O milionário demitiu trinta e sete babás… até que uma funcionária fez o impossível…

Meu nome é Ricardo Mendoza Albuquerque, tenho trinta e seis anos e, há pouco mais de um ano, perdi minha esposa, Clarice.

Uma forma agressiva de câncer a levou de mim em apenas seis meses.

Desde aquele dia, minha vida e a vida das minhas seis filhas se transformaram em um verdadeiro caos que dinheiro nenhum conseguiu consertar.

Sou o fundador da empresa de tecnologia Mantec, avaliada em mais de um bilhão de reais.

Por fora, parece que tenho absolutamente tudo: uma enorme mansão em Morumbi, carros caros e uma fortuna que seria suficiente para várias gerações.

Mas, quando existe um vazio dentro de nós, centenas de metros quadrados e números intermináveis na conta bancária apenas aumentam o eco desse vazio.

Somente nas últimas duas semanas, trinta e sete babás atravessaram a porta da minha casa.

Algumas saíram correndo daqui em lágrimas, enquanto outras juraram que nunca mais voltariam, nem mesmo por todo o ouro de São Paulo.

Os funcionários das agências já colocaram minha família em uma lista negra informal.

Somos considerados um caso sem esperança.

E não posso culpar nem a mim mesmo nem às meninas.

Tudo se deve à ferida deixada pela morte de Clarice.

É como se ela nunca cicatrizasse, mas continuasse doendo, transformando o silêncio de cada cômodo em um grito silencioso.

Antigamente, esta casa era cheia de risadas, músicas e do cheiro de pão caseiro recém-assado.

Agora, aqui cheira a tinta das paredes, brinquedos quebrados e lágrimas que foram contidas por tempo demais.

E minhas filhas… Meu Deus, minhas meninas.

Mariana, a mais velha, tem doze anos e possui a mente mais perspicaz que já conheci em uma criança.

Ela comanda as irmãs mais novas como se fossem um pequeno pelotão travando sua própria guerra contra o mundo inteiro.

Foi Mariana quem, no dia do funeral da mãe, olhou para mim e disse: “Nenhuma mulher jamais ocupará o lugar dela, papai.

Ninguém.”

Desde então, cada nova babá se torna automaticamente, para ela, uma inimiga que precisa ser expulsa de casa.

Depois vêm as gêmeas de seis anos, Beatriz e Bianca.

Duas garotinhas que sorriem justamente quando estão planejando mais uma travessura.

Elas escondem insetos de brinquedo dentro dos sapatos, passam cola nas portas e colocam comida dentro das gavetas dos móveis.

Quando estão preparando mais uma travessura, às vezes o riso delas me parece uma reação de defesa diante de uma dor que elas simplesmente ainda não sabem expressar de outra maneira.

Laura, de dez anos, enfrenta sua própria batalha.

Depois da morte de Clarice, ela começou a arrancar os próprios cabelos em grandes mechas.

Áreas visivelmente falhadas apareceram em sua cabeça — marcas da ansiedade que nem mesmo os psicólogos mais caros conseguiram ajudá-la a controlar.

Julia, de nove anos, sofre com ataques de pânico, especialmente à noite.

Às vezes, no meio da noite, ouço-a gritar o nome da mãe do outro lado do corredor, enquanto eu mesmo fico paralisado diante da porta dela, sem fazer a menor ideia do que devo fazer para ajudá-la.

Sofia, de oito anos, voltou a fazer xixi na cama.

Não por preguiça nem por acidente — a causa é o medo e uma regressão emocional que sua mente infantil ainda não consegue controlar.

E, finalmente, a mais nova — Isabela, de três anos.

Depois da morte da mãe, ela quase parou de falar, ocasionalmente pronuncia uma ou duas palavras e só come normalmente quando está quase adormecendo.

Hoje eu estava diante da janela, observando mais uma babá sair correndo da nossa casa.

Seu uniforme estava rasgado e seus cabelos haviam adquirido inesperadamente um tom esverdeado — resultado de mais uma cruel travessura das gêmeas.

Naquele momento, fui tomado por uma mistura de vergonha e completo desespero.

Trinta e sete pessoas em duas semanas.

Trinta e sete mulheres, e cada uma delas dizia praticamente a mesma coisa antes de ir embora: essas crianças não precisam de disciplina.

Elas precisam de uma mãe.

E eu não posso devolver a mãe delas.

Meu assistente pessoal, Augusto, ligou justamente quando eu ainda observava o táxi se afastando.

— Senhor Mendoza, não restam mais agências em nossa lista.

As últimas também classificaram nossa família como um caso que ninguém quer assumir.

— Então as opções profissionais acabaram — respondi cansado.

— Há mais uma possibilidade, senhor.

Poderíamos pelo menos contratar temporariamente uma faxineira, para que alguém mantivesse a casa em ordem enquanto procuramos outra solução.

Suspirei profundamente.

Naquele momento, até mesmo o mínimo de ordem me parecia um verdadeiro milagre.

— Façam isso.

Encontrem qualquer pessoa que aceite vir até aqui.

A alguns quilômetros da minha mansão, uma jovem chamada Luia Oliveira acordou às cinco e meia da manhã.

Ela tinha vinte e cinco anos, mas seu rosto já carregava o cansaço constante de alguém que trabalha por dois e sonha por dez.

Seu pai era pedreiro e havia se aposentado recentemente.

Sua mãe vendia doces caseiros.

Desde os dezoito anos, Luia limpava casas de outras pessoas para pagar seus estudos noturnos em psicologia infantil.

Naquela manhã, enquanto se preparava para ir ao seu trabalho habitual, enfrentando três baldeações, ela recebeu inesperadamente uma ligação de uma agência com a qual às vezes trabalhava.

— Luia, temos um serviço urgente.

Uma mansão em Morumbi.

O pagamento é o dobro do habitual.

O cliente precisa de alguém ainda hoje.

— O dobro? — perguntou ela, olhando para as contas não pagas que estavam sobre a mesa.

— Exatamente.

— Envie o endereço.

Estarei lá em duas horas.

É claro que ela ainda não sabia que não estava indo simplesmente para uma casa rica.

Ela estava prestes a entrar em uma mansão impregnada de luto e enfrentar a fúria de seis meninas que, após a morte da mãe, haviam declarado guerra ao mundo inteiro ao seu redor.

Duas horas depois, o táxi parou diante dos altos portões de ferro forjado da mansão da família Mendoza Albuquerque.

Luia saiu do carro usando uma simples blusa branca e jeans surrados.

Nas costas, carregava uma velha mochila, seus cabelos cacheados estavam presos às pressas em um coque desajeitado, e seus olhos escuros observavam atentamente tudo ao redor.

E, acima de tudo, não havia neles absolutamente nenhum medo.

Da janela do andar superior, seis pares de olhos a observavam.

— Mais uma vítima — disse Mariana friamente.

As gêmeas deram uma risadinha silenciosa.

— Vamos ver quanto tempo esta vai durar.

Quando a nova funcionária atravessou a porta da casa, Ricardo a recebeu em seu escritório.

Ele queria explicar imediatamente o que estava acontecendo, mas não conseguia decidir por onde começar.

— A casa precisa de uma limpeza completa — disse finalmente.

— E as meninas estão passando por um período muito difícil neste momento.

— O senhor Augusto me disse que fui contratada apenas para fazer a limpeza.

Não devo cuidar das crianças.

— Exatamente.

Nada mais.

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