que você fez, sua víbora?!

Marina olhava para a pia.

A visão era repulsiva.

A água, misturando-se à gordura, a resfriava instantaneamente, transformando-a em flocos esbranquiçados e endurecidos que grudavam nos pedaços marrons de carne.

Os bolinhos flutuavam naquela água turva, lembrando afogados em um lago sujo.

A comida bonita e “saborosa” se transformou em lavagem em um segundo.

— Salvar!

Temos que salvar!

murmurava a sogra, tentando enfiar as mãos diretamente sob o jato de água para resgatar pelo menos alguma coisa.

— Não ouse!

rugiu Marina.

— Isso é lixo!

Na minha casa, isso é lixo!

Ela empurrou a mão da sogra.

Tamara Ivanovna, uma mulher pesada e corpulenta, cambaleou, mas se manteve de pé, agarrando-se à borda da bancada.

— Você é possuída!

Você precisa de tratamento!

gritava ela, cuspindo saliva.

— Uma mãe se esforçou, fritou, dobrou as costas, e ela…

No vaso, na pia!

Que suas mãos sequem!

Marina percebeu que estava prestes a vomitar.

Pelo cheiro de gordura molhada e esfriando, pela visão daquela mulher que estava pronta para comer até do lixo, contanto que não admitisse a derrota.

— Fora!

gritou Marina novamente.

Ela virou as costas para a sogra, apoiou as omoplatas no peito macio e imenso dela e começou a empurrar.

Era como tentar mover um armário cheio de trapos velhos.

Tamara Ivanovna fincava os pés, agarrava-se ao batente da porta, aos puxadores das gavetas, mas a fúria deu forças a Marina.

— Não encoste em mim!

Vou chamar a polícia!

guinchava a sogra, mas passo a passo recuava em direção à saída da cozinha.

— Você vai me deixar roxos!

Oleg vai ver!

Vou contar tudo!

— Conte!

Que ele veja!

Que ele veja este chiqueiro!

Marina a empurrava, sentindo nas costas o calor daquele corpo estranho e desagradável.

— Para fora do meu apartamento!

Ela literalmente espremeu Tamara Ivanovna para o corredor.

A sogra tropeçou na soleira, abriu os braços tentando manter o equilíbrio e bateu com estrondo na sapateira.

As panelas no fogão continuavam fervendo, enchendo o apartamento com o cheiro de repolho passado do ponto, e da pia ainda subia vapor, mas a principal fonte do caos finalmente havia sido expulsa do perímetro da cozinha.

Marina ficou parada no vão da porta, respirando pesadamente.

A toalha escorregara, deixando um ombro à mostra, e os cabelos estavam grudados pela umidade.

Ela se sentia suja, profanada, como se a tivessem banhado naquele mesmo borscht.

— Você vai pagar por isso…

sibilou Tamara Ivanovna, ajeitando o robe desalinhado.

Em seus olhos já não havia confusão, apenas uma maldade fria e vingativa.

— Você deixa meu filho passar fome e expulsa a mãe dele de casa?

Pois espere só…

Nesse momento, a porta de entrada bateu.

O som da chave girando soou como o disparo de uma pistola de largada antes de uma nova etapa da corrida pela sobrevivência.

— Olezha!

A sogra mudou imediatamente de tom, e sua voz ganhou notas chorosas e queixosas.

— Filhinho!

Você chegou, meu querido!

Estão nos matando aqui!

— Meu Deus, que cheiro é esse?

A voz de Oleg soou da entrada, e nela não havia nem preocupação nem compaixão, apenas uma expectativa animal, quase primitiva.

— Bolinhos de carne?

Mãe?

Você está aqui?

E eu pensando que cheiro era esse desde o primeiro andar, quase me afoguei na saliva!

Ele entrou na cozinha, tirando a gravata enquanto andava, e parou imóvel.

A cena diante dele era digna do pincel de um pintor louco.

Sua mãe, vermelha, com o rosto distorcido pela justa indignação, pressionava-se contra o batente da porta como se tentasse se fundir à parede.

E no meio da cozinha devastada, envolta em nuvens de vapor, estava sua esposa, com a toalha caída, os cabelos desgrenhados, parecida com uma valquíria depois de uma batalha perdida.

Mas o olhar de Oleg passou por elas.

Fixou-se na pia.

Ali, na água turva, entre pedaços de gordura, eles boiavam.

Os mesmos bolinhos cujo cheiro fizera seu estômago se contrair em espasmo de fome ainda no elevador.

Porco com alho, uma crosta dourada que agora amolecia, transformando-se em algo viscoso.

— Você…

Oleg lentamente voltou o olhar para Marina.

Seu rosto começou a se encher de um sangue ruim, e nos olhos, geralmente calmos e até um pouco indiferentes, acendeu-se uma luz desagradável.

— O que você fez?

Isso…

Isso é comida.

— Isso é lavagem!

gritou Marina, sentindo algo se romper por dentro.

Ela esperava que ele a defendesse.

Esperava que ele visse aquele caos, visse o estado dela e expulsasse a mãe porta afora.

Mas ele via apenas os bolinhos de carne.

— Sua mãe transformou isto aqui num chiqueiro!

Ela despejou minha sopa!

Ela estragou a bancada!

Olhe para os azulejos, Oleg!

Olhe para essa meleca gordurosa!

— Sopa?

repetiu ele, fazendo uma careta.

— Aquela gosma verde que me deixa inchado?

Graças a Deus que ela jogou fora!

Eu sou homem, Marina!

Eu trabalho!

Eu quero carne, não a sua silagem!

Minha mãe veio, cozinhou como gente, e você…

— Olezha, meu filho!

Tamara Ivanovna, percebendo o apoio, desgrudou imediatamente do batente e correu até o filho, agarrando-o pela manga.

— Eu só queria o melhor!

Vejo você magro, pálido, só sobraram os olhos!

Comprei filé, o melhor, no mercado, com a tia Valya!

Pensei em fritar para te agradar…

E ela!

Atacou como uma fúria!

Quase me matou com a frigideira!

Jogou água fria em tudo!

Estragou os alimentos, aquela desalmada!

Oleg sacudiu a mão da mãe, mas não com brutalidade, e sim com impaciência.

Ele deu um passo até a pia, sem tirar os olhos do jantar destruído.

— Você ficou completamente louca?

rosnou ele, virando-se de corpo inteiro para Marina.

Agora ele pairava sobre ela, e pela primeira vez em cinco anos de casamento ela sentiu uma ameaça física.

— Minha mãe nos alimenta, se esforça, gasta o próprio dinheiro!

E você torce o nariz?

Sua ingrata miserável!

Suas mãos cairiam se você dissesse obrigada?

— Obrigada?!

Marina ficou sem ar de indignação.

— Por ela invadir minha casa?

Por ela me humilhar?

Por ela transformar minha cozinha em um curral?!

Oleg, acorde!

Isso não é cuidado, é violência!

— Cala a boca!

rugiu ele tão alto que a louça no armário tilintou.

— O curral está na sua cabeça!

Uma mulher normal ficaria feliz por a sogra ajudar!

Mas você só sabe falar das suas dietas e reformas!

“Não toque nisso, não coloque ali”!

Credo!

Ele se aproximou da pia.

Marina observou horrorizada enquanto ele, sem fazer careta, enfiava a mão diretamente na água gordurosa e já fria.

Ele apalpou ali o maior bolinho de carne, do qual parte da crosta já havia se soltado, e o tirou.

Uma gosma turva pingava dele, e pedaços de cebola encharcada grudavam na lateral.

— Oleg…

Não faça isso…

sussurrou Marina, sentindo a náusea subir à garganta.

— Isso é sujeira…

Isso estava na pia…

— Coma você mesma o seu mato!

retrucou ele.

Demonstrativamente, olhando Marina diretamente nos olhos, ele levou o bolinho molhado e viscoso à boca e mordeu um pedaço enorme.

A gordura escorreu pelo queixo, pingando na camisa branca, mas ele nem se limpou.

Ele mastigava com fúria, fazendo barulho, como se tentasse provar ao mundo inteiro e àquela cozinha estéril seu direito de ser um animal.

— Gostoso!

resmungou ele de boca cheia, e pedaços de carne moída caíram no chão.

— Mãe, está muito gostoso!

Nada a ver com aquela gororoba sem gosto dela!

Comida de verdade!

Tamara Ivanovna abriu um sorriso largo, mostrando um dente de ouro.

Ela olhava para o filho com ternura, como se ele não estivesse comendo restos tirados da pia, mas declamando poesia em uma festinha escolar.

— Coma, meu filho, coma, cantarolou ela, aproximando-se e acariciando-lhe as costas.

— Eu sabia que você ia gostar.

Ainda vou fritar mais!

Sobrou carne moída ali!

E essa…

essa aí nós nem vamos perguntar!

Que mastigue a salada dela, já que é tão orgulhosa!

Oleg engoliu o pedaço sem mastigar e estendeu a mão para o segundo bolinho.

Ele os pescava da água suja um por um, colocando-os diretamente sobre a mesa, na toalha limpa, deixando ali manchas gordurosas e molhadas.

— Sente-se, mãe, murmurou ele, apontando para uma cadeira.

— Não escute ela.

Você é de ouro para mim.

E ela…

vai se acalmar depois do chilique.

Quando quiser comer, vai até tirar do lixo.

Marina observava aquele banquete de loucura.

O marido, que ela considerava uma pessoa inteligente, estava sentado diante dela com as mãos gordurosas, coberto de manchas, devorando carne molhada pescada do ralo.

A mãe dele estava ao lado, de braços cruzados no peito com ar vitorioso, olhando para a nora como se ela fosse nada.

Naquele momento, algo morreu dentro de Marina.

Não o amor, nem o respeito, pois isso já havia desaparecido antes.

Morreu a esperança.

A esperança de que aquilo fosse apenas um mal-entendido, de que eles fossem pessoas com quem se podia chegar a um acordo.

Diante dela não estavam pessoas.

Diante dela estavam dois estômagos sobre pernas, para os quais um pedaço de porco frito era mais importante do que a dignidade humana, mais importante do que a limpeza, mais importante do que os sentimentos dela.

— Bom apetite, disse ela em voz baixa.

A voz era estranha, de madeira.

Oleg nem olhou para ela.

Estava ocupado arrancando com os dentes um pedaço de carne que não havia terminado de fritar por dentro e ainda estava rosado.

— Saia daqui, soltou ele, sem parar de mastigar.

— Não estrague nosso jantar com essa cara azeda.

Vá para o quarto e pense no seu comportamento.

Talvez fique mais esperta.

Tamara Ivanovna deu uma risadinha, cobrindo a boca com a mão.

— Exatamente, Marinochka.

Vá tomar um ar.

E nós vamos ficar aqui com meu filhinho, conversar um pouco.

Faz tempo que não nos vemos direito, sem suas histerias.

Marina recuou lentamente até o armário embaixo da pia.

Ali, atrás da porta branca, estavam os produtos de limpeza.

Muitos produtos de limpeza.

Ela amava a limpeza.

Ela amava quando tudo brilhava.

E agora compreendeu que, naquela cozinha, havia apenas uma maneira de pôr verdadeira ordem.

A única maneira de lavar aquela sujeira, que não havia penetrado nas superfícies, mas na própria essência da vida deles.

— Eu não vou sair, disse ela, e aço ressoou em sua voz.

— Ainda não terminei aqui.

A limpeza está apenas começando.

Ela abriu a porta do armário.

— Eu não vou sair, repetiu Marina, e sua voz soou surpreendentemente calma, até cotidiana.

Assim se fala não com um marido amado, mas com um vendedor insistente a quem já se explicou pela décima vez que não se precisa de um aspirador.

— Ainda não terminei aqui.

A limpeza está apenas começando.

Ela abriu lentamente, saboreando cada movimento, a porta do armário sob a pia.

Um cheiro químico e agressivo de produtos de limpeza atingiu seu nariz, seu arsenal, seus soldados fiéis na luta pela esterilidade que aqueles dois haviam pisoteado de forma tão bárbara.

A mão pousou, por hábito, no plástico frio da garrafa do desengordurante mais agressivo.

“Para as sujeiras mais resistentes”, dizia o rótulo.

Marina sorriu de lado.

O que estava acontecendo agora em sua cozinha era exatamente esse tipo de sujeira.

Entranhada.

Tóxica.

Oleg continuava mastigando, fazendo barulho e sem tirar da esposa o olhar turvo.

A gordura escorria pelo queixo dele, pingando na mesa, mas ele parecia não notar, embriagado pelo próprio poder e pela comida da mamãe.

Tamara Ivanovna sorria vitoriosamente, colocando um guardanapo para o filhinho como uma galinha cuidadosa.

— Não consegue parar de admirar?

resmungou Oleg de boca cheia.

— Aprenda enquanto minha mãe está viva.

Talvez entenda como se deve agradar a um homem.

Mas você só sabe dessas suas dietas, credo…

Marina não respondeu.

Ela desenroscou a tampa em silêncio.

O cheiro cáustico de álcali saiu imediatamente, sobrepondo-se ao fedor de cebola queimada.

Ela avançou até a pia, onde os restos do “jantar” boiavam na água que esfriava.

— O que você está fazendo?

perguntou Tamara Ivanovna, alerta, pressentindo algo errado.

— Desinfecção, respondeu Marina brevemente.

E virou a garrafa.

O líquido espesso, venenoso e transparente jorrou na pia, diretamente sobre os bolinhos que Oleg ainda não havia conseguido pescar.

O produto químico reagiu instantaneamente com a gordura.

Ouviu-se um chiado, e a espuma começou a subir.

O cheiro tornou-se insuportável, ardendo nos olhos.

— O que você está fazendo, idiota?!

rugiu Oleg, levantando-se da cadeira.

O bolinho caiu de suas mãos, espatifando-se de volta naquela gosma química.

— Isso é comida!

— Isso não é comida, disse Marina, virando-se para o fogão.

Ali, na enorme panela, o borscht vermelho e gorduroso ainda borbulhava.

— Isso é resíduo biológico.

E resíduos precisam ser descartados.

Ela despejou uma porção generosa do produto diretamente no caldo fervente.

A espuma subiu imediatamente como um chapéu, transbordando pela borda, chiando sobre a boca do fogão e cobrindo o esmalte.

Um vapor acre atingiu o teto.

— A-a-a!

gritou a sogra, agarrando o peito.

— Envenenou!

Envenenou o borscht!

Filhinho, ela quer nos mandar para o outro mundo!

Bruxa!

Oleg ficou parado, arroxeado, cerrando os punhos.

As veias do pescoço incharam.

Ele parecia um touro enfurecido, mas Marina já não tinha medo.

Ela via diante de si não um homem, mas uma pessoa estranha e desagradável, com lábios gordurosos e olhos vazios.

— Come!

gritou ela de repente, atirando a garrafa vazia no canto.

O plástico ricocheteou na parede com estrondo.

— Come agora!

Você gosta de comer do lixo!

Vamos, sirva-se!

Com produto químico fica ainda mais gostoso, mais limpo!

E então?!

Ela agarrou da mesa o prato com os bolinhos já mordidos que Oleg havia conseguido juntar e, sem olhar, despejou sobre ele o resto de outra garrafa, o produto de limpar vaso sanitário que estava ali mesmo, sobre a bancada.

O líquido azul vivo cobriu a carne cinzenta, transformando-a em uma massa surreal e intragável.

— Bom apetite!

rugiu Marina.

Oleg sufocou de raiva e por causa do fedor.

Ele ergueu a mão, pronto para bater, mas algo nos olhos da esposa, uma calma absolutamente gelada e morta, deteve seu braço.

Ele entendeu que, se batesse, ela o queimaria.

Não em sentido figurado.

Naquele momento, ela era capaz de tudo.

— Você…

Você é doente, rouquejou ele, recuando um passo e limpando os lábios gordurosos na manga da camisa.

— Você precisa ir para um hospício.

Vadia.

— Vá embora daqui!

guinchou Tamara Ivanovna, tentando salvar a panela, mas logo puxou a mão de volta, queimada pelo vapor químico.

— Estragou tudo!

Os alimentos!

O trabalho!

— Este é o meu apartamento, disse Marina em voz baixa, mas clara.

— E a minha cozinha.

E sou eu que ponho ordem aqui.

E vocês…

Vocês dois são sujeira.

Sujeira gordurosa e pegajosa, que eu tentei limpar durante anos, mas que se entranhou para sempre.

Ela percorreu a cozinha com o olhar.

O caos era total.

O chão estava coberto de água e espuma, sobre a mesa havia bolinhos azuis, no fogão, borscht espumando.

O ar estava tão envenenado que doía respirar.

Mas para Marina parecia o ar mais puro que ela havia respirado nos últimos anos.

Era o cheiro da liberdade.

Liberdade da necessidade de suportar, agradar e assistir sua vida ser transformada em chiqueiro.

— Vou para o quarto, disse ela, olhando através do marido.

— Em dez minutos, não quero ver aqui nem vocês nem o fedor de vocês.

E se ficarem, vou despejar água sanitária no apartamento inteiro.

Junto com vocês.

E acreditem, minha mão não vai tremer.

Ela se virou e saiu da cozinha.

As costas estavam retas como uma corda.

Atrás dela ouviam-se tosse, as maldições da sogra e os mugidos confusos de Oleg, que ainda não havia entendido o que acontecera.

Ele continuava olhando para seus bolinhos azuis, incapaz de compreender que o jantar havia terminado.

Terminado para sempre.

Marina entrou no quarto e fechou bem a porta atrás de si.

O clique da fechadura soou como um tiro no silêncio.

Ela não chorava.

Não havia lágrimas.

Havia apenas uma sensação oca e surda de limpeza por dentro.

Ela se sentou na cama e olhou para as mãos, que ainda cheiravam a cloro e “limão”.

Ela sabia que aquele cheiro jamais sairia.

Assim como aquilo que vira hoje na cozinha.

Atrás da porta, no corredor, começou algum barulho, tilintar de louça, mas isso já não dizia respeito a ela.

Era o ruído de outra vida, onde as pessoas comem da pia e consideram isso normal.

No mundo dela, dali em diante, haveria silêncio.

E, acima de tudo, esterilidade.

Marina deitou-se sobre a colcha, fechou os olhos e, pela primeira vez naquela noite, respirou fundo, sentindo a queimadura química na nasofaringe queimar os últimos restos de pena por aquelas pessoas.

A limpeza havia sido concluída com sucesso…

Compartilhe com os amigos